Alfredo Barroso e Teresa Caeiro: o bloco central da peixeirada

Uma homenagem a peixeiras, varinas, e outras honradas trabalhadoras de língua solta. A presença de Mário Crespo neste debate, por sua vez, é um tributo às floristas, em particular às que se dedicam a arranjos florais.

Veja também a segunda parte:

Comments

  1. Fernando says:

    Eu ja desconfiava, mas fiquei agora a saber que em Portugal e’ tao importante e obrigatorio tratar um “doutor” por doutor, como um soldado tratar um general pela respectiva patente militar.. Veja-se no video que o sr. Barroso sentiu-se ofendido por a Teresa ( que e’ tembem doutora) nao o tratar por doutor. E’ a parolice a’ portuguesa.

    • Artur says:

      O que é que nos importa que lá fora não se tratem os doutores por doutores? Temos que copiar tudo o que é estrangeiro porque o estrangeiro é que é bom e moderno?Se a NOSSA tradição é essa e não causa prejuizo a ninguém qual é o problema? Caiem-lhe os tomates a alguém por tratar o outro por doutor, ou por engenheiro ou por professor, etc? Sendo que cada vez mais as recompensas por se obter um canudo são cada vez mais insignificantes, ao menos que ostentem orgulhosamente o título como recompensa do dinheiro, do tempo e do esforço que gastaram na sua formação.

      • Rodrigo Costa says:

        Artur,

        Sabendo que a pessoa é formada, eu trato-a, sem qualquer problema, pelo seu título.
        Entre colegas, acho ridículo, é snobe; é, de facto, parolo; soa como que a pessoas que, sem títulos, não se aguentam; e a verdade é que, grande parte delas, sem o título, nada têm que as recomende.

        As tradições são o que são, enquanto não se faz luz e não se percebe que a tradição tem que dar lugar à razão. E a tradição era —e, em parte, ainda é— o médico tratar o paciente, qualquer paciente —às vezes, até, idosos— por “tu”.

        A este propósito, dei, um dia destes, umas gargalhadas, porque um amigo meu, da minha laia, foi a uma consulta, e o médico começou a tratá-lo por tu. Até que, sendo a vez de o meu amigo fazer uso da palavra, fê-lo… tratando o médico por “tu”, também. Houve um momento de fricção, mas o médico compreendeu que tinha que tinha passado o risco , e tudo regressou ao que deveria ser o princípo: o Senhor e o Sr. Doudor.

        Poderá perguntar-me: mas “cairam os toamtes” ao seu amigo, pelo facto de o médico o ter tratado por “tu”?… —Tanto assim que não lhe cairam; os do médico é que não ficaram no sítio.

        Devo dizer, inclusive, que muitas das recompensas do investimento nos títulos são excessivas, se pararmos a conversar, alguns minutos, com muitos destes encanudados. Depois, Artur, por mais que se invista em títulos e em diplomas, ninguém consegue ser mais que ninguém, embora eu perceba —por ser a minha prática— que o respeito deve presidir, bilateralmente, nos relacionamentos.

        Quanto ao Dr. Alfredo Barroso, não foram os títulos ou a inteligência que o catapultaram para estes patamares, mas o facto de ser, pura e simplesmente, o sobrinho do Dr. Mário Soares; pelo que, mandaria o Senso, deveria ter sido prudente, contido, porque a Senhora Doutora também será formada; sendo legítimo tratarem-se pelo nome e sem a excrescência, libertos de complexos —se ouvir o Dr Eduardo Barroso, também sabe de onde lhe vem a exaltação: tem a ver com essa eclosão de barrosos, por alturas do “reinado” do tio E até soube, um destes dias, que o homem não é a sumidade que se apregoa; e garanto-lhe que não me foi dito por nenhum curioso.

        Nota: a lenga-lenga nem a ouvi, porque já sei do que a “casa” gasta, sendo os actores sempre os mesmos, com uma ou outra nuance.

        • Pedro says:

          Rodrigo, não está em causa saber quem é que catapultou o Alfredo Barroso ou a Teresa Caeiro, ou qual a inteligência de um e outro, se um e outro têm mérito. Não faço ideia, por exemplo, quais os méritos e quais os tios e tias da Teresa Caeiro, nem me interessa. Isto tudo tem a ver é com a forma como se tratam as pessoas entre si. O que me parece claro é que é diferente dizer “a senhora Teresa”, por um lado, a dizer “a Teresa Caeiro “, ou a “doutora Teresa Caeiro”, por outro, ou não? Ou deixámos de saber estas coisas e estas coisas agora, de repente não interessam nada?


      • Essa coisa de uma tradição ser nossa apenas por termos nascido num dado sítio tem a sua piada, mas dou isso de barato. O problema é que não se trata de qualquer coisa sem consequências, esta tradição dos títulos causa prejuízos.

        O uso dos títulos académicos como se de títulos nobiliários se tratassem tem a consequência de criar uma barreira no relacionamento entre as pessoas. Isto cria os mais variados efeitos. Por exemplo, é interessante notar que os que mais insistem neste tipo de tratamento são em regra os mais incompetentes. Tenho observado isto em primeira mão em várias empresas. O título é usado como se de um escudo se tratasse, atrás do qual o incompetente se esconde.

        Finalmente, este cartoon vem a propósito – por ser cada vez mais pertinente. O dinheiro gasto no canudo não compra mérito e não compra competência, que é justamente aquilo com que mais nos deveríamos preocupar (esta preocupação nunca foi tradição em Portugal talvez alimentada pela reverência com que nos tratamos por doutor e engenheiro).

        Também vi este assunto tratado em: O senhor doutor é um parolo.

        Posto isto, discussões entre pessoas destas (Barroso vs Caeiro) têm o interesse que têm.

      • Ana C. says:

        «Sr. Dr., sr. Eng. sr. Arq, Sr. Prof….» (e agora até, Sr. Enfermeiro!!!!!) – um costume fascizante, subserviente e humilhante de que nem 40 anos de democracia não nos conseguiram libertar. Lembro-me da minha professora francesa de Francês nos dizer que em França só os médicos eram tratados por “docteur” e os advogados por “maître” e unicamente no exercício das suas funções. Cá fora eram “monsieur” (ou “madame”) como qualquer outro cidadão, fosse ele analfabeto, diplomado, licenciado ou doutorado, ou o diabo a quatro. Esta prática, está visto, tem as suas raízes na sempre fascista Faculdade de Direito de Coimbra, que continua a criar fascistazinhos às fornadas, mai-las outras faculdadezinhas de Direito que por aí pululam, je-je.

    • Pedro says:

      Ó Fernando, com essa táctica, arrisca-se a passar por ingénuo ;). A Teresa Caeiro queria mesmo achincalhar o Barroso, é estranho que não perceba. O Barroso afinou, precisamente, porque percebeu as intenções da senhora Teresa. É óbvio que se ela o tivesse tratado simplesmente por “o Alfredo Barroso”, como é também comum e da praxe, seria diferente. Portanto, parola é a senhora, que não se sabe comportar.
      De resto, acho muito bem, sim senhor. Eu acho engraçado quando de repente, por causa do “o Álvaro” o ministro moderno, toda a gente quer romper com o protocolo. Pra mim, tá porreiro. Quando vir o Passos Coelho, trato-o por senhor Pedro e mai nada. Está bem assim sem as patentes, para não parecermos parolos (córror), ou não, Fernando?

      • Ana C. says:

        Quando se trata alguém por “Senhor” deve ser “Senhor + apelido” e nunca “Senhor + 1º nome”. Isso sim, é que é uma verdadeira parolice, parolice essa que infelizmente parece ter-se generalizado em Portugal a todos os níveis.

  2. António Louro says:

    Ela chama-lhe de básico entre outras coisas, e o Fernando diz que ele é parolo, um pouco faccioso parece-me.

  3. Quimzinho de Fiore says:

    Ena esta gaja! Vou vomitar já volto! Dasssss


  4. Logo de início, Barroso convidado para comentar, lê um fastidioso artigo do expresso, interminável nos seus itens trapalhões, seguem-se quatro outras citações de Portas, para finalmente concluir: ” Quem foi, quem foi, diga lá quem foi?”. A esta infantilidade soma-lhe a irritação mal disfarçada de lhe terem sonegado o brioso título académico. Queria centrar o debate no achincalhamento fácil de um governo de um mês. Teresa Caeiro não deixou. Reconduziu sempre para o debate de ideias, criticando os caminhos para o lamaçal do outro. Mesmo face à tentativa lamechae infantil de Crespo para indagar da ofensasinha pessoal, respondeu recentrando a discussão nos assuntos da mesa. A infantilidade de Barroso e a pieguice bem intencionada de Crespo ficaram perdidas nos malfadados caminhos de 30 e tal anos de terceira república, que com tanta ternura recordaram. Só que o clã Soares já morreu, a malta do avental foi abatida há dias na derrota de Nobre, e o país exige a postura, de que Teresa Caeiro tem, no seguimento de Maria José Nogueira Pinto, que não se ensaiava para chamar os palhaços pelo nome.


  5. Mas será que a criatura é mesmo doutor, ou não passa de um simples licenciado. É que para usar essa designação – DOUTOR – é necessário a defesa de tese academica, e que se saiba a criatura em questão só deve mesmo ter defendido a tese de ser um lambe cus de Mario Soares… por mera coincidencia seu familiar!!!

  6. Konigvs says:

    Nunca vejo o programa do Mário Crespo. Não gosto.
    Não sei o que se ensina nos cursos de jornalismo, mas que a função de jornalista é fazer perguntas ao entrevistado sem o interromper em vez de o querer confrontar com as suas próprias ideias não é certamente.

    Curiosamente apanhei-os por uns segundos quando fazia zapping e pensei para mim “Esta Teresa Caeiro depois que apanhou trasorelho – doença infeccionsa que se carecteriza pelo inchaço da cara – está feia como um bode.
    E as plásticas chegaram ao parlamento.

  7. Manuel sem dr says:

    Deixem ver se percebi estes dois minutos, mesmo não sendo doutor. O primeiro minuto já vinha muito bem armadilhado (por outros), mas, esquecido de 10 longos anos, o segundo minuto, o tal que podia ter sido outro qualquer, mas que acabou por ser o primeiro, e por fim, um minuto (o tal que faltou) para acabar com os outros dois, mesmo sendo um. Tirem-me daqui por favor.

  8. Ele há gajos que não querem ser tratados por doutor ... says:

    E se se concentrassem no essencial e esquecessem o acessório? E o essencial meus caros amigos é “o que se diz na oposição” e o “que se diz quando se é governo”. O Senhor Dr. Alfredo Barroso embora um pouco entediante enumerou factos e promessas, dito em campanha que todos acham normal. É normal mentir aos portugueses? É. Os portugueses preocupam-se mais com as minudências do trato pelo título académico.


  9. Como descendente de uma peixeira, sinto-me atingido por esta tentativa de associar a má imagem destes comentadores à nobre profissão de vendedeiras de peixe.

  10. vergueiro says:

    O curioso é ver que o povo gostou. Ou seja os comentários centram-se no facto dos títulos académicos que cada interveniente tem e não nas questões essenciais.
    Vejamos: O Alfredo Barroso vem com a matéria estudada, pronto a dar uma chapada. E fez bem. Se não houver alguém que diga as verdades, então não há ninguém que defenda o povo das atitudes dos governos. Que eu saiba o fascismo acabou há muito tempo, por isso não aceito que a resposta da Teresa Caeiro seja acusar o oponente de se mover no “lamaçal”, como quem diz que o tipo é um incompetente e que é o “maior” junto dos incompetentes. Quando efectivamente ele esteve num dos governos que teve das missões mais complicadas de executar.
    A verdade é que não é num mês de governo. Querem enganar quem? Então o PDS não anda há um ano a dizer que não se podem subir impostos? Então e tudo o que se disse em Abril do PEC4, em que se disse que não era suficientemente profundo e que carregava nas famílias? E nas eleições? E tudo o que disse o Catroga durante as eleições? Ele foi dizendo (até o calarem) onde era preciso cortar.
    Então e agora não sabem? MENTIRA! MENTIRA E MENTIRA!. Mais uma! Até porque foi público que o Teixeira dos Santos deixou uma lista de medidas a tomar para cumprir o défice. Porque não a utilizam? Porque são impopulares? Pois, todas elas são.
    A mim não me choca que ao final de um mês ainda não tenham sido divulgadas medidas de cortes da despesa sérias, para além das gravatas. O que me choca é saber que então votámos em mentirosos. Que não faziam a mínima ideia do que diziam. Choca-me que para aumentarem o orçamento da Assembleia da república de 120 para 137milhões tenham precisado apenas de 15 dias de governo e que precisem de 2 dias para extinguir os governos civis que vão poupar 2milhões de euros. +17-2= +15milhões. Choca-me que tenham vindo ao final de 15 dizer que me vão roubar o subsídio de natal e que prometam que 15 dias depois vão anunciar cortes na despesa e afinal, depois dos 15 dias venham dizer que ainda vão estudar mas que será 10% em institutos do estado. Mas que institutos? Ainda há institutos? Está tudo parvo? 200mil professores 150mil profissionais de saúde, 130mil militares, 85mil funcionários das finanças e Serviços Sociais e Segurança Social, 60mil na justiça, Institutos do estado 30mil e 100mil nas administrações locais e regionais. Ora bem querem cortar onde? Nos 30mil? Devem dar uma fartura de euros!! acho que nem despedindo os 30mil devem ir buscar os 1,2mil milhões que precisam. E esquecem-se que muitos são institutos que servem directamente a população. Depois queixem-se que querem ir a um museu e está sempre fechado, ou que precisam de autorizações de serviços do estado e demoram 3 meses. Fazendo uma média de custo de 1500euros/mês por funcionário, a 14meses poupavam 672milhões. Não chega.
    Agora pasmem-se com os dados do eurostat em 2004:

    Suécia—————- 33,3%
    > Dinamarca———– 30,4%
    > Bélgica—————- 28,8%
    > Reino Unido——— 27,4%
    > Finlândia————- 26,4%
    > Holanda————– 25,9%
    > França—————- 24,6%
    > Alemanha———— 24%
    > Hungria————— 22%
    > Eslováquia———— 21,4%
    > Áustria—————- 20,9%
    > Grécia—————- 20,6%
    > Irlanda—————- 20,6%
    > Polónia—————- 19,8%
    > Itália——————- 19,2%
    > República Checa— 19,2%
    > PORTUGAL——— 17,9%
    > Espanha————– 17,2%
    > Luxemburgo———- 16%

    Parece que afinal não temos assim tantos. E desde 2004 reduziram-se cerca de 70mil.

  11. vergueiro says:

    Só para que conste, a percentagem refere-se ao peso dos funcionários públicos na população activa.

  12. Duarte says:

    O dia virá em que Portugal deixará de ser governado e dirigido, tanto no setor público como no privado, pela família “Doutor”. Esse será o primeiro dia da libertação de Portugal de muitos os seus males socioeconómicos e da recuperação pela sociedade da sua auto-estima.
    Quer os nostálgicos das tradições o queiram ou não, só os diplomas universitários de doutoramento dão direito aos títulos de “Doutor” ou “Doutora”. Os falsos “senhores doutores” e as falsas “senhoras doutoras” só o são por conveniência e pela submissão de gente que afinal, muitas vezes, até tem mais mérito (experiência) do que eles e elas. Um dia o “povo” vai entender que não tem de se prosternar diante de qualquer privilegiado da sociedade que nada fez para merecer o tratamento reservado aos “Doutores”. Essa velha tradição portuguesa já não tem razões de ser… Relaxem as nádegas, e mãos à obra, “senhores doutores” e “senhoras doutoras”.

  13. a barcelence says:

    ao MSS, de 28/07/2011:
    Se é infantilidade dizer “diga lá quem foi”, então polícias e tribunais ou qualquer instância que se propõe escrutar a actividade executiva, não passam todos de bebés.
    Quanto ao elogio a Maria José Nogueira Pinto, falamos da mesma do caso Portucale, com o financiador Jacinto Leite Capelo Rego. A esse não lhe chamou ela palhaço!

  14. Maria says:

    Caro Mário Crespo,
    gosto muito do seu programa, mas por favor não convide mais o Senhor Alfredo Barroso pois de arrogancia, presunção e agua benta ja estamos considerados. Assim mais convidar o primeiro transeunte que encontre na rua antes de entrar para o programa, que de certo acertará melhor que lhe asseguro ter muito mais exito. Estou a pensar em lhe solicitar uma indemnização pelo aumento de xanax que tenho de tomar quando ele no ecrâ ele aparece.
    Um abraço, sua fiel espectadora, Maria.

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.