A hegemonia dos europeus

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para o alentejano que mora na Covilhã, esse amigo… 

Tive o prazer, enquanto um técnico do PC medic colaborava comigo no eterno problema das imagens, que é o meu castigo, de continuar a conversa e dizer que ele e a sua pessoa companheira, nada sabiam da Nação Mapuche do Chile e da Argentina. Como de outros povos fora da Europa.

De facto, e ainda ser eu próprio europeu por genealogia, nascido no Chile por casualidade, fiquei surpreendido. Mas não tanto. O próprio pai da minha ciência, Bronislaw Malinowski (Cracóvia, 7 de Abril de 1884New Haven, 16 de Maio de 1942) , polaco educado na Grã-Bretanha como muitos de nós, pensava saber de povos não europeus, até ir a morar com eles, por causa da Primeira Grande Guerra do Século XX. Sendo polaco, era parte do grupo inimigo da Ruiva Albión, alcunha para a Grã-Bretanha e dos diversos grupos sociais que por ai passaram, desde antes d época do Império Romano, do qual foi a Província Britânica, por ter sido o General Britânico quem a invadira, conquistara e submetera como parte do Império de Roma. Malinowski estava convicto de que todos os povos eram iguais, especialmente no acasalamento de pessoas do mesmo ou diferente género. Foi o povo Massim, do arquipélago Kiriwina, onde ele morava e pesquisou para saber usos e costumes diferentes dos europeus, os que lhe ensinaram que não havia pai. O irmão da mãe desempenhava esse papel, após da acasalar com um membro de outro clã, para não cometerem incesto. Criados e crescidos, os varões iam para a casa do irmão, que cá chamamos tio, enquanto as raparigas ou mudavam de clã ou acasalavam-se como o homem da mãe, por serem de grupos sociais diferentes. Uma grande parte dos meus leitores sabe isto, ensinados por mim. Os Massim sabiam a sua história, origens e formas de circular entre clãs diferentes.

 

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Os Mapuche, com os que tenho vivido, analisado e escrito vários livros sobre a sua mente cultural, tinham os mesmos hábitos. Os Massim moravam na Papua Nova Guiné, os Mapuche, na Cordilheira dos Andes e na Patagónia Argentina. Os dois povos, como vários outros, tinham por hábito iniciar a puberdade em casa o sítios extensos diferentes: as mulheres, a amamentar as crianças na casa delas, todas juntas, os varões na casa dos homens, onde eram iniciados a ser adultos reprodutivos, após beber o sémen do companheiro que era já reprodutor, mas não conhecia mulher. Mal começava o seu iniciado a produzir a semente da vida, o seu companheiro, que não podia abandonar até a morte, adquiria a obrigação de engravidar a irmã do companheiro. Nos Diários de campo de Malinowki, é possível ler que vários casais namoravam e nascia entre eles a emoção da paixão. Ficavam vários dias juntos, enquanto o companheiro iniciava outra camada de crianças a sugar o seu pénis e passar assim a ser adultos. Não era só o prazer do orgasmo, era o que o pai da sociologia Émile Durkheim denominava pensamento analógico: o que uma pessoa não tem, aprende por meios rituais a imitar as gerações anteriores. Era o que na Europa, infiel, adúltera e incestuosa, denominavam os hábitos dos selvagens.  Pergunto eu, onde estava esse selvagem, se não no Velho Continente?

Durante largos anos morei nos Andes, entre o clã Picunche dos Mapuche. Aprendi que as crianças eram ensinadas desde novas, a ter relações sexuais, a pedofilia, que pessoalmente condeno brutalmente. Mas os ritos são reiterações de comportamento entre os Picunche havia pai e mãe como grupo doméstico, mas bissexual, pedófilo e incestuoso, diríamos nós, como analiso nos meus livros do ano 2000: O saber sexual das crianças; desejo-te, porque te amos, Afrontmento, Porto; ou Como era quando não era como sou. O Crescimento das crianças, Profedições Porto, 1998, ou Yo, Maria de Botalcura. História de una niña abusada, 2007, editado pela Universidad Autónoma de Chile, escrito em conjunta com a Doutora Blanca Iturra Redondo de Toro. Remeto ao leitor a esses livros. O do 2000, ofereci a Associação de Professores da Infância e a de Jogos Tradicionais, onde podem ser encontrados. O do crescimento das crianças, mais do que esgotado.

Na Comuna de Pencahue, Talca, Chile, há casa dos homens, onde nenhuma mulher pode entrar, apenas homens e seu ou seus companheiros, dormem dentro do recinto, mas não por ritual, pelo prazer da bebida e do orgasmo. Nunca esqueço o dia em que trabalhava com a minha equipa, um jovem de 30 anos estava sempre a colaborar. Tinha eu descoberto um arquivo dos jesuítas, escondido a correr ao serem expulsos das terras hispânicas. Abrangia desde o Século XVII ao XX, preenchido, sem jesuítas, pelos párocos. O rapaz que estava sempre ai, farto eu dele, o mandei a lavar o meu carro do Chile, quis pagar, não aceitou e, como todo Picunche, baixou a cabeça e disse-me: Senhor Doutor, eu o quero a si, que venha comigo a casa dos homens e nos divirtamos os dois sozinhos e nus. Confesso que nunca pensei na proposta, fiquei surpreendido, nada tenho contra as relações entre pessoas do mesmo género, até gosto de vários deles, mas espero a proposta dum jovem lindo e galhardo antes de mudar de objectivos, o que até hoje, nunca tem acontecido. Bem diz Freud que somos bissexuais e ciumentos, no seu texto de 1923: Além do princípio do prazer. Mas, a Pedofilia, é-me uma felonia contra a qual luto, ainda entre os Picunche, guardando no bolso a ideia de ritual. A criança que lá estudei, as vezes sangrava….pelo dita ritual. Falei com os seus pais, não no me importei dos costumes. Fui corrido, juntei a escola primária e o Liceu, proferi uma homilia, a pedido do Senhor Doutor Gringo, como era denominado e o que parecia ser um secreto, tornou-se voz pública, com nomes e apelidos, incluindo docentes casados e pais, expulsos a seguir a minha conta dos horrorosos delitos de pedofilia. Como acontece hoje em dia na Europa e nos EUA. Ratzinger, Bento XVI e eu, não paramos.

Foi sempre assim, a felonia. Infelizmente si u e os meus colegas no lutamos, a vida de estudante é uma hipotética casa de prostituição. Entre os que se amam, Ave Maria!, como se diz, mas não há problemas. Pelo simples prazer e obter um valor a mais nos trabalhos, é um crime não de lesa-majestade, mas sim que merece punição.

Estas histórias fazem dizer que Mapuche, Massim, Sambia, Tonga, Baruya Handa, Ba-Thonga, Macobde de Moçambiquesão povos sem inteligência nem moral.

Grande engano. A hegemonia europeia faz deles seres que não são entendidos.

 Os mapuche (na língua mapudungun, gente da terra) são um povo indígena da região centro-sul do Chile e do sudoeste da Argentina. São conhecidos também como araucanos.

E que no entanto, predomina na historiografia por um longo período que abarca os primeiros contactos com os espanhóis até meados do século XIX.

Os grupos localizados entre os rios Biobío e o Toltén conseguiram resistir com êxito aos conquistadores espanhóis na chamada Guerra de Arauco, uma série de batalhas que durou 300 anos, com largos períodos de trégua. A coroa de Espanha reconheceu a autonomia destes territórios até que, várias décadas depois, foram invadidos pelos estados chileno e argentinos que estabeleceram uma série de “reduções” (Chile) e “reservas (Argentina) onde muitos mapuche foram confinados. As populações mapuche do século XXI são geralmente urbanas, mas mantém vínculos com suas comunidades de origem e subsistem em suas reivindicações por território e reconhecimento de suas especificidades culturais. Não haveria um povo que assim não lutara, se não soubessem os seus objectivos.

A origem dos mapuches não é com muita certeza conhecida; por muito tempo a teoria mais conhecida foi a postulada por Ricardo E. Latcham, que afirmava que os mapuches eram originários do actual território argentino e que, através de um longo processo de migração, se introduziram como um grupo étnico e cultural distinto entre os picunche e os huilliche, se instalando definitivamente entre-os-rios Bíobío e Toltén. Até poucos anos a teoria de Latcham parecia não merecer objecções. Porém actualmente está novamente sendo objecto de discussões. Posteriormente, foi proposto que derivam de um povoamento mais antigo. Esta última teoria, chamada “Teoria autoctonista” pelos especialistas, tornou-se muito popular por postular a origem mapuche enquanto grupo étnico no próprio estado chileno.

Sobre sua presença no território argentino, se sabe com mais certeza que, posteriormente, devido à pressão exercida pelos espanhóis, num largo processo de migração através das passagens das cordilheira dos Andes e de transmissão cultural, entre os séculos XVIII e XIX colonizaram os territórios próximos à cordilheira: o Comahue, grande parte da região pampeana e o norte da Patagónia oriental, terras até então ocupadas por diversos povos não-mapuches. Muitos destes povos foram mapuchizados (e não necessariamente sempre de forma pacífica) os “pehuenches antigos” e as parcialidades setentrionais dos tehuelches.

Estudos como este, fazem pensar que nem trabalham e são preguiçoso. Felizmente aparecemos nós, os estudamos e vemos que os Mapuche têm uma organização  bem estruturada, que vamos estudar nos ensaios a seguir…Ficamos, meu amigo, com uma informação completa das normas gerais de nações que a hegemonia europeia, faz passar por parva…

 

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