Quando os criminosos são polícias a coisa passa ao lado

Mário Brites foi acusado por dois polícias de algo que nunca se verificou. Como consequência passou cinco meses na prisão, perdeu o emprego e ficou com a vida destruída. Hoje dorme num carro e come graças à solidariedade de amigos. Por sorte, no meio de tanto azar, a Polícia Judiciária desconfiou da veracidade da acusação e desconfiou que algo não batia certo. Na origem de tudo estava, aparentemente, uma vingançazinha merdosa por questões de condomínio.

Os jornais, exceptuando honrosamente o Correio da Manhã, passaram ao largo desta história como se ela não tivesse acontecido, ao contrário do que fizeram no erro judiciário que motivou uma noite de prisão para Isaltino Morais. Trata-se dos mesmos jornais que, acertadamente, se mostram lestos quando denunciam as insuficiências do sistema judicial português. O problema, aqui, é que nunca passam de generalizações que o senso comum conhece e repete de cor, a menos que envolvam figuras públicas.

Casos particulares como o de Mário Brites são brevemente tratados como se o particular, o anónimo e a pessoa comum não fizessem parte e não fossem vítimas desta coisa arruinada que é a justiça portuguesa, na qual proliferam más práticas individuais que, somadas, perfazem o todo.

Denunciar a injustiça é, em qualquer sociedade, tarefa prioritária de cidadãos livres que assim se assumam.  Quando os media de um país olham para a prisão insustentada de um concidadão durante cinco meses e não lhe dedicam uma única linha, mais vale mudarem-se para a Correia do Norte. São tão bons jornalistas como os jornais que lá há.

Comments

  1. jorge fliscorno says:

    Na mouche, Pedro.


  2. Até que os portugueses comecem a perceber que não se pode viver sem valores éticos: honestidade, verdade, dignidade, etc., etc..
    Darei o (pequeno) eco possível lá pelo meu Jardim logo que possível.

  3. Carlos says:

    PARA ALÉM DESTES CINCO JORNAIS QUE SE ENCONTRAM NO GOOGLE, TAMBÉM O JN NOTICIOU

    Dois agentes da PSP simularam crime para prender inocente
    Sol – ‎6 de Out de 2011‎

    Um agente da PSP do Cacém, Luís Maria, tinha um conflito com outro vizinho, Mário Brites, relativamente ao condomínio. O agente e outro colega garantem que, à porta do prédio, o vizinho disparou dois tiros para tentar matar o agente. .
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    .. Polícia inventou crime para prender… o vizinho
    Diário IOL – ‎6 de Out de 2011‎

    Luis Maria é agente da PSP na esquadra do Cacém, mas foi enquanto vizinho que se zangou com Mário Brites. Vivem no mesmo prédio no Cacém e terá sido a venda da casa de Mário que provocou atritos entre os dois vizinhos. Da pequena guerra entre vizinhos ..
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    . Vingança de PSP leva inocente à prisão
    Diário de Notícias – Lisboa – ‎6 de Out de 2011‎

    Dois agentes da PSP detiveram um vizinho de um deles por o tentar matar com dois tiros. PJ descobriu que era tudo falso. A história é contada hoje na edição do “Correio da Manhã”. Luís Maria, agente da PSP, contou à PJ que um vizinho o tentou matar com …
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    «Vingança de PSP leva inocente à prisão»
    A Bola – ‎5 de Out de 2011‎

    Agentes da PSP Luís Maria e Nereu detiveram vizinho do primeiro por o tentar matar com dois tiros. PJ descobriu que é mentira. Foi simulado Dois tiros de pistola quase à queima-roupa, na luta corpo a corpo à porta do prédio, por milagre não mataram ..
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    . Polícias suspeitos de armadilha para prender inocente
    Correio da Manhã – ‎5 de Out de 2011‎

    O agente Luís Maria (na foto) trabalha na esquadra do Cacém e pertence ao Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP/PSP). Agente da PSP e colega suspeitos de forjar provas que levaram à detenção por tentativa de homicídio de vizinho do primeiro. …

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