Ainda Hortênsia Bussi Soto de Allende

42-peoobi-ap_191481t.jpg

4 de Novembro de 1970, assume o seu cargo o Presidente Salvador Allende, com Tencha, a Primeira-dama

dedico o texto ao meu irmão mais novo, o Engenheiro Florestal e Agrónomo, que hoje está de aniversário, amante de História como ciência, licenciatura que também cursara com proveito, Presidente das Juventudes comunistas do Chile, antes, hoje em dia Conselheiro do PCCH…

A primeira Parte deste texto foi enviada ao sítio que corresponde. Reescrevo este outro, sobre os mesmos factos, para demonstrar, comparando textos diferentes, sobre factos semelhantes, como a História se engana nos factos.

A imagem que escolhi é do dia 4 de Novembro de 1970, data da tomada de posse do cargo de Presidente da República do Chile, do médico socialista Salvador Allende, como a mulher que sempre o acompanhou ao longe da sua vida, nomeadamente durante as campanhas políticas da sua vida, desde Deputado a Senador e nas quatro corridas  para a presidência da República. Foi a Tencha, alcunha dada pelo povo a hoje Primeira-dama, que o fez triunfar e ser eleito para o cargo. Fez, como era habitual desde os seus vinte anos ela, com vinte e quatro anos ele, quem o ajudara a governar, uma compincha amante do seu marido até o delírio, e vice-versa. As adversidades de governar, eram saradas pela sua mulher, a sua eterna embaixatriz em todos os sítios necessários, dentro e fora do Chile, arrecadando popularidade e apoio humano e económico, que permitiram esses quase três anos de Presidência.  O acompanhou até no dia do seu forçado suicídio, sem poder estar com ele na morte, por que essa única ditadura chilena, de uma República libertada a sangue e fogo em 1810-1818, não o permitira.

Quando escrevi este texto, estávamos em campanha para renovar a Assembleia Legislativa de Portugal. A data, os desencontros entre governantes, fizeram pensar que há exemplos uma vida que devemos entender para nunca imitar, como o forçado suicídio do Presidente Allende, a elite da povoação que incentivou esta morte e a de muitos outros e o exílio eterno de um milhão de chilenos, entre esses, eu.

Quem era a Tencha para ser o pendor da liberdade, esse exemplo para o mundo e a minha nova segunda Pátria, Portugal, transferido para estas bandas pelo convite do, então, ISCTE, hoje ISCTE-IUL.

A Tencha foi a salvadora do povo. A companheira do seu marido. A sustentável leveza do ser. A campeã dos Direitos Humanos. A advogada dos pobres. A Presidenta do CERNAME (Centro de Recuperação Nacional da Mãe e da Criança). A exilada. A Primeira-Dama. A professora dos pobres. A pobre que foi Primeira-Dama. A mulher fiel ao seu marido traquina e infiel. A gata borralheira. A mais activa na luta contra a ditadura. A viúva de um Presidente martirizado. O monumento histórico do Chile. A mulher impossível de olvidar, de desaprender. A arqueóloga coleccionadora de antiguidades, mapas e excelente educadora da sua família na procura de esse quem somos nós, para onde é que vamos. A lutadora que, por causa de doença, falou em público, pela última vez, a 26 de Junho de 2003 para comemorar o aniversário do seu marido, que faria, nesse dia, 95 anos de idade. A escoliose mal lhe permitia andar. Tantos títulos possíveis para um pequeno comentário como este.

O funeral de Tencha, amigos ela e eu desde o nosso convívio em Cambridge, era para ser privado por ordem da Senadora, sua filha. O povo não o permitiu e foi levada desde o antigo Congresso Nacional, visitada por uma multidão que a levara a ombros ao pé do sítio em que descansava o seu marido. Mais tarde, foi organizado o Altar da Pátria, em donde os dois dormem o sono eterno, com as lembranças dos seus apoiantes vivos.

Algures, a 20 de Junho de 2009- Readaptado na Parede, 4 de Abril de 2011, e reescrito a 25 de Setembro do mesmo ano. O texto II é fundamentalmente diferente ao de Abril. Os historiadores podem-se enganar, mas há o que com simpatia corrigem, motivo da quase diferente narrativa dos anteriores e com mais factos e dados. Tencha vive, como Salvador, na alma do povo chileno, ou no estrangeiro ou dentro de Pátria amada.

Discover more from Aventar

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading