Palavras que desarmam.

Durante os últimos 30 anos temos assistido, complacentes, ao crescimento descontrolado do consumo. Desde casas, a carros, a aparelhos electrónicos. A noção de desenvolvimento interior tem vindo a ser substituída por uma estranha noção de relacionamento social baseada em demonstrações de conhecimento rápido e luxo fácil. Tudo aceitámos enquanto nos tocasse parte deste excesso desenfreado. Enquanto houve dinheiro (dos pais), emprego, gadgets, nada dissemos, nem fizemos. Em Portugal o país foi investindo dinheiro de todos em estradas e estradinhas, fontanários e chafaricas de rotunda. A corrupção (a cunha) tem estado por todo o lado e só é nociva quando não nos toca uma parte desse bolo que os medíocres têm comido, transformando o país numa papa regurgitada, entre pais, filhos, tios enteados e primos.

A única manifestação em que estive, recentemente, foi na linha do Tua. Apareceram poucos porque o Tua, além de não dar palha nem grão, é longe do Porto e de Lisboa e lá não há rede de telemóvel. Por tudo isto, aos indignados ou à geração (à) rasca que contribuiu para criar o país que temos hoje não tenho muito a dizer. Quem faz a cama, deita-se nela. Mas há palavras que desarmam qualquer um. E ainda bem que não sou eu quem as escreve. Provavelmente não me levariam a sério:

Em vez de sair à rua para o inútil folclore do protesto, ou ficar em casa a remoer a sua impotência, melhor seria que cada um deitasse contas àquilo que como cidadão aceita ou definitivamente recusa. § Essa, sim, essa é a escolha difícil, fundamental. Improvável, também, no Portugal que os portugueses ao longo das últimas décadas transformaram num teatro de irrealidade e fantochada. Escolha que se faz no íntimo, não na praça pública.

Rentes de Carvalho, em Tempo Contado: a “Manif”.

Comments

  1. doutro lado says:

    À atenção de quem
    Mas finalmente não se podia ter Casa, nem Carro, nem Electrodoméstico, nem outras coisas?
    Porventura será (este consumo) a razão de Dita CRISE?

  2. Martunis says:

    Caro Nuno Resende,

    A maioria dos indignados são jovens com menos de 30 anos e que, por essa razão, nem tiveram grandes oportunidades de contribuir para a destruição deste país.
    Aquilo que critica aplica-se basicamente ás gerações anteriores, as filhas do 25/04/74, e apenas a alguns segmentos populacionais dessas gerações.

    Este tipo de generalizações são uma demonstração de ignorância ou, igualmente mau, de demagogia.

    Porque razão considera que devemos aceitar as injustiças, roubos e corrupção sem reagir?


  3. «Porque razão considera que devemos aceitar as injustiças, roubos e corrupção sem reagir?». Eu escrevi isso? Não escrevi, pois não?


  4. …ousaria dizer que a única forma de não sermos títeres ao serviço de uma minoria cruel e totalmente descapacitada de compaixão e humanidade é a via da revolução pessoal, individual, silenciosa.

    Aquela revolução que, ao vir de dentro de nós, nos facilita uma visão do mundo totalmente diferente e muda verdadeiramente a nossa atitude para com ele. Mais do que manifestações públicas, importa pôr a mão na nossa consciência; mais do que reclamações e indignações, importa tomarmos consciência e compreendermos, em nós próprios, as causas e os efeitos das nossas atitudes, dos nossos comportamentos, dos nossos condicionamentos, dos nossos relacionamentos.

    A revolução individual, muda, incisiva, tranquila e persistente será a única arma silenciosa e pacífica que poderá fazer frente a essas outras “armas silenciosas” e transformar o mundo pela transformação sensata e inteligente de nós próprios.


  5. Os governantes falhados arruinaram Portrugal,estamos á beira duma banca rota.Gastaram mais de 130 milhares de milhões de euros,em autoestradas CEMITÈRIOS de Portugal,,ao lado das grandes linhas férreas,como l.Oeste L.Norte,L,B.Alta.,B.Baixa,L.Leste.L.Sado.L.Sul.Ramal de Lagos,acabando por matar a CP..Ficam encerradas para museu!Em 2011 morreram 700 pessoas nas estradas.em 20 anos 14.000.O COMBÒIO È O TRANSPORTE TERRESTRE MAIS SEGURO,CÒMODO,ECONÒMICO


  6. Ñão POLUENTE E RÀPIDO NO MUNDO PARA O TERCEIRO MILÈNIO.O combóio em Espanha e Portugal é o mais seguro no Mundo.OS combóios no futuro as carruagens serão de dois pisos,os vagons com o dobro da caixa.Os governantes nunca viram ao vivo um combóio em dupla tração.È preciso renovar a REDE FERROVIÀRIA de Portugal.e parar com as estradas da morte..Não temos dinheiro para ao menos construir o TGV em via única,para velocidade de 250km/h,para Madrid.É muito triste ver as linhas por onde trabalhei todas encerradas.O ferroviário fez a sua ultima viagem.


  7. À grande Dário Silva

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