“Falconando” à hora

Na última e quase escabrosa viagem aos Açores, observámos o sempre reservado Prof. Cavaco Silva cair às “mãos de César na vilória às moscas”, mas nem por isso deixando de posar diante diante do Falcon que lhe serviu de taxi. Vendo as coisas como elas são, a ora dos “sacrifícios e coragem para todos”, pouco ou nada tem a ver com Belém. Como se não existisse uma SATA ou uma TAP que transporte as excelências para aquela (ainda) parcela do território nacional, optam sempre por um brinquedo que custa milhares contos à hora? E para os “saltos” inter-ilhas, claro que não  se dispõem a fazê-lo a bordo de um reles  helicóptero da Força Aérea. Típico de gente chique e mal habituada.

Há uns bons anos, a Rainha Isabel II mandou definitivamente atracar o iate Britannia, numa necessária contenção de gastos e adequação aos “novos tempos difíceis para todos”. Nem sequer também valerá a pena perdermos muito com a “forreta” Rainha Sofia, obcecada viajante em low-cost. Por cá, nada se aprendeu ou esqueceu, pois ainda há uns meses e apesar da outra desastrosa visita a Praga – Falcon, limusinas e depois, um C-130 para a “pessoal menor” -, continua-se na mesma.

Quem quer repúblicas que as pague, até dá vontade de dizer, não? Mas atenção, há cada vez menos gente que está “para esse número”.

Comments


  1. Mas, por acaso, ainda alguém acredita que estes tipos vão apertar o cinto? Haverá por acaso alguém, político ou não, que esteja na disposição, e com a maior das boas vontades, de descer de nível? Meus caros, a fase “gourmet” não se aplica só à alimentação e os indivíduos que cultivam a sofisticação não abdicam dos luxos em pró de coisíssima nenhuma! Desengane-se aquele que pensa que existe á face da Terra o político honesto. Isso é uma pura virtualidade!

  2. Luís Gonçalves says:

    A República está podre mas a Monarquia de podre caiu. Reis de jeito teve dois durante dois séculos; dois Pedros, o IV e o V. De resto teve a chefiá-la imbecis como José I, João VI, a Maria maluca ou o putanheiro Luís, que até sifilis contraiu nos prostíbulos lisboetas. Apesar de achar Cavaco Silva, enfim, uma pessoa limitada, não tem nem metade dos vícios e defeitos dessa gente.

    • João Osório says:

      Tem toda a razão,meu caro amigo Luís Gonçalves,no que concerne a Cavaco Silva.Que maior infelicidade poderia ter para além da sua limitada intelectualidade?

  3. Nuno Castelo-Branco says:

    Se excluirmos D. Carlos e D. Manuel II – que bem valiam o que hoje se sabe, ficando a anos-luz daqueles que até agora têm estado em Belém -, seria da mais elementar justiça o Luís Gonçalves não esquecer D. João IV. Sempre queria saber se algumas destas actuais genialidades conseguiriam livrar-nos do aperto em que o nosso país estava em 1640: ocupado, em guerra com a França, Inglaterra e Holanda. Havia de ser bonito… Já agora, talvez não fosse má ideia re-pesquisar D. José. É que o homem foi bem educado e sabia bem o que fazia quando constituiu o seu governo, sendo impossível um Pombal sem a própria decisão do monarca. Nada lhe passava “ao largo”, essa é a verdade que está a tornar-se incómoda, talvez até para a própria memória do rei. Diga-se o que se disser, o governo “pombalino” teve pontos altos e outros bastante obscuros, como o Ensino, por exemplo, sem sequer falarmos da prepotência. A historiografia actual está aos poucos a libertar-se da propaganda de alcova.

    Quanto a “putanheirices” reais ou presidenciais, sinceramente, não têm qualquer relevância e se algo haverá a dizer, será decerto quanto ao aspecto humano que esses titulares do cargo – real ou presidencial – demonstraram. nada a apontar. Pelo menos, na época Lisboa tinha prostíbulos, coisa que hoje “não existe”, pelo menos de forma legal.