Não vai haver espaço para cobardias

Desenganem-se aqueles que acreditam que estas reduções de salários e corte de dois vencimentos mensais por ano são limitados no tempo. Não são. Os mentirosos de turno dizem-nos que são mas, obviamente, como é seu timbre mentem conscientemente. Dentro de dois anos o argumento será que a administração e as empresas públicas não suportarão o choque financeiro de pagar mais dois salários anuais. A intenção é desvalorizar permanentemente os custos do trabalho no Estado e Empresas Públicas e por indução no sector privado. Onde aliás os trabalhadores foram já condenados a trabalhar forçadamente e sem salário durante meia hora por dia a partir do próximo ano.

A estratégia é competir com a China. Como se fosse possível competir nestes moldes. Na Europa é sociologicamente impossível descer ao nível da China (onde existe trabalho escravo) sem arriscar a convulsões sociais graves e guerras de classe tremendas. A Europa foi sempre um sítio violento e Portugal também, pese o mito salazarengo dos “bons costumes”. Desenganem-se também os que no sector privado julgam que isto não lhes toca. Toca-lhes e ainda mais gravosamente. Primeiro porque muitos dos seus empregos dependem directamente do consumo dos que trabalham para o sector público; segundo porque com a proverbial estupidez do patronato indígena, agravada pela ausência de estruturas sindicais fortes, não passará muito tempo para que sigam os sinais emanados pelos serventuários da troika. Podem levantar os fantasmas que quiserem, mas, de facto, uma guerra social e de classes está em curso. Cada um deve saber sem hesitações qual é a sua trincheira.

Os tempos que se seguem serão históricos no verdadeiro sentido da palavra. Tempos em que se fará história. Em paz ou pela violência muitas decisões que afectarão o futuro dos nossos filhos serão tomadas. Não haverá lugar para cobardias.

António Alves

Comments

  1. MAGRIÇO says:

    Completamente de acordo! Só os ingénuos e os incondicionais sectários dos partidos que enganaram os portugueses para ascender ao poder acreditam que estas medidas são provisórias. Isto é sacrificar o país em nome de uma mais que duvidosa ideologia liberalóide.

  2. Martunis says:

    Gostava de ter as suas convicções mas, neste país de ignorantes e covardes, suspeito que a morte vai ser lenta e envergonhada.

    E dos poucos que se disponibilizarem a lutar muitos, provavelmente, fa-lo-ão pelo lado oposto ao que pretende.

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  1. […] reduzidos a uma condição de quase escravatura e quando todos os os europeus estiverem a receber ao nível dos chineses. Estas medidas são apenas a forma de chegar lá. Como diz acima o Tiago, os ricos protegem-se […]