O símbolo da ignorância dos jornalistas da Sábado

Disto se diz: ir buscar lã e sair tosquiado.

Para quem não estudou química: símbolos têm os elementos naturais, a água é composta por dois e portanto tem uma fórmula.

Numa reportagem falsificada sobre a ignorância dos estudantes universitários (que a há, e sempre houve), é obra. Com o mesmo rigor posso atestar que em 1985 dois finalistas de História escreveram numa frequência froid por Freud, é só um exemplo e se pegarem em livros de memórias de antigos estudantes de Coimbra encontrarão referências a várias patacoadas similares. Nisto discordo do Miguel Cardina: não é por se ter massificado que a universidade passou a ser frequentada por ignorantes (quanto muito há mais em termos absolutos), sempre uma houve uma boa percentagem que não lia, se limitava a marrar sebentas e a andar por aí. Alguns chegaram ao topo das suas profissões, ou por exemplo a deputado: a um vendedor de banha da cobra não se pedem conhecimentos de medicina…

Comments


  1. Uma dúvida, caro senhor: para se ser deputedo exige-se que tipo de formação ou experiência?

    Bem me queria parecer.

  2. Miguel Cardina says:

    Estou de acordo, João José. Também tenho referido isso em discussões no facebook mas talvez no texto não tenha saído claro. Digo que a massificação – como a mercantilização do ensino, os novos media, a desconsideração das humanidades e outros factores que se poderiam acrescentar – mudou a paisagem. Mas isso não significa que os alunos de hoje saibam menos do que os de ontem. Sabem é coisas diferentes, o que está relacionado com a erosão do “cânone” ou dos “cânones” do que é saber ou, como se costuma dizer, “cultura geral”. E têm uma pressão social diferente, em boa medida resultado da tal massificação. Agora é verdade: ignorantes sempre houve. E bem antes do Vasco Santana.


    • Os cânones do saber antigo e novo não são para aqui chamados.
      Quando não se sabe, é-se, etimologicamente, um néscio, um ignorante. E isso não é pecado nem sequer crime.

      Dar uma determinada resposta a uma dada pergunta e vir, a seguir, dizer que não se percebe bem daquilo… é chico-espertice. A mim ensinaram-me (naquele tempo) que “quem não sabe, não responde”. É para não fazer figura de urso.


  3. @dariosilva,

    Não estando em discordância, digo-lhe que não (como se a pergunta não fosse retórica), mas é suposto um deputado saber meia dúzia de coisas sobre um pouco de tudo… ou não?


    • Reformulando a sua pergunta, se me permite:

      Não suposto um deputado saber meia dúzia de coisas sobre um pouco de tudo?

      Bom, direi, um deputado, como singular, não terá que saber algumas coisas sobre tudo; terá antes que saber algumas coisas sobre algumas coisas.
      Já um ministro, ao concentrar em si muitos assuntos de uma só área, não deveria saber bastante sobre uma área?

      Posto isto, qual lhe parecer ser a minha opinião sobre o desempenho “político” de alguns dos nossos ministros, destes e de anteriores?

      ps: não vale usar a palavra Néscio. Não faz justiça.

  4. Carmo Santos says:

    Contra factos não há argumentos, aqueles jovens, que pertencem à minoria de 10% da população com mais formação, não souberam responder a questões. Respostas que se aprendem no ensino básico, secundário e no dia-a-dia! Que é feito da memórias deles? Aqueles jovens não são pessoas informadas! Desculpem ser tão exigente. Escreve-se em cima que “sempre uma houve uma boa percentagem que não lia”… Sim é verdade: uma verdade muito triste e profundamente criticável. Não quero saber se são pouco, é mau, é mau! não é??

  5. MAGRIÇO says:

    De facto, ninguém sabe tudo! Mas por favor, dizer que a capital dos EU é a Inglaterra ou a Califórnia não é de todo admissível a um estudante universitário. Lembro-me que uma estudante, depois de uma resposta imbecil, ainda tem o descaramento de dizer que cultura geral não é com ela. Com ela será o quê? Saber onde ficam os bares da zona e qual o melhor shot? Que quer esta gente da vida? É evidente que este comportamento diz muito sobre o ambiente familiar onde estes espíritos são formados.

  6. A.M. says:

    Não é ‘quanto muito’, é ‘quando muito’ (só corrijo porque é palmar e a frequência do erro me deixa pensar que não é mera gralha)…


  7. A acção de um dos entrevistadores em querer processar a revista é igual aos fumadores que querem processar as tabaqueiras: absolutamente ridículo!
    Esse epípeto de “reportagem falsificada” não pega. Trocar Froid por Freud não é grave. Não saber qual é a capital dos EUA e demais perguntas básicas é ignorância, desculpe lá.


  8. Os estudantes universitários são ignorantes? O Universia acha que não! http://noticias.universia.pt/vida-universitaria/noticia/2011/11/22/890362/universia-acredita-na-educaco.html

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.