Pingo Doce: pague aqui, eles pagam os (poucos) impostos lá

A Jerónimo Martins, dona dos supermercados Pingo Doce, anunciou hoje que a sociedade Francisco Manuel dos Santos vendeu a totalidade do capital que detinha no grupo à sua subsidiária na Holanda, mas mantém os direitos de voto.

Não se podia taxar os ricos porque eles fugiam, mas eles fogem na mesma. São estes os responsáveis pela crise. São estes os que mandam trabalhar os outros mas se piram com a massa. Esta é a gordura, é esta que temos de cortar. Uma Europa com sistemas fiscais diferentes não existe, é pura fraude.

E não se esqueça de continuar a comprar no Pingo Doce. Vá lá.

Comments


  1. Foi uma operação perfeitamente legal (ler com sotaque brasileiro – legau).
    Quem pode, pode…
    Quem não pode… Estudásses!
    Assim vai ESTE PAÍS…

  2. ricardo says:

    boicote ao pingo doce “holandes” JÁ..

  3. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Proponham privatizar o pouco que resta e em vez da troika teremos os “laranjas sem sumo” a governar se é que já não o fazem – e votem no maçónico escravo passos do psd pois que entre um ignorante e um maçon como escolher o quê ? só emigar, de facto, mas não gosto de lulas, em estilo abutre que apenas tem a vantagem de comer o que já está putrefacto e deixa tudo “limpo”
    Acabei de ver pela 2ª vez um documentário na SIC que é tão triste – sobre a bela Ilha de Lampedusa, local também onde a europa começa, que tem sido local de desembarque de milhões de “fugitivos do Magred” e que são odiados pelos italianos mas mesmo assim estão felizes porque apesar de milhares de companheiros terem morrido no mar em basrcos sobrelotados e de terem pago milhares de euros (como os emigrantes portugueses dos anos 60 que davam “o salto” por muitas dezenas de contos e íam para frança e suissa – e alemanha creio) – Estes agora vindos do Sahel são igualmente maltratados pela vida (e pelos ocidentais como de costume que exploram os ´recursos nmaturais dos seus países e se fazem ricos mais uma vez a custa da miséria alheia que é o que deixam – ou não fôramos também exemplo do que aqui vieram buscar desde 1986) – Vá lá, agora temos os xineses que veem ajudar a acabar com os ossos que ainda restam para roer – Mas temos o futebol e os jogadores “exportados” para todo o mundo e vão sendo, dos melhores do “mundo” e que pena que o Jesus se tenha esquecido de mencionar que também se exportam treinadores (incluindo um PhD, que vão dando que falar, no mundo, até nas “arábias” E quem diz que só nos safamos exportando, aqui está, esqueceram-se da grande exportação do futebol – país de formadores dos craques

  4. Konigvs says:

    “Nunca soube tão bem pagar tão poucos impostos”

  5. J.Pinto says:

    Andamos há muito a apontar aos alvos errados. O que fáríamos nós se tivéssemos oportunidade de pagar, legalmente, menos impostos? Querem ver que há aqui gente que, por solidariedade, pagava mais…

    A pergunta que se impõe é: por que é que a Holanda pode e consegue ter impostos baixos e nós não? Por que é que nós não fazemos como eles, baixamos os impostos e atraimos mais investidores?

    A culpa é sempre dos outros. Nós somos perfeitos, temas as melhores estratégias, mas, por infelicidade, as pessoas fogem de cá.

    • MAGRIÇO says:

      É uma crítica justa ao espírito luso maioritário! Para comparação, os Suecos, na sua maioria, já têm um sentido patriótico mais apurado e dão preferência aos produtos nacionais, mesmo mais caros que os importados. É claro que há aqui um dado decisivo: eles sabem que os seus impostos serão bem aproveitados e distribuídos com equidade.


    • Porque a Holanda, tal como a Alemanha é um pais mais desenvolvido e que, logo, consegue produzir bens com maior valor acrescentado, logo criam mais lucros, maiores salários e mais impostos, mesmo que as taxas sejam mais baixas.

      Portugal não compete nem com a Holanda nem com a Alemanha, mas se quiser poderemos tentar competir com a China. Basta-nos adaptar o seu estilo de vida.
      Agrada-lhe esta opção?

      Por outro lado, baixar os impostos para competir com países como a Holanda apenas levaria a uma guerra fiscal com a resultante destruição do que resta do Estado Social. Privatização total da Saúde, Educação, etc.
      Prefere esta opção?

      Outra alternativa num mundo que se pretende globalizado seria exigir condições iguais em todos os países (apenas na UE ou a nível mundial), mas isso implicaria não só um sistema fiscal único, mas também a nivelação de todos os outros factores económicos e sociais.
      Parece-lhe exequível?

      Que opções sobram? Veremos no futuro próximo…

      • J.Pinto says:

        Caro Martunis,

        Quem é que falou na China?

        O que não faz sentido é pensar que podemos viver com as regalias de uma economia de mercado, mas nada fazemos para competir nessa mesma economia de mercado. Ficamos para trás, claramente.

        Nós sabemos que a harmonização fiscal na europa não é possível. Nem os países do Norte nem o paises do sul querem. Seria perder soberania. Como é que os partidos podiam aumentar os impostos aos ricos? Não podiam. Como é que os Governos nacionais podiam aumentar os impostos sobre o trabalho ou sobre o capital, para que possam gastar mais? Não podiam. Esta hipótese, como está bom de ver, está excluída.

        Sobram duas hipóteses: ou fechamos as fronteiras e nos tornamos numa economia fechada e o Estado toma conta de tudo ou continuamos a preferir competir numa economia de mercado. Se optarmos pela última, temos de saber que os empresáris preferirão os países que melhores condições lhes proporcionarem.

        Não podemos é dizer: vamos aumentar os impostos sobre os ricos (seja qual for a definição) e depois ficarmos admirados com a fuga deles para países bem mais atrativos. Tudo tem uma consequência. Nada acontece por acaso.

        Continuamos a viver com uma mentalidade do tempo das trevas.

  6. J.Pinto says:

    Deixem-me dizer que não é verdade o que o caro João José Cardoso diz: “Não se podia taxar os ricos porque eles fugiam, mas eles fogem na mesma.”

    Não esquecer que só este ano, de uma vez, eliminou-se a taxa minima do IRC (12,5%), diminuíram-se benefícios fiscais em sede de IRC, aumentou-se a taxa sobre os dividendos, aumento da Derrama Estadual para as empresas mais lucrativas, aumento das taxas de IRS (escalões mais elevados).

    Não podemos e defender aquelas medidas e ficar admirados com a decisão da Jerónimo Martins.


    • “Alexandre Soares dos Santos, que ocupa o 512.º posto da lista da Forbes, em 2011, com uma fortuna de 1,65 mil milhões de euros, declarou 1,2 milhões de euros, em 2010, dos quais 520 mil foram pagos às Finanças. Em 2009, a sua fortuna era de 1,015 mil milhões de euros, ou seja, em 2010, o patrão do Grupo Jerónimo Martins enriqueceu mais 635 milhões de euros. O seu vencimento líquido de 2010 (680 mil euros) corresponde a cerca de 0,1% do enriquecimento que teve nesse mesmo ano.” tirado daqui.

      Meu caro, é impossível discutir impostos com quem acha que os ricos em Portugal já pagam demais, para não dizer que acharia muito bem não pagarmos tal coisa que o estado esbanja (o que é verdade, vd caso BPN, ou falemos de submarinos, mas isso é outro assunto).
      Os impostos são mais baixos na Holanda? pois são, mas se calhar todos pagam o que têm a pagar, não fogem como este cavalheiro que me está a roubar enquanto cidadão contribuinte que não usa nem truques nem falsas declarações de rendimentos. É a diferença entre ser honesto e ser ladrão. Num país justo os ladrões são presos.

      • J.Pinto says:

        Caro João José Cardoso,

        Não percebo onde é que foi buscar a ideia de que eu defendo os ricos, achando que eles já pagam impostos a mais. O que eu sempre disse é que os ricos que declaram, tal como os pobres ou remediados, já pagam impostos que chegue. Não é necessário aumentar-se mais os impostos.

        Também digo que ninguém pode obrigar quem quer que seja a investir em Portugal. Por isso mesmo os empresários escolhem os países que mais lhes facilitarem as vida. Não é tributando mais que convidamos ou incentivamos mais investimento.

        Se há alguém que não declare impostos, seja rico, pobre ou remediado, tem o meu repúdio.

        O que não podemos é aumentar os impostos desmusuradamente sobre quem investe e depois ficarmos encandalizados por eles fugirem do nosso país.


        • Sim. escolhem a Holanda para pagar imposto sobre os capitais, e Portugal para pagar IRS. É o chamado fato à medida, fabricado pelos melhores advogados, perdão, alfaiates.

          • J.Pinto says:

            Se escolhem a Holanda para pagar imposto sobre os capitais, significa que cá são muito elevados, não é? Mas não é isso que voces têm andado a defender. Vocês consideram que uma taxa de 25% efetiva (mais do dobro da taxa efetiva de IRS) é baixa, depois de nas empresas o mesmo rendimento ter sido taxado a uma taxa de IRC de 25% (taxa bruta).

            Eu, infelizmente, não tenho rendimentos de capital, mas considero que a tributação é demasiado elevada.


        • Eu defendo impostos sobre o património, muito mais do que sobre o capital. Mas se os impostos sobre o capital são baixos na Holanda é porque o IRS é a sério, entendido?
          Agora esta gente ganha cá, tributa-se em IRS cá, e vai beneficiar do regime holandês. Chama-se a isto roubar. Que eu saiba os capitais foram obtidos em Portugal e na Polónia.

          • J.Pinto says:

            Pois, talvez. Sabe que já aqui demonstrei, através dos números da DGCI, que a taxa efetiva de IRS é de 10%. Relativamente ao IRS e ao IRC, a taxa efetiva é bastante baixa. Como já aqui tinha demonstrado com os dados da DGCI, as pessoas que pagam, já pagam muito. O problema é que há demasiadas isenções – já nem me refiro aos que não declaram (e aqui cabem ricos, pobres e remediados).

            Poderíamos ficar a discutir horas sobre a forma mais eficaz, e ao tempo mesmo mais equitativa, de tributar as pessoas – terei todo o prazer em discutir consigo este tema. No entanto, deixe-me dizer-lhe que discordo completamente da sua opinião. O imposto sobre o património, desde que este tenha sido adquirido com rendimentos declarados, implica uma dupla, às vezes tripla, tributação.

            Veja este raciocínio. Uma pessoa tem um rendimento de 1500€ mensais, que está sujeito a IRS; depois compra uma casa, que está sujeita a IMT; no fim para IMI – imposto sobre o património. O mesmo rendimento foi tributado 3 vezes.


    • Estou de acordo quanto a dupla tributação. O problema é o mas: “desde que este tenha sido adquirido com rendimentos declarados,”

      Acha que o parque automóvel de luxo que aí anda, mais as quintas do lago, foram adquiridas assim? Eu não. Se tivessem sido o défice público seria muito, mas mesmo muito mais baixo.

      • J.Pinto says:

        Claro que não, mas por isso é que eu sou a favor da aprovação de uma verdadeira lei do enriquecimento ilícito, aplicado a todos.

        Relativamente à tributação, é exageradíssimo penalizar uma pessoa três vezes, obrigando-a pagar três impostos pelo mesmo rendimento. Não é desta forma que se atinge a famigerada equidade fiscal.

        Não vejo qualquer problema em alguém ser chamado a provar a proveniência dos seus bens, quando a diferença entre os bens e os rendimentos é tão elevada.

        Caro, João José, percebe por que é acho exagerado aumentarem-se os impostos, sabendo que estes irão incidir sempre sobre os mesmos, os que já declaram, os que já pagam. Os outros (e incluo, como disse, ricos, pobres e remediados) continuam a não pagar.

        • mortalha says:

          essa dupla/tripla tributação é até um incentivo à evasão fiscal. se pagassem UM imposto moderado ( o que acredito que também facilitaria a fiscalização) muitos contribuintes não achariam a fuga mais atractiva porque o risco não compensava. nos termos em que estamos, compensa e por isso criam-se cultos em volta da evasão fiscal. é quase uma religião…

  7. HLopes says:

    Chamem os chinocas eles resolvem tudo com a EDP…

  8. mortalha says:

    se aqui a prostituição e a erva fossem legais também podíamos ter menos impostos sobre o trabalho e sobre o rendimento.

    • Konigvs says:

      E desde quando é que a prostituição foi ilegal? É legal, não paga impostos, e é uma atividade em franca expansão, basta só ver o que se passa no caderno dos classificados dos jornais.

      E a droga essa pode-se consumir à vontade há mais de dez anos.

      Como diria o outro toneco:

      “Posso comprar droga? Podes. E vender posso? Não, é crime. E consumir posso? Podes consumir à vontade mas quem ta vende não pode vender porque é crime.”

      Qualquer coisa de muito estranho neste país.

      • mortalha says:

        o conservadorismo (leia-se tacanhez) tem o seu preço. não sou competente o suficiente para avaliar o impacto que poderiam ter estas duas fontes de receita no orçamento da austeridade mas era um grande passo para a equidade fiscal.

        The Dutch government is looking at new ways to cut the country’s budget deficit. It’s hoping to tap in to an industry that generates billions of euros a year by bringing in a new plan to make prostitutes pay taxes like everyone else. Officials have traditionally treated prostitutes with a little more leniency on taxation than other workers, seeing them as victims of pimps and people traffickers. But the industry generates about 625m euros per year (£550m; $800m). And with thousands of potential added taxpayers, the authorities are now planning to pursue them for the average 33% tax that until now many have managed to avoid.
        http://www.bbc.co.uk/news/world-africa-12705531

        The Dutch state earns 400 million euros annually in tax revenues from ‘coffee shops,’ as the Dutch cannabis cafes are called. Sales in the sector total around 2 billion euros, according to conservative estimates by TV programme Reporter.
        http://cannazine.co.uk/cannabis-news/europe/dutch-state-earns-a-massive-400-million-euros-a-year-from-cannabis-coffee-shops.html

  9. Miguel says:

    Realmente não percebo… Afinal,quem é empreendedor e faz sucesso, não é normal ficar rico? Mas afinal é um crime ser rico?

    Eu que tenho intenções de ficar rico, saio do meu trabalho e em vez de relaxar (afinal ganho bem) lá vou eu bater punho e ver as minhas ideias tornarem-se um pouco mais reais… E afinal eu que lutei mais do que os outros, não posso ver o fruto do meu trabalho?

    Eu que com MUITO suor e abdicação de saídas nocturnas e cafés com amigos, ganho 4000€ mensais, só vejo 2700€ deles????

    Mas afinal, se tenho talento, se exporto para fora, porque razão não vou para um local em que o meu € não é chupado em impostos só porque sou um lutador!????

    Sinceramente é preciso pesar as nossas ideias. Há quem fuja dos impostos, mas quem não foge, paga imenso! Tanto, que em vez de eu Português criar riqueza cá, vou para fora.


    • Acho bem. É empreendedor, “exporta para fora”, vai para outro local. Boa viagem.

      • Miguel says:

        Boa resposta a sua, não acha?


        • Acho. Você ganha aqui, mas usa as estradas aqui, os hospitais aqui, as escolas aqui, e deixam-no ganhar porque é defendido pela polícia aqui. Não quer pagar impostos cá? Vá ganhar para outro lado.

          • Miguel says:

            Não estou a discutir a utilidade e uso do € dos meus impostos.

            O meu ponto é que é “ser rico” é algo que também acontece com trabalho honesto. Concordo que quem ganha mais deve contribuir com mais, mas repare nisto:
            ” declarou 1,2 milhões de euros, em 2010, dos quais 520 mil foram pagos às Finanças”.

            Por favor não olhe à quantidade, é fácil ir por aí, mas sim à percentagem que ficou retida.

            Cada um tem os seus objectivos, mas se por acaso assistiu ao TED_x em Braga, vê que talvez uma parte desses 520mil fossem melhor investidos. É daí que vêm os Business Angels e também daí que começam as startups, de onde vêm a Google.

Deixar uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.