Ir ao futebol e morrer

Por mais que tente, há coisas que não consigo compreender. No Egipto, morreram cerca de oitenta pessoas em confrontos no final de um jogo entre o Al-Masry e do Al-Ahly.

Aparentemente, segundo o treinador Manuel José, a equipa de arbitragem terá deixado nervosos os adeptos da casa e, após vitória do adversário, a revolta terá estalado, o que explicaria, em parte, os confrontos.

Não explica. Nada explica o inexplicável, nem o resultado desportivo, nem rivalidades antigas, nem a suspeita de aproveitamento político por parte de seguidores de Hosni Mubarak.

Nada explica que se vá assistir a um jogo de futebol e se morra por isso. Nada. Alguém morrer por ir ao futebol é tão dramático como, por exemplo, morrer de fome. Há coisas que pura e simplesmente não deviam acontecer.

Eis o video

Comments

  1. Sérgio Gomes says:

    Realmente nada disto deveria acontecer. Mas se há sítio onde isso é mais fácil acontecer é precisamente num estádio de futebol. Onde o elevado nível de pessoas que se regem por instintos básicos é bastante elevado. O cenário ideal para revelar o mais próximo do animal irracional que nós temos dentro. Não me surpreende. O futebol profissional para sobreviver tem que ter a atenção dos adeptos para poder ganhar as fortunas que ganha e nada melhor que tentar juntar um grupo de pessoas pouco pensantes, que não questionem nada, e que não se apercebam que apenas estão a alimentar as fortunas de poucos.

  2. Francisco says:

    Primavera Arábe?

    Aonde estão agora os apoiantes da queda do Mubarak? Apos se ele ainda estivesse no poder, nada disto aconteceria…

  3. marai celeste ramos says:

    Ser ou não ser básico – creio que não há como a guerra, com armas para “matar o inimigo” (???) para transformar o homem de tal maneira que (???) que o torna pior do que um animal (peço perdão a todos os animais do planeta) – E, ainda, seja Saddam ou Kadaffi o que quer que tenham sido, não creio que sejam grandes exemplos de dignidade humana, com o não é condenar um homem à cadeira eléctrica, ou torturá-lo em Guantânamo porque mesmo aí não deixa a sua condiçao de ser “humano” – Quanto ao Futebol é do saber comum que Jorge Sampaio é um adepto ferrenho do sporting, creio que Portugal viu o futebol nascido da Casa Pia (creio que iria dar o Benfica) como uma forma de minimizar muitos problemas de meninos sem família nem esperança de vida prometedora, e freio ainda que Mandela viu naqueles menimos do Soheto que jogavam com bolas de trapo, uma forma de fácil adesão para os promover como “pessoas” – è semanal o programa de críticos de futebol sendo um deles um eminente cirurgião português de renoma mundial, creio que Jorge de Brito que nasceu pobre se tornou Banqueiro e protegeu e fez crescer o futebol de que foi “sumo director” – creio que o futebol é o desporto mais global do mundo dos ricos e dos pobres, com o o é a maratona – creio que todos os desportaos em geram incluindo o “futebol” foram ganhando (nem me interessa agora como) o estatuto de “olimpicos” a que se seguiram, para os que têm certos handicap, um lugar no mundo dos para-olimpicos e creio também que teremos de ir pelo menos à Grécia (Olimpus) e a Roma Clássica para saber a importância do desporto mesmo o mai feroz dos gladiadores (pão e circo) – Creio assim que desde os primórdios da organização social das nações pelo menos do mundo ocidental. o “desporto” esteve sempre presente para entretenimento das massas, com mais ou menos “civilidade” de acordo com a civilidade de cada nação – O que aconteceu no Egipto ontem-hoje, será mesmo uma questão de FUTEBOL num estádio onde só vão “os que possuem o mais básico instinto” não percebendo eu porque é que, pelo menos desde o Euro 94, os Estádios de futebol de Portugal estavam APINHADOS de mulheres e meninas e meninos (que inventam as vuvuzelas e as pinturas faciais lindíssimas – os pretos também as fizeram sempre desde que existem) além de terem levado à criação de grande indústria de vestuário desportivo e até evolução em medicina do “trabalho” e do desporto e, ainda crição de empresas multinacionais ligadas a todos os tipos de desporto e ainda não se parou na invenção de mais desporto com a asa delta e tods os outros ligados ao mar e ao ar, mais recentes – E sendo que, igualmente, já o género feminino de que é paradigma Carlos e Rosa Mota – praticam também desportos e “elas até são” treinadoras e medalhadas de ouro e embaixadoras de seus países – Será que assim a sociedade vai para o abismo só com o futebol que é o único ninho dos mais básicos iinstintos mas o que dizer dos Hooligans ingleses de Liverpool – só por causa do futebol ??? ?? No egipto em Port Said 73 morreram e mil foram feridos ?? – e quantos morreram no Estadio de Eisel na Bélgica e o que aconteceu com Paestiniano algures num estádio europeu ?? foi o futebol em espaço europeu ou será que NUNO Rogeiro que começou a falar ?? (22:10 – 01 fevereiro 2012) vou ouvir – (1) que a retracção da polícia que não quer brutalidades – (2) há clubes de futebol de gente violenta em manifestações políticas e (3) pura, e simplesmente, o Egipto está à beira de um ataque de nervos – (4) excesso revolucionário e uma juventude impaciente – É fruto da revolução e da acusação da irmandade muçulmana – Manuel Jesus era idolattrado no Egipto – Mas por causa de MubaraK dá geito encontrar culpado sendo que a Immandade muçulmana acha que tudo está atrás de adeptos de Mubarak – Está em curso a fundação de novo partido pelos radicais, mas que não se sabe que tipos de Clubes são, mas diz que é melhor que estejam organizados do que à solta – Esta situação aconteceu um dia depois do ministro do interior querer reforçar a segurança, como diz o embaixador português, e já a BBC que fala da cena do Egipto, afirma que o grupo é de adeptos “ultra” que formaram partido político – reportagem já feita na semana passado – O site do clube não faz refª ao incidente, mas mostra imagens dos jogadores no balneário e adeptos feridos que ajudam – Também El Mundo cita o balneário como depósito de cadáveres (acho que este termo é odioso e nunca devia ser usado, mas sim o termo de corpos – há substantivos que esfaqueiam sensibilidades e há que usar um léxico mais educado e menos “básico”) – Ainda em site da SIC há um slide show do acidente – tVivemos num tempo extraordinári em que o melhor dos homens, e do pior, parece poder ser acampanhado de perto à escala mundial – Por fim, há um helicóptero para retirar Manuel José – tudo em directo e na hora de acontecer


  4. “Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, não tenho a certeza absoluta.”

    Albert Einstein

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