Que se lixe

Que se lixe aqui no Porto seria escrito de outro modo, mas atendendo à época carnavalesca em curso admito como plausível o acesso de menores ao Aventar – vou, por isso, evitar escrever Que se foda!

Caro leitor, nas linhas que se seguem, penso de um modo, mas escrevo de outro. Sou uma pessoa complicada, sim, admito. Uma pessoa complicada daquelas que gosta de chatear o Primeiro-ministro. Aliás, estou de licença sem vencimento, porque ninguém me pagou o subsídio de férias e no último mês, confesso, estive em quatro manifestações. Sou decididamente uma pessoa complicada e por isso não entendo o Miguel Relvas.

São pessoas complicadas os médicos e os professores, os enfermeiros, os funcionários públicos…

Todos um bando de ladrões que tirou licenciaturas na Lusófona  e tudo gente que subiu na vida à custa das equivalências ou dos cargos nas empresas dos amigos.

Custa ainda mais, ver o sofrimento que o incompetente Ministério da Educação provocou em tantos e tantos milhares de professores que andam há uma semana à volta dos computadores, da internet e dos mapas – uma migalha, um horário em qualquer cantinho será uma fantástica oportunidade.

E esta gente complicada que quer trabalhar e não quer ficar a viver do subsídio de desemprego é mesmo complicada! E por isso estão fodidos! Ups. Estão lixados, porque colocações é coisa que não há!

E como são complicados teimam em ir para a rua dizer que querem trabalhar, mas para os laranjinhas equivalentes, trabalho é algo que não faz sentido –  arranja-se uma equivalência e que se lixe o trabalho.

Mas isto é tudo gente complicada.

A gente simples que percebe P & P (Passos e Portas, porque em Braga seria de acrescentar um outro P) recebe cartas de nove páginas e tem equivalências.

Sobe na vida com competência como é o caso dos responsáveis pelo concurso de professores.

Com esta gente, Estamos fodidos… e mal pagos!

Comments

  1. Fernanda Martins says:

    João Paulo, sabes que sou uma leitora acérrima das tuas reflexões, nas quais me revejo SEMPRE :). Hoje, ao ler este texto, não posso deixar de te saudar e aplaudir publicamente pela expressividade que deixas transparecer… MUITO BOM! Aliás EXCELENTE! 🙂 Não conseguiria dizer melhor!

    • palavrossavrvs says:

      Fernanda, eu acho que o nosso JP se excedeu, tendo em conta os parâmetros de excelência e a qualidade a que o Aventar nos habituou, há coisas que não se escrevem: «que se foda»?; «fodidos»? Isto ultrapassa todas as marcas eheheheeheh LOL

      [Grande Abraço, JP!]

  2. Amadeu says:

    Não há nada como uma boa foda, na altura e no sítio certo, para revelar o que nos vai na alma.
    Muito acertivo JP

  3. Susana says:

    Há momentos na vida em que as palavras educadas não transmitem o que nos vai na alma! Obrigado pela tua constante luta!

  4. maria celeste ramos says:

    Enquanto se escreve nem importa tanto assim como pois é de facto incisivo apenas a palavra mais dura é porque ainda não se morreu ou desistiu – talvez o que eles queiram é que se desista

  5. Conceição Pereira says:

    Gostei!!! Não desarmas lutas sem papas na língua. Com estes cursos tirados nas férias e as equivalência destes “senhores” é que este país está neste estado!!

  6. anabela santos says:

    muito bom…palavras para quê?

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