Cecília, a restauradora por amor

Cecília, 80 anos, sentava-se dia após dia num dos bancos da capela de Borja (Saragoça). Depois de muito olhar e pensar no seu Cristo «deformado» e mal tratado pelo tempo mas, sobretudo, pelos homens, decidiu fazer, ela própria, o restauro devido. «Já que ninguém toma a iniciativa…», terá pensado. Mas repare-se que Cecília não quis a coroa de espinhos no seu Cristo.

Graças a esta mulher, que com certeza ignorava até agora o nome desse Elias, não o profeta, mas o pintor do Cristo que revitalizou, os turistas vão querer conhecer a obra de Elías García Martínez (1858-1934). Segundo li, “esta semana, porém, esse Cristo tornou-se a pintura mais famosa do mundo…”.

O jornalista do DN, Ferreira Fernandes, escreveu que a «velhinha salvou o pintor». Mas eu acho que Cecília salvou o seu Senhor, embora, claro, tenha destruído a obra. Mas há males que vêm por bem: deu visibilidade ao autor do fresco!

Não a culpem por restaurar por amor e não pela arte!! Ela quer lá saber disso!!

Comments


  1. A “obra” antes era banal, agora pode ser imortal. O Francis Bacon não teria feito melhor… 🙂

  2. Maquiavel says:

    Cecília não quis a coroa de espinhos no seu Cristo, tampouco o bigode e a barba.
    Ah, mas a senhora já disse que o restauro ainda ia só a meio, que näo a deixaram acabar…

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