Jornal, café, sonho e cidadania

Neste tempo em que até o jornalismo entrou em crise, com greves e despedimentos colectivos como no PÚBLICO, há que fazer a sua justíssima defesa.
Precisamos do bom jornalismo que nos traz as diárias notícias da austeridade e afins, mas também das outras sobre um mundo que «pula e avança» apesar de tudo, do não obstante, do contudo.
Procuramos e necessitamos da verdade, como do pão para a boca e do café pela manhã antes de começar o dia (seja ele como for)! E da verdade não apenas da realidade, mas também a dos sonhos de cada um. Não serão eles mais reais? Os sonhos são o futuro – deviam contar mais. E o país tem que os ter e se não os tem, que os tenhamos nós, individualmente. Sonhos pequeninos, não faz mal, mas que todos juntos constroem algo grande. ( Já estou a divagar. É o que dá fumar um post…)
Faço hoje o meu post com um texto do geógrafo João Seixas (PÚBLICO, 28/10) defensor dos jornais e que subscrevo totalmente:
“Madrugador, o jornal é peça-chave de uma boa manhã. (…) ingrediente tão indispensável a um bom pequeno-almoço como o pão e o café. Depois o jornal é companheiro ao longo do dia. Quando é bom (…) é parte central das nossas cabeças (…) de seres humanos. Peça-chave na formação da nossa cidadania. No papel como no ecrã. (…) A cidadania alimenta-se de ideias, de direitos, de política. Da conjugação do real com o sonho.”
Assim seja, como espera Seixas,  que um dia o jornal seja uma parte importante do lucro das cidades. Eu não sei se as cidades tiveram alguma vez, se têm ou terão lucro com os jornais, mas tenho a certeza que os cidadãos, esses, seriam mais pobres sem eles.
Finalmente,  eu prefiro o jornal de papel. Ao domingo, ao pequeno-almoço mais demorado, ele conjuga bem com o pão fresco com manteiga, café com leite, e caneta… ou marcador, para sublinhar coisas bem escritas como esta Opinião do geógrafo que eu não conhecia até hoje!

Comments

  1. Konigvs says:

    As pessoas não querem a verdade, as pessoas preferem mil vezes escolher a pílula azul e viverem adormecidas no seu mundo perfeito de faz de conta que o sistema lhes cria do que acordarem para a realidade e pensarem pela sua própria cabeça. E ai de quem ouse tentar mostrar a verdade pois esses rapidamente serão destruídos pelo próprio sistema.
    Quanto aos jornais ao pequeno almoço, acho que neste momento a prioridade da maioria das pessoas é mesmo ter pequeno almoço para comer.


  2. Jornalismo é jornalismo, e supõe-se que seja bom. sempre me faz alguma confusão o jornalismo em que a inclinação ideologica está bem definida, já que tenho para mim que ser-se jornalista deveria equivaler à posição neutral do juiz, mas equânime…

  3. jamoura says:

    os jornais fazem mesmo igual falta que o pão. Mesmo aqueles de que discordamos. E são estes, que muitas vezes nos fazem saber quem somos, o que queremos e para onde queremos ir, porque marcam a diferença, e ajudam ao saber. “Quem lê sabe mais”. A sós ou acompanhados com café ou com mais alguém, adocicado de preferência, os jornais fazem bem.

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