Um bando de idiotas perigosos

O que se passou na madrugada de sexta-feira, numa reunião de idiotas à solta que tratavam do resgate cipriota, além da gravidade da decisão em si, demonstra que estamos mesmo entregues a imbecis muito, mas mesmo muito perigosos.

Comparar Merkel a Hitlter não faz muito o meu género, acima de tudo porque o Adolfo deixou milhões de cadáveres atrás de si e aparentemente este governo alemão quanto muito deixaria a Europa do Sul  morrer à fome para salvar a sua própria economia, esquecendo que a ergueu por conta de uma moeda feita à sua medida.

Mudei de ideias. A irresponsabilidade desta gente é total, e não olham a meios para atingirem o que pensam ser os seus fins. Brincar ao capitalismo financeiro nesta altura do campeonato é acima de tudo uma medalha de ouro na modalidade olímpica mais em voga, o tiro no pé. Conseguiram o lugar no podium. A lógica do castigo aos meninos mal comportados sobrepõe-se a tudo, incluindo os próprios interesses da arrogante Alemanha, onde o governo nem sequer entende que inevitavelmente irá atrás numa queda livre da zona euro, e quanto mais alto se está maior será o tombo.

Vivemos um tempo realmente perigoso: crise geral do capitalismo financeiro gordo de sobreprodução, dirigentes idiotas, líderes que primam pela incompetência (à esquerda e à direita), nacionalismos à espreita. As guerras europeias desde o séc. XIX que começam assim.

Comments

  1. Maria Silva says:

    Um bando de idiotas perigosos e completamente à solta! Eu, que tenho 40 anos, que cresci em liberdade, que não tenho, nem nunca tive, interesse por aí além em matéria de guerras mundiais, até eu, de cada vez que oiço ou leio notícias, penso e temo que estejamos à beira de uma. Estou longe, muito longe, de ser uma sumidade. É tão óbvio como este caminho que o actual governo trilha era ainda antes de ter conseguido o poder. A verdade é que lá está.


  2. Mas são mesmo um bando de IDIOTAS a avaliar pelo Constancia que depois de fazer a merda que fez por cá, é a 2ª vigura do Banco Europeu.
    Será que os elementos que compõem a TROIKA vem na mesma linha e são uma carradas de idiotas pensando que estão a brincar ao monopolio quando decidem e julgam o que é bom para um pais cujas raizes desconhecem??? A comprovar isso é o gravicco ao lado. NÃO ACERTARAM num indicador e um enganaram~se em 130%

    Abraços

  3. Fernanda Leitao says:

    É uma boa e lúcida análise. A Alemanha aprendeu uma coisa com as duas derrotas em guerras mundiais: em vez de arnas, usa o poder financeiro para reduzir povos à escravatura. Mas esqueceu-se de um pormenor: esse poder será efémero. Vamos sofrer muito, mas eles serão novamente derrotados. Entretanto, Portugal tem de dar solução à quadrilha governamental que está de joelhos a lamber os sapatos da Merkel.

  4. piet says:

    João José, mudaste de opinião baseado em quais dados?
    Pelos dados que eu conheço, tanto o Governo alemão como a oposição estavam e estão a favor da participação dos depositantes, sim, mas só acima de 100000€.
    Pelos vistos foi o governo ciprino que o queria. Qual é a tua proposta?


  5. Segue a ligação… claro que logo a seguir a culpa morreu solteira.

  6. anacleto says:

    pois, pois…
    mas afinal não era o JJC que dizia que não devíamos pagar as nossas dívidas. Que julga que nos aconteceria em seguida?
    Como muita da divida do estado foi feita junto de banco tugas eles faliam. Em seguida, como o estado não tinha guito para assegurar os depositos os depositantes perdiam grande parte do dinheiro.
    entretanto tinhamos de sair do euro e os depositos, salarios e pensoes eram convertidos na nova moeda, com uma perda da ordem dos 30 a 40 %,
    toda agente com 2 olhos na cabeça sabe que isto está mal mas aí dos vencidos, ou cumprimos o programa de austeridade ou fica muito pior. Podemos cortar duma forma ou de outra, distribuir os cortes doutra maneira, mas não há modo de fazer isto sem dor.


    • Não é não devemos: é não podemos. Não há dinheiro. E nunca me leu a defender que se salvem bancos. Coisa que não tem nada que ver com expropriar contas bancárias.

      • piet says:

        Mas a sério, qual é a tua proposta então?


        • Um acordo como aquele do perdão da dívida à Alemanha nos anos 50 deve chegar para resolver o assunto. O fim do euro também ajuda.

          • piet says:

            Então o “hair cut” que se aplicou na Grécia no ano passado corresponde mais ou menos á redução de devida por aprox. 50% concedida á Alemanha em 1952. Concordo, e acredito que vai acontecer. Mas isto não resolve o problema da economia cipriota altamente baseada num sector financeiro demasiado grande e tax dumping e lavagem de dinheiros.
            Fim do Euro. Espero que não, isto era muitíssimo pior…
            Não achas interessante que na Alemanha são os neo-nazis que querem acabar com o Euro?


          • O euro é uma moeda impraticável, não se pode ter uma moeda comum em países com estruturas produtivas tão diferentes e obedecendo a um sistema totalmente dependente da especulação financeira.
            Não me perguntes como é que se resolve isto, sair do euro seria para qualquer país uma catástrofe, mas que não dá, está visto, não dá.

          • piet says:

            Então qual ė a tua proposta, que é que se faz com o Chipre? Falência? Sair do Euro? Temo que isto pode resultar se o parlamento ciprioto vota contra as ajudas hoje a tarde.


          • Piet,
            Será impressão minha, ou estás mesmo mais pessimista desde as últimas conversas que tivemos, no verão? Parece-me notar que, apesar de tudo, tens mais reticencias…
            Um abraço

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