Guia prático para desmontar a propaganda pafista anti-governo de esquerda

Cocas

Este trabalho contou com a apoio do Sapo Cocas. Por favor não o engulam.

Perante o Processo Ressabiado e Estúpido de Chantagem e Intimidação em Curso (PREC-IC) colocado em marcha pelo exército do PàF, da nata opinadora ao mais primário fanático facebookiano, urge desmontar alguns pressupostos desta campanha radical e extremista que visa tão-somente perpetuar a existência trémula deste regime podre e nocivo que, sob o pretexto do reequilíbrio das contas públicas, mais não fez do que concentrar (ainda mais) os escassos recursos da nação nas mãos de uma ínfima minoria, alargando ainda mais o fosso entre os muito ricos, cada vez mais ricos, e os pobres, cada vez mais pobres, esmagando no processo uma classe média que tende a desaparecer. Pelo caminho, vendeu-se ao desbarato a maioria do património colectivo, degradaram-se violentamente as condições laborais, transformando Portugal num país onde a precariedade, o despedimento sem justa causa e uma estranha forma de competitividade baseada em baixos salários fazem cada vez mais parte do quotidiano, deteriorou-se a escola pública e o SNS ao mesmo tempo que se aumentaram apoios ao sector privado da educação e da saúde, onde, por mera coincidência, tantos governantes do bloco central têm feito fortuna e, entre outras atrocidades, incentivou-se a emigração em massa, que regressa a níveis dos anos da ditadura com a diferença que quem sai agora são, na sua grande maioria, jovens altamente qualificados de quem o país precisa desesperadamente para se modernizar.

Eu não sei o que me espera de um governo composto por PS, CDU e BE. Tal como não sei o que me espera de qualquer outro governo antes que este tome posse. Se tomarmos como o exemplo aquele que recentemente cessou funções, percebemos que aquilo que achávamos poder esperar foi, em grande parte, um embuste. Porque aquilo que Passos Coelho disse em campanha foi que não iria aumentar impostos, cortar salários e pensões ou vender património do Estado “como quem vende os anéis para ir buscar dinheiro”. O que sei é que é expectável que, com a CDU e o BE num governo, a probabilidade de continuarmos a servir escritórios de advogados, bancos e oligarcas do PSI-20 com as migalhas que nos sobram diminui drasticamente. E depois de 40 anos de assalto isto já me parece um bom princípio. Pode durar poucos meses? Pode. Bem-vindos à democracia. Ela é para todos e pode, a qualquer momento, correr mal. Passemos à propaganda, que o intróito já vai longo:

  1. Os partidos à esquerda traíram o seu eleitorado. Os eleitores de PS, CDU e BE não votaram nestes partidos na perspectiva que se coligassem: claro que não, os eleitores destes partidos votaram neles na perspectiva que estes se coligassem com a coligação PSD/CDS-PP. Importa relembra que, durante a campanha, nenhum destes partidos fechou a porta a entendimentos. É improvável que o consigam? Com certeza. E daí? É menos legítimo por isso? Claro que não. Já agora, será que os eleitores do PSD votaram no seu partido em 2002 e 2011 na perspectiva de este se coligar com o CDS-PP (e vice-versa claro)? Isto também conta como traição?
  2. Uma coligação de esquerda põe em causa os tratados internacionais e a permanência de Portugal na UE e no euro: não põe nada. Para haver entendimento, serão necessárias cedências de parte a parte. O PS já avisou que não cederia em questões europeias, CDU e BE parecem ter percebido a mensagem, de outra forma não validarão qualquer entendimento. Claro que, para o PREC-IC, este “argumento” é forte porque pouco mais lhes resta do que instigar o medo nas pessoas.
  3. Os partidos à esquerda do PS traíram a sua ideologia e princípios ao negociar com o PS: é a velha história de se ser preso por ter cão e preso por não ter. Quando estes partidos fechavam a porta a entendimentos eram irresponsáveis. Agora que estão dispostos a tal são irresponsáveis. Percebe-se: pela vontade do regime, estes partidos desapareciam e não os chateavam mais. Eles, a Constituição e, se possível, o voto do portugueses. Até porque, se formos por aí, alguém me esclarece sobre o que foi feito com a social-democracia do PSD? E com as bandeiras dos contribuintes, dos idosos e do eurocepticismo que os centristas tanto gostavam de abanar? Pois.
  4. PS, CDU e BE não podem governar porque os seus programas não são conciliáveis: ah, ok! Mas, em desespero de causa, PSD e CDS-PP podem convidar o PS para o governo depois do seu líder ter dito isto: “Mas na verdade, todos os sinais que temos hoje é de que qualquer coisa parecido com isso que descreveu (coligação com o PS) não tem nenhumas condições para funcionar. Porque o programa económico é divergente, o modelo económico é diferente, a forma como o Partido Socialista – e já vão em duas lideranças – vem colocando o problema político e económico mantém o mesmo perfil e não é conciliável com os objectivos que temos, quer com as regras europeias, quer com o que tem sido o esforço de modernização e de reforma estrutural da sociedade portuguesa.”. Os programas podem divergir mas isso não implica que os partidos não possam convergir. Um entendimento pressupõe negociação e cedências.
  5. Coligação PSD/CDS-PP deve governar porque ganhou eleições: então e a bandeira estabilidade? O que tem o país a ganhar com a indigitação de um governo que durará dias? Se existe uma solução governativa apoiada pela maioria do Parlamento, não contará essa solução com o apoio da maioria dos portugueses tal como, por exemplo, a coligação pós-eleitoral entre PSD e CDS-PP em 2011? E não defendia Paulo Portas, com o consentimento tácito de Passos Coelho no debate de 2011, que não importava quem tinha mais votos mas quem conseguia apresentar uma maioria? Na Europa existem vários Estados cujos governos não são liderados nem integrados pela força partidária mais votada nas últimas eleições. E não estão na cauda da Europa. Desculpas destas mais não são do que paleio desesperado de gente obcecada pelo poder que o vê agora escapar.
  6. As dissidências no PS demonstram que a solução à esquerda fractura o partido e é inviável: para além do prazer especial que me dá ver a ala ultra-radical do PàF elogiar Seguro, Sousa Pinto ou Assis, eles que ainda ontem eram todos irresponsáveis e tóxicos, fico com a sensação que não haverá noite de facas longas no PSD no dia em que Passos Coelho cair. Haverá sim e será um espectáculo memorável. Por agora importa clarificar que António Costa tem um mandato da Comissão Política do PS que aprovou de forma esmagadora todas as negociações em curso. Se isto não é legitimidade não sei o que será.
  7. Os mercados estão a castigar a nossa economia pela deriva esquerdista: não estão não. Dava jeito colocar a chantagem dos mercados no terreno com dados sólidos mas a verdade é que eles teimam em não aparecer e os juros da dívida parecem até bastante estáveis por estes dias. Os mercados não se assustam com governos de esquerda liderados pelo PS. Aliás, os mercados não se assustam com nada, limitam-se a extorquir quem querem quando lhes interessa.
  8. Costa é movido por uma ambição desmedida: até pode ser, mas e Passos é movido por quê? Por patriotismo? Terá sido por patriotismo que andou a derreter fundos comunitários no esquema da Tecnoforma? Terá sido por patriotismo que detonou Manuela Ferreira Leite, Aguiar-Branco e Paulo Rangel com esquemas subterrâneos e desonestos? Terá sido por patriotismo que mentiu aos portugueses para ser eleito em 2011? E Portas, terá sido por patriotismo que se demitiu, causando danos significativos na economia portuguesa, para depois recuar? Então porque raio não voltou ao MNE? Ambições todos os políticos têm, não sejam palermas, sim?
  9. Costa procura sobreviver politicamente: vamos assumir que isto é verdade, até porque o risco de pasokização é real. Mas não seria mais fácil sobreviver politicamente coligando-se com a coligação, usando da narrativa do sacrifício em nome da estabilidade e deixar cair o governo no momento certo, como fez o PSD ao PS em 2011? Ou simplesmente deixar a coligação assumir funções, deixar passar um ou dois OE’s e depois tirar-lhe o tapete num momento de fraqueza? Já agora o que está a fazer a coligação, depois de ter dito cobras e lagartos do PS e do seu programa, ao convidar o PS para uma coligação? Não será esta uma manobra de sobrevivência? É que Portas até pode mandar no seu táxi, mas Passos também tem uns Assis e uns Sousa Pintos à espera de o ver cair. Facas longas existem em todo o lado e não falta quem queira mandar no PSD.
  10. Governo de esquerda configura um golpe de Estado e instaurará uma ditadura de esquerda: não vale a pena tentar desmontar esta imbecilidade. É tão estúpida que requer um grau de idiotice astronómico para a engolir. Demonstra também que existe muita gente neste país que não sabe o que é um golpe de Estado ou uma ditadura de esquerda. Demonstra também que as ditaduras de esquerda são, para os PàF’s, circunstanciais. Ou não fosse o nosso principal parceiro económico da actualidade o Partido Comunista Chinês, quer pela via estatal, quer pelo investimento dos oligarcas do comité central. Para não falar da ditadura de esquerda que governa opressivamente Angola, à qual o governo Passos/Portas bate continência e faz vista grossa à permanente violação dos direitos humanos. Afinal de contas, eles até são parecidos. Os “comunistas” de Eduardo dos Santos acham que estão a ser alvo de um golpe de Estado por parte de rappers e consumidores de literatura blasfema, os “sociais-democratas” de Passos Coelho acham que estão a ser alvo de um golpe de Estado da maioria dos deputados que integram o Parlamento. E democracia pode ser muito aborrecida para algumas pessoas.

Talvez existam mais. Talvez sejam criados mais à medida que a situação evolui. A propaganda não descansa mas também não falta quem não lhe queira dar sossego. Nós por cá temos essa inclinação herética para lhe dar cabo do juízo. Sem ajustes directos ou ambição de tacho na Segurança Social. Venha daí essa intifada.

Comments

  1. joão lopes says:

    o movimento pafifista começou não em 1969 como o festival de woodstock e os doors mas sim no ano da graça de 2015 com os festivaleiros relvas&ervas e o grupo Os Portas.há quem diga que este movimento é burguês,utiliza zonas de conforto e nunca emigra.é um movimento piegas ,histerico,totalmente alheada da realidade(as drogas nunca mudam,malditas)…e apenas aspira(???!!!!),tem como lider espiritual alguem que frequenta ranchos bunnyranch no Texas.

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  3. […] Nota do editor: este artigo é um resumo do texto original do João Mendes, publicado no blogue «Aventar» [1]. […]