Fórmula “ Cavaco “ = ( BE + PCP ) = (550.892 + 445.980 ) = 996.872 votos = 0

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Na declaração do presidente da república, ao País, no dia 22 de Outubro, Cavaco Silva em muito ultrapassou aquilo que se espera do mais alto magistrado da nação. Um presidente da república deve ser um moderador, nunca um analista ou comentador político.

Entendo que, em momento algum, não deve ser colocada em causa a indigitação de Pedro Passos Coelho para primeiro-ministro, mas é inaceitável a segunda parte da sua intervenção em que faz considerações, análises e comentários políticos sobre alguns dos partidos com vasta representação parlamentar.

O PR não pode interferir, nem tem voto na escolha do programa do governo. Esse papel cabe à Assembleia da República, nomeadamente aos deputados. Mas também nesse campo Cavaco Silva errou. De forma alguma o PR pode implicitamente apelar à insubordinação dos deputados dando lugar a uma “ limianização “ do Parlamento.

Uma coisa é o Presidente da República não partilhar das questões ideológicas do PCP e do Bloco de Esquerda, sendo que muito provavelmente até eu estarei mais longe ideologicamente destes dois partidos que o próprio Cavaco. Porém outra coisa muito diferente é o Presidente da República não respeitar o voto de cerca de 20% dos portugueses. O que Cavaco Silva disse a um milhão de pessoas é que, segundo a sua perspectiva e análise pessoal, simplesmente os seus votos não contam. Em Democracia todos os votos contam. Afirmar o que disse o PR é desrespeitar os portugueses que depositaram o seu voto e a sua confiança no BE e no PCP, mas é sobretudo um insulto à Democracia.

Como pode um Presidente da República dizer aos portugueses que um governo de esquerda não pode governar o nosso País?

A intervenção do presidente da república foi o “ fermento “ que faltava para dar a força à união dos partidos de esquerda. Cavaco, ao ir longe de mais, tornou-se no principal aliado de António Costa e o PS.

E Cavaco Silva teve, no dia seguinte, uma pronta resposta de toda a esquerda com a eleição para segunda figura do estado de Eduardo Ferro Rodrigues para as funções de presidente da Assembleia da República. E estou convicto que depois desta resposta da esquerda outras se seguirão. Cavaco ao inaugurar uma nova fórmula política ( BE + PCP ) = (550.892 + 445.980 ) = 996.872 votos = 0 ( zero ) , colocou-se no centro do “turbilhão” politico, quando se esperaria que fosse o moderador da actual situação política.

Comments

  1. Manuel Silva says:

    Paulo:
    Lamento ter de comentar podendo dar um ar professoral, que não tenho nem quero ter, mas isto já não se suporta:
    O Paulo disse: «Entendo que, em momento algum, não deve ser colocada em causa a ».
    Eu garanto que até já ouvi na RTP 1 dizer que as galinhas colocavam ovos».
    Só não percebi se na capoeira ou nas prateleiras do supermercado.
    Pobre do verbo pôr, jaz morto e enterrado.
    Se tiver curiosidade, compre o recém publicado: «Em Português, se faz favor».
    Vale a pena.

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  1. […] a possibilidade do Presidente cometer um erro histórico e constitucional, como é que se pode colocar o senhor out, ainda antes das eleições? Na Constituição não […]