Aumentos de 150% na direcção da ANAC? Eram as Legislativas, estúpido!

eleitoralismo

Anda por aí muita gente surpreendida e indignada com os aumentos salariais acima das possibilidades do país que o governo anterior proporcionou  a três elementos da direcção da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC), um aumento superior a 150%. Junto-me a esse coro de indignação mas devo dizer que não estou minimamente surpreendido. Só quem não esteve atento aos últimos esforços eleitorais da coligação PSD/CDS-PP a poucos dias das Legislativas é que pode estar. Ou será que já ninguém se lembra dos vários aumentos salariais proporcionados pela equipa de Pedro Passos Coelho na semana das eleições? Só no ministério da Saúde foram 11 mil enfermeiros de uma assentada. E se esses aumentos não me causaram indignação pelo aumento em si mas pelo timing, no caso da direcção da ANAC estamos perante um verdadeiro insulto à população portuguesa. Pelo aumento estratosférico, pelo timing e por ter sido uma decisão dos mesmos que agora se indignam diariamente contra qualquer minúsculo aumento do salário mínimo. E a melhor desculpa desta direita moralista, até ao momento, é acusar o PS de ter participado na aprovação da lei que permitiu este abuso. Genial!

Comments


  1. 1. Os salários actuais da ANAC são substancialmente diferentes dos restantes reguladores?

    2. Quem é que decide quais os salários dos reguladores, é o Governo?

    3. De onde vem o dinheiro para pagar estes salários, é do Orçamento de Estado?

    Quando responder a estas três perguntinhas (são fáceis), então podemos discutir se existe ou não um problema.


    • 1 – Nao e por isso mesmo é no mínimo obsceno, nao podemos ter entidades que ganham como se estivessem na alemanha e ter o nivel de desenvolvimento de Portugal.è uma questao de bom senso.

      2- SIM, ou seja foi criada uma comissão de vencimentos que decide o valor,indicados pelo Governo (Sao 3 membros 1 Min,Finanças + 1 Min.Economia +1 Indicado pela Anac.

      3- A esta nem lhe respondo,mas dou-lhe uma pista, penso que vem do mesmo sitio do Banif


      • Ainda tem duas respostas erradas, mas continue a mandar postais.


        • Pois errado estas tu.Responde lá entao.Que eu mostro-te o link para a comissao de Vencimentos. E tambem de onde vem o dinheiro para os vencimentos…espera vem do ceu o dinheiro.


          • É melhor ver quem é que está a responder a quem. Adiante…

            A comissão de vencimentos não é constituída por funcionários do governo. São indicados três pessoas, que depois trabalham de forma o mais independente possível. Igualzinho a, por exemplo, os juízes do TC, ou o governador do BdP; podia continuar o dia todo com cargos que são indicados ou pelo governo ou pela AR. Não se me consta que alguém diga que o governador do BdP está ao serviço de algum governo (até porque o titular actual em concreto até já vai no 3º governo – foi indicado pelo governo de Sócrates). Além disso, os vencimentos têm regras, nomeadamente, estarem em linha com as outras entidades reguladoras.

            Mas o problema maior está na última pergunta. Não, os salários não saem do OE. Como em todos os outros reguladores (ANACOM, ERSE, AdC, CMVM, ISP e por aí fora), quem paga os salários são as empresas reguladas, via taxas. Não é dinheiro do contribuinte (excepto se a empresa regulada for pública, o que não é o caso quase nunca).

        • Nascimento says:

          Qual é a ” certa” para ti?? E já agora; vai lamber os teus chefes ,ali prós lados do Caldas,ou prá São Caetano…deves ter boas cunhas , tu, e os teus amiguinhos…
          Podes mandar as postas ou os ” postais” que quiseres, mas, se tivesses um pingo de vergonha nas fuças, nem ladravas.
          Nem tu, um certo sujeito, que aqui rabisca no AVENTAR como convidado, e vota ( sempre), nesses merdososos, aparecendo depois a chorar, tadito, por que os do seu ” partido” (o PSD),fizeram umas “malfeitorias”….UI, que lindinhos ! Não são?os “liberais” plenos de esterco….


          • A argumentares assim eu não sei responder…não consigo descer ao teu nível de argumentação.É baixo demais para mim.
            Abraço


        • Amigo Marco eu respondi ao Nascimento e não a ti…

          • Nascimento says:

            A ”conversa” nem era contigo… mas, já que és um amigão do Marco,e visto teres um ganda ”nível”’ podes ir de carroça.Eu,ao contrario de ti meu ”democrata”,não tenho pachorra para aturar,” liberais” que me f…..m o tempo todo e nem me beijam…


  2. Marco
    A comissão de vencimentos é nomeada como dizes ..”São indicados três pessoas, que depois trabalham de forma o mais independente possível”. Respondes logo á minha primeira duvida.Quanto é regras podes reparar que não existe limite para os vencimentos e estar em linha com as outras entidades reguladoras,não significa que 16 mil euros seja normal?
    O governador do Banco de Portugal ganha mais que o homologo Americano do FED,por isso é um bom exemplo o do Governador Banco Portugal.

    A questão de quem paga…então não são os consumidores dessas empresas que pagam (que por coincidência são os contribuintes deste pais) e vindo o dinheiro do OE, ou “roubado” reforço “ROUBADO” através de preços não concorrenciais permitido exactamente por essas belas “entidades reguladoras” nao vai dar ao mesmo…espera o dinheiro não sai dos mesmos.


  3. O imoral é que depois andamos a discutir um aumento de 25 euros mês( 1 euro dia) no Salário mínimo nacional como se estivéssemos a discutir passar de 6 mil euros para 16 mil euros.

    Isto é que está em causa…é o principio, justiça e equidade.


  4. Caro José, vamos por partes.

    Se os vencimentos dos reguladores são altos ou baixos, vai de uma determinada visão de sociedade, que, claramente, não partilhamos. Os salários dos reguladores não me chocam por aí além; choca-me mais o nível salarial dos deputados, por exemplo… que eu acho demasiado baixo! Tenho razões para esta opinião, mas fica para outro dia, que é uma discussão em si mesma.

    Só me estava a referir à isenção. Temos muitos cargos de nomeação governamental ou por parte da AR, muitas delas com bons exemplos de isenção (casos do BdP e do TC, por exemplo, já para não ir aos reguladores). Se calhar deviam existir mais controlos de isenção, ou mais regras, ou… Mas é o que temos agora. A CRESAP foi um passo na direcção correcta, pode ser que pudéssemos ir mais longe.

    Depois, se considerarmos que todo o valor faz parte do OE… Quer dizer, eu, que sou trabalhador de uma empresa privada, e que crio valor com o meu trabalho, e que recebo valor da empresa pelo mesmo, tenho que considerar tudo isso como fazendo parte automática do OE? Isso é uma visão um bocado – à falta de melhor definição – comunista da coisa. É o meu valor. Faço dele o que entender. Eu não uso transportes aéreos (por exemplo), pelo que o meu valor não está a servir, mesmo que indirectamente, para pagar os salários da ANAC.

    O tema já é complexo o suficiente para ainda estarmos a misturar valores que saem do OE com outros que saem em taxas a empresas privadas. Tenha paciência, mas é aqui que está, talvez, a nossa maior diferença: os salários não são pagos pelo Orçamento, ponto.

    Finalmente, e para endereçar o seu último comentário, e para me dispor totalmente às acusações de neo-liberal (o que quer que isso seja, definição avulsa de quem não percebe sequer o conceito de liberalismo), “fássista”, neo-nazi, com mau hálito e a cheirar mal dos pés, vamos a contas?

    Que existam 20 entidades reguladoras em Portugal (são menos, mas dou de barato). Que cada uma tenha uma direcção de 5 elementos (que não tem). Que cada um destes tipos ganhe 20k€ (que não ganha).

    Isto tudo dá 20 x 5 x 20.000 = 2.000.000€ por mês

    Agora, em Fevereiro de 2015 existiam 465.000 pessoas em Portugal a receber o salário mínimo. Vamos supor que esse número até baixou e que, antes do aumento, existiam 450.000. Só para arredondar as contas.

    Essas pessoas recebiam, em Dezembro de 2015, 450.000 x 505 = 227.250.000€. Em Janeiro, passaram a receber 450.000 x 530 = 238.500.000€. Uma diferença de 11.250.000€. Por mês.

    Partindo do seu princípio que toda a cadeia de valor faz parte do OE, o aumento do salário mínimo custa cinco vezes mais ao erário público do que todos os reguladores juntos.

    Realço novamente que fui extraordinariamente simpático com estas contas, a seu favor. E que até ignorei o efeito de pressão sobre os salários pouco superiores ao mínimo. E que nem levei em conta que mais de metade dos salários dos reguladores volta ao estado via impostos, ao contrário dos salários mínimos (apenas 11%). Ainda acha que é uma discussão que não faz sentido ter?

    Em suma: na minha opinião, esta brincadeira dos salários dos reguladores é um não assunto, pasto para demagogias variadas. Podiam ser mais baixos? Podiam (sim, podiam, mas não muito). Mas não é caso para tanta conversa da treta.


    • Podes usar o termo comunista á vontade,não me incomoda apesar de te informar que não sou comunista.Quanto ao que importa,essa visão que não te choca foi a que aos poucos nos trouxe até aqui,foi exactamente por nada nos chocar.Porque o que tu chamas de brincadeira com as contas.Eu sei por experiência própria o que é chegar a hora de por comida na mesa para os filhos e não ter nada para lhes dar,. Sempre podia usar a sua teoria e dizer os meus filhos que é assim porque eles são “pessoas acima dos outras”super competentes, pois eu também sou. Que os deputados ganham mal,com certeza que sim mas é a realidade do pais eu também ganho mal. Esta é a nossa diferença fundamental por ter sofrido na pele os desvarios desses pessoas super-competentes.Adorei a tua forma de fazer as contas mostra a tua veia de economista “neo-liberal” distorcer a realidade ate ela encaixar na nossa teoria.


      • Não uso termo “comunista” como insulto. Estou apenas a constatar que a colectivização de toda a cadeia de valor é uma ideia comunista (está no “Manifesto”).

        Se distorci a realidade nas contas (e distorci, está lá admitido), não foi a favor do meu argumento, mas sim muito, mas mesmo muito, pelo contrário. Queria apenas que compreendesse que 30 milhões de euros é uma gota de água (0,015%) do PIB. Muita discussão por uma percentagem tão baixa do PIB. O aumento do salário mínimo (e peguei neste exemplo como podia ter pegado noutros) tem impacto muito maior sem que haja grandes ondas.

        Também acho piada à forma como assume que sabe melhor do que eu o que é fazer esforços para dar de comer aos filhos, sem me conhecer de lado nenhum. O complexo de superioridade moral tinha que vir ao de cima. Ideias, e não pessoas. Personalização dos problemas não ajuda a compreendê-los.


    • Estado português injectou cerca de 90 milhões de euros num banco que vendeu por 38 milhões. Dinheiro para aumentar o salário mínimo tem o condão de chocar a nossa moralíssima direita mas quando chega a hora de despejar 90 milhões de euros num descendente do BPN não se passa nada. Em segundo lugar Miguel Relvas, sempre no sítio certo.

      Concorda nao é Amigo Marco?


      • Não, não concordo. Se perguntar a qualquer liberal (e não essa coisa do neo-liberal, ou um conceito tão séc. XX como “direita”), a opinião que ele terá é esta: os bancos são empresas, com algumas características especiais, é certo, e como empresas devem falir.

        O BPN, o BES o Banif deviam ter ido todos pelo mesmo caminho: falência. Accionistas com 100% de perdas. Subscritores de dívida subordinada, idem. Obrigacionistas, ibidem. Depois, se mesmo assim ainda houver perdas, vai aos depósitos > 100k€. E se mesmo assim ainda houver buraco (o que já é altamente dúbio nesta altura), bail-in do resto dos operadores bancários.

        Só precisava de acontecer isto ao primeiro. A gestão ficava logo mais cautelosa. Claro que depois tinha outros custos (por exemplo, o acesso ao crédito por parte de empresas e famílias iria ficar muito mais rigoroso), mas o efeito pedagógico seria poderosíssimo.


        • Está a ver, afinal ate concordamos em muitos pontos.Ainda bem para nós os 2 ,significa que somos civilizados.Temos algumas visões diferentes da concepção da Sociedade.CONCORDO 100% CONTIGO.Também sei que tem um preço para a economia,claro que sim “mas o efeito pedagógico seria poderosíssimo”.
          Temos que discordar…assim não tem piada 🙂

  5. Nascimento says:

    Realmente a mim também não me ”choca”nadinha que um tipo ”nomeado” por um governo que me cortou tudo o que eu tinha conquistado durante 40 anos, dizendo que empobrecer era uma virtude, venha a aumentar um seu correligionário, passando este de 6000 para 16000€ e com retroativos…dass,e ainda há quem julgue que se deve ser educadinho para os F.da P.!!!


    • Nascimento, nao se trata de ser amigo…nem ser superior a ti.
      Trata-se de boa educação para falar sobre os assuntos sem ofender.
      Só isso.

  6. martinhopm says:

    Li com alguma atenção os comentários e argumentos trocados sobre a justiça de salários tão elevados.
    A mim só me oferece perguntar: mas muitas das entidades ‘reguladoras’, em bom rigor, regulam alguma coisa?! Agradecia que me esclarecessem.