Crónicas do Rochedo V – Pinto da Costa, O Político.

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Uma das características dos políticos é a sua durabilidade. São assim como o coelho das pilhas duracell, “e duram, e duram, duram, duram…”. Não fosse a lei de limitação de mandatos nas autarquias locais (porquê só nas autarquias locais???) e Portugal seria o verdadeiro paraíso jurássico da Europa.

Estarei a exagerar? Não me parece. Ora reparem: António Costa, Pedro Passos Coelho, Paulo Portas, Jerónimo Sousa. Isto apenas para referir as primeiras linhas. Caso contrário, teria de recordar Soares, Cavaco, Jorge Coelho, Jaime Gama, Marques Mendes, Durão Barroso, Santana Lopes, Telmo Correia, Francisco Louçã, etc., etc., etc. Desde os anos 80/90 que estão na primeira linha. Será que é só na política? Bem, nos sindicatos é a mesma coisa. Nas ordens profissionais onde não existe regra de limitação de mandatos idem. E nas grandes empresas? Aspas, aspas.

Isto é tudo muito bonito, são todos muito democratas e tal e coisa mas largar o lugar é que nem pensar. Se é assim em tudo porque raio teria de ser diferente no futebol? Pois.

O Presidente do FC Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa, anda nisto desde os anos oitenta do século passado. São mais de trinta anos de liderança. Muitas vitórias. Imensas. Tanta glória. Tantas alegrias. Eu nem me lembro de ter conhecido outro presidente. E oposição só mesmo uma vez (que me recorde). É obra. Convenci-me, em 2004, que ele iria sair pelo seu próprio pé. Tinha acabado de ganhar tudo e mais alguma coisa a nível nacional e internacional. A sua liderança tinha cumprido todos os objectivos, até os inimagináveis. UEFA, Champions League, Campeonato, novo estádio, pavilhão e museu em estudo. Preferiu ficar. Uns anos depois veio a Liga Europa, os campeonatos, os cinco a zero ao eterno rival, o pavilhão e o museu eram já uma realidade. Ok, pensei, é agora que vai aproveitar para fazer a renovação do clube, preparar a sua substituição. Sem sobressaltos, com tempo, com inteligência.

Não. Preferiu continuar.

Como não existe uma regra de limitação de mandatos, JNPC continua a arrastar-se na presidência do FCP. Algumas más-línguas dizem, em surdina, que é apenas uma espécie de Evita dos últimos dias. Quem o diz são aqueles que se curvam na sua presença para o atraiçoar na sua ausência.

Ou seja, o actual Jorge Nuno Pinto da Costa transformou-se num político. Existe corte de bajuladores, “yes man”, “boys”, dirigentes que não se atrevem a contrariar as suas decisões ou a sua liderança, os amigos que restam não encontram coragem para lhe dizer a verdade e boa parte dos que, quais moscas, andam à sua volta só o fazem em nome dos negócios, do dinheiro. Exactamente aquilo que acontece e rodeia os políticos que se arrastam nos lugares.

É esta a realidade actual do FCPorto, com ou sem Lopetegui. Com ou sem Maicon. Um longo e penoso caminho nos espera. Independentemente de uma ou outra vitória ou título de circunstância. O Titanic embateu num iceberg. A água começou a entrar. E a orquestra continuou a tocar.

Quem vier a seguir que feche a porta. Se esta ainda existir.

Comments


  1. O Povo é sábio e diz: “para pior, já basta assim!”

  2. Nightwish says:

    Só lá sai de caixão depois de acabar de transformar o clube num cemitério de jogadores e treinadores. Mas o que é isso face às comissões que também o filho recebe?

  3. Konigvs says:

    Ora bem, políticos somos todos. Todos nós fazemos política no dia-a-dia. Depois, uma coisa são os líderes partidários que se eternizam como o Alberto João, outra coisa completamente diferente são pessoas que estão ao serviço da política dentro dos partidos, como qualquer um de nós pode estar como mero militante.

    Limitação de mandatos é coisa que não entendo. Porquê? Porque é o assumir que o Estado não tem capacidade de punir a corrupção, porque na verdade nunca esteve nem estará. E se estamos em democracia são as pessoas que escolhem, e se as pessoas escolhem ser governadas como ladrões como o Valentim ou o Isaltino (ambos condenados em tribunal) vamos limitar os mandatos porquê? Não são as pessoas que escolhem em democracia? Se as pessoas querem ser governadas por ladrões como o Passos e o Portas (que roubaram salários e subsídios) então o que precisamos não é de limitar os mandatos. Se calhar o que precisamos é de outro sistema que não a democracia.

    Sobre Pinto da Costa.
    É tudo muito bonito quando se ganha. Não importam os meios, só importam os fins. Que importa que se tenha uma máfia por trás, que se ganhe campeonatos atrás de campeonatos através da compra de árbitros, que ninguém saiba onde estão enterrados todos os milhões que o clube faz da venda de jogadores…
    Quando se ganha nada se questiona. Não interessa. Só interessa é que se foi campeão. Somos os maiores caralho! Morte aos mouros. Só queremos ver Lisboa a arder.

    Pinto da Costa, há anos que o digo, é o principal entrave a que o FC Porto não se tenha tornado no maior clube de Portugal. Ninguém corre atrás de quem perde. E eu aceito que o discurso, numa fase inicial do “estão todos contra nós”, fizesse sentido, mas quando se começa a ganhar não. Não faz qualquer sentido.

    Veja-se Bruno de Carvalho. Veja-se como a maioria dos portistas querem este ano que, entre os dois de Lisboa, seja campeão o Benfica – o rival dos últimos trinta anos – em vez do Sporting. Porquê? Porque ninguém suporta o Bruno de Carvalho. Tal como há mais de trinta anos que ninguém suporta o Pinto da Costa. Tivesse o FC Porto um presidente sedutor, e teria hoje já mais adeptos que o Benfica. Mas o que sempre fez foi semear o ódio (tal como faz o atual vice do Benfica) foi dizer mal de mais de metade do país. E ainda assim, muita gente com menos de trinta anos é hoje adepta do FC Porto, tal como por exemplo em África o Porto já tem mais adeptos.

    Mas é tudo muito bonito quando se ganha. O problema é quando se menospreza os adversários e se começa a deixar de ganhar. Aí é que as coisas começar a dar para o torto. Aí é que no fim da época se vai entregar umas enxadas e picaretas aos jogadores. Aí é que, apesar do presidente e líder de tantos anos dizer que apoia o treinador, os adeptos acenem com lenços brancos e pasme-se, um líder da claque vai reunir com o treinador! Mas quem é que manda no clube afinal?

    O presidente do FC Porto eterniza-se no poder, porque ser presidente de um clube dá-lhe uma quase imunidade. Veja-se Vale e Azevedo. Nunca que foi detido enquanto foi presidente. E o Vale caiu da cadeira, simplesmente por causa dos maus resultados. Tivesse ele sido campeão como o Pinto da Costa o foi durante estes anos e também ele, ainda a esta hora era presidente do Benfica.

    Ouvi as declarações de Pinto da Costa depois do despedimento do Lopetegui e fiquei com pena. Nunca que o Pinto da Costa de há dez anos teria dito o que disse de Imbula, sobre ele ser um Ferrari que ficou na garagem. O Pinto da Costa de há dez anos, diria simplesmente que o treinador é que não teve mãos para o conduzir. Basicamente o que veio dizer, foi que o espanhol achou que estava ali um grande jogador e afinal saiu uma valente merda. Pior fez ao dizer que Suk foi escolha do treinador e que entretanto ficou com “o menino nos braços”, dando a entender que o jogador não foi escolhido com o seu aval e que desconfia que valha muito pouco. Numa assentada meteu os pés na poça duas vezes.

    Depois veja-se o que é o plantel do Porto. Os adeptos iludiram-se. Trouxe o frangueiro espanhol, encostado por Mourinho por ser delator, e todos ficaram contentes porque vendeu muitas camisolas e passou o Benfica em gostos no Facebook. Foi buscar Maxi, jogador com oito anos de Benfica, o tal jogador que “deveria ser expulso em todos os jogos” e todos exultaram (como alguns exultam agora com a compra totalmente desnecessária de Carrillo).

    Depois o despedimento do Lopetegui foi um erro. Além de ter de pagar 5 milhões pela sua incompetência, como é sabido, nunca que despedir o treinador a meio da época trás benefícios. São erros atrás de erros.

    Depois olhar para o plantel do Porto, e ver que, dos “três grandes” é o clube com menos referências, com menos jogadores com anos de clube. Sabem qual é o jogador do onze titular com mais anos de clube? Pois é: Maicon.

    São erros atrás de erros. Ainda assim, se os adeptos nunca questionaram a sua administração quando ganhava viciando todas as regras, agora que perdem, moralmente, não têm qualquer direito de questionar a sua liderança. É aguentar. Melhores dias virão. Ou não.

    • Nightwish says:

      “que se ganhe campeonatos atrás de campeonatos através da compra de árbitros”
      O único clube que comprovadamente dá prendas aos árbitros é o clube do regime.

      ” E eu aceito que o discurso, numa fase inicial do “estão todos contra nós”, fizesse sentido, mas quando se começa a ganhar não. Não faz qualquer sentido. ”
      Faz mais sentido do que as nomeações de Vitor Pereira e os castigos de Ricardo Costa, menos para a PJ que nada investiga mesmo com denúncias dos árbitros. Tal como as prendas do clube do regime.

      Do resto, só discordo em pormenores, é a bola. Não acho que o Casillas seja frangueiro (comparado com o Júlio César e o Rui Patrício muito menos), por exemplo.

  4. Manuel da Silva Moutinho says:

    Viciando todas asregras? deve estar a falar do benfica, do Estorilgate, do Calabote e de outras vergonhas que se passaram nos anos 60/70. aproveitar a situação do meu clube para denegrir a nossa imagem, isso nunca ficará sem resposta, as nossas vitórias internacionais também foram viciadas?
    Também quem fisa atrás de um pseudónimo para escrever seja o que fôr, está tudo dito?

  5. Manuel da Silva Moutinho says:

    Viciando todas as regras? deve estar a falar do benfica, do Estorilgate, do Calabote e de outras vergonhas que se passaram nos anos 60/70. aproveitar a situação do meu clube para denegrir a nossa imagem, isso nunca ficará sem resposta, as nossas vitórias internacionais também foram viciadas?
    Também quem fica atrás de um pseudónimo para escrever seja o que fôr, está tudo dito.

    • Nightwish says:

      Anos 60? Ainda há poucos anos contratavam jogadores antes do jogo com o dono do passe e havia um dilúvio de jogadores titulares que ficavam suspensos antes de jogar com os galináceos.

  6. tancredo says:

    Se a função faz o órgão, há que agir enquanto a coisa está a dar.
    E aceitar que o órgão, não vai tocar sempre em lá maior.
    É a vida.

  7. Jorge da Costa says:

    Não é verdade que nas ordens profissionais não exista a regra de limitação de mandatos.
    É favor consultar os estatutos das ordens profissionais e associações de direito público das profissões reguladas (cc. 15, salvo erro)