Nuno Crato ao SOL: “Houve quase uma fatwa da Fenprof contra mim”


Se calhar, a incompetência própria ajudou. E o falhanço no arranque do ano lectivo 2014/2015 também.

Comments

  1. Cópia dos links para memória futura.

    Nuno Crato: ‘Houve quase uma fatwa da Fenprof contra mim’

    Acredita que em muitos casos a tensão entre ministério e professores era encenada pelos sindicatos. E não reconhece o que Brandão Rodrigues está a fazer no programa do PS.

    Diana Tinoco

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    Margarida Davim
    margarida.davim@sol.pt

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    Nuno Crato
    Passa cada vez mais tempo no estrangeiro e tem evitado criticar o seu sucessor Tiago Brandão Rodrigues. Mas vê no Ministério da Educação uma «política de negação» em relação ao que fez. E acredita que o que mais o separa do atual ministro é a sua consciência da importância da avaliação de alunos e professores. Acha que em breve as reformas de docentes vão levar a grandes necessidades de contratação e lamenta que essas entradas se façam sem uma prova de avaliação de conhecimentos aos candidatos a professor.

    Como é que é a primeira semana a seguir a deixar de ser ministro?

    É de um grande alívio. É pensar: vou ter tempo para descansar, vou ter tempo para mim, para pensar.

    Há um sentimento de missão cumprida?

    Sim, claro. Uma missão cumprida. Acabou. Só houve até agora quatro ministros da Educação que fizeram o mandato completo. E o meu foi dos mais longos.

    Foi dos poucos ministros que não transitaram para o Governo que acabou por ser dos mais curtos da História…
    Eu tinha dito de início que não queria ficar. Nem seria muito normal que ficasse. Seria a primeira vez na História que um ministro da Educação teria dois mandatos seguidos (risos).

    Não ficaria em nenhuma circunstância?

    Não. Se não o disse de uma maneira muito decidida e muito determinante foi porque acho que são coisas que cabe ao primeiro-ministro dizer. Mas já tinha dito ao primeiro-ministro várias vezes.

    Leia a entrevista completa na edição desta semana do Semanário SOL

    PSD aguenta Crato. Cavaco diz que “algo não está bem”

    13/10/2014 00:00
    11 FACEBOOK TWITTER
    Multiplicam-se as vozes que vêm a terreiro defender a substituição de Crato. Mas, para fora, os sociais-democratas mantêm-se firmes na defesa de um ministro que, admitem, sai mais fraco com os episódios da colocação de professores
    O PSD admite que Nuno Crato é hoje um ministro “fragilizado”, depois de toda a polémica em torno da colocação de professores. As sucessivas dificuldades em resolver o problema – que começou com o arranque do ano lectivo – já obrigaram o primeiro-ministro a vir a público segurar o titular da pasta da Educação.

    E, se já estava fragilizado, ontem, as declarações do Presidente da República vieram reforçar a ideia de que “alguma coisa não está bem” no sector. Cavaco Silva disse que o problema “não é positivo para um país que quer ser a excelência na educação”. Entre os sucessivos “atrasos” no arranque do ano escolar (que afectou cerca de 1% dos alunos, na versão do governo), houve alunos “prejudicados” e professores que “viveram momentos de angústia”, lembrou o Presidente da República, na primeira vez que abordou a questão. Mas Cavaco faz fé nas palavras de Crato e diz que o ministério “está em vias” de preencher as vagas que permanecem sem professores. “As coisas não correram bem”, mas não vai ser ele, chefe de Estado, a dizer o que o governo deve fazer, ainda que a saída do ministro seja abordada sem rodeios: “Só existe uma pessoa que, em Portugal, tem competência para propor a nomeação e exoneração de um ministro: é o primeiro-ministro”, diz Cavaco

    AGUENTAR O BARCO ATÉ ÀS ELEIÇÕES No PSD, a palavra de ordem é para segurar Nuno Crato. Pelo menos até que a situação esteja resolvida. Esta tarde, os deputados da comissão de Educação vão receber o ministro no parlamento. A colocação nas escolas será o prato forte da audição. “É incontornável que o tema venha outra vez a debate”, considera Nilza de Sena.

    A vice-presidente da comissão garante que os deputados do PSD que integram o grupo de trabalho estão “totalmente solidários” com o ministro, mas recorda que a decisão – sair ou não – caberá sempre a Passos Coelho.

    Certo é que o “momento histórico” de Nuno Crato na Assembleia, quando pediu desculpas pela situação em que se encontravam cerca de 300 escolas do país, “fragilizou” o governante. “Ao assumir o erro assume uma fragilidade”, resume a deputada Nilza de Sena.

    Em público, já várias foram as vozes a manifestar-se pela remodelação governamental. No sábado, Marques Mendes disse que Nuno Crato “deixou de ter condições para ser ministro”, marcado por episódios que denotam “incompetência” e “insensibilidade”. E Pacheco Pereira não disse diferente. “No caso da Educação, é evidente que o ministro está demissionário”, considerou o comentador social-democrata, antevendo que “uma remodelação possa estar para vir aí”.

    O problema é, por um lado, de calendário. Fonte da bancada parlamentar do PSD lembra que, a menos de um ano das legislativas – e com um Orçamento do Estado em mãos -, não seria fácil ao primeiro-ministro substituir Crato na pasta da Educação. Numa situação normal, o ministro já teria saído. E, numa situação normal, seria um secretário de Estado a assumir a pasta até ao fim da legislatura. Mas esse é outro problema.

    RESPONSABILIDADES REPARTIDAS O ministro está ferido, não há dúvidas disso no PSD. Mas há, entre os sociais-democratas, quem defenda que Crato não pode ser o único a arcar com as consequências. Desse ponto de vista, Virgílio Macedo não tem dúvidas de quem deve ser o alvo das críticas.

    “O ministro é o titular da pasta” e, como tal, é a figura à qual se pedem sempre as responsabilidades, mas “a culpa é do secretário de Estado [do Ensino e da Administração, o centrista João Casanova de Almeida]”, atira o presidente da distrital do PSD/Porto. O secretário de Estado, acrescenta, “já devia ter tirado consequências”.

    Virgílio Macedo não afasta a possibilidade de Nuno Crato conseguir chegar ao fim do mandato – mais uma vez, as cartas estão todas na mão de Passos -, mas considera que “todos os ministros são susceptíveis de ser remodelados”.

    No final da semana passada, falando na Assembleia da República sobre as consequências do problema com a colocação de professores, o primeiro-ministro sublinhou que o executivo “não deixou prosseguir um erro que não resulta de um decreto-lei, não resulta de orientação política do governo, mas da forma como foi posta em prática pela administração”.

    Com Luís Claro

    Ponto por ponto: a confusão nas escolas

    Qual foi o erro no concurso dos professores? A Direcção-Geral da Administração Escolar errou na fórmula usada para ordenar a lista dos candidatos. As duas escalas que medem a graduação profissional (de 9,5 a um número indefinido) e a avaliação curricular (de 0 a 100%) não foram harmonizadas. Como consequência, os critérios de selecção das escolas ganharam maior peso, resultando na subida de centenas ou milhares de lugares de alguns professores na lista ordenada, em comparação com aquele em que estariam apenas com base na graduação profissional.

    O que foi feito para corrigir o erro? A solução passou por converter a graduação profissional e a avaliação curricular para escalas idênticas. No fim da segunda semana de aulas, o ministério mandou os directores das escolas revogar as listas de candidatos e anular as quase 900 colocações efectuadas a 13 de Setembro. Horas depois mandou publicar as novas ordenações, já com base numa outra fórmula matemática.

    Quantos professores perderam o lugar e quantos tiveram de mudar de escola? Cerca de 150 professores ficaram sem lugar, podendo vir a ser colocados nas bolsas de contratação seguintes. Se tal não acontecer, a tutela promete avaliar caso a caso e encontrar soluções. Outros 250 professores mudaram para outra escola que tinham indicado ser da sua preferência. Contas feitas, serão cerca de 400 docentes que ao fim de três semanas de aulas deixaram as suas turmas.

    Que escolas foram afectadas? O erro afectou um terço das escolas (304): as que têm contrato de autonomia e as integradas nos territórios educativos de intervenção prioritária (programa para escolas com elevadas taxas de insucesso). Estes dois grupos de escolas, têm acesso à contratação dos professores sem vínculo no caso de os horários não serem preenchidos pelos colegas do quadro.

  2. Rui Naldinho says:

    Estive para colocar este pequeno texto no Aventar.
    Mas como andei no fim de semana pela Maratona do Porto 2016, não tive oportunidade de o acabar a tempo. Mas de qualquer forma serve de comentário a esta oportuna entrada de J. Manuel Cordeiro

    Titulo:
    A JIHAD E A FATWA
    O ex ministro da educação Nuno Crato resolveu dar uma entrevista ao semanário SOL de 5 de Novembro de 2017.
    A maioria dos intelectuais que passa por cargos ministeriais tem dificuldade em fazer uma autocrítica honesta e rigorosa dos seus mandatos. Isso seria para muitos deles diminuírem-se face aos seus pares, e, esse ato de humildade não faz parte de seu ideário. Este comportamento acrítico é comum aos vários titulares das pastas ministeriais e secretariadas de estado no passado longínquo e recente, em especial quando a sua gestão não corre como eles esperavam. O normal é recorrerem a argumentos especulativos e conspirativos para justificarem a sua própria incompetência.
    Ao ler a entrevista de Nuno Crato fiquei com a nítida sensação que ele era uma pessoa impreparada para a função que desempenhou.
    Se intelectualmente não podemos por em causa as capacidades técnica e científica do Professor Nuno Crato, no que concerne á condução das políticas educativas do ministério que tutelava, a conversa já é outra. Na pasta da Educação, eu afirmaria que ele foi o mais incompetente ministro que por cá passou desde o 25 de Abril de 1974. Tudo porque esta gente vive de cartilhas ideológicas, não se dando conta da realidade que os envolve. Quando assim é, as trapalhadas sucedem-se umas às outras.
    Nuno Crato resolveu levar a Jiahd às escolas portuguesas como se ele e o seu séquito fossem uma espécie de Mujahidines.

    O tema dos exames é recorrente, mas só para lançar poeira para os olhos, uma vez que para muito boa gente ele é fraturante. Na maioria das vezes acabam por ser o bode expiatório para se passar uma esponja sobre as outras decisões polémicas que foi tomando ao longo do seu mandato, as quais lesaram bastante os alunos, professores e a atividade escolar em si. Mas, até nisso, ele demonstra como o preconceito sobre determinadas matérias acaba por destruir um conjunto de boas intenções à partida.
    No ano de 2014, o arranque do ano escolar foi um verdadeiro desastre. Não me lembro na minha vida de semelhante coisa. Desde professores por colocar, turmas por definir, obras por concluir nalgumas escolas para que os alunos tivessem aulas, tudo aconteceu naquele início de outono de 2014. Houve alunos que começaram as aulas já quase no final de Novembro pelas razões que apontei anteriormente.
    O que é que isso tem a ver com os exames? Nada!
    No ano de 2013, Nuno Crato resolveu impor aos alunos do Ensino Artístico Especializado, um conjunto de exames de acesso ao ensino superior, tal como já faziam os alunos do ensino regular. Obrigou-os a fazer, sem qualquer alternativa possível, uma prova específica de Português e de Filosofia.
    Note-se que esses alunos vindos das Escolas Artísticas e dos Conservatórios já faziam uma prova específica para entrarem nas faculdades, a chamada PAA (Prova de Aptidão Artística), prova essa, que os obrigava de certa forma a seguirem para os cursos superiores de artes visuais, corporais e musicais. Se é verdade que fazer um exame de Língua Portuguesa se pode considerar aceitável, face aos outros alunos do ensino regular, obrigar esses mesmos alunos a fazerem um exame de Filosofia, sem alternativa de escolha a uma das muitas outras disciplinas curriculares do seu curso, tais como História de Arte, Geometria Descritiva, Desenho, Inglês, etc, para entrarem na Universidade, só pode ser coisa de alguém que não tem a mínima noção da realidade em que estas escolas se inserem.
    https://aventar.eu/2014/04/05/os-alunos-do-ensino-artistico-especializado-e-o-seu-acesso-ao-ensino-superior/
    Estão porventura em causa os exames?
    Não!
    Está sim em causa a cartilha ideológica do ministro Crato! Chama-se a isto incompetência pura e dura.
    As obras nas Escolas com projetos do Parque Escolar.
    Eu vou admitir como certo que houve projetos megalómanos no Parque Escolar. Mas estando alguns deles já em curso, fazia algum sentido nãos os concretizar deixando milhares de alunos sem salas de aulas, sem refeitórios, sem oficinas, sem espaços desportivos adequados ao exercício da atividade letiva?
    Ah, mas não havia verbas?
    Então, não havia dinheiro para se concluírem as obras por estarmos em bancarrota, mas já havia dinheiro para subsidiar o ensino privado?
    Daniel Oliveira escreveu nessa altura um bom retrato da experiencia governativa de Nuno Crato
    http://leitor.expresso.pt/#library/expressodiario/25-09-2014/caderno-1/opiniao/04_Opiniao-Daniel-Oliveira
    A única referência elogiosa que poderíamos ter com Nuno Crato foi no seu comportamento relativamente ao assunto “Licenciatura de Miguel Relvas”, mas ainda assim, ao afirmar que o Primeiro Ministro lhe disse que deveria cumprir a Lei, está ao mesmo tempo a colocar-se numa posição de subserviência face a líder do Governo.
    Mas a lei não para ser cumprida por todos, sem termos de nos questionar se o Primeiro Ministro gosta ou não?
    Não fosse uma guerra entre Pinto Balsemão, o EXPRESSO e o PSD, Miguel Relvas acabaria por ficar no lugar tratando dos assuntos parlamentares do Governo. Jamis teria havido demissão, como não houve com Nuno Crato, nem com a ex Ministra da Justiça, outra incompetente.
    O EXPRESSO é uma instituição que faz mossa em qualquer governo. Ninguém quer ser massacrado por um grupo de comunicação social uma legislatura inteira. Com estávamos prestes a ter eleições autárquicas, aproveitaram para colocar Relvas a trabalhar como coordenador das autárquicas do PSD, mas mesmo assim os “sociais democratas” levaram uma banhada.

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