Muros e pontes


Não queria comentar isto, mas com a insistência no tema e a ridícula e empertigada interpelação que o PSD fez sobre este assunto, não resisto. Não, oh alaranjadas criaturas, os cartazes que ornam as entradas do Web Summit, que terminam com o justo propósito de “fazer pontes, não muros”, não são uma proclamação anti-Trump. Se esquecermos a gralha da primeira versão – entretanto corrigida -, esta metáfora, com esta exacta formulação ou outras muito semelhantes, é antiga como a noite. Não foi inventada por Hillary Clinton – donde a sintomática indignação do PSD que, pelos vistos, anseia por agradar ao novo chefe. Já a encontramos, implícita ou explicita, em textos antigos, em documentos de evangelização e ecuménicos, em obras de filósofos. O grande – enorme! – Isaac Newton (se os laranjas não sabem quem é,vão ao Google) escrevia “construímos muros de mais e pontes de menos”. E, só para ficarmos nos Newton, Joseph Newton escreveu, dois séculos depois, “as pessoas estão sós porque constroem muros em vez de pontes”. E até o Papa Francisco, há já algum tempo, afirmou, em Auschwitz, “lancem-se na aventura de construir pontes e destruir muros, vedações ou redes”. E não vale a pena continuar. O problema, portanto, não é da Câmara de Lisboa, oh PSD, que atacais, fogosos, sem antes procurar informação.
O problema é o da vossa arrogante iliteracia.

Comments

  1. Atento says:

    “A Mascarada Eleitoral Americana”
    Como é do conhecimento geral: Os média, e mais concretamente, as redacções e jornalistas dos jornais, e alguns deles, até, são pagos a peso de ouro, com os nossos impostos. Não gostam do homem, e até tem um ódio de morte ao Jurista Arnaldo Matos! Mas com o tempo, vamos saber porquê? Como nunca tem acesso a comunicação social. Junto um dos seus artigos, retirado parte, do Jornal online “Luta Popular” , que tem como titulo “A Mascarada Eleitoral Americana”

    “Chegou esta noite ao fim a maior mascarada eleitoral do imperialismo: a eleição do presidente dos Estados Unidos da América do Norte. Das duas marionetas a concurso – Donald Trump e Hilary Clinton, já que das outras nenhuma delas poderia ser eleita – foi escolhida a marioneta Donald Trump.
    Hoje de manhã e em todo o mundo, entraram em agonizante paranóia as classes, camadas de classe e personalidades que se consideram democráticas, como os atrasados mentais Garcia Pereira e seus liquidacionistas, para os quais Donald Trump seria uma carta fora do baralho, ou seja um candidato anti-sistema, à margem dos interesses do imperialismo ianque, e que preferiam mil vezes mais Hilária, e mais ainda se fora a de Odivelas.
    As eleições presidenciais norte-americanas são uma mascarada eleitoral democrática burguesa com três funções:
    1ª – Fazer crer ao povo dos Estados Unidos que possui nas suas mãos um poder real quase ilimitado, poder que tem de ser consultado regularmente, de quatro em quatro anos no caso da escolha presidencial. A primeira função destina-se pois a montar a ilusão democrática do poder do Povo…
    2ª – Comprometer o povo no seu consentimento prévio para com todos os actos praticados pelo presidente eleito: “pois se votaste e foste consultado, tens que aceitar as consequências da escolha que fizeste”… É por isso que, nos Estados Unidos da América do Norte, sede do maior e mais forte imperialismo mundial, não há eleições presidenciais antecipadas: mesmo quando morre o presidente eleito, o mandato presidencial continua com o vice-presidente, escolhido conjuntamente com o mesmo presidente no mesmo colégio eleitoral. O voto é um acto de compromisso e de consentimento por quatro anos completos…
    3ª – Seleccionar, com o voto dos grandes eleitores no colégio eleitoral, a mais apta das duas marionetas e realizar os interesses e as exigências do poder dos banqueiros, dos industriais, dos rendeiros e das multinacionais que, esses sim, são os verdadeiros detentores do poder económico do imperialismo.
    A democracia americana é assim a ditadura terrorista do Estado imperialista mais forte do planeta. A democracia é uma farsa e as eleições, para as presidenciais, para o congresso ou para o supremo tribunal de justiça uma mascarada, farsa e mascarada destinadas a manter e reproduzir o imperialismo ianque.
    De nada interessa quanto proclamam em campanha Donald Trump e Hilary Clinton: qualquer deles não passa de marioneta do imperialismo; e qualquer deles, chegando à Casa Branca, só fará o que for útil para o imperialismo e o seu sistema de exploração e opressão capitalistas. A principal promessa eleitoral de Barack Obama, se o leitor ainda não se esqueceu, foi a de encerrar, imediatamente após as eleições, a prisão de Guantânamo: Obama fez dois mandatos ao longo de oito anos, até foi galardoado com o prémio Nobel da Paz, mas a prisão da base americana na baía cubana de Guantânamo, continua em funcionamento…
    Obama ganhou as eleições com a promessa de um Serviço Nacional de Saúde para os pobres e trabalhadores, mas o Obama Care, que instaurou ao fim de oito anos de presidência, não cobre um por cento da população pobre e idosa necessitada da América…
    O FBI, a Cia, o Pentágono, os órgãos fundamentais da ditadura do imperialismo ditam às marionetas presidenciais o que podem e o que não podem, o que devem e o que não devem fazer.
    Para aqueles que não conseguirem dormir nos próximos dias com medo de Trump, lembrem-se só disto: com excepção da segunda guerra do Golfo e da guerra do Afeganistão, estas desencadeadas pelo republicano George W. Bush, todas as outras guerras, do século XX e XXI, levadas a cabo pelo imperialismo ianque, foram desencadeadas por presidentes democratas”

    Retirado uma parte do texto…

    • Nightwish says:

      Tá certo, e em que é que isso é diferente da UE? Ou que o mandato do Trump vai reduzir, pela sua simples existência, os direitos das mulheres e das minorias?

      • “Pela sua simples existência”, não, Nightwish. Mas pelas políticas a que se propõe, sim. Ele foi bem claro. Espere pela nomeação dos juízes do Supremo e verá.

        • Nightwish says:

          Não mais que qualquer outro republicano, visto que governar implicava trabalhar e ele não estará para aí virado.
          O facto da direita actual ser louca é incidental ao Trump, e os democratas também não são brilhantes.

    • Fica a sua opinião, Atento. Mas o meu texto não era sobre as eleições norte – americanas, como decerto notará.

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