É preciso combater e denunciar esta pouca-vergonha

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No final de Outubro, a propósito dos Miguéis Abrantes desta vida, trouxe até ao Aventar o caso da Trofa, governada por um executivo PSD/CDS-PP que, meses antes das Autárquicas de 2013, deu à luz um jornal, o Correio da Trofa, que desempenhou um importante papel no abate do executivo socialista. Vencidas as eleições, este jornal ocupou a sede de campanha da coligação, transformando-a na sua própria sede (será que alguma vez teve outra?) e vários foram os ajustes directos celebrados entre colaboradores deste jornal e o novo executivo camarário. Com o tempo, descobri que o director que figura na ficha técnica do jornal era também assessor do PSD de Santo Tirso, incompatível à luz da lei que regula a imprensa, entre outros factos dignos de figurar na página d’Os truques da imprensa portuguesa. A história completa está aqui.

Na altura, decidi expor o caso à ERC. A resposta chegou na passada semana e, confesso, deixou-me perplexo: o Correio da Trofa, cuja última edição foi publicada a 24 de Novembro (é um quinzenal que, por algum motivo, ainda não chegou às bancas esta semana), está cancelado desde 13 de Julho de 2016, por incumprimento de obrigações face ao regulador. Pode ler um resumo deste desenvolvimento aqui. Contudo, e apesar da decisão da ERC, o jornal continua a surgir nas bancas, continua a fazer o seu trabalho de propaganda política, funcionando como um autêntico folhetim partidário com uma secção sobre futebol no final, onde os todos os cronistas estão alinhados com o discurso do poder, excepto os que não escrevem sobre política, e onde os adversários e opositores são insultados e alvo de difamações cobardes. E a cereja no topo do bolo reside no facto do executivo continuar a gastar recursos da autarquia para pagar publicidade nesta fraude.

Num país onde meia dúzia de alucinados ainda tenta convencer as massas de que a imprensa é controlada pela esquerda, apesar do absoluto e descarado enviesamento da esmagadora maioria das redacções e dos cronistas à direita, este é apenas mais um caso que nos explica como alguma direita controla (ou tenta) e manipula a opinião pública. Das Marias Luz das redes sociais aos jornais fraudulentos, os casos abundam e multiplicam-se. E, quer-me parecer, estratagemas como aquele a que assistimos aqui na Trofa não devem ser um exclusivo do nosso concelho. É preciso combater e denunciar esta pouca-vergonha. Por um país mais transparente e digno.

Comments


  1. Felizmente que nem eu nem os meus vizinhos costumamos ler esse jornal que tão mal tem feito a imprensa ibérica.

  2. Ana Moreno says:

    “Contudo, e apesar da decisão da ERC, o jornal continua a surgir nas bancas” – quer dizer que a ERC não tem poderes para mais do que cancelar teoricamente? Quem tem?

  3. Augusto Borges says:

    Dizer que a imprensa portuguesa tende para a direita depois de ler uma edição do Público ou do Diário de Notícias, do muito politicamente correcto Expresso, e ver que o autor deste “artigo” enumera “os truques” como uma página séria e isenta, e não como um grupo de avençados de esquerda está tudo dito.
    Não borrem a cara que não vale a pena.


    • São avençados da esquerda? E quem são eles, Augusto? Por mim até podiam ser avençados da direita, o trabalho que estão a fazer é importante e permite desmontar muitos embustes que nos são servidos pela imprensa nacional. Já agora só faltava dizer que o Público, o DN e o Expresso são alinhados com o governo. Não me faça rir. Ou, melhor, faça! Rir é sempre o melhor remédio.

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  1. […] escrevi sobre vários casos, do “jornal” por eles controlado, um pasquim partidário disfarçado de órgão de comunicação social, à utilização de recursos […]

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