Tiques totalitários que não incomodam as pessoas de bem

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Enquanto o ministério da propaganda insiste na estratégia de colocar a extrema-direita violenta e racista no mesmo saco que o Syriza ou que o acordo parlamentar português, a realidade insiste em recordar-nos, a cada momento, o quão imbecil são a comparação e os sujeitos mesquinhos que a procuram transformar em verdade absoluta.

Corrijam-me se estiver errado, mas não tenho recordação de Tsipras ou Costa manifestarem interesse em legislar no sentido de controlar e manipular a imprensa nos seus países. Em sentido contrário, o regime polaco de extrema-direita, por cá amaciado como sendo “ultraconservador”, promulgou uma lei que permite hoje ao governo controlar a imprensa pública, apesar da condenação estéril da União Europeia, que não se ensaia muito para detonar as economias do sul mas que revela sempre alguma dificuldade em contrariar os ímpetos totalitários da extrema-direita europeia.

Mas a extrema-direita polaca não está satisfeita com o controle absoluto da imprensa pública. Vai daí quer limitar o acesso dos jornalistas ao parlamento, bem como as condições para captação de imagem e vídeo. O que dizem sobre isto os sempre moralíssimos comentadores da sacrossanta direita nacional? Não dizem nada, pois claro. Porque o Diabo, esse fetiche passista, é sempre de esquerda. O Diabo é Fidel, é Maduro e são os ditadores comunistas que lhes aparecem à noite nos sonhos molhados, mas tipos como Bush, Pinochet ou outros antigos e actuais fantoches centro e sul-americanos ou do leste europeu são males menores, até pela predisposição para oferecer os seus Estados em sacrifício nos altares do fanatismo liberal. Qualquer pessoa de bem sabe isso.

É irónico perceber que, apesar de não haver um único sinal de autoritarismo ou propensão para o controle não-democrático das instituições na Grécia ou em Portugal, ao contrário daquilo que argumentam alguns idiotas, regimes como o polaco ou o húngaro, outrora enclausurados para lá da Cortina de Ferro, hoje governados por déspotas cada vez menos tímidos, revelam, estes sim, comportamentos que nos remetem para os tempos do Pacto de Varsóvia. Quem diria que a extrema-direita europeia, conservadora na novilíngua cá da terra, haveria de ressuscitar a herança soviética, perante o olhar ternurento dos seus parceiros europeus, que no caso da Hungria incluem o PSD e o CDS-PP?

Foto: Pawel Supernak/ETA@The Irish Times

Comments

  1. Anónimo says:

    Não compreendo os polacos.
    Foram cilindrados pelos franceses, quando o Napoleão invadiu a Rússia, à ida e à vinda.
    Foram cilindrados pelos alemães, quando o Hitler invadiu a Rússia, à ida e à vinda.
    Hoje os polacos colocam-se ao lado dos criminosos, que os esmagaram sem dó nem piedade, por quatro vezes, para mais uma vez cercarem e atacarem a Rússia.
    Falta de memória?
    Suicidas?
    Lemmings?

  2. joão lopes says:

    a extrema direita só acredita na “liberdade” de dizer mal de tudo o que não gosta,alias em Portugal nota-se bem isso nos jornais e blog extremistas que por aí pululam,e quando no poder,a unica coisa que sabe fazer é transferir muito dinheiro para aqueles que já tem muito dinheiro(alias é isso que acontecerá nos EUA ,ao contario do que pensam os americanos brancos,pobres e não instruidos)

  3. Paulo Só says:

    A sua indignação parte de uma análise falsa. Não podemos por partidos de esquerda e partidos de direita em pé de igualdade como se fossem irmãos gémeos, Paulo e Miguel Portas. Os partidos de esquerda representam ideias, os partidos de direita representam interesses. Os partidos de direita não precisam de ter programas eles são apenas os porta-vozes dos interesses do verdadeiro partido que fica na sombra: o partido do dinheiro. Todas as revoluções que representaram conquistas para humanidade e democracia foram feitas por mulheres e homens que acalentavam ideias de esquerda. Alguns deles, quando e se ganharam, transformaram-se em estátuas agarradas ao poder, e nesse sentido tornaram-se agentes da direita. Por isso eu sou dividido, pró-Fidel, pelas ideias e o combate que ele representou, e pro-oposição hoje pela reivindicação da liberdade, desde que ela não seja apenas um disfarce para o império do dinheiro, porque não há liberdade sem fraternidade e justiça. A liberdade sem justiça e fraternidade é apenas a lei da selva, a liberdade do grande de esmagar o pequeno.

  4. Ricardo Almeida says:

    Vivem-se dias cada vez mais negros no planeta.
    O que acho irónico, e também preocupante, é a ligação quase promiscua entre o capitalismo desenfreado e a extrema-direita.
    É caricato ver os neoliberais que puxam os cordelinhos na UE manifestarem a sua apreensão com o surgimento destes regimes e movimentos fascistas pela Europa toda quando a génese destes pode ser facilmente atribuída aos mesmos. A Áustria safou-se por um triz à dias, mas a ameaça paira por todo o continente e os EUA já estão rendidos a ela.
    O capitalismo selvagem, e o neoliberalismo como o seu braço de activo, garante que os recursos do planeta se concentrem nas unhas de meia dúzia de privilegiados. Ora num planeta com 7 biliões de pessoas, hoje aparentemente é normal que se apenas 1% se sintam satisfeitos, enquanto os outros 99% resmungam e lutam diariamente para manter a cabeça acima da linha de água.
    Os 1% insistem na fábula que o caminho para a prosperidade depende exclusivamente na quantidade de trabalho de cada um, enquanto ao mesmo tempo monopolizam os mesmos recursos que são a chave para esse sucesso.
    Miséria origina desespero e o desespero muitas vezes traduz-se em revolta, numa aflição por culpar alguém que não eles próprios por se sujeitarem que nem carneiros a um sistema injusto.
    Nos anos 40 foram os judeus, hoje são os muçulmanos e refugiados.
    A maioria das pessoas que apoia estes loucos de extrema direita, os mesmos que na década pós 2a guerra mundial seriam prontamente ridicularizados em praça pública ou pior, são pessoas desesperadas por um pouco de oxigénio e que, tal como a religião na idade média, se agarram com unhas e dentes a qualquer esperança de mudança, ao ponto de ignorarem os precedentes negros que abunda na nossa história.


  5. O Presidente romeno rejeitou esta terça-feira a indigitação para primeira-ministra da candidata de esquerda do Partido Social Democrata (PSD), Sevil Shhaideh, que seria a primeira mulher e a primeira pessoa muçulmana a liderar o governo do país.

    “Ponderei com cuidado os argumentos a favor e contra e decidi não aceitar esta proposta”, afirmou Klaus Iohannis, citado pela agência France Press.

    O PSD indicou o nome de Sevil Shhaideh na sequência da vitória nas legislativas no país no passado dia 11 de dezembro.

    “Peço à coligação liderada pelo PSD para apresentar outra proposta”, afirmou ainda Iohannis numa declaração à televisão romena. O chefe de Estado não apresentou qualquer justificação para rejeitar o nome de Shhaideh, que pertence à pequena comunidade turca (nota: não é turca mas sim tártara) do país e é casada com um empresário de origem síria.

    O PSD foi o partido mais votado nas legislativas romenas com 45% dos votos, o que lhe confere a prorrogativa de indicar o nome do primeiro-ministro, para além de gozar de uma confortável maioria parlamentar resultante da coligação pós-eleitoral com a Aliança dos Liberais e Democratas, que foi ainda apoiada pela União Magiar Democrata (UDMR).
    [fonte: http://www.msn.com/pt-pt/noticias/mundo/primeira-ministra-recusada-na-rom%c3%a9nia-por-ser-mulher-ou-mu%c3%a7ulmana/ar-BBxBLiG?li=BBoPWjC&ocid=SKY2DHP%5D

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