Da boca para fora?

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Corbis

Começou hoje em Marraquexe a 22.ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, na qual os delegados irão discutir sobre os métodos para reduzir as emissões de gases com efeito estufa e como podem ser verificados os compromissos nacionais. Não se esperam resoluções desta cimeira; A tarefa é fazer trabalhos de casa, operacionalizando os objectivos estipulados no acordo mundial contra o aquecimento global, através de regras específicas.

Veremos como os compromissos serão implementados… A julgar pelo caminho que isto leva – acordos comerciais transatlânticos? Bens básicos a deambularem ao redor do globo?- a implementação vai ser ainda muito mais complicada do que foi o caminho para se chegar a este acordo!

Cimeira do Clima em ano de temperatura recorde

(Publicada ontem no Esquerda.net)

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Inicia-se hoje em Paris a Cimeira do Clima coordenada pelas Nações Unidas. Espera-se que desta cimeira surjam medidas decisivas para combater o aquecimento global, particularmente para impedir que a temperatura média global se eleve a 2ºC acima da temperatura média do século XX. Acima destes 2ºC aumenta consideravelmente a probabilidade de impactos irreversíveis à escala local e global, bem como o rigor das medidas a implementar para travar as alterações climáticas e para mitigar os seus efeitos. Estas importantes conclusões decorrem dos relatórios elaborados pelo Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas, o último relatório é de 2014. Estes relatórios compilam as conclusões de milhares de trabalhos científicos (teóricos, experimentais, modelos de computação, observações por satélite, etc.) realizados por centros de investigação distribuídos por todo o planeta, publicados nas revistas científicas mais relevantes e revistos pelos melhores especialistas na matéria. Foi graças a este trabalho colossal que se concluiu com mais de 85% de confiança que o aquecimento global registado tem origem na atividade humana (produção de energia, indústria, agricultura, transportes, etc.).

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Um Natal menos branco

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Ainda não há neve no Tirol, Áustria. Desmontagem de teleféricos à medida que mundo aquece. Foto: Estância de Gschwandtkopf

Negacionismo vermelho

Após um número de campanha sobre a erosão costeira para as intercalares da freguesia São Pedro da Figueira da Foz protagonizado por Miguel Tiago, escrevi um artigo no Beiras em que confrontava as posições negacionistas do deputado com a questão da subida do nível do mar e com as posições e a intervenção de Os Verdes. O Miguel Tiago respondeu. Sobre as questões levantadas pelo Miguel Tiago sobre erosão costeira, estas já tinham sido abordadas em artigo publicado em janeiro no Beiras onde refiro que os “estragos causados pela ondulação na Praia do Cabedelo resultam da acumulação de vários fatores: o prolongamento do Molhe Norte, a redução do volume de areia das praias pela retenção de sedimentos nas barragens dos rios e o aumento do nível da água do mar. O prolongamento do molhe é sem dúvida o fator mais importante. (…) O aumento do nível da água do mar, por enquanto em cerca de 20 cm nos últimos 100 anos, tem um contributo menor, mas não se prevê que possa abrandar dado que o aquecimento global progride.”

O que não se pode ignorar de maneira nenhuma é que o Miguel Tiago acha que o aquecimento global é pseudociência, logo deve ser obra do acaso o aumento da nível da água do mar que se verifica: 20 cm nos últimos 100 anos. Recordo que recente trabalho em que se estudou em grande detalhe os últimos 6 mil anos, demonstra que a rapidez desta subida é inédita neste período e provavelmente em período superior se for estudado. Aliás o Miguel Tiago tem um texto no Avante muito elucidativo sobre a sua peculiar construção negacionista sobre o aquecimento global, num misto entre a conspiração e o conhecimento superficial sobre a imensa matéria publicada sobre o tema. Segundo o Miguel, a “investigação Científica é também um processo social, sujeito a instrumentalização pela classe dominante“. Não são as companhias petrolíferas que o Miguel Tiago denuncia, não são a Shell, a Texaco, a BP, a Ford, a GM ou a Daimler-Chrysler que há cerca de 15 anos criaram a Global Climate Coalition (entretanto dissolvida) com o objectivo de inventar um ambientalismo alternativo que negava o aquecimento global. Quem é atingido pelos propósitos do Miguel são os investigadores que mais trabalho realizam e publicam sobre o assunto, como os investigadores da Universidade de Lovaina, da Universidade de East Anglia e da NASA (recordo que estes se bateram contra o negacionismo de Bush). Noto que alguns destes investigadores são frequentemente convidados pelo grupo político do Parlamento Europeu a que pertence o PCP para participar em atividades sobre o aquecimento global. [Read more…]

O disparate volta sempre ao local do crime

Primeiro era o Verão mais frio desde 1816, agora é o frio polar. É o que dá ter faltado às aulas de Geografia quando ainda mais pequenino.

Por onde andam os defensores da teoria do aquecimento global?

-O profeta Al Gore e seu séquito de fanáticos do apocalipse, bem podem tirar férias por estes dias. No Central Park em N.Y. a temperatura desceu a valores de 1896, anteriores às teorias apresentadas pela brigada do pensamento único correcto, que não admite sequer discussão. Fenómenos extremos sempre existiram e muito provavelmente sempre irão existir. Já a lucrativa indústria ambiental que floresceu nas últimas décadas, continuará por mais algum tempo a engordar a sua conta bancária, pois não faltam crentes na sua religião um pouco por todo o mundo…

O Verão de 1816

Diz o IPMA que

 4 sistemas de previsão acoplados: três europeus – ECMWF, Met Office, Météo-France – e um norte americano – NCEP [prevêem] para o trimestre junho, julho e agosto, (…) um cenário para Portugal Continental em que a probabilidade da temperatura média ser inferior ao normal é de 40 a 60%, com uma anomalia negativa entre -0.5 e -0.2 °C.

Brrr, que gelo. Mas como já estamos na estação idiota da comunicação social, e há sempre um a colaborar na nobre causa do capitalismo não fazer mal a ninguém, a poluição nunca ter existido e o planeta ser tão descartável que o posso ir tramar onde me der mais lucro, já estou cheio de frio.

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