O futuro do jornalismo

“45 Graus” é um podcast de José Maria Pimentel, “economista de formação e curioso por natureza”, um convidado e o próprio falam sobre temas diversos.

Na edição número 60, JMP e Gustavo Cardoso, professor catedrático e investigador de Media e Sociedade no ISCTE, falou-se do futuro do jornalismo e dos seus desafios actuais.

Conversámos, então, sobre vários aspectos deste tema: fake news e propaganda, modelo de negócio dos jornais, o papel dos privados e o papel do Estado, a importância do jornalismo para a democracia, a necessidade de reinventar o jornalismo. Falámos também das especificidades do mercado dos jornais em Portugal, como a particularidade (que a mim me parece um mau sinal) de quase todos os nossos jornais terem um posicionamento político supostamente ao centro.

Vale a pena a audição.

#60 Gustavo Cardoso – O futuro do jornalismo

«Ensinam quando não estão em greve»

O título deste texto faz parte das palavras cruzadas do último Expresso. A resposta, segundo parece, é “professores”.

Entre muita opinião pública ou publicada, gratuita ou a pagar, há muita gente a criticar as greves dos professores, criando-se, até, a ideia de que a classe docente passa grande parte do tempo em greve, num cenário de caos, com alunos privados de aulas e professores de papo para o ar ou em manifestações acéfalas comandadas por sindicalistas, comunistas e outros monstros. [Read more…]

Vaidades

“Marcelo faz discurso contra fecho de fronteiras e pede união contra alterações climáticas, assim titula o PÚBLICO. Simultaneamente, o Presidente anda a espalhar spin sobre uma suposta visita de Trump a Portugal, a convite do próprio. Alguém que avise Marcelo sobre Trump ser a antítese daquilo que ele defende.

Pare de mandar recados

‘Por que não te calas?’, perguntam uns e outros.

Estamos a pagar para destruir a Natureza

 

João Vasco Gama

O património natural tem um valor instrumental estimável (cuja destruição causa danos materiais e humanos quantificáveis) e um valor intrínseco inestimável (quanto é que a extinção dos Koalas vai custar? O impacto na actividade económica pode ser reduzido, mas isso não quer dizer que não seja uma perda relevante…).

O debate racional sobre os impactos ambientais da actividade económica deveria encontrar-se entre dois extremos. Um extremo daria um valor infinito ao valor intrínseco e consideraria qualquer impacto ambiental da actividade económica inaceitável – seria voltar para as cavernas, por assim dizer. O outro extremo daria um valor nulo ao valor intrínseco e consideraria que apenas nos importa maximizar o lucro no longo prazo, considerando aceitável toda a transacção económica que produzisse uma mais valia superior ao dano ambiental na componente “instrumental”. Seria só ver cifrões à frente, e só querer saber do consumo (no longo prazo). As posições não extremistas mas racionais estariam algures entre estes dois extremos. [Read more…]

Uma legislatura perdida para a Educação

[Santana Castilho]*

O último debate da legislatura sobre o estado da Nação, que hoje terá lugar, glosará certamente a questão: estamos melhor ou pior do que estávamos em 2015? É facilmente percepcionável o que resultou de Tancos, Pedrogão Grande, da degradação dos serviços públicos (Saúde e transportes, particularmente), da austeridade embuçada ou do nepotismo do Governo. Mas passarão anos até que se tornem evidentes os resultados dos erros cometidos em matéria de Educação e a sociedade seja confrontada com os custos de tanta ilusão e de tantos sofismas. [Read more…]

A ler

O recuo dos rendimentos do trabalho, por Alexandre Abreu.

Há festa na Comissão

A eufórica Comissária Europeia do Comércio

Já a caminho da porta de saída, pressurosa, a (ainda) actual Comissão Europeia celebrou mais dois sucessos referentes a acordos comerciais: no final de Junho, anunciou um acordo político sobre o acordo comercial com o Mercosul e assinou os acordos comerciais e de protecção do investimento com o Vietname.

O acordo EU-Mercosul é sem dúvida uma boa notícia para a indústria automóvel, sobretudo a alemã, e um amargo revés para os direitos humanos, a protecção do ambiente e do clima e para a agricultura de pequena escala. Declara-se a salvação do clima em Osaka, continuando a destruí-lo através do acordo UE-Mercosul.

Quanto ao acordo comercial com o Vietname, este país do sudeste asiático não ratificou, até à data, três das oito normas laborais fundamentais da OIT e as violações do direito do trabalho fazem parte da vida quotidiana. Por exemplo, os smartphones Samsung são produzidos no Vietname em condições de trabalho subterrâneo. Ora, tal como é regra nos acordos comerciais da UE, o Acordo UE-Vietname não contém quaisquer disposições vinculativas em matéria de protecção ambiental ou de direitos laborais.

Mas isso é, sempre que se trata de negócios, secundário; o regozijo pelo “maior acordo comercial do mundo” é enorme e nele está sempre presente a cantilena da vitória contra o proteccionismo de Trump. Acontece que “Fazer o oposto de Trump”, não é  exactamente o mesmo que continuar a assinar acordos que accionam a descida de padrões sociais e ambientais e estimulam o corrupio de produtos com ou sem sentido, à custa do descalabro climático.

Temas da silly season…

Chego tarde ao assunto da silly season, porque só hoje o li, e nem pretendo entrar na discussão sobre o texto de Maria de Fátima Bonifácio, vou passar ao lado do coro de indignados e virgens ofendidas, regra geral em Portugal nesta matéria reina a hipocrisia e abunda a ignorância e pouco me interessa o pensamento da senhora, que afinal representa quem? A mim, de certeza que não.
Ao que parece há quem defenda que o problema da integração dos ciganos e africanos se resolve com quotas. Quanto aos primeiros, será lógico que pergunte, mas quais ciganos? Os que teimam continuar nómadas? Ou aqueles que estão perfeitamente integrados na sociedade? É que os últimos não representam os primeiros, até se desprezam mutuamente. E se formos falar em africanos, deixem que pergunte, quais? Os angolanos? Os cabo-verdianos? Os guineenses? Os moçambicanos? Basta visitar um bairro na periferia de Lisboa para perceber que não frequentam os mesmos estabelecimentos, muitas vezes nem se misturam. E se mergulharmos um pouco mais fundo, acabamos a perceber que entre negros de pele mais escura e mulatos por vezes também se gera fricção. Antes de mandarem bitaites, há que perceber a realidade do outro. [Read more…]

“Dizes que não és racista…”

“A maior expressão de preconceito racial consiste, precisamente, na negação deste preconceito” palavras claras e clarividentes da ministra da Justiça, Francisca Van Dunem. “(…) eu, falando na primeira pessoa, acrescentaria que para além de ver, de ouvir e de ler, também sentimos”.

Ferro sonha com a selecção do Brasil

«Seleção é um sonho, mas quero consolidar-me no Benfica». Efectivamente, ‘selecção’ ≠ ‘seleção’.

Mundinho

Maria de Fátima Bonifácio cita uma “empregada negra” do prédio dela, Helena Matos apoia-a e argumenta que aquilo que a outra escreveu é “o que se vê e ouve na estação de comboios da Damaia”. Aguardo um dossier temático sobre alterações climáticas com informação recolhida no quiosque dos gelados da Praia dos Ingleses.

Melania Trump e Cristiano Ronaldo

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Na Eslovénia, pátria de emigrante Melania Trump, um fã da ex-modelo decidiu usar a sua motosserra para homenagear a primeira dama dos Estados Unidos com esta bela representação. O autor do primeiro busto de Cristiano Ronaldo no aeroporto do Funchal que se cuide.

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É oficial: Jair Bolsonaro é uma besta

Há cerca de um mês, Jair Bolsonaro lamentou a morte de Tales Fernandes, um artista funk brasileiro que foi um dos mais destacados apoiantes do então candidato presidencial, que dias antes tinha agredido violentamente uma mulher, com quem alegadamente mantinha uma relação extraconjugal e que teria engravidado. A mulher acabou internada nos cuidados intensivos do Hospital Augusto de Oliveira Camargo, numa pequena cidade do interior de São Paulo. [Read more…]

“Tous les hommes sont égaux par nature et devant la loi”

Helena Matos afirma n’Observador que está a decorrer uma ostracização de Maria Fátima Bonifácio que escreveu um texto racista para o Público. Segundo Helena Matos, o que está em causa em toda a “polémica” é um castigo à autora que, segundo Helena Matos, até tem alguma razão no que diz porque é isso que se ouve sobre os pretos e os ciganos no comboio para a Damaia.

Helena Matos chama-lhe ostracização – com pouco fundamento porque a única coisa que o Público fez foi demarcar-se do artigo, algo que faz todo o sentido. Das duas uma, ou se é um jornal cuja linha editorial chama a atenção para as problemáticas do racismo e da discriminação ou se é um jornal que aceita, mesmo que implicitamente, que os pretos e os ciganos têm o mundo lá deles e “nós” – leia-se os brancos – temos o nosso. As duas é que não pode ser.

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É tão simples quanto isto: “Comércio livre ou ecologia!”

A casta de políticos mainstream e os adstritos comentadores andam a vender a tese de que o comércio livre é a resposta ao proteccionismo ceguinho de Trump. O que não gostam nada de enfrentar e empurram energicamente para debaixo do tapete, é a questão crucial da contradição intrínseca entre, por um lado, a promoção de um modelo de desenvolvimento que, à custa de ignorar as externalidades negativas, rodopia os produtos pelo globo, os vende ao preço “mais barato” e fomenta o descarte e, por outro lado, o combate ao descalabro climático.

Conforme sintetiza Serge Halimi: Doravante, todos sabem que o elogio, que se tornou consensual, dos produtores locais, dos circuitos curtos ou do tratamento in loco dos resíduos é incompatível com um modo de produção e de troca que multiplica as «cadeias de valor», isto é, que organiza a engrenagem dos porta-contentores nos quais as componentes de um mesmo produto «atravessarão três ou quatro vezes o Pacífico antes que ele chegue às prateleiras de um estabelecimento comercial».

Com o poderoso leque de acordos de livre comércio que a EU quer fazer passar à pressão, os Verdes, tão em moda, têm agora óptimas oportunidades de demonstrar quão verdes realmente são, seja no Parlamento Europeu, seja (em alguns casos em que a UE não conseguiu evitar que os acordos tivessem que “descer” ao nível nacional) nos respectivos parlamentos.

Não confio nada e parece que tenho razão: O parlamento do Luxemburgo está em vias de ratificar o CETA (acordo UE/Canadá), com o voto favorável dos Verdes.

Haverá corrupção no combate à corrupção?

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Por muito que nos tentem convencer do contrário, Portugal é um país onde a corrupção está enraizada nas diferentes estruturas da sociedade, dos serviços públicos às empresas, passando pelas autarquias, onde o compadrio grassa, e, claro, pelas estruturas de poder instaladas em Lisboa. E não, não é um problema inerente à democracia. Em ditadura foi igual, com a vantagem de ter ao seu serviço a censura, que impedia o debate e o acesso que temos hoje à informação.

Para ajudar à festa, parece que apenas 6% dos casos de corrupção, investigados pela justiça, chegam a julgamento. Os restantes 94% acabam arquivados, por falta de provas. Um desfecho feliz para os larápios do costume. [Read more…]

Donald Trump & friends

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Ninguém lhe arranja uma cimeira (ou um negócio de armamento) com o ayatollah Ali Khamenei?

Cavaco Silva, o (alegado?) financiamento ilegal do saco azul do GES e as questões que se impõem

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Era uma vez um saco azul chamado ES Enterprises. Um saco azul que serviu, segundo a investigação da Operação Marquês e do caso EDP, para financiar ilustres figuras da nossa praça, como Zeinal Bava, Manuel Pinho ou o incontornável José Sócrates, e um conjunto de jornalistas, por ele avençados, caso que foi revelado pelo escândalo Panama Papers e que o Expresso anunciou com toda a pompa, apesar de, até à data nada mais ter dito a esse respeito. Seria aquele animado grupo que foi esquiar a convite do BES? Não sabemos. Ou será que sabemos? [Read more…]

As oportunidades áureo-pútridas do Mercosul

Franguinho com salmonela,  elevado índice de resíduos agrotóxicos em alimentos, na água potável, e que, potencialmente, contamina o solo, provoca doenças e mata pessoas, destruição da floresta amazónica, incentivo ao consumo de carne barata e muito mais, tudo associado a esse irresponsável acordo comercial UE-Mercosul – envolto nas impolutas vestes da batalha contra o proteccionismo.

Vale tudo.

Em França, na Alemanha, os agricultores ao menos fazem-se ouvir contra este ataque pérfido. Em Portugal, é só notícias de prosperidade e oportunidades douradas.

Fica um atestado de incompetência também à comunicação social em Portugal.

 

Aquele cheirinho…

O número de elogios aos hospitais públicos foi o dobro dos elogios aos hospitais privados. Mas a maioria das notícias esqueceu-se de referir este detalhe.

Paira no ar um cheirinho a notícia plantada, vindo dos cantos que apregoam maravilhas a 3 hospitais geridos em PPP.

O documento que é citado por toda a comunicação social da mesma forma (1.º sinal de notícia plantada) diz que quase 70% das queixas na saúde dizem respeito a unidades públicas. Refere, ainda, que o Hospital de Braga, o Hospital de Cascais e o Hospital Vila Franca de Xira são aqueles que têm menos reclamações.

Estes números não dizem, porém, qual é a percentagem de reclamações em função do número de doentes atendido (2.º sinal da notícia plantada). Por exemplo, afirma-se que o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, é o que tem o maior número de reclamações. Faz algum sentido fazer a comparação com o Hospital de Vila Franca de Xira sem sabermos qual é o universo de doentes de cada um deles? [Read more…]

Publicidade ou vassalagem à Gestifute?

Está em curso um processo de investigação contra Jorge Mendes levado a cabo pelos fiscos português, espanhol, irlandês, britânico, holandês e cipriota por evasão fiscal relativos a 96 milhões de euros de dividendos. A lista de clientes da Gestifute condenados por fuga ao fisco é assinalável. Mourinho foi condenado a um ano de prisão com pena suspensa e ao pagamento de 3,2 milhões de euros por fraude fiscal em Espanha. Cristiano Ronaldo pagou uma multa de 18 milhões euros, James Rodriguez pagou 12 milhões, Radamel Falcao pagou 7,4 milhões, Fábio Coentrão pagou 1,7 milhões, entre outros. Será a Gestifute uma empresa de gestão de carreiras de futebol ou será uma empresa de gestão de evasão fiscal no mundo futebol? O que lhe dá mais proveito, as transferências ou a fuga ao fisco?

E andamos nisto, a fazer publicidade de borla ao homem. Preciso de um vomitório.

Teresa Damásio pode ser ministra da Educação

Graças ao Paulo Guinote tive o duvidoso prazer de assistir a um vídeo em que a ex-deputada Teresa Damásio explicou que os professores portugueses não têm direito a declararem-se cansados, porque, ao contrário de outros de países pobres, têm electricidade, água, dois telemóveis, dois carros (no agregado familiar) e passarão pelo menos um período de férias fora de Portugal. Segundo a mesma senhora, os professores portugueses têm também muita sorte porque Portugal tem fronteiras estáveis há 11 séculos (o que é estranho, tendo em conta que a conquista definitiva do Algarve só ocorreu em 1249, ou seja, há oito séculos).

Exprime-se, portanto, nas palavras desta iluminada, uma teoria geral do cansaço e/ou uma filosofia da reivindicação típica de qualquer caixa de comentários da blogosfera, das redes sociais e das tabernas físicas do país. Em que consistem essa teoria e essa filosofia? No seguinte: enquanto houver alguém que esteja pior do que nós, não temos direito a queixar-nos.

Tendo em conta os pormenores com a que a senhora nos cumula, podemos, aliás, todos, professores ou não, fazer um teste muito simples que nos permite, de uma penada, afugentar o cansaço. O leitor sente-se cansado? Verifique, por favor, se tem electricidade, água, dois telemóveis, dois automóveis e se as fronteiras do seu país são estáveis há alguns séculos. Se estes factores estão reunidos, o leitor pode estar descansado, que não pode estar cansado, desiludido ou insatisfeito. [Read more…]

Banho de ética

Uma banhada, na verdade, ó sr. Rio. Venham agora falar da presunção da inocência, como se isso fosse relevante para a política.

Contas certas

Quem ache que um défice orçamental de zero se obtém sem mudar o cerne do funcionamento dos ministérios e do poder local que se desengane.

INEM demora oito minutos a atender chamadas
Tempos de atendimento das chamadas dispararam no mês de junho. Houve alturas em que os operadores levaram, em média, seis a oito minutos a atender uma chamada

Assistimos desde a vinda da troika a um ainda maior corte dos meios necessários ao funcionamento dos serviços públicos, o que tem consequências bem práticas. No entanto, a orgânica dos ministérios e do poder local mantém-se inalterada. O bolo do orçamento continua a ser repartido em função do modelo de gestão do tempo das vacas gordas dos governos de Cavaco e Guterres.

O INEM garante que se trata de “situações absolutamente pontuais que representam exceções àquela que é a atuação dos CODU”.

Felizmente que a morte é reversível. Caso contrário, um sistema incapaz de responder a situações pontuais seriam uma bela chatice.

Quão pontuais são essas situações que levam até 8 minutos de espera? Não estamos a falar de uma passagem de 13 segundos, valor indicado pelo INEM em Maio de 2018, a 30 ou 60 segundos. Em causa está um aumento de quase 37 vezes. Até porque não é a primeira vez que estes atrasos são assunto.

Algumas chamadas, referia o sindicato em finais do mês passado [Dezembro de 2016], demoram mais de três minutos a ser atendidas, em vez dos sete segundos aconselhados pelos manuais mundiais.

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Trump e Kim: como branquear a brutalidade do mais violento dos ditadores

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Foi, efectivamente, um momento histórico e sem precedentes: nunca o líder de um Estado democrático fez tanto para branquear a brutalidade do mais violento ditador à face da Terra. Pior: nunca nenhum o fez a troco de rigorosamente nada. Aguarda-se, com expectativa, a inauguração da primeira Trump Tower em Pyongyang.

A camarada Isabel Vaz e o barulho que o Bloco faz

 

Isabel Vaz, CEO da Luz Saúde, insurgiu-se recentemente contra a influência do Bloco de Esquerda. Segundo a gestora, que mostrou desagrado com o barulho que o Bloco faz, apesar do seu reduzido peso eleitoral, Portugal é “um Estado que é controlado pela Catarina Martins”. Bons velhos tempos em que o CDS era o único partido de expressão eleitoral reduzida, que fazia barulho e a ocasional chantagem sobre um qualquer Passos Coelho, com vista a promover o líder a vice-primeiro-ministro. [Read more…]

É oficial: a Huawei já não está a espiar ninguém

Há coisa de um, dois meses, comprei um Huawei. Comprei por ser um bom telemóvel, segundo o meu guru dos telemóveis, que confirmou ser uma excelente opção pela vantajosa relação qualidade-preço.

Dias depois, o lunático que manda nisto tudo decidiu fazer a folha à Huawei. Alegadamente porque a China estava a usar o gigante tecnológico para espiar os EUA e o Ocidente. E se calhar até está, tanto quanto os EUA espiam o mundo inteiro com um vasto leque de tecnologias desenvolvidas para o efeito.

Desculpas para enganar malta que degusta gelados com a testa à parte, era mais que óbvio que o cerco a Huawei foi apenas mais um capítulo de uma guerra comercial entre China e Estados Unidos, que nos poderá empurrar a todos para um abismo bem mais profundo que o de 2008. Seja pela possibilidade da China inundar os mercados com dívida americana, da qual é o maior credor, seja pelas sanções contraproducentes, que prejudicam a arraia miúda e às quais os senhores do dinheiro continuam e continuarão imunes, seja pelo potencial para escalar militarmente no Pacífico.

Entretanto, o G-20 reuniu-se e Trump andou por lá a roçar-se em alguns dos ditadores mais canalhas que o planeta pariu, como o talhante saudita ou o oligarca-chefe da mother Russia. E no regresso ainda foi apertar a mão ao Kim da Coreia. Mas antes de bater continência ao senhor absoluto de Pyongyang, Trump reuniu-se com Xi Jinping e levantou as sanções à Huawei. Parece que, afinal, já não estão a espiar ninguém. Ainda não é desta que fico sem acesso às aplicações e o Google pode continuar a espiar-me à vontade e a entregar os meus (nossos) dados à espionagem norte-americana. Tudo está bem quando acaba bem.

Mercosul: O histórico momento de mais um prego no caixão do planeta

Foto: DPA

Com a conclusão do acordo de livre comércio com o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), o bando político que governa o lado europeu do mundo provou mais uma vez que a sua irresponsabilidade e hipocrisia são abismais.

Por obséquio, explicai-nos como, mas COMO se conciliam os constantes compromissos de cumprimento dos acordos de Paris sobre o Clima com a promoção da devastação da floresta amazónica e da biodiversidade, a contaminação e esterilização dos solos à custa de práticas de monoculturas intensivas de grande escala ensopadas em pesticidas, a pecuária encharcada de antibióticos, a engenharia genética, a manutenção das externalidades negativas – p. ex. porque os custos dos danos ambientais adjacentes ao transporte de produtos não são incluídos no preço dos mesmos – enfim, com a prossecução do mesmo modelo de desenvolvimento obsoleto e destruidor que está a arruinar o planeta?

E COMO se encaixa a exaltação dos direitos humanos como valores europeus e a falta de pruridos em assinar acordos com quem os despreza, como Bolsonaro faz gala em demonstrar que faz?

Denominais de histórico este acordo comercial, porque sois uns farsantes cínicos, dirigentes rasteiros desta Europa esfiapada.

É que não sabeis escrever História. Escreveis episódios de telenovela reles e perversa, seguindo o primário lema do sacrifício do planeta em benefício dos lucros da vossa indústria trapaceira.

Este país não é para as pessoas…

Começo por dizer que não tenho qualquer interesse no prédio Coutinho em Viana do Castelo. Não conheço quem lá habite, não visito a cidade há cerca de 20 anos, escrevo por isso com total distanciamento e isenção sobre este assunto.
Ao que parece o município com o apoio do Estado, decidiu que uma obra devidamente licenciada, vendida aos proprietários há vários anos, por uma questão estética, estamos então a falar de gosto, o que é sempre discutível, deveria ser demolida e decidiu expropriar os proprietários. Não dei conta que alguém tivesse sido acusado pelo licenciamento ou construção da obra, nada pende sobre o construtor ou autarcas, mas sobre os proprietários que um dia compraram a sua habitação.
Pior, como vivemos num país onde existem sempre dois pesos, duas medidas, sempre que um proprietário pretende expulsar inquilinos para rentabilizar imóveis, aqui d’el rey que não pode ser, imediatamente a indignação toma conta dos noticiários, normalmente com o apoio de políticos ávidos por recolher uns votos na mercearia do bairro. Neste caso, o Estado pratica bullying sobre pacatos cidadãos e ninguém se parece importar por aí além. Se os vários municípios demolirem todos os mamarrachos que se construíram em Portugal nos últimos 50 anos, posso compreender a medida, de contrário, porquê apenas o prédio Coutinho? Porquê este desbaratar de dinheiro do contribuinte em indemnizações e realojamento?

Imagem superior: prédio caixa geral de aposentações – Viseu.
Imagem inferior: prédio com vista serra – Covilhã.