Pelo menos sabemos fazer manifestos

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Há um dias foi um grupo de não sei quantos economistas a abordarem as grandes obras públicas. Há uns anitos houve um tal de “Compromisso Portugal”. Se a memória não me traí, já foram feitos mais uns documentos do género nos últimos anos. Há cerca de um mês foi lançado o movimento pelo casamento homossexual sob a forma de manifesto. Agora chegou um “Manifesto de 51 economistas e cientistas sociais”.

O manifesto, que abaixo se apresenta, visa, acima de tudo, a defesa do emprego. Ou, dito por outro prisma, “o combate ao desemprego tem de ser o objectivo central da política económica”. Lido e relido o documento, creio que o seu conteúdo é algo que a maioria da população defenderá sem reservas. Por isso, estranho que só 51 economistas e cientistas sociais o tenham assinado. Não há, em Portugal, mais economistas e cientistas sociais?

Este é, pois, mais um dos diversos manifestos que surgem em momentos politicamente delicados. Há para todos os gostos e fazem-se bem e depressa. Não há qualquer problema. Devem ser sempre feitos. Para isso, temos jeito. Por curiosidade gostava de saber qual foi o salto de produtividade da economia nacional, de manifesto para manifesto. Deve ser alto, não?

E, já agora, depois de o burilar, de o fazer subscrever e divulgar, que tal se fossemos todos procurar cumprir o teor do manifesto? Que tal se fossemos criar empregos?

Manifesto de 51 economistas e cientistas sociais

O debate deve ser centrado em prioridades: só com emprego se pode reconstruir a economia

Estamos a atravessar uma das mais severas crises económicas globais de sempre. Na sua origem está uma combinação letal de desigualdades, de especulação financeira, de mercados mal regulados e de escassa capacidade política. A contracção da procura é agora geral e o que parece racional para cada agente económico privado – como seja adiar investimentos porque o futuro é incerto, ou dificultar o acesso ao crédito, porque a confiança escasseia – tende a gerar um resultado global desastroso.

É por isso imprescindível definir claramente as prioridades. Em Portugal, como aliás por toda a Europa e por todo o mundo, o combate ao desemprego tem de ser o objectivo central da política económica. Uma taxa de desemprego de 10% é o sinal de uma economia falhada, que custa a Portugal cerca de 21 mil milhões de euros por ano – a capacidade de produção que é desperdiçada, mais a despesa em custos de protecção social. Em cada ano, perde-se assim mais do que o total das despesas previstas para todas as grandes obras públicas nos próximos quinze anos. O desemprego é o problema. Esquecer esta dimensão é obscurecer o essencial e subestimar gravemente os riscos de uma crise social dramática.

A crise global exige responsabilidade a todos os que intervêm na esfera pública. Assim, respondemos a esta ameaça de deflação e de depressão propondo um vigoroso estímulo contracíclico, coordenado à escala europeia e global, que só pode partir dos poderes públicos. Recusamos qualquer política de facilidade ou qualquer repetição dos erros anteriores. É necessária uma nova política económica e financeira.

Nesse sentido, para além da intervenção reguladora no sistema financeiro, a estratégia pública mais eficaz assenta numa política orçamental que assuma o papel positivo da despesa e sobretudo do investimento, única forma de garantir que a procura é dinamizada e que os impactos sociais desfavoráveis da crise são minimizados. Os recursos públicos devem ser prioritariamente canalizados para projectos com impactos favoráveis no emprego, no ambiente e no reforço da coesão territorial e social: reabilitação do parque habitacional, expansão da utilização de energias renováveis, modernização da rede eléctrica, projectos de investimento em infra-estruturas de transporte úteis, com destaque para a rede ferroviária, investimentos na protecção social que combatam a pobreza e que promovam a melhoria dos serviços públicos essenciais como saúde, justiça e educação.

Desta forma, os recursos públicos servirão não só para contrariar a quebra conjuntural da procura privada, mas também abrirão um caminho para o futuro: melhores infra-estruturas e capacidades humanas, um território mais coeso e competitivo, capaz de suportar iniciativas inovadoras na área da produção de bens transaccionáveis.

Dizemo-lo com clareza porque sabemos que as dúvidas, pertinentes ou não, acerca de alguns grandes projectos podem ser instrumentalizadas para defender que o investimento público nunca é mais do que um fardo incomportável que irá recair sobre as gerações vindouras. Trata-se naturalmente de uma opinião contestável e que reflecte uma escolha político-ideológica que ganharia em ser assumida como tal, em vez de se apresentar como uma sobranceira visão definitiva, destinada a impor à sociedade uma noção unilateral e pretensamente científica.

Ao contrário dos que pretendem limitar as opções, e em nome do direito ao debate e à expressão do contraditório, parece-nos claro que as economias não podem sair espontaneamente da crise sem causar devastação económica e sofrimento social evitáveis e um lastro negativo de destruição das capacidades humanas, por via do desemprego e da fragmentação social. Consideramos que é precisamente em nome das gerações vindouras que temos de exigir um esforço internacional para sair da crise e desenvolver uma política de pleno emprego. Uma economia e uma sociedade estagnadas não serão, certamente, fonte de oportunidades futuras.

A pretexto dos desequilíbrios externos da economia portuguesa, dizem-nos que devemos esperar que a retoma venha de fora através de um aumento da procura dirigida às exportações. Propõe-se assim uma atitude passiva que corre o risco de se generalizar entre os governos, prolongando o colapso em curso das relações económicas internacionais, e mantendo em todo o caso a posição periférica da economia portuguesa.

Ora, é preciso não esquecer que as exportações de uns são sempre importações de outros. Por isso, temos de pensar sobre os nossos problemas no quadro europeu e global onde nos inserimos. A competitividade futura da economia portuguesa depende também da adopção, pelo menos à escala europeia, de mecanismos de correcção dos desequilíbrios comerciais sistemáticos de que temos sido vítimas.

Julgamos que não é possível neste momento enfrentar os problemas da economia portuguesa sem dar prioridade à resposta às dinâmicas recessivas de destruição de emprego. Esta intervenção, que passa pelo investimento público económica e socialmente útil, tem de se inscrever num movimento mais vasto de mudança das estruturas económicas que geraram a actual crise. Para isso, é indispensável uma nova abordagem da restrição orçamental europeia que seja contracíclica e que promova a convergência regional.

O governo português deve então exigir uma resposta muito mais coordenada por parte da União Europeia e dar mostras de disponibilidade para participar no esforço colectivo. Isto vale tanto para as políticas destinadas a debelar a crise como para o esforço de regulação dos fluxos económicos que é imprescindível para que ela não se repita. Precisamos de mais Europa e menos passividade no combate à crise.

Por isso, como cidadãos de diversas sensibilidades, apelamos à opinião pública para que seja exigente na escolha de respostas a esta recessão, para evitar que o sofrimento social se prolongue.

Publiquem nos vossos vossos blogues. No link em baixo os subscritores

Manuel Brandão Alves, Economista, Professor Catedrático, ISEG;
Carlos Bastien, Economista, Professor Associado, ISEG;
Jorge Bateira, Economista, doutorando, Universidade de Manchester;
Manuel Branco, Economista, Professor Associado, Universidade de Évora;
João Castro Caldas, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural do Instituto Superior de Agronomia;
José Castro Caldas, Economista, Investigador, Centro de Estudos Sociais;
Luis Francisco Carvalho, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL;
João Pinto e Castro, Economista e Gestor;
Ana Narciso Costa, Economista, Professora Auxiliar, ISCTE-IUL;
Pedro Costa, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL;
Artur Cristóvão, Professor Catedrático, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro;
Álvaro Domingues, Geógrafo, Professor Associado, Faculdade da Arquitectura da Universidade do Porto;
Paulo Areosa Feio, Geógrafo, Dirigente da Administração Pública;
Fátima Ferreiro, Professora Auxiliar, Departamento de Economia, ISCTE-IUL;
Carlos Figueiredo, Economista; Carlos Fortuna, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
André Freire, Politólogo, Professor Auxiliar, ISCTE;
João Galamba, Economista, doutorando em filosofia, FCSH-UNL;
Jorge Gaspar, Geógrafo, Professor Catedrático, Universidade de Lisboa;
Isabel Carvalho Guerra, Socióloga, Professora Catedrática;
João Guerreiro, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve;
José Manuel Henriques, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL;
Pedro Hespanha, Sociólogo, Professor Associado, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
João Leão, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL;
António Simões Lopes, Economista, Professor Catedrático, ISEG;
Margarida Chagas Lopes, Economista, Professora Auxiliar, ISEG;
Raul Lopes, Economista, Professor Associado, ISCTE-IUL;
Francisco Louçã, Economista, Professor Catedrático, ISEG;
Ricardo Paes Mamede, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL;
Tiago Mata, Historiador e Economista, Universidade de Amesterdão;
Manuel Belo Moreira, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural, Instituto Superior de Agronomia;
Mário Murteira, Economista, Professor Emérito, ISCTE- IUL;
Vitor Neves, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
José Penedos, Gestor; Tiago Santos Pereira, Investigador, Centro de Estudos Sociais;
Adriano Pimpão, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve;
Alexandre Azevedo Pinto, Economista, Investigador, Faculdade de Economia da Universidade do Porto;
Margarida Proença, Economista, Professora Catedrática, Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho;
José Reis, Economista, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
João Rodrigues, Economista, doutorando, Universidade de Manchester;
José Manuel Rolo, Economista, Investigador, Instituto de Ciências Sociais;
António Romão, Economista, Professor Catedrático, ISEG-UTL;
Ana Cordeiro Santos, Economista, Investigadora, Centro de Estudos Sociais;
Boaventura de Sousa Santos, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
Carlos Santos, Economista, Professor Auxiliar, Universidade Católica Portuguesa;
Pedro Nuno Santos, Economista;
Mário Rui Silva, Economista, Professor Associado, Faculdade de Economia do Porto;
Pedro Adão e Silva, Politólogo, ISCTE;
Nuno Teles, Economista, doutorando, School of Oriental and African Studies, Universidade de Londres;
João Tolda, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
Jorge Vala, Psicólogo Social, Investigador;
Mário Vale, Geógrafo, Professor Associado, Universidade de Lisboa.

Bernard Madoff com 150 anos

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Bernard Madoff teve a sentença que se esperava. Foi condenado. E recebeu a sentença de 150 anos de prisão por ter cometido aquela que é considerada a maior fraude financeira da história. Milhares de pessoas, investidores gananciosos, claro, sairam a perder numa fraude de 65 mil milhões de euros, segundo o New York Times. Um balúrdio.

Mas por entre esses investidores gananciosos estavam algumas pessoas que tinham confiado no financeiro de sucesso para multiplicar as suas economias. Correu mal.

Madoff, que já tinha admitido os crimes de que era acusado, disse ao juiz que os seus actos não têm desculpa. Esperava 12 anos de prisão. Também aqui os seus cálculos saíram furados. Aos 71 anos, já deixou os luxos e vive agora numa cela, que será a sua casa até morrer. A mulher deixou o automóvel conduzido por um motorista profissional e viaja de metro.

Salvaguardadas as devidas diferenças, o caso Maddoff não anda assim tão longe do processo BPP. Como será em Portugal?

Um homem que é o máximo

O homem julgou que era o maior. O homem fez parte da orgulhosa brigada da mão gelada. O homem pode ter cometido ilegalidades financeiras graves, as autoridades judiciais podem ajudar neste aspecto. O homem indignou-se quando foi acusado. O homem partiu com uma reforma dourada. O homem, mesmo na reforma, mesmo no tempo da contenção de despesas, continua a usar e abusar dos meios do banco que liderou.

O homem, consta, não gosta de calças de ganga. O homem, consta, sente-se injustiçado. O homem gosta de viajar à custa dos accionistas e clientes do banco. O homem é assim, gostem ou não.

Até pode ser que venha a ter direito a estátuas e a condecorações.

A OCDE está a fazer confusão?

Gostaria de perguntar ao Senhor Ministro Manuel Pinho se a OCDE está também a fazer confusão nas projecções macroeconómicas que hoje publicou sobre o nosso País, http://www.oecd.org/dataoecd/6/31/20213255.pdf .

As referidas projecções são extremamente negativas: Investimento -18,70%, Procura Interna -6,00%, PIB -4,50% são os valores de alguns dos indicadores. Ponderado isoladamente, o desemprego, nas estimativas da OCDE, tem uma evolução preocupante. A 9,6% esperados para 2009 seguir-se-ão 11,2% em 2010. Não posso deixar de sublinhar o anacronismo de a uma menor quebra do PIB (-0,5%) em 2010 corresponder um agravamento de +1,6% da taxa de desemprego. Como refere hoje, e bem, a Dra. Maria de Belém no gratuito ‘Meia Hora’, figura política que já aqui critiquei por outras razões, o PIB deixou de ser uma medida adequada para avaliação de fenómenos sociais, com o desemprego à cabeça. De facto, uma fraca redução ou  até um crescimento do PIB coincidem, diversas vezes, com  aumentos  signficativos do desemprego.  A suceder esta coincidência, há forte probabilidade de ampliação dos desequilíbrios na distribuição dos rendimentos, reflectidos em expansão da exclusão social e proletarização de extractos consideráveis da classe média. Os cidadãos portugueses têm  razões bastantes para a decepção e a preocupação.

Reconheço que o cenário descrito é reflexo de vários factores e, no que respeita às causas internas, advêm de uma continuidade de políticas financeiras, económicas e sociais executadas desde há anos. Todavia, a actual governação, na voz arrogante do PM, não pode limitar-se a expelir as culpas para cima da crise internacional e de governos anteriores, quando também revela incapacidade de chegar a soluções para contrariar a deterioração económica e social do País. O governo age sob o comando de um partido dito socialista, arrogando-se do direito de propagandear, alto e com grande sonoridade, a infalibilidade e justeza das suas políticas. Os resultados estão à vista. O pior dos cegos…

Temos coligação PS/Bloco de Esquerda ?

Face à cada vez menos improvável maioria absoluta, quer do lado do PS quer do lado do PSD, os cenários de coligação possíveis tornam-se óbvios.
À direita tudo aponta para que PSD e CDS se juntem, e mesmo antes das eleições, isso vai ficar muito claro.
À esquerda tudo é bem mais dificil.
Com o PCP nem pensar, o PS jamais fará uma coligação de poder, mesmo que fosse essa a vontade dos comunistas. o que não é pacífico.
Mas do lado do Bloco há sinais, aqui e ali.
Pela boca de Louçã soubemos que o Bloco apoia o investimento no TGV! Isto é de tal forma afastado do que poderíamos esperar de Louçã que só tem uma leitura. Louçã está a ensaiar uma aproximação às teses mais polémicas do PS, encurtando distancias e “apalpando” a reacção da população.
Por mim já reagi. Com Bloco ou sem Bloco não voto em quem defender o TGV !

Sociedade Frente Tejo

Helena Roseta lança o alarme sobre o regime de excepcionalidade das obras a cargo desta empresa. Segundo a Arquitecta está em causa a transparência ( a falta dela) e o abuso de poder que este estatuto propicia.
O processo de remodelação do Terreiro do Paço é uma aberração e um escândalo.
Para Santana Lopes ” é extraordinário como um Presidente da Câmara abdica do poder sobre a sua própria cidade.”. A condução do processo por uma sociedade do Estado na qual a CML não participa é uma aberração política e jurídica.
É um processo deplorável, em que não há nem concurso público, nem debate público, afirma Luis Fazenda.”Nem o Presidente da CML nem os vereadores se podem esconder atrás da Sociedade Frente Tejo ” por forma a alijar responsabilidades na remodelação de uma Praça com tal simbolismo.”
Para Ruben Carvalho o problema está na privatização/venda de parte substancial dos edificios ministeriais, para comércio-escritórios-hoteis.
A Sociedade é uma entidade de capitais públicos encarregue da reabilitação de alguns troços da zona ribeirinha de Lisboa.
Que se saiba já “reabilitou” uma parte da Praça do Cais de Sodré com uma vincada densidade de prédios para a Comissão Europeia do Mar, com um hotel na Marina de Pedrouços e com uma sede para a Fundação Champalimaud.
Estão na gaveta para melhores dias um cais para navios de cruzeiro com hotéis e um centro comercial ali em Santa Apolónia e um cais para contentores em Alcântara.
Tudo com uma gritaria de protesto de inúmeros Lisboetas que vêm a sua frente ribeirinha ser tranformada numa frente de betão.

O buraco ainda não tem fundo

No escasso prazo de um dia, cerca de 300 pessoas perderam o emprego ou estão muito perto disso, em três unidades empresariais de diferentes sectores. É mais uma má notícia a juntar a tantas outras. Mas é uma má notícia que preocupa muito. Não sou economista mas tenho ideia que a vaga de grandes despedimentos já deveria ter terminado. Os reajustamentos internos das empresas desequilibradas já deveriam ter ocorrido, os acertos principais deveriam estar feitos. As adaptações deveriam estar concluídas ou em vias disso. Tudo suposições.

Enquanto parte da União Europeia começa a dar sinais, ainda que ténues, de recuperação, Portugal continua, também aqui, na famosa cauda da Europa. Nada de mais, já estamos habituados.

A crise não passou, claro, nem vai passar tão cedo. Quando a Europa estiver a recuperar de forma sólida nós ainda vamos estar a pensar qual será o melhor momento para, por fim, deixar os maus dias no passado. Talvez lá para 2011.

Hoje, ficamos ainda a saber que a economia portuguesa deverá recuar 4,5 por cento este ano e em 2010 continuará em terreno negativo. São números da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico. O desemprego, dizem, deverá atingir os dois dígitos: em 2009, a taxa de desemprego deverá subir para os 9,6 por cento para no ano seguinte chegar aos 11,2 por cento. Confirmem-se ou não estas estimativas, o cenário não é risonho.

Continuamos a enfiarmo-nos num buraco muito fundo e são cada vez menos as escadas para sair dele.

"Estes " investimentos públicos…

Nos últimos dez anos os grandes investimentos públicos foram:
Estádios de futebol (quatro desnecessários como sempre se soube)
Pendulares na linha férrea Lisboa – Porto (milhões de contos, tantos que nunca se soube bem quantos)
Ponte Vasco da Gama ( a mais extensa da Europa como não podia deixar de ser)
Expo 98 ( que se pagaria a si própria e depos foi o que se viu)
Modernização dos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro ( apesar de paralelamente se andar a preparar um novo)
Autoestradas para meia dúzia de automóveis (temos o rídiculo record do maior número de autoestradas por habitante)
Novos investimentos:
Autoestradas
Ponte sobre o estuário do Tejo
TGV
Novo aeroporto
Se após os investimentos dos últimos anos o país empobreceu, não conseguiu dar o salto qualitativo da produtividade, porque será que o mesmo tipo de investimentos dez anos depois, vai ter resultados diferentes?
Acresce, que a rentabilidade marginal por projecto é agora menor e o seu custo é maior porque o ” rating ” do país desceu devido à muita má situação das finanças públicas .
Vai ser mais um milagre do PS?
Mas há investimento público muito necessário, como seja, a reabilitação dos centros urbanos, a modernização das redes de captação e distribuição de água, luz e gás, a construção de barragens que há dez anos estão paradas, a modernização da linha férrea de transporte de mercadorias, o desenvolvimento do “cluster” do mar, dos portos…
Desde que não sejam entregues aos amigos, sem concurso público, como acontece ali em Alcântara com a Liscount do camarada Jorge Coelho!

42% ? Porreiro , pá !

Assanham-se uns senhores muito em sintonia com o governo, por causa do manifesto dos 28 economistas contra o TGV e os Megaprojectos.
Conforme a discussão vem para a luz do dia , vão-se conhecendo alguns números até aqui cuidadosamente escondidos.
Sabe-se hoje que o trajecto Porto – Vigo não tem qualquer possibilidade de ser viável, é deitar dinheiro à rua só de pensar no assunto.
O trajecto Lisboa – Porto cobre, em receitas, 48% do investimento .Para quem não quer perceber, isto equivale a dizer que 52% do investimento vai ser pago com os nossos impostos, contribuindo ferozmente para o empobrecimento acelerado em curso.
O trajecto Lisboa – Madrid gera cash-flows da ordem dos 54% ,deixando para os nossos impostos 46% do investimento. Outra ajuda para a pobreza que o PS, socraticamente , está a instalar no país e que se fará sentir nos próximos 30 anos!
Se juntarmos a tudo isto que o dinheiro tem que ser emprestado, porque não o temos, e vai juntar-se aos 110% de dívida pública que temos que pagar, a uma economia perto da estagnação e que não gera riqueza, só cabe perguntar.O que levará esta gente a querer estes mega e ruinosos investimentos?
Porque não apoiam os investimentos que geram emprego rapidamente ? Que dão trabalho às PMEs e não às tecnologias lá de fora ?
A reabilitação urbana tem trabalho para 10 anos, esgotando a capacidade instalada!
Não bastam os Mega investimentos em autoestradas que nos dão o rídiculo recorde de sermos o país com mais autoestradas por habitante?
E se são assim tão importantes porque somos tão pobres e vamos continuar pobres?
Não seria honesto mudar de estratégia?

50 milhões de Americanos sem direito a cuidados de saúde

É inadmíssivel, diz o Presidente Obama, que 50 milhões de pessoas não tenham seguros de saúde, nem acesso a cuidados médicos !
A reforma não é um luxo é uma necessidade ! Preciso da vossa ajuda médicos, para os americanos vocês são o sistema de saúde, diz ainda Obama.
O custo do sistema de saúde é uma das maiores ameaças para a economia. Tem um peso significativo nas contas das famílias e das empresas. É uma bomba relógio para o orçamentto federal.
Sublinhou ainda que as despesas de saúde compradas a preços demasiado altos contribuíram para a falência das construtoras automóveis GM e Chrysler.”Se não agirmos já, acabaremos todos como a GM : a pagar mais, receber menos e na falência.”
Os EUA gastam 50% mais por pessoa do que o segundo país com maior despesa na saúde. “Mesmo assim, temos cada vez mais cidadãos sem seguro, a qualidade tem-se deteriorado e a população não está mais saudável!
Uma das ideias da Casa Branca é criar um Plano Público de Saúde que sirva como opção para a população que não tem condições para comprar seguros de saúde!
E o que dirão disto os nossos liberais blasfemos e quem quer destruir o nosso SNS?

O círculo vicioso do País

Há razões adicionais para se prever para o país, a médio prazo, um fraco crescimento ou mesmo a estagnação económica.

O país está endividado a todos os níveis, o que se reflete num enorme desiquilibrio externo, o que irá travar o investimento e o consumo. O déficite das contas do Estado voltou a níveis muito preocupantes. São necessárias políticas de redução do déficit o que só se consegue com a contenção da despesa ou com o aumento da receita, ou com ambas. Com a receita, o esforço da máquina Fiscal dos últimos anos, recuperando grande parte, já não tem margem para arrecadação de muito mais. A despesa é o que se sabe com este Estado cada vez mais prisioneiro de interesses corporativos. Assim o crédito a obter lá fora ficará cada vez mais caro. Estamos num circulo vicioso, é dificil baixar déficites orçamentais sem crescimento da economia.

A agricultura morreu

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Dizer que a agricultura morreu é algo tão exagerado como o próprio Mark Twain definiu as notícias sobre a sua morte. No entanto, os últimos anos trouxeram amplas novidades sobre esta matéria nos últimos anos. As grandes empresas têm cada vez maior importância e os pequenos e médios agricultores perdem espaço. Nada que seja de estranhar. A evolução da espécie é assim. A evolução da economia também.

“Food, Inc.” acaba de ser lançado nas salas de cinema, embora ainda em número limitado, dos EUA. É um documentário de Robert Kenner, baseado num ensaio de Eric Schlosser, “Fast Food Nation”.

O documentário aborda a morte da agricultura e o crescimento das grandes corporações da indústria alimentar. É capaz de valer a pena ver com atenção.

Este é o trailer:

Megaprojectos – O apelo de 28 economistas

Vinte e oito economistas apelam a Sócrates para reavaliar os investimentos públicos, propondo recurso a um painel consultivo de economistas, gestores e engenheiros, nacionais e estrangeiros, de reconhecido mérito.

Argumentos:

Painel : é um absurdo insistir em investimentos públicos de “baixa ou nula” rentabilidade e com fraca criação de emprego em Portugal. Para além do sobreendividamento da nossa economia e com o empobrecimento do país.

Ferreira do Amaral : O TGV vai empenhar-nos durante décadas!

Augusto Mateus : O projecto global do TGV não faz sentido

José Junqueiro . O PSD procura uma medalha, numa competição que não existe

Henrique Neto : O TGV não nos liga à Europa, mas a Espanha.

Francisco van Zeller : O lucro vai todo para os estrangeiros

Fernando Santos : A alta velocidade é prioritária. Se for preciso, corte-se no plano rodoviário.

Luis Moreira : reparem no inteligente argumento de quem defende as políticas do governo!

Sabem o que é a UTAO?

É a Unidade Técnica de Apoio Orçamental, um grupo de peritos independentes que, no Parlamento, apoia os trabalhos dos deputados.

No relatório de orientação orçamental de 2009, divulgado a 15 de Maio, o Governo não apresenta, como está obrigado por lei, qualquer informação sobre a evolução das finanças no médio prazo ( os próximos três anos).

“Não existe, actualmente,nenhum quadro válido a médio prazo para as finanças públicas portuguesas.”, refere uma nota no site da Assembleia da República, salientando que sem essas projecções não pode pronunciar-se sobre a estratégia de saída da crise!

O governo lança mão de tudo para esconder a situação miserável a que nos levou com as suas políticas vesgas.

A Governação do Banco de Portugal

A governação do Banco de Portugal tem sido, ao longo dos tempos pós-25 de Abril, um privilégio do “centrão”. A excepção, em meu entender, fica-se pelos mandatos de Jacinto Nunes, académico com posicionamento independente dos epicentros partidários dominantes, PS e PSD. Foi governador nos períodos de 1974 a 1975 e de 1980 a 1985.

Nos restantes períodos, a governação do Banco Central foi distribuída por José da Silva Lopes (1975-1980), Tavares Moreira (1986-1992), Miguel Beleza (1992-1994), António de Sousa (1994-2000) e Vítor Constâncio, em 1985 e 1986 e de 2000 até hoje.

Se, de facto, o cargo é remunerado com um salário mensal bastante exagerado, superando as remunerações de estrondosa maioria de governadores de todos Bancos Centrais, diga-se, em abono da verdade, que é um pecado transversal em relação a todos os governadores. Personalizar, portanto, o problema em Vítor Constâncio parece-me redutor, não o furtando, porém, a críticas, em particular pela desfaçatez de defender a redução de salários dos trabalhadores portugueses, com o objectivo de contribuírem, dessa forma, para a recuperação da economia.

Insisto, todos os ‘soundbytes’, à volta de Constâncio, não me fazem esquecer os chorudos ganhos de outros, em alguns casos prolongados, para além do tempo de trabalho, por reformas sumptuosas. Com efeito, de uma maneira ou de outra, nenhum deles escapa à imoralidade. Esta conclusão leva-me a acreditar que, a partir das intervenções na Comissão de Inquérito Parlamentar ao BPN, está a incorrer-se num erro de subjectivação do tema à volta do actual governador, omitindo que outros foram premiados igualmente com elevados vencimentos. Para mim, a análise objectiva entronca na seguinte pergunta: é socialmente justo que um Governador do Banco de Portugal, quem quer que seja, ocupe o 3.º lugar dos melhores pagos por Bancos Centrais de todo o mundo? Estou ciente de que não, chame-se ele Vítor, José, Tavares, Miguel ou António. E mais: trata-se de um problema institucional do regime que o poder político tem a obrigação de resolver, a breve prazo. Mesmo assim, já não irá a tempo de corrigir em baixa as avultadas pensões de reforma concedidas.

A supervisão é outro tema importante, mas fica para próxima oportunidade.

Nem TGV, nem Aeroporto, nem Auto-Estradas

São 28 os economistas que pretendem uma reavaliação dos grandes investimentos públicos, como noticia hoje o «Público». Entre eles, Campos e Cunha, Daniel Bessa, Augusto Mateus ou Henrique Neto.
Nada de surpreendente. Apenas puro bom-senso. Num país minúsculo como o nosso, é um crime fazer um TGV, um «elefante branco» que ninguém vai usar. É um crime fazer um novo Aeroporto quando o actual ainda poderia ter muitos anos de vida e quando o futuro da aviação é incerto. É um crime fazer certas Auto-Estradas, sobretudo aquelas que vêm apenas duplicar ou triplicar a ligação Porto – Lisboa.
Mas como construir dá dinheiro, muito dinheiro, por cima e por baixo do tapete, então constrói-se. Tudo o que for preciso. Tudo o que der dinheiro.

O Povo de Esquerda zangado

Diz Freitas do Amaral: O “povo de esquerda” ficou zangado ao ver governos socialistas salvarem da morte certa o grande capital, com o dinheiro dos contribuintes.

Quando alguns de nós dissemos isto fomos apelidados de ignorantes. Os senhores que estão sempre à espera do sinal para saberem para onde se virarem, prestaram um mau serviço ao governo socialista!

Quando dizíamos que o dinheiro injectado no BPP, BPN e BCP não ía chegar à “economia real” o Jugular João Pinto e Castro, perguntava se sabíamos o que era isso!

Agora já sabe, são os 500 000 desempregados, as PMEs a fecharem, e as exportações a caírem fragorosamente.

Quanto ao dinheiro dos bancos anda a ser oferecido a quem não precisa!

A mim telefonam-me de quinze em quinze dias. Temos aqui um crédito em condições excepcionais, pode utilizar como quizer, só falta oferecerem baldes de plástico para brincar na praia.

Mas para o Atlier do meu filho é que a coisa não chega, pelo contrário, concursos públicos não há, os projectos são entregues por ajuste directo aos amigos e, não contentes com isso, têm que pagar o IRC por conta, a Segurança Social…

O paraíso de José Sócrates e amigos!

BPN – só há uma certeza

Vamos ser nós a pagar!

Constâncio diz que o prejuízo é menos de 1.000 milhões (e chama ignorante ao Deputado)

Nuno Melo diz que são 2.500 milhões, tanto quanto lá meteu o Estado.

Teixeira dos Santos diz que vai andar no intervalo entre 1.900 milhões e 2.200 milhões!

Isto é, nenhum deles sabe o que está dizer. Ao fim de seis meses de nacionalização, com gestores milionários e todos eles muito importantes, nem o prejuízo conseguem fixar.

Tem a ver com a valorização dos activos ? Pois tem , mas isso já todos sabemos não são precisos gestores nem nacionalizações !

E, é por isso, que ninguem percebeu porque se nacionalizou o Banco, onde estão os prejuízos e se deixou de fora o Grupo, onde estão os activos.

Depois nós, os pagantes, é que somos mal intencionados!

Os supervisores

Isto é o que se passa no Banco de Portugal e nas supervisão bancária em geral!
Montes de gente, muitos doutorados, professores e licenciados, mas trabalhadores poucos. Muito poucos. Como aqui já disse, o Banco de Portugal está transformado num gigantesto e milionário Gabinete de Estudos, onde toda a gente trabalha em part time.
De manhã dão aulas e à tarde estão em comissões, observatórios e grupos de trabalho. Produzem imensos relatórios no calor dos gabinetes, mas meter a “mão na massa”, ( no caso nem é a expressão apropriada) deslocarem-se aos bancos onde acontecem as coisas, nem por isso!
Mas, no fim ninguem tem culpas e se lhes tivessem dito o que eles próprios tinham a obrigação de descobrir, tinham feito vários relatórios sobre a marosca.
Assim não há supervisão que aguente!

Rui Tavares e a tese da estabilização da economia

Há dois dias, critiquei no ‘Aventar’ o conteúdo do documento dos Ministros das Finanças do G8 que, em simultâneo, publiquei. Um ponto crucial da minha crítica incidia sobre a tese propalada ‘dos sinais de estabilização das nossas economias’.

Hoje, ao ler o artigo ‘A depressão escondida’ no Público, de Rui Tavares, congratulo-me, passo a imodéstia, com a partilha da minha opinião pelo citado, quando peremptoriamente afirma: ‘Se a economia tiver de facto estabilizado, ela pode simplesmente ter estabilizado em baixa. Aceitar que isto é o “normal” será aceitar uma crise lenta e prolongada’. Para além de confirmar que o meu ponto de vista é idêntico ao de quem foi eleito para o PE, parece-me, de facto, grave e assustador que os grandes líderes mundiais, se é que fizeram o diagnóstico correcto, demonstrem incapacidade de encontrar uma terapia que, como é óbvio, tem que ter projecção global e  resultados reais – a recuperação efectiva.

Como disse anteriormente, enquanto os exércitos de desempregados (cadáveres da economia) continuarem a engrossar, a história da crise resolvida com tal estabilização equivale a um soporífero.

Ricardo F – Liberta o blogue que há em ti (II)

Tomei-lhe o gosto.
Por isso vou tentar outra vez. Agora para falar de uma das minhas sugestões.
Imaginem que assinam um contrato com uma entidade patronal, durante um ano. Passado esse ano renovam por mais dois anos. Passados esses dois anos, renovam por mais dois e assim adiante, em renovação em renovação.
Qual a empresa onde isto é possível?
Depois a empresa aconselha-vos a fazer formação avançada, vocês tiram um mestrado e inscrevem-se em doutoramento, mesmo fora da empresa conseguem ser aceites pelos vossos pares através de publicações em revistas com arbitragem científica internacional. O que ganham com isso. Apenas as palavras: “Parabéns! Continua com o bom trabalho!”
Qual seria o trabalhador da empresa que desmotivaria?
Depois a empresa decide que afinal quer uma percentagem de trabalhadores doutorados, mas não os ajuda a tirar doutoramento e outra percentagem a fazer trabalho em tempo parcial na empresa e o restante noutro local qualquer e oferece um período para decidirem e trabalharem para atingir aquele objectivo.
Que conselho dão a este funcionário?
Despeço-me com amizade e até um próximo post.

Ricardo F.

DN – 1,3 mil milhões de mentiras

Em manchete, o DN de ontem anuncia que a não construção do TGV implicava a devolução a Bruxelas de 1,3 mil milhões de euros !
Como já muita gente veio dizer é uma notícia falsa. Os apoios comunitários são concedidos em pacotes que se desdobram em projectos. O dinheiro que não se aplicar num projecto pode aplicar-se noutro projecto, já existente ou a criar.
Mas o que levará um jornal a dar uma notícia destas, quando milhares de pessoas lhe poderiam explicar como funcionam as coisas?
Se examinarmos a data da notícia, logo nos chama a atenção que o TGV era o projecto que estaria em cima da mesa na Comissão de Obras Públicas na Assembleia da República, onde o Ministro Lino se apresentaria nessa mesma tarde.
Não é pois, por falta de informação que este jornalismo se pratica. É por ser mau jornalismo, por dar voz a interesses instalados e poderosos que estão à espera de abocanhar o seu pedaço. Mesmo que isso seja muito mau para o país.
As notícias que hoje nos chegam, do Primeiro Ministro, do Ministro das Obras Públicas e do próprio Presidente da República, que atiram a discussão e as decisões para depois das eleições, mostram bem que o jornal quiz influenciar o que aí vinha.
É assim que funciona a promiscuidade entre o “jornalismo de sarjeta” e os grupos poderosos que nos controlam, e nos empobrecem. Não há fontes, não há cruzamento de informações, não se ouvem as várias partes interessadas.
Dá-se a notícia e depois espera-se que a Justiça à verdade diga nada!
Depois queixam-se que os jornais vão perdendo leitores.

O TGV é uma fraude ! Serve a quem?

O governo socialista já veio admitir publicamente que o TGV não vai avançar antes das eleições de Outubro. Mais uma vez o povo travou as derivas absolutistas de um governo que não merece a nossa confiança.
Há um coro de vozes de gente sabedora e independente contra os megaprojectos de que este governo tanto gosta.
A viabilidade económica não é possível, o país não tem extensão territorial nem população suficiente para viabilizar o TGV!
O TGV custaria 8 mil milhões de euros ( mais os 40% habituais de derrapagem) para alcançar uma velocidade de 250 Kms/hora. Nos últimos dez anos investiram-se 1,5 mil milhões de euros com os pendulares que alcançam uma velocidade de 220 Kms/hora!
O governo, seguindo a sua propaganda mentirosa, vem dizendo que a velocidade atingiria os 350 Kms/hora. Sabe-se agora que em todo o mundo só há uma rede onde essa velocidade é atingida. Entre Tóquio e Shangai que distam 1 600 Kms em planícies praticamente desertas!
Como sempre, presos ao rídiculo, vamos ter um TGV de 350 Kms/hora que uma hora depois do arranque já saiu do território….
É preciso as pessoas perceberem o que está em jogo. Todo este dinheiro será pedido ao exterior, a taxas cada vez mais altas , numa economia estagnada e que não vai crescer por muitos anos. Nos próximos 30 anos as gerações seguintes vão empobrecer com esta dívida gigantesca!
Agora o argumento é que toda a UE tem TGV. Pois tem! Mas tambem tem governos responsáveis, economias crescentes, dívidas controladas, o povo a viver bem, enfim países ricos!
É preciso dizer não ao TGV, à terceira Ponte, às autoestradas em duplicado! Nós já somos o país com mais autoestradas por habitante, se isso fosse determinante, seríamos um país rico.E não somos! Somos um país pobre!

O maior erro !

Há trinta e tal anos começou a construção de habitação nos suburbios das cidades.
O maior erro, na opinião do Bastonário da Ordem dos Engenheiros. Esse investimento devia ter sido canalizado para os centros históricos urbanos, fixando aí as pessoas, poupando-as ao trânsito, ao tempo perdido na entrada das cidades.
Hoje ninguem tem dúvidas que a sustentabilidade dos países passa pela dinâmica das cidades, tornando-as atractivas para a habitação, arrastando as actividades económicas.
Há mais de 800 000 fogos para reabilitar o que dá trabalho às empresas para cerca de 10 anos. E é emprego imediato, em empresas nacionais, activando as PMEs que contribuem com cerca de 70% do emprego.
Há já bons exemplos de sucesso, como Évora, que tem vindo a desenvolver um trabalho meritório neste campo. A qualidade de vida em Évora é já reconhecida, cerca de 80% das pessoas inquiridas se mudassem de terra para viver, escolheriam esta cidade.
Este trabalho teria um impacto imediato na saída da crise . Mas este governo e o seu chefe, preferem a aventura dos grandes projectos que, a fazerem-se, irão lançar o pais na pobreza.
Temos o dever de fazer ouvir a nossa voz contra a megalomania deste governo, a pressa que não se percebe mas que se adivinha.
Já hoje ninguem tem dúvidas que seremos o país que mais dificilmente sairá da crise e em pior estado, com uma dívida externa colossal, uma economia estagnada.
É tempo de dizer basta ! As últimas eleições já foram um grito de alerta, espera-se a bem de Portugal e dos Portugueses que esse grito se faça ouvir com mais força nas próximas eleições legislativas e nas autarquicas!

Galp – Negócio socialista

Américo Amorim e os seus sócios Angolanos receberam, em quatro anos, 330 milhões de euros de dividendos e a sua posição na empresa vale mais mil milhões do que o preço de compra.
O preço dos combustíveis ao público é o tal que não pode descer e é mais alto que o da vizinha Espanha.
E tambem é o tal que cresce quando o preço do petróleo sobe e não desce quando o preço do petróleo cai!
E é o tal que não está em Cartel apesar de o preço em todas as distribuidoras ser o mesmo.
Enfim, uma empresa protegida pelo Estado, dinheiro privado e um mercado que não existe!
Não há, em país capitalista algum, um negócio como este .Sem risco, em cartel, com monopólio na fase da refinação, com uma maioria no mercado que roça os 60%.
O brilhante mundo do governo socialista!

G8-Min.Finanças de 13-06-2009: a crise continua

Hoje chegou a oportunidade de exprimir opiniões sobre a reunião e o documento emitido pelos Ministros das Finanças do G8, reunidos em Lecce, Itália, no passado dia 13 de Junho, http://www.g8.utoronto.ca/finance/fm090613.pdf.

O argumento central, usado no documento, é de que “há sinais de estabilização nas nossas economias, incluindo a recuperação das bolsas, um declínio dos ‘spreads’ das taxas de juro, melhoria nos negócios e na confiança dos consumidores”; porém, logo de seguida adverte: “mas permanece a incerteza e significativos riscos subsistem para a estabilidade económica e financeira”. Com estas palavras, e depois da leitura integral do texto, fico céptico quanto à possibilidade de se vencer a crise nos tempos mais próximos. Ainda mais porque, ao longo do documento, os Ministros de Finanças repetem uma série de intenções que já tinham sido manifestadas pelo G20 e as quais, ao que se percebe, ainda se encontram por concretizar. Sobretudo, as medidas de regulação a nível global, das quais é objectivo essencial a concretização de políticas de extinção ou, pelo menos, de rigoroso controlo dos fluxos financeiros de e para os paraísos fiscais.

Deixando, por ora, a tão debatida política nacional, é penoso saber pelo G8 que o desemprego poderá continuar a aumentar. Para mim, só se iniciará recuperação quando os populosos exércitos dos chamados ‘cadáveres da economia’ começarem a ser consistentemente ressuscitados, em vez de aumentados. Os sinais de estabilização referidos pelo G8 não me suscitam confiança nesse sentido. Sobretudo porque, em contrapartida às intenções, há realidades inquietantes: mais 532.000 desempregados em Maio nos EUA; o PIB do Reino Unido manter-se-á negativo durante 2009 (e de outros países também, segundo a OCDE); a GM vai mesmo falir e será a maior falência da história económica norte-americana; os lucros da banca em Espanha caíram mais de 20% no 1.º trimestre e houve nova subida no crédito mal parado. E fico por aqui.

À semelhança do que se diz dos chapéus, intenções há muitas e uma delas preocupa-me: confiar no FMI como actor crucial para vencer a crise. Se o Fundo Monetário Internacional prosseguir as políticas de sempre, baseadas em parte no pressuposto estafado de que os mercados, só por si, geram eficiência (Joseph Stiglitz), sentiremos na economia real que os resultados não reflectirão os presságios do texto dos Ministros das Finanças do G8. De facto, sem mudanças globais a nível das políticas e das acções do FMI, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio, a mera estabilização das economias, que se situa muito aquém da recuperação, não passará de uma miragem.

Por último uma observação: se a União Europeia continuar a falar – e a falhar – a diversas vozes, Portugal, já de si depauperado, não parará de se vergar à crise. Veremos os episódios seguintes. Oxalá esteja a ser pessimista.   

G8 economias estabilizam

Há sinais de estabilização nas economias dos G8. Mas há riscos que permanecem e que não devem ser desvalorizados. Quem o diz são os Ministros das Finanças dos G8 reunidos em Itália para preparar a próxima reunião dos chefes de Estado.
As bolsas estão a valorizar, as taxas de juro estabilizaram e os bancos estão a facilitar o crédito com spreads menos agressivos, e ao mesmo tempo a confiança dos consumidores está a regressar.
Mas há muito trabalho a fazer, como limpar os balanços dos bancos do “lixo tóxico” e ter muito cuidado com a enorme volatibilidade do mercado das matérias primas, com o petróleo à cabeça.
Os fundamentais económicos são agora menos sombrios.
Espreita a inflação derivada dos pacotes de incentivo que os estados têm injectado na economia.
Ainda é cedo para tirar o pé do travão.Lá para o fim do ano e, para nós, só lá para meio de 2010!

O BPP foi à vida! E o BPN?

A proposta apresentada pelos actuais administradores do BPP é de tal foma exigente, que nos dá uma ideia dos muito milhões de prejuízos acumulados.
O Estado já lá meteu, juntamente com as garantias que deu aos outros bancos, que entraram na primeira tranche, cerca de 250 milhões de euros. No primeiro pedido de reforço dos capitais, Rendeiro tinha solicitado 750 milhões de euros o que tinha sido considerado exagerado para a dimensão do banco.
Para além de todo este dinheiro, a proposta apresentava um prazo de retorno na ordem dos 25 anos!
Não há oxigénio suficiente para um defunto destes!
E quanto ao BPN ?
Bem aí, temos a situação do BPP multiplicada por quatro, pelo menos!
O Estado já lá meteu 2 000 milhões de euros, o que dá na moeda antiga 400 milhões de contos!
São precisos mais 1 500 milhões de euros, isto é, mais 300 milhões de contos, tudo somado dá a verba astronómica de 700 milhões de contos!
Dá para construir 25 hospitais novos!
O governo manteve em lume brando o BPP até às eleições, mas agora era ímpossível adiar por mais tempo a decisão. O barril está a explodir!
Mas a decisão no BPN é muito mais dificil.Em primeiro os montantes envolvidos. Nunca por nunca o governo sonhou que íria encontrar uma situação destas num banco privado. Depois, já lá meteu uma verba que não o deixa recuar, o que implica meter o que já vimos. Mas, por outro lado, deixar cair o BPP não ajuda nada en termos de coerência. O Estado vai dizer que neste há efeitos sistémicos, mas a verdade é que o BPN só representa 2% do mercado bancário! Não colhe o argumento!
O governo vai esperar até às eleições de Outubro para tomar a decisão? O banco não aguenta e os depositantes vão começar a fazer barulho !
Bem te avisaram sapateiro para não brincares aos banqueiros!
PS: gostava era de saber a opinião do JPC da Jugular que quando eu antecipava este cenário, como muitos outros anteciparam, me respondia que eu não sabia o que era a economia real)

O cordeiro das farmácias

A ANF veio com aquela ideia completamente disparatada de as farmácias poderem substituir e/ou alterar as receitas dos médicos. Mas a ideia só é disparatada se não a enquadrarmos no processo que segue caminho. O que a ANF quer é a liberalização do preço dos medicamentos.
O nível de concentração da indútria farmacêutica – anda pelos seis por cento – é uma brincadeira quando comparada com o das farmácias -90% – representada pela ANF e pelo próprio Cordeiro.
Em termos de clientes é de bem de ver que o preço não desce, a ANF segue impávida a verticalização do sector do medicamento e está envolvida em múltiplos interesses no negócio do medicamento.
As margens de comercialização do medicamento são fixadas pelo governo e João Cordeiro queixa-se que a indústria não se aplique, tal como ele, em tirar essa capacidade das mãos do governo.
Há muita coisa que não se compreende neste poder que a ANF utiliza para manter a posição de previlégio das farmácias, impedindo a sua liberalização, afrontando em Tribunal a abertura das farmácias Hospitalares e em outras instituições de apoio social.
O mais poderoso lobby nacional não desarma e aproveita o Estado fraco e tentacular para lançar as suas ambições para cima de quem paga.
Se o Estado fosse uma instituição credível e eficaz, sem rabos de palha ,a ANF há muito que teria visto as suas prepotências serem barradas, mas como o que temos é um Estado gordo e disforme, cheio de telhados de vidro, nada mais resta que o vermos de cócoras…

Onde está o dinheiro ?

O Ministro das Finanças, depois de duas tentativas falhadas de fugir aos depositantes do BPP, teve de dar respostas. E deu ! Uma delas é pasmosa!
Que os depositantes deveriam dirigir-se à Administração do BPP e pedir o seu dinheiro e não ao Ministro das Finanças! Correctíssimo!
Mas então onde está o dinheiro que o Estado, aos Milhões, lá meteu? Esse dinheiro que não serviu para pagar aos depositantes, foi parar onde? Às mãos de quem?
Não seria um acto de transparência democrática, o Sr Governador do Banco de Portugal, vir publicamente mostrar onde foi aplicado o dinheiro que o Estado injectou, quer no BPP, quer no BPN?
O dinheiro serviu para pagar aos grandes accionistas? Para pagar aos grandes depositantes? Para pagar aos grandes credores nacionais e internacionais?
Até quando o nosso dinheiro é utilizado sem nos darem uma explicação ?
Para os grandes credores dos bancos não são as Administrações que dão respostas , é o Estado e o nosso dinheiro?