A Governação do Banco de Portugal

A governação do Banco de Portugal tem sido, ao longo dos tempos pós-25 de Abril, um privilégio do “centrão”. A excepção, em meu entender, fica-se pelos mandatos de Jacinto Nunes, académico com posicionamento independente dos epicentros partidários dominantes, PS e PSD. Foi governador nos períodos de 1974 a 1975 e de 1980 a 1985.

Nos restantes períodos, a governação do Banco Central foi distribuída por José da Silva Lopes (1975-1980), Tavares Moreira (1986-1992), Miguel Beleza (1992-1994), António de Sousa (1994-2000) e Vítor Constâncio, em 1985 e 1986 e de 2000 até hoje.

Se, de facto, o cargo é remunerado com um salário mensal bastante exagerado, superando as remunerações de estrondosa maioria de governadores de todos Bancos Centrais, diga-se, em abono da verdade, que é um pecado transversal em relação a todos os governadores. Personalizar, portanto, o problema em Vítor Constâncio parece-me redutor, não o furtando, porém, a críticas, em particular pela desfaçatez de defender a redução de salários dos trabalhadores portugueses, com o objectivo de contribuírem, dessa forma, para a recuperação da economia.

Insisto, todos os ‘soundbytes’, à volta de Constâncio, não me fazem esquecer os chorudos ganhos de outros, em alguns casos prolongados, para além do tempo de trabalho, por reformas sumptuosas. Com efeito, de uma maneira ou de outra, nenhum deles escapa à imoralidade. Esta conclusão leva-me a acreditar que, a partir das intervenções na Comissão de Inquérito Parlamentar ao BPN, está a incorrer-se num erro de subjectivação do tema à volta do actual governador, omitindo que outros foram premiados igualmente com elevados vencimentos. Para mim, a análise objectiva entronca na seguinte pergunta: é socialmente justo que um Governador do Banco de Portugal, quem quer que seja, ocupe o 3.º lugar dos melhores pagos por Bancos Centrais de todo o mundo? Estou ciente de que não, chame-se ele Vítor, José, Tavares, Miguel ou António. E mais: trata-se de um problema institucional do regime que o poder político tem a obrigação de resolver, a breve prazo. Mesmo assim, já não irá a tempo de corrigir em baixa as avultadas pensões de reforma concedidas.

A supervisão é outro tema importante, mas fica para próxima oportunidade.

Comments

  1. Luis Moreira says:

    carlos, eu estou em crer é que o BdP está transformado num gabinete de estudos e não previu a evolução do sistema bancário.

  2. dalby says:

    LUÍS PORQUE SERÁ QUE EU, SENDO TÃO MAU E PESSIMO EM CONTAS, CONTABILIDADE, NÚMEROS E FINANÇAS, TENHO UM TERRÍVEL FEELING QUE O VITORINO SANTO AFINAL NÃO É NADA HOLLY E É ASSIM UMA ESPÉCIE DE BUR-LISTI-ta??!! Tenho um feeling que ele é mesmo um servo dos interesses deste governo e nao so! DIZ ME QUE ESTOU ERRRADO E QUE ELE É UM BOM RAPAZ!!

  3. Luis Moreira says:

    Qual Vitorino?

  4. dalby says:

    qu e …inocente..Vitor Constancio!

  5. Luis Moreira says:

    falhou e devia pedir a demissão mas é um homem sério!

  6. dalby says:

    OK. ACEITO. MAS FALHOU EM QUÊ?? EM PREVER DESVIOS??

  7. Luis Moreira says:

    Falhou porque devia ter focado o BdP na supervisão e não, o BdP está transformado num gabinete de estudos.

  8. carlos fonseca says:

    Luís, o BdP desfocou-se do papel principal. Tem sido uma mina para governadores e continua a ser um abrigo para uma série de consultores com bons ordenados e escassa actividade. Depois, algumas dessas sumidades financeiras, António de Sousa por exemplo, ainda ingressam em cargos de elevada remuneração (públicos!, entenda-se). A presidência da CGD foi a compensação dada por sair do BdP. Julgo que está reformado dos dois lados e muito bem.