Os pequenos que se julgam grandes e os grandes que até podem ser pequenos

Numa sociedade em que os abandonados estão cada vez mais abandonados, em que os laços de proximidade parecem desfazer-se, em que as relações de comunidade se vão diluindo, têm aparecido pessoas e organizações dispostas a remar contra a corrente, a reacolher os menos privilegiados, a alimentar os que precisam, a apoiar velhos sós e rejeitados, a acompanhar pessoas com dificuldades várias. Muitos fazem-no em regime de voluntariado, sem remuneração, buscando apenas a compensação de serem e se sentirem úteis.

Não falo de caridadezinha. Falo de um trabalho empenhado e continuado, de uma preocupação constante em resolver problemas, de solidariedade activa na construção de uma vida melhor para quem a tem muito má.

Felizmente, algumas organizações tornaram-se conhecidas em Portugal, veja-se a AMI, O Banco Alimentar Contra a Fome, os AA, etc. Mas existem milhares de pessoas e organizações desconhecidas que prestam serviços inestimáveis no acompanhamento de doentes e incapacitados, a visitar pessoas impedidas de sair de suas casas, a dar sangue, medula óssea, a distribuir seringas descartáveis entre toxicodependentes, a reintegrar sem-abrigo,  a prestar apoios básicos e importantes a quem não os pode pagar, contribuindo, dessa forma, para tapar buracos e sarar feridas que uma sociedade, por mais perfeita que fosse, não deixa de abrir continuamente.

Trata-se de pessoas que decidem agir em vez de sucumbir ao desânimo e à indiferença, que optam por resolver o que podem, em vez de esperar apenas que o sempiterno Estado o faça, em vez de alijar responsabilidades sociais sempre para os ombros de terceiros. É gente merecedora de respeito e admiração, que não tapa o sol com uma peneira, que sabe que existem velhos escorraçados pelas suas famílias, que há infectados a morrer de SIDA, que escondemos pessoas que não comem devidamente, que há crianças dispostas a atirar-se ao rio e acabar com a vida. [Read more…]

Mais um golpe, mais um roubo

No Aventar os xutos na bola, com a rúbrica FUTaventar entrou tarde e ainda há quem resista à discussão, talvez com algum sentimento elitista considerando que a bola é coisa de pobre! É sim senhor! E ainda bem que existe porque tudo o resto é muito mais vergonhoso.
Atente-se:
Gaia: a Escola António Sérgio fica no centro da cidade, bem juntinho ao hospital, ao novo hotel; A Secundária de Canidelo, junto ao nó do fojo a meio caminho entre a VCI e a praia…
Gondomar: a Secundária é absolutamente central na sua localização…
No Porto… Em Lisboa…
Temos estas localizações todas nas mãos de uma coisa a que chamam Parque Escolar. Esta coisa, se calhar uma sucateira ou uma PT ou… vai ficar com todas estas escolas secundárias na mão. Não tarda nada, temos as escolas com poucos alunos, os terrenos fora das mãos do estado e algum boy a lucrar milhões.

Por estas e por outros é que prefiro falar e escrever sobre o Simão.

A caminho da República: Nos 119 anos do 31 de Janeiro

A caminho da República – Nos 119 anos do 31 de Janeiro . Os Videos do Aventar http://d1.scribdassets.com/ScribdViewer.swf
«Power-point» preparado para a abertura das comemorações do Centenário da República numa escola básica do Grande Porto. O documento aparece desformatado e os filmes que surgem no interior não arrancam neste formato. Por isso, a visualização não é a melhor e por isso peço desculpa. Seja como for, o «power-point» original está ao dispor dos leitores que o desejarem e em especial dos professores de História. Basta que nos peçam.

Quando os pais mandam nas escolas

Que os Encarregados de Educação tenham uma palavra a dizer sobre o funcionamento geral de uma escola, ainda vá que não vá. Bem, uma palavrinha será mais adequado. Agora, que os Encarregados de Educação mandem nas escolas e se intrometam até nos critérios de avaliação definidos pelos professores já me parece demais. Aliás, durante este ano lectivo, tenho vivido situações verdadeiramente inacreditáveis na relação com aqueles que se julgam os donos das escolas.
Já sei que os professores são sempre os culpados de tudo. Não são os pais que educam os miúdos, são os professores. A este tipo de gente, Maria de Lurdes Rodrigues foi beber as teorias que aplicou durante a sua passagem pelo Ministério da Educação. E sei também que a figura do Director está mais sujeita às influências que vêm de fora da escola, a fragilidade do cargo que ocupa leva a esse tipo de permeabilidade.
O caso que vou descrever passa-se numa escola básica do Grande Porto. No Regulamento Interno da escola, está escrito com todas as letras que o professor não pode escrever no teste a entregar aos alunos a cotação do mesmo, mas apenas a nota qualitativa. Não concordo, mas é o que está lá. Em reunião de Conselho Geral, os Encarregados de Educação propõem que os professores sejam obrigados a colocar as cotações. Nem sequer que fica ao critério de cada professor. E como hoje em dia os pais é que mandam nas escolas, os professores, infringindo o Regulamento Interno, irão passar a colocar sempre a cotação dos testes.
Como é óbvio, é ilegal. O Conselho Geral de uma Escola não pode ir contra o seu Regulamento Interno, da mesma forma que um Conselho de Ministros não pode ir contra a Constituição. Por isso, eu, que desde sempre pus a cotação nos testes a entregar aos alunos, estou a pensar em deixar de o fazer. Quando for chamado à atenção, como fui na altura em que colocava a cotação, direi apenas que estou a cumprir o Regulamento Interno.

Externato de Braga: Olha se fosse na escola pública!

Ao que parece, um aluno de 16 anos do Externato Carvalho Araújo, em Braga, disparou sobre um colega à entrada do estabelecimento de ensino. Diz a PJ que o disparo foi acidental.
Olha se fosse na escola pública! A violência no ensino público, as escolas que não formam, a falta de segurança, a culpa é dos professores, no ensino privado não há destas coisas e por aí fora.
Como estamos a falar de ensino privado, ah e tal, foi acidental. Alunos a fumarem e a drogarem-se dentro dos colégios? É acidental. Alunos a fazerem sexo e a ficarem grávidos dentro dos colégios? É acidental. É sempre acidental.
Ah, e os «rankings», claro, também são sempre acidentais.

Mais sobre o Externato Carvalho Araújo aqui e aqui

Parabéns Professores SEM MEDO

Boa noite,

saudade é a palavra que me ocorre hoje.

O que fizemos não foi uma coisa qualquer – foi MUITO GRANDE, ENORME mesmo!

Demorou muito, tudo parecia impossível, mas o tempo parece que nos quer dar alguma razão.

Não faço ideia o que vai acontecer – não tenho ainda qualquer informação sobre o que aí vem… há uma coisa que sei:

quem não entregou objectivos não vai ser prejudicado. Como SEMPRE foi dito pela FENPROF!

Quem quis ser avaliado vai ficar com uma rolha de cortiça porque não vai servir para nada.

Podem ler isso no comunicado que o ME hoje fez chegar às escolas: http://aventadores.wpcomstaging.com/958580.html

Continuo a pensar que a questão central é o estatuto, mas isso veremos a curto prazo o que vai acontecer.

Agora, o que quero mesmo é recordar a NOSSA FORÇA!

– a manifestação de Outubro de 2006: http://serprof.blogspot.com/2006/10/um-oceano-de-esperana-corre-em_07.html

– a greve de Outubro de 2006 – http://serprof.blogspot.com/2006/10/em-greve-era-uma-vez-uma-professora-na.html

– a manifestação de 8 de Março de 2008: http://serprof.blogspot.com/2008/03/um-sonho-de-uma-vida.html

– a manifestação de 8 de Novembro de 2008:http://www.spn.pt/?aba=27&cat=118&doc=2282&mid=115

– a manifestação de 30 de Maio: http://www.spn.pt/?aba=27&cat=9&doc=2491&mid=115

Concurso «Blogues Escolares» – Regulamento

Como ja demos conta aqui, o Aventar está a promover o Concurso «Blogues Escolares», destinado aos professores e alunos das escolas básicas e secundárias portuguesas. Dado o interesse que a iniciativa tem despertado, aqui fica o Regulamento do Concurso:

Regulamento do Concurso «Blogues Escolares»

 
1. O Blogue Aventar organiza um concurso designado «Blogues Escolares», dirigido aos professores e alunos do ensino básico e secundário das escolas portuguesas públicas e privadas.
 
2. O concurso «Blogues Escolares» tem como objectivos fundamentais:
Interessar os alunos portugueses pelo mundo da blogosfera e das novas tecnologias;
Criar situações que favoreçam a criatividade dos alunos;

Abrir as turmas participantes à sua comunidade educativa;

Promover o intercâmbio entre as várias turmas participantes;
 
3. O Blogue Aventar cria o blogue da turma, no caso de ele ainda não existir, e promove a sua divulgação através de um «link» num «post» fixo do blogue.
 
4. A actualização do blogue fica a cargo da turma participante, que poderá recorrer ao Blogue Aventar sempre que houver necessidade.

5. Periodicamente, o Blogue Aventar destacará uma das turmas participantes através de um «post».

6. O Aventar poderá recorrer a um ou mais elementos exteriores para a escolha do blogue vencedor. Esse(s) elemento(s) serão membros de reconhecida capacidade ligados ao mundo das escolas e/ou da blogosfera.
 
7.  Todas as turmas participantes terão direito a um diploma de participação.
 
8. As candidaturas podem ser apresentadas até ao final da segunda semana do 3.º Período.
9. Os resultados do Concurso «Blogues Escolares» serão divulgados no Blogue Aventar durante a última semana do ano lectivo.
 
10. O Concurso «Blogues Escolares» terá carácter anual.
 
Explicação geral da iniciativa aqui.
Turmas participantes aqui. 

 

Gripe A: À dose

Afinal a vacina é só para tomar uma dose, ao contrário do que se dizia e fazia há um mês atrás, em que eram precisas duas doses.

 

Isto não ajuda nada, a credibilidade e a confiança andam muito por baixo, e as pessoas vão começar a pensar que isto de cientifico nada tem, agora é só uma dose porque não há vacinas para todos.

 

Entretanto a febre tambem é à dose, de manhã em casa as crianças não têm febre, na escola passam a ter e no centro de saúde já não têm. Isto reforça a desconfiança.

 

Trezentos alunos no Distrito de Aveiro foram mandadas para casa, após as escolas constatarem que as crianças estavam febris, o que nuito preocupou os pais, que de imediato foram aos centros de saúde que verificaram não haver o quadro febril o que muito zangou os pais.

 

Se as crianças não fossem mandadas para casa, teríamos por aí acusações de desleixo, assim como as escolas jogaram pelo seguro, aqui del-rei que que as escolas querem é fechar as portas e ir de férias.

 

O pânico está a tomar conta das pessoas e não é à dose o que é a pior notícia.

 

«Isso era o que você queria. O meu pai é que lhe paga o ordenado!» («estórias» do ensino privado)

Eis uma frase que foi dita por um aluno a uma amiga que lecciona num colégio privado do Porto. A frase surge num contexto óbvio: a professora chamava a atenção ao aluno e ameaçava-o de ter negativa no final do ano se continuasse a comportar-se daquela forma.

Como é óbvio, na generalidade das escolas privadas os clientes, perdão, os alunos, sabem que têm as «costas quentes» e que, fazendo muito ou fazendo pouco, passam sempre com excelentes notas. Nos bons colégios privados, mesmo bons, não acontecerá isso – o aluno fraco simplesmente é convidado a sair, para que não estrague as médias do colégio. Mas na generalidade dos colégios, a situação que relato é o dia-a-dia.

Num colégio privado, as boas notas estão garantidas.