O PS não terá que mudar o primeiro ministro?

Não podemos continuar a fazer de conta que não existem estas suspeitas contínuas em relação a José Sócrates. Qualquer um se estivesse em condições de o fazer daria explicações públicas. José Sócrates já não tem condições para voltar a dar explicações.

 

Quem é que acredita que agora este caso das escutas do Face Oculta é novamente uma campanha negra contra a sua pessoa ? Com tantos pesos pesados socialistas, como é possível que alguem que é apanhado no "olho do tufão" pode dizer que não sabe de nada ?

 

Se a isto juntarmos todos os casos em que Sócrates  está envolvido e em que teve que dar explicações públicas a credibilidade não é nenhuma.

 

Paula Teixeira da Cruz acaba de dizer na SIC N que isto é o "Estado gangster", que é o próprio Estado que comete os maiores crimes e que depois controla quem o devia julgar. Dá o exemplo de um contrato com as  Estradas de Portugal, onde um consórcio dá como contrapartidas 200 milhões de euros para ganhar o concurso, e quando o contrato chega ao Tribunal de Contas, pelo caminho, os 200 milhões desapareceram. Este caso não é único!

 

Saldanha Sanches diz que José Sócrates não tem condições de continuar Primeiro Ministro, o PS ganhou as eleições tem direito a indicar o Primeiro Ministro mas não necessariamente este.

 

O PGR é cilindrado por um e por outro, envolve-se em contradições que não abonam em nada a sua capacidade e independência em ocupar o lugar.

 

Entretanto, na Assembleia da República, perante a exigência de explicações, o líder parlamentar do PS, pateticamente, vem acusar a oposição de querer politizar a Justiça!

 

Um Primeiro Ministro sob suspeitas é um caso eminemtemente político e só depois deixe-se a Justiça fazer o seu caminho.

A ilegalidade das escutas não absolve Sócrates

A primeira decisão que José Sócrates deve tomar é exigir que as escutas sejam analizadas e delas se tirarem as devidas conclusões. Não me estou sequer a referir se têm ou não validade criminal, estou a dizer que um Primeiro Ministro não pode aceitar que o seu nome ande, permanentemente, sob suspeita.

 

A comunicação do Procurador Geral da República esconde mais do que mostra, seguida das palavras atabalhuadas do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, ficando no ar que as gravações há muito que andam na dança dos gabinetes.

 

Noronha diz que está sujeito ao segredo de justiça e que só o PGR poderá falar sobre o caso. Este enrola-se nas certidões primeiras, no conjunto de nove, mais não sei quantas e tudo morre como é habitual.

 

Após todos os processos, ou casos, ou campanhas negras em que Sócrates se vê envolvido há sempre gente de família, ou grandes amigos ou assessores que são arguídos .Quanto a Sócrates há sempre uma barreira que impede chegar  mais próximo dele, como se "a sucata" que os familiares e amigos fazem, fosse possível, sem essa condição.    

 

 Sócrates estar por perto e ser quem é!

 

 

 

 

 

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A inexistente Censura

  

 

Todos os testemunhos fotográficos testemunharam a imponência dos funerais do rei D. Manuel II. Assustando o "regime da situação" na sua nova vertente de salvação do 5 de Outubro, comboios encheram-se de gente que de todos os pontos do país afluiu à capital, prestando aquela que desde o Regicídio, seria a maior homenagem pública de que havia memória. O corpo do rei esteve exposto em S. Vicente por um dilatado período de tempo, tal a dimensão da manifestação de pesar. Isto encontra-se testemunhado por reportagens imparciais, nacionais e estrangeiras, que além de centenas de fotografias e de milhares de cartas trocadas, consistiram numa justa homenagem ao monarca que ficou conhecido pelo Patriota. 

 

Apesar desta bem conhecida verdade dos factos, ontem, tal como hoje, existia uma censura que distorcia a notícia, calava as consciências e ameaçava pelo descarado despudor e manipulação. Assim, a imprensa oficial da 2ª república fazia difundir a velada ameaça, susceptível de ser lida nas entrelinhas. Dizia que …"os últimos chapéus altos da monarquia estavam presentes em S. Vicente de Fora. No Terreiro do Paço, toda a causa monárquica cabia em dois automóveis modestos."

 

Quando figuras do regime – como Mário Soares – tentam a todo o transe demonstrar o "monarquismo" do Estado Novo e e a inexistência de uma situação de república no Portugal de 1926-74, a linha editorial prosseguida durante mais de quatro décadas, desmente as patéticas, mentirosas e abusivas alegações. São bem conhecidos os movimentos policiais em torno da rainha D. Amélia, quando a soberana visitou Portugal em 1945. Escassas notícias publicadas pelos jornais da "situação" e do tolerado "reviralho", impedimento da divulgação de toda a agenda oficial da rainha, a sua discretíssima chegada de comboio à Estação de Entre-Campos (Lisboa), a gorada insistência em apartar D. Amélia do contacto popular. Conhece-se a carta da rainha a Salazar, em que esta alfinetava graciosamente o presidente do Conselho, salientando a constante "companhia" da indesejada PIDE, a policia política do regime. Apesar de tudo, as enormes manifestações populares de regozijo nas ruas, montras do comércio no país e em todos os locais onde D. Amélia se apresentou, desmentiram e assustaram o regime do poder e da sua oposição: o regime oficial da 2ª república e os dejectos sobreviventes da 1ª que para cúmulo, seis anos depois seriam ambos ultrajados nas ruas de Lisboa, quando do funeral da rainha. Centenas de milhar de pessoas invadiram as ruas, ultrapassando a presença popular nas pompas fúnebres de D. Manuel. Nunca mais se viu tal manifestação de pesar em Portugal.

 

No dia em que a oficialmente inexistente censura actua uma vez mais, convém recordar, pois este Centenário da República não passa da consagração da miséria mental a que este país chegou. Da descarada esquerda à cobarde e colaboracionista direita.

 

Um dia destes, ainda ouviremos os senhores Cavaco ou Soares perorar acerca da bandeira que durante mais de quatro décadas esteve hasteada na sede da PIDE, na Rua António Maria Cardoso. Ficaremos a saber que "oficialmente" a bandeira verde-vermelha não era a da república, mas talvez, a da Casa Gucci. Que gente…

 

 

E que tal um pouco mais de celeridade?

Só na próxima semana o Procurador Geral da República vai iluminar o país em relação às certidões extraídas do processo "Face Oculta", em relação às conversas escutadas entre José Sócrates e Armando Vara.

 

O caso, pela complexidade e importância, deve ser tratado com todo o rigor, daí o envio das escutas para o Supremo Tribunal de Justiça. Até aqui, nada a dizer. Todo o cuidado é pouco e nestas coisas não se pode falhar.

 

Convinha, no entanto, dar alguma celeridade a estes processos. Não por envolver pessoas influentes, importantes e dirigentes políticos. E, sim, porque envolve pessoas influentes, importantes e dirigentes políticos. Parece contraditório e é. A questão é que estas pessoas influentes, importantes e que são dirigentes políticos têm muito a ver com o destino de todos nós.

 

Apesar de tolhido num certo estupor que nada tem de racional, ainda para mais em tempo de crise, o país precisa de ter respostas muito em breve.

Coisas Que Me Confundem, Muito! (Parte Dois)

.PARADAS?, OCULTADAS!

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.Nove certidões do FACE OCULTA estiveram paradas (ocultadas, escondidas, sonegadas, disfarçadas, subtraídas) quatro meses na PGR.

Foi por causa das eleições?

Mas que grande lata que estes senhores têm!

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Coisas Que Me Confundem, Muito!

O ENVELOPE DO DR VARA

O sr dr Armando Vara, pessoa muito importante, com múltiplos e bons conhecimentos em tudo quanto é empresa, e também em todos os lugares de decisão a nível nacional, amigo pessoal do nosso Primeiro, Sócrates II, o Dialogador, vice presidente do BCP, ex-administrador da CGD, ex-deputado pelo partido Socialista, ex-secretário de Estado e ex-ministro, com um vencimento chorudo e com bons rendimentos globais, suja-se e é apanhado por causa de uns míseros dez mil euros?

Que oculta esta face?

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Após "Face Oculta " o país nunca mais será o mesmo

Afinal tambem temos um primo de José Sócrates na parte oculta das empresas do Estado. Com o tio e os primos do Freeport agora temos uma prima casada com um administrador apanhado nas escutas.

 

Entretanto, há diversas obras públicas na esfera da Estradas de Portugal, violentamente criticadas pelo tribunal de Contas. As empresas privadas são as  do poderoso "lóbby" do betão, que avançaram com as obras sem visto do TC, havia que mostrar trabalho antes das eleições. Quanto custa ? Ninguem sabe!  O que se sabe é que as condições do processo "contentores de Alcântara" foram alargados para estes contratos das autoestradas, se não forem lucrativos paga o Estado. Isto é, o risco por conta do Estado!

 

O Presidente da República, na inauguração de mais uma fábrica de celulose/ papel ali em setúbal, torna a chamar a atenção para a evidência que só Sócrates e estas redes tentaculares fazem de conta não perceberem. Os megainvestimentos são um crime nacional nas presentes condições, há uma dívida externa colossal, a despesa pública já ultrapassa os 50% d0 PIB.

 

Mérito haveria se as Pequenas e Médias Empresas, de bens transaccionáveis e exportáveis, fossem fortemente apoiadas, substituindo importações, criando postos de trabalho douradoiros e não trabalhos por cinco anos, com um custo elevadíssimo, que só os pobres estão dispostos a pagar. Grande parte dos investimentos são importados, agravando a dívida e criando postos de trabalho,isso sim, na Alemanha e na Holanda.

 

Estará Sócrates a preparar o após governação, agradando aos colegas europeus poderosos que definem "quem é quem " na UE ?

 

Entretanto, os muitos mil milhões de euros metidos no BPN patinam, ninguem está disposto a pagar a ladroagem , compram pelo preço de mercado não pelos prejuízos acumulados.

O BPP entrou em hibernação a ver se passa e o BCP lá anda com o dinheirinho da Caixa Geral de Depósitos e com os administradores muito propositadamente transferidos.

 

O Freeport era uma campanha pessoal, e agora a "Face Oculta" com todas estas empresas e estes socialistas, também é pessoal?

Face oculta – as escutas são entre amigos

Sócrates falou ao telefone com um amigo e vai continuar a falar sempre que lhe apetecer. Eu por mim acho bem, mas as escutas não são por serem entre amigos, são por serem entre duas pessoas que falam do negócio da TVI, a tal que atacava Sócrates e que ele silenciou.

 

O filho tambem falava ao pai todos os dias, não para lhe pedir a benção, isso acho bem, mas para lhe dizer que a sucata já brilhava.

 

O Vara falava aos amigos colocados nas empresas públicas, não para saber se estavam com gripe A, o que eu perceberia, mas para lhes dizer que se deviam comportar com o sucateiro como se ele fosse um ourives.

 

Este Sócrates é capaz de fazer de nós "um grupo de amigos do Freeport" e colocar-nos "enrolados" na licheira da Cova da Beira, tudo com a benção da decência e da verdade!

O que faz pela vida é que está preso?

A operação Face Oculta ainda vai no começo e já tem uma particularidade. O único arguido preso é o "civil", o que tinha que fazer pela vida, tinha que facturar, pagar salários.

 

Como diz o seu advogado " eram operações de marketing", tentava abordar quem tinha poder de decisão,  quem podia facilitar os negócios da sua empresa.

 

Se estas "operações de marketing" fossem feitas junto de empresas privadas, o sucateiro de Ovar teria cometido algum crime? Certamente que não! Almoçar e fazer negócios é o que fazem todos os empresários, tentam vender os seus serviços, os seus produtos, não conheço outra maneira de fazer negócios, chegam mesmo ao desplante de entrarem em nossa casa pela televisão, com conversa de "encher", tentam aliciar-nos com  umas miúdas giras, com descontos , com mentiras sobre os produtos.

 

E alguém vai preso?

 

Então, este empresário que andava a contactar gente que lhe podia abrir portas para facturar e pagar salários, está preso porquê ? Porque pagava a gente que é governante e a gestores de empresas do Estado, assim viciando as regras a que o sector Estado está sujeito! Mas se pagava alguem terá recebido ! Se viciou as regras do Estado como o faria não estando lá "dentro"? Por intrepostas pessoas que estavam lá "dentro" e que tinham acesso aos comandos.

 

Então porque razão pode ele fugir e os outros, com uma carga de culpa muito maior, não podem fugir?

 

Então e os outros ?

Faces

No 31 da Armada descobriram hoje uma explicação para o nome da operação Face Oculta, e comenta-se o facto de só agora a imprensa nacional o ter percebido.

No dia 2 de Novembro já tinha lido isto:

"O criativo que escolhe os nomes para as buscas policiais merece um Óscar. É preciso uma grande imaginação para ir roubar a designação da operação sucateira a uma conhecida casa de meninas da zona de Aveiro. Se a moda pega…"

onde também se pode ler isto:

"O jornalista [Rui Avelar]do Campeão das Províncias é o primeiro a destacar a referência ao Primeiro Ministro no âmbito do Face Oculta."

O Sexo e a Cidade é um excelente blogue de Coimbra, e este processo é muito Coimbra-Aveiro, o que há em pouca gente em Lisboa a dar por isso. Também ali li esta, com que remato o meu ataque de bairrismo agudo:

"COMÉDIA LOCAL

A maioria dos jornais nacionais tem publicado as notícias sobre os arguidos de Coimbra nas seccões de Economia e Justiça. Se eles tivessem uma pálida ideia da realidade local, teriam optado por colocar a informação nas páginas de saúde e lazer."

De resto, se mais não tenho aventado sobre o dito processo é por receio de ser interpretado pelos meus colegas como abusando de comentários sobre a minha aldeia num blogue nacional…

Mário Crespo – Os Intocáveis (a propósito da Face Oculta)

O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira – se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa.

Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça.

 

O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação. Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (…)". O "Senhor jornalista" provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport.

 

Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca.

 

 

 

 

A Vergonha Instalada em Portugal

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ELES SÃO TANTOS!

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Portugal é um País envergonhado.

São cada vez mais os implicados, ou supostamente implicados, ou alegadamente implicados, ou moderadamente implicados, no processo chamado "face oculta". E, neste caso, o mais importante não será a fraude, ou o dinheiro que circulou escondido, ou os carros que serviram de presentes pelos favores recebidos ou a receber. O mais importante é o nível dos responsáveis. É que eles são muitos e estão nos mais altos cargos da economia do nosso País.

Portugal é um País envergonhado.

Não por existir este caso, face oculta, mas pelos muitos, demasiados casos ocultos, de fraudes, de luvas pagas, de favores, de corrupção, e de roubos, de colarinho branco, azul ou vermelho (que os há de todas as cores e para todos os gostos).

Portugal é um País envergonhado.

Mas continuamos a aceitar estes senhores. Continuamos a votar neles. Continuamos a querer ser ricos, depressa e a mal ou a bem, e a aceitar como evidente e fruto dos espertos, estes malabarismos mal cheirosos.

Portugal é um País envergonhado.

Mas os Portugueses não parecem ter vergonha. Poucos são os que realmente lutam contra este estado de coisas. O nível moral dos nosso concidadãos, está pelas ruas da amargura. Os culpados que toda a gente conhece, raramente vão presos. Têm muito dinheiro e influência.

Veja-se este caso chamado "Face Oculta". Só o sr Godinho, o menos influente de todos os implicados, ou alegadamente implicados, ou supostamente implicados, está preso preventivamente. Então e os outros? Como de costume, estão muito sossegados, na frescura dos seus gabinetes ou no quentinho das suas casas. Ren, Refer, EDP e Galp, são as empresas que giram na órbita do estado, e cujos altos dirigentes estão implicados, ou alegadamente, ou moderadamente, ou supostamente, nos negócios escusos do sr Godinho, mas que estão calma e descontraidamente em casa, enquanto o dono das Sef, 02 e outras, está em prisão preventiva. Claro que sabemos que o sr Godinho poderia fugir do País e por causa disso está preso, e que os altos dirigentes das outras empresas implicadas, ou alegadamente ou supostamente implicadas, não precisam de fugir já que nada de mal lhes irá acontecer, apesar de poderem vir a ser acusados de corrupção, de tráfico de influências, de participação em negócios ilícitos e de associação criminosa.

E isto, realmente envergonha Portugal. e envergonha ainda mais porque sabemos que não é caso virgem e, em todos os casos que se vão conhecendo por aí, e são já muitos, ainda não vi mais de um ou dois a serem presos. Mas experimentem roubar um pão, ou uma pasta de dentes, ou uma peça de fruta, ou ainda, ficar a dever ao Estado um ou dois euros. Espera-os a cadeia nos primeiros casos e a penhora de bens no último.

A nossa justiça é uma trampa. Não funciona bem, nem sequer celeremente, a não ser contra os fracos e pouco influentes, e nenhum dos nossos mandantes quer ver este drama mudado. É que amanhã podem ser eles a ser apanhados e não convém mesmo nada que a justiça funcione.

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Eis a procuradora que está investigar Vara e Penedos

Como é que não fico admirado?

Sócrates e Vara: Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és

Provavelmente, nada acontecerá a Armando Vara, apesar de ter sido constituído arguido no âmbito da operação «Face Oculta». A Polícia Judiciária e as primeiras instâncias do Ministério Público e dos Juizos fazem o seu papel mas, quando entram em cena outras figuras, mais graúdas, os processos simplesmente são travados. Daí até à prescrição ou ao arquivamento, vai um pequeno passo.

Para a Justiça portuguesa, os poderosos nunca são culpados. Corrupção ou tráfico de influências? Veja-se Lopes da Mota.

Quanto a Armando Vara, todos se lembram da forma como foi obrigado a demitir-se do Governo por causa da Fundação para a Prevenção e Segurança e das irregularidades cometidas. Nada que o tenha afectado especialmente – regressado à Caixa Geral de Depósitos, passara automaticamente de simples empregado de balcão a Administrador do Banco.

Alguns anos antes, em 1990, criara a Sovenco – Sociedade de Venda de Combustíveis. Como sócios, José Sócrates e Virgílio de Sousa. Curiosamente, estão todos a contas com a Justiça em processos de corrupção – Vara com a «Face Oculta», Sócrates com o Freeport, Virgílio de Sousa já condenado a prisão por corrupção no Centro de Exames de Condução de Tábua.

Todos estes escândalos acabaram com a carreira política de Armando Vara, mas nem por isso a sua influência política diminuiu, traduzida agora no mundo dos negócios. Da Caixa Geral de Depósitos, passou para o BCP pela mão de José Sócrates. Já estava no Banco privado quando foi promovido, na Caixa, à categoria mais elevada do vencimento, com efeitos a partir do momento em que regressar. Sim, porque antes de sair foi-lhe concedida uma licença sem vencimento.

E agora isto. 

Através de escutas e movimentações da conta bancária, o Ministério Público tem provas de que Armando Vara recebeu 10 mil euros para intervir directamente junto do ministro Mário Lino na entrega de negócios a grandes empresas privadas.

Haverá certamente uma justificação, porque, como é óbvio, estamos em presença de mais uma campanha negra.

E Mário Lino?