Conversas vadias 13

A décima terceira edição das “Conversas vadias”, andou à volta de cabras, cabritos e cabritas, Sporting, festa, tesão, Palestina, polícia, tomates, F. C. Porto, final da liga dos campeões europeus, Amorim, Benfica, Luís Filipe Vieira, audição parlamentar (ou para lamentar?…), João Cotrim Figueiredo, Iniciativa Liberal, soundbite, Mariana Mortágua, Paulo Querido, João Galamba, Twitter, Fátima, lenços brancos, Jesus, Maria João Abreu, carpe diem, Branca de Neve, Marretas, Astérix, Fausto, U2 e museus.

Quando aos vadios: António Fernando Nabais, Fernando Moreira e José Mário Teixeira.

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Conversas vadias 13
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É tudo muito liberal, mas…

… quando o assunto é o capital, a coisa muda de figura.

A prestação do deputado João Cotrim Figueiredo, da Iniciativa Liberal, durante a sessão de inquérito de ontem, em que foi ouvido Luís Filipe Vieira, para mim não foi uma desilusão. Porquanto, só se desilude quem iludido está.

Antes, foi uma confirmação do que eu penso da Iniciativa Liberal: “vinho novo em odres velhos”.

Por isso, quanto ao que aconteceu ontem na audição parlamentar de Luís Filipe Vieira a instâncias de João Cotrim Figueiredo, eu até poderei ser suspeito para falar do deputado da Iniciativa Liberal.

Mas, o nosso Fernando Moreira de Sá, não

Aquela tentativa, a que o nosso Francisco Salvador Figueiredo chama de momento de humor, por parte de João Cotrim Figueiredo, ao dizer “Nesta segunda ronda vou aproveitar para fazer a segunda pergunta que os portugueses mais querem saber, sendo que obviamente a primeira é saber como é que se gasta 100 milhões numa época e se fica em terceiro“, foi infeliz, mas propositada.

Enquanto português, por mim, o Benfica até pode gastar 500 milhões e ficar em último: desde que nenhum desse dinheiro saia do meu bolso ou do Orçamento do Estado, é-me totalmente indiferente.

Falo por mim, sabendo que falo, também, o que muitos outros portugueses pensam. Incluindo liberais, que defendem que tal matéria diz respeito aos privados e não ao Estado.

A questão é que com essa espécie de humor, João Cotrim Figueiredo acabou por brincar numa audição de uma comissão de inquérito, que visa, também, apurar quem e como enriqueceu à custa do empobrecimento de um povo. E, quando a Iniciativa Liberal, tanto apregoa moralismo sobre como se gasta ou deve gastar o dinheiro público.

Então, qual foi o propósito de  João Cotrim Figueiredo, ao brincar com um assunto grave e num momento sério, e que deveria ser caro à Iniciativa Liberal?

Não tenhamos ilusões: para conseguir mais um “soundbite”.

Porque, no fim de contas, é a isso que a Iniciativa Liberal se resume: cartazes e “soundbites”.

Mas, não pode brincar com coisas sérias? [Read more…]

Afinal é mentira, aldrabice, inveja, preguiça; ou leve 4 pague 1?

Há quem ache que quantidade é sinónimo de qualidade. E não estranha, não viesse tal devaneio de alguém que defende a acumulação de capital. Logo, quanto mais, melhor.

Mas vejamos: 3 anos nos cafés, 6 anos nos sumos de polpa, 6 meses a deter o BPP, 1 ano e meio na TVI, 2 anos no Turismo de Portugal e mais uns pares de anos em empresas de investimento e recursos humanos. Ou estamos a falar de alguém extremamente competente (e eu não duvido) em variadas áreas que nada têm a ver umas com as outras, ou de um saltimbanco.

Podemos dizer que a personagem em causa é um precário dos empregos de alto gabarito. Depois da “discriminação contra investidores bolsistas”, a precariedade dos nascidos em berço de ouro.

Comovente.

inserir arco-íris, gambuzinos e unicórnios liberais

Mas em que ficamos? Trata-se de mentira, aldrabice, inveja ou preguiça? Ou tudo isto e mais alguma coisa?!

A verdade da mentira – e variações em sol maior

Paródia liberal (imagem retirada dos confins da internet)

Antes de acusações de mentira, desonestidade e argumentos cheios de nada, vale mais cingir aos factos.

Aparentemente, ontem menti, num texto dirigido ao deputado único do Iniciativa Liberal, depois da sua triste figura na Comissão de Inquérito Parlamentar, enquanto questionava o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira. Só que tenho de deixar escapar uma inconfidência: não menti.

De facto, João Cotrim Figueiredo foi CEO da PH (Privado Holding) durante 6 meses, em 2009. De facto, em 2008, o banco pediu 750 milhões de euros ao Estado, tendo recebido 450 milhões (sim, foi antes da entrada do CEO do IL, mas não vejo no que é que isso muda todos os outros os factos). De facto, João Cotrim Figueiredo era CEO do banco durante o processo de reestruturação. [Read more…]

What a Wonderful World

João Cotrim Figueiredo, deputado do IL (Iniciativa Liberal), que em 2008, na qualidade de administrador da PH (Privado Holding), detentora, na altura, do BPP (Banco Privado Português), pediu ao Estado 750 milhões de euros (tendo recebido 450 milhões) e que uns anos depois, na qualidade de deputado, afirmou que “o Estado não pode salvar bancos”, está a questionar Luís Filipe Vieira acerca das suas dívidas ao Novo Banco.

«The colors of the rainbow, so pretty in the sky
Are also on the faces of people passing by
I see friends shaking hands, saying “How do you do?” They’re really saying “I, I love you”»

Imagem retirada da página “Uma página numa rede social”, no Facebook.

João Cotrim Figueiredo tem razão

Efectivamente, embora por outras razões, o OE suplementar é “complicado, incoerente e opaco”.

Não é tarde para um obrigado

[Francisco Salvador Figueiredo]

Penso que num país em que tudo é demorado, me vão perdoar um pequeno atraso em relação ao assunto que abordarei. Hoje, irei debruçar-me principalmente sobre a estreia de três partidos na Assembleia da República. Temos um partido extremista, o Chega e a Iniciativa Liberal. Ah, o partido extremista é, obviamente, o Livre.

Mas antes de tudo, comecemos pelos partidos do costume. Temos um PS a repetir a mesma estratégia, só que com mais gente ainda. O PS faz lembrar aquelas crianças que irritam os pais um bocado e depois vão irritando cada vez mais para ver os limites. Neste caso, o pai é o povo português. Um pai demasiado passivo, diga-se.

Agora, tempo para elogiar uma nova cara na Assembleia, uma verdadeira oposição ao Governo. Estamos a falar do irreverente Rui Rio, que depois de meses a fazer campanha ao PS, assumiu a presidência do PSD e tornou-se numa voz ativa contra o governo. Não gosto de Rui Rio, ideologicamente. Mas tenho de lhe tirar o chapéu. Sempre foi sensato no que disse, sempre seguiu a sua cabeça e nunca teve medo de elogiar algo por não ser do seu partido. Na Assembleia, teve uma postura exemplar, ao tocar em pontos frágeis como, por exemplo, a situação do Hospital S. João, mas mesmo assim não caiu numa tendência populista e demagógica.

O CDS? O CDS pecou pela forma que abordou estas eleições. Quis agradar a todos os lados, não assumindo uma posição de direita firme. Desta forma, perdeu votos para outros partidos de direita. Neste momento, são 5, mas continuam a ser partido do Taxi. No entanto, são aqueles para 6 pessoas. O outro lugar é para chamar a atenção do André Ventura (Chega) ou João Cotrim Figueiredo (IL). Só pode…

Bloco e CDU continuam rigorosamente na mesma, sendo que o Bloco a cada ano que passa está cada vez mais extremista e a revelar a verdadeira pele. Livre? As pessoas que votaram Livre não se podem dar por desiludidas. Queriam aquilo e assim está. Joacine continua fiel às suas ideias, não alterando a forma de estar apenas por ter sido eleita. É de louvar. Mas não é por isso que deixa de ter um discurso ressentido, fraco e inútil. O que Joacine quer não é igualdade de tratamento entre raças, mas sim transformar as raças todas iguais. Há um discurso de ódio contra os portugueses. A minha questão é: Se eu achasse que os negros são contra os brancos, porque razão eu iria para o Ruanda defender uma suposta minoria branca? Não faz sentido. Em relação à gaguez, eu não sou terapeuta, por isso a minha opinião não interessa. No entanto, Joacine faz-me lembrar aqueles jogadores de futebol que fintam meio mundo e depois falham de baliza aberta. Uma pessoa até pensa que ela pode vir a dizer algo bom, mas acaba sempre por dizer algo mal. Em relação a este assunto, a direita, mais uma vez, consegue estar mal. O que tem de ser usado como argumento não é a gaguez da Joacine, mas sim as suas propostas.

Chega. Começou por parecer um partido de extrema-direita, mas depois desta campanha já se percebeu que é uma simples direita conservadora. Não me parece que tenha uma força construtiva, mas sim uma força destrutiva. A intervenção de André Ventura na Assembleia não foi uma defesa do Chega, mas sim um roast total ao PS. Nesse aspeto, esteve bem, mas parece pouco para um Partido. [Read more…]