Ainda veremos o exemplar Dias Loureiro ser elogiado pelo primeiro-ministro

joao rendeiro novo banco

Um absolvido  de burla qualificada no BPP foi convidado para comentar venda do Novo Banco aos chineses. (via)

Perdoa-me

Enquanto uns lutam por perdões de dívida, outros conseguem-no nos tribunais portugueses. Hoje foi a vez (outra vez) de João Rendeiro. A culpa continua a morrer solteira.

No país onde a culpa morre sempre solteira

banksters

O timing para a absolvição foi perfeito: o ciclone Jorge Jesus a levantar telhados na segunda circular, a FIFA a arder – e para apimentar a coisa parece que a ex-namorada de Cristiano Ronaldo é também ex-namorada de Sepp Blatter, grande cena –  PS e PSD/CDS-PP a esgrimir propaganda, e eis que no meio do caos mediático uma nova culpa se prepara para morrer solteira.

Afinal, e à semelhança de outros bons rapazes como Oliveira e Costa, Dias Loureiro ou Ricardo Salgado, também João Rendeiro e restante comitiva do BPP são inocentes relativamente às acusações de burla qualificada no caso Privado Financeiras. João Rendeiro nem sequer apareceu à leitura do acordão, estava fora do país, não era nada com ele. E se estivesse seria igual. Neste país, o banqueiro é sempre inocente e o povo é sempre sereno.

E por falar em pessoas inocentes, parece que o 44 vai ser transferido para domiciliária. Será que ainda vem a tempo das presidenciais?

Também alegadamente, no inferno só há santos

Juiz diz que queda do BPP se deveu à crise mundial
João Rendeiro foi esta semana absolvido de um processo em que era arguido como administrador do Banco Privado Português, posição através da qual controlava a Privado Financeiras, a financeira que desde 2004 detinha o próprio banco.
(…)
O processo crime da Privado Financeiras (PF), que neste momento está a ser julgado em Tribunal e no qual são arguidos Rendeiro, Fezas Vital e Guichard, acontece porque o BPP terá convencido clientes a apoiar um reforço de capital da PF, numa altura em que o veículo estava já deficitário, alterando alegadamente as contas. Este reforço nunca terá sido utilizado nas novas aplicações mas apenas para que se pudesse pagar dívidas à banca. [Económico]

Possivelmente até, o tribunal ainda vai concluir que a culpa da falência do BPP foi dos depositantes, porque, afinal, foram eles que lá meteram o dinheiro. Não tivessem esses maladros tirado o dinheiro do colchão para o meter no banco e não teria o pobre do Rendeiro caído na tentação do crime, perdão, não teria a crise mundial levado as poupanças.

O país hipócrita de João Rendeiro?

Engraçado. Lembrei-me logo da hipocrisia ortográfica.

Muitos Anos Depois

Muitos anos após Bernard Madoff condenado, um juiz de instrução português, Carlos Alexandre, emite o despacho de pronúncia dos arguidos João Rendeiro, Salvador Fezas Vital e Paulo Guichard. Fontes seguras garantem que também vão prá Ponte marchar que não há direito. A Constituição consagra o direito inalienável de um cidadão livre e injustiçado ir para um local autorizado arrancar do peito a angústia que o vare. Se quer ir para um local à revelia da lei e da razão, deus o guarde e proteja. Eu vou gritar do meu sofá: «Passos, Palhaço, País feito em pedaços!» «Corja Chupista, finou-se o teu alpista!».

O crime compensa, ou nem é crime

João Rendeiro, o nosso Madoffezinho, queria que o banco que levou à falência lhe pagasse “4,25 milhões de euros, mas na lista entregue pela comissão liquidatária ao tribunal são reconhecidos apenas 25,19 euros”. A natureza é compensadora, e a  “sociedade Zenith SGPS, criada em maio de 2004 e presidida por João Rendeiro, que reclama uma dívida de 31,8 milhões de euros junto do BPP, viu ser reconhecido pela mesma comissão um montante superior em mais de 3 milhões de euros ao que era pedido, ascendendo a um total ligeiramente superior a 35 milhões de euros.” Esta conta o Expresso.

O Público descobriu uma trafulhice fiscal do Santander Totta, que passa pelo Luxemburgo, Londres e a Caimão do costume. Não é bem uma trafulhice, o esquema é legal, e permite a uns fugir aos impostos que pagam os outros.

E por aqui me fico, até tenho medo de olhar para outro jornal online hoje.