Maria de Lurdes Rodrigues foi hoje a enterrar

O cadáver estava putrefacto há vários anos, mas mesmo assim continuava a ser profanado constantemente.
Hoje percebeu-se. Faltava um último exorcismo antes que pudesse finalmente descansar.
Paz à sua alma.

O livro da Ministra dos analfabetos

Fará no domingo um ano que comecei a escrever no Aventar, afoitando-me com uma enorme falta de jeito a  comentar um livro de Maria de Lurdes Rodrigues que acaba de ser lançado hoje.

Cada vez me dou pior com os livros, e desculpem a inexactidão: um livro de Miguel Real intitulado A Ministra onde se ficciona a vida e má obra da anterior Ministra, agora mais vocacionada para as relações luso-americanas, vulgo ganda tacho.

Desculpem lá outra vez: Miguel Real sempre disse que se tratava de uma obra de ficção, e estou baralhado porque a ex-ministra que iniciou o processo de privatização da escola pública agora em pleno progresso mega-agrupamental, acaba de lançar um romance a que chamou “A Escola Pública Pode Fazer a Diferença“. E fazia Maria de Lurdes e Valter Lemos, fazia antes de vocês terem chegado com a missão de a reduzirem a empresa privatizável, e até rentável, pague-se aos que nelas trabalham o que vocês deixam que os municípios paguem aos monitores das AEC, faça-se dela um armazém de miúdos com vagas funções estatísticas.

Quanto ao resto, como diz o Paulo Guinote:

Que Maria de Lurdes Rodrigues deixe um livro como testemunho da sua obra é bom, excelente mesmo. Porque se tornará muito mais fácil analisar o período que ainda estamos a viver e ter alguém que assume o que (des)fez.

ADÃO CRUZ Um gesto de silêncio

         III VOL.

Caros amigos

 Acaba de ser editado o meu sétimo livro, o quarto de pintura e o terceiro deste conjunto de três, com o mesmo formato mas com subtítulos e cores diferentes.

 O livro teve o apoio da Fundação Ilídio Pinho, da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e da Ordem dos Médicos.

 Gostaria muito de o oferecer a todos os amigos, mas, como devem compreender, isso não é viável, pois são edições que ficam muito caras.

 Se, eventualmente, o quiserem adquirir para vós mesmos ou para oferecer, o que muito prazer me dá, podem pedi-lo a edicoes.engenho@gmail.com

 Como o livro não tem fins lucrativos, foi estabelecido o menor preço possível, de 30 euros.

 Um grande abraço do amigo

 Adão Cruz

Sinfonia da Morte – O livro sobre o regicídio!

Sinfonia da Morte, livro escrito pelo ex-aventador Carlos Loures é objecto de uma belíssima apreciação crítica de Sílvio Castro,  indutora de leituras várias e enriquecedoras do livro. Profundo conhecedor do escritor,  o crítico, liga os labirintos, mas sem nunca nos oferecer a saída.

Duas históricas que correm a par, entrelaçando-se, em planos distintos no mesmo tempo mas em espaços diferentes. Tendo como motivo central o regicídio de D. Carlos e do príncipe herdeiro, disseca os vários grupos em confronto naqueles tempos em que campeava o “revolucionário” capaz de matar com as mais sinistras figuras do submundo.

O Aventar já apresentou o livro publicando vários excertos .

A não perder!

PS: Sílvio Castro é um escritor e cadémico Brasileiro professor na Universidade de Pádua.

Uma Nova Revolução

Filosofia de bolso (11)

Para quem gosta de sonhar, ler um livro é óptimo.

Para quem gosta que lhe contem um sonho, o melhor é ir ao cinema ver a adaptação do livro.

Poesia – Vem Por Aqui

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Vem por aqui

Desenhar meus pés

E derrubar obstáculos

Vem para aqui

Apreciar as marés

E curar meus cansaços

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Vem amar o longe

A minha loucura

A minha ironia

E o mundo a que subi

Faz de mim um monge

Deseja-me

Como à fruta madura

Enche-me de amor e sabedoria

Vem comigo

Não vás por aí

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A caminhar para a miséria

  

In a crashing civilization, being rich just means being the last to 

starve.” Anthony Doerr (US-Writer) 2005

 

 

Pensando na crescente gravidade da nossa situação sócio-económica e vasculhando nos meus arquivos, encontrei um mail com um texto que escrevi em 22.12.2005. Considero que se o tema em 2005 era actual, hoje é actualíssimo.

 

RD

 

P.S. Parece que o livro actualmente já se encontra disponível na Bertrand https://www.bertrand.pt/catalogo/detalhes_produto.php?id=32742

 

 

Rolf Damher – convidado

 

 

 

Da Lurdes e para a Lurdes – do seu livro "Gente d'Além Montes"

A minha alma aprendeu a voar

 

 «Ainda jovem, de feitio um pouco irascível, a minha experiência ainda era pouca em comunicação e tolerância.

Formei-me em Lisboa e os dois primeiros anos de estágio também os passei por lá. Habituada a trabalhar com outros colegas em equipa, lançada para um meio que não era o meu, ao ver-me sozinha, em trabalho isolado, entregue ao meu saber, julguei-me rainha, dona e senhora do meu nariz.

Naquele primeiro dia no serviço de urgência, tive a minha primeira lição, a qual foi a mais proveitosa de todas as que tivera até ali.

Um homem de meia idade, de dedos atarracados e grossos, tocando a mala a tiracolo, acompanhava a mulher espampanante que trazia uma criança ao colo.

Ela senta-se e diz:

– La petite começou com vomissements e viemos ao hôpital para ter a medicin…

Nunca gostei de estrangeirismos e critiquei:

-Fale-me em português, porque a senhora é portuguesa e aqui não é uma casa parecida com maison, com janelas iguais a fenêtres…

A mulher espampanante levanta-se, toca no braço do homem e pede:

– Vamos embora, que esta médica é maluca!

Ao ouvir este comentário, caí em mim…

Reconsiderei e achei que tinha sido muito incorrecta… Lembrei então do que respondeu um homem, de uma raça que não a minha, que veio para Portugal com a descolonização, quando lhe perguntei o que era para ele um médico – Médico… é gente que tem alma a voar entre o Deus e os homes…

Era isso mesmo – pensei – tinha que ser tolerante, compreensiva e acessível. Ter a sábia humildade daqueles que parecem nada saber, para poder voar um pouco e ser aceite.

Naquele dia a minha alma aprendeu a voar… e a comunicar, porque comunicar, mais do que falar, é ouvir deixando falar, sendo imparcial. É saber ver além, além do gesto de súplica de alguém de corpo irrequieto. É olhar, olhos nos olhos, sem magoar rugas profundas de olhos já tão magoados, de secos tornados molhados na solidão. É ser cego e ver o mudo falar. É tocar o outro, dialogar e ter tempo…»

 

(«A minha primeira lição», , do livro «Gentes d’Além Montes», de Lurdes Rocha Girão (1996)

 

 

O caixeiro – viajante

Sempre que passa por aqui é para vender alguma coisa. Aproveita as homenagens que de bom grado o país lhe vai concedendo numa tentativa de o acolher, mas o ódio do senhor não se contemporiza com lamechices.

 

Vive fora do país para mostrar quanto está ofendido, o país não o merece, a não ser para lhe entregar a Casa dos Bicos para lá meter os papéis, que em Espanha, não querem. Está ofendido porque os seus conterrâneos, democraticamente, rejeitaram as suas ideias políticas.Nunca mais esqueceu que um homenzinho de estatura igual lhe fez um agravo escusado, muito semelhante, aliás, ao que ele fez aos seus colegas no Diário de Notícias.

 

Este homem quando se viu com um grama de poder mostrou o carácter de que é feito, tentando impor uma ideologia num grande diário de comunicação social que, naquela altura, era bem mais influente do que é hoje, saneando pessoas porque não confessavam a mesma ideologia. É este homem a quem agora devemos vergar a cerviz, porque o que ele diz passou a ser a bíblia, que ele renega.

 

Odeia tudo e todos com especial carinho os que lhe vão prestando homenagens e que têm orgulho por verem nele um compatriota que ganhou um Nobel. Tem vergonha de ser português. Já me cruzei mais do que uma vez com ele no estrangeiro, ouve falar portugues mas faz de conta que não percebe, não vá os batráqios dirigirem-lhe a palavra.

 

É este homem que agora vem substituir a Bíblia, é um livro que ele percebe que põe os dele no lugar a que têm direito, e não pode com isso.

 

Vou passar a benzer-me sempre que o vir !