Ministério da Educação 1- Ministério das Finanças 0

O Ministério da Educação decidiu retirar as aberrações que enviou na segunda-feira aos sindicatos. Fica assim tudo esclarecido: claramente uma pressão de Teixeira dos Santos / Sócrates, tentando impor a curto prazo a privatização, vulgo ou via municipalização do ensino público.

De boa se livraram.

O corno é sempre o último a saber

A ministra da Educação desmente o documento que acabou de enviar aos sindicatos. Onde havia um (mau) acordo, passou a haver uma imposição não negociada.

Tudo leva a crer que a própria ministra foi ultrapassada por Teixeira dos Santos, até porque o estatuto que agora tenta impor dá vontade de rir a quem conheça a realidade das escolas, embora faça sentido se pensarmos num projecto de privatização do ensino público, verdadeiro objectivo político de Sócrates.

Isabel Alçada foi ultrapassada pelos acontecimentos, e remetida à sua condição de mera relações públicas. Mas neste caso nem foi ela a última a saber…

Governo acaba com concursos de professores, uma nova guerra começa

Com uma enorme deslealdade para com os sindicatos que assinaram um acordo com o Ministério da Educação, o governo prepara-se para aprovar um novo estatuto da carreira docente (que o Aventar publicou) que termina com os concursos, obrigando os professores a ficarem colocados na escola onde se encontram.

É de doidos varridos, tanto mais que acontece numa altura em que muitos professores não puderam concorrer, tendo sido ultrapassados por outros mais novos.

É uma forma directa de convidar os professores a um regresso à rua. Não se entende, a menos que se trate de uma imposição de Teixeira dos Santos, que deve confundir escolas com repartições de finanças.

Vai perceber a diferença em muito pouco tempo.

a lição do professor: o contexto social da criança

Ensaio de Antropologia da Educação

Conceição Lopes, a Sardinheira

Conceição Lopes, a Sardinheira

1. Abertura com todos os instrumentos.

Costumamos pensar que é o professor quem ensina. Na pré primaria, ensino básico, ensino secundário, nos outros ciclos, no ensino denominado superior. Os primeiros ciclos, formam um cidadão; os segundos, orientam para um trabalho ou profissão que, os habilitam para tarefas técnicas ou académicas. Todas as alternativas são necessárias e respeitáveis. Todos os de diferentes ciclos, em permanente debate. Nunca há pleno acordo em relação à maneira de ensinar e sobre o que deve ser aprendido pelos mais novos. Mais novo que, pela sua vez, andam a aprender nos seus próprios ciclos de vida: na escola, na casa, no bairro. Crianças nascidas numa sociedade de quem são herdeiros, entendam ou não, saibam ou não, aceitem ou não, mudem ou não.

Normalmente, acabam por retirar da memória social esse palavrão usado por mim e por outros em tantos textos e que consiste em transferir as ideias de uma geração à seguinte – da memória social, o que deve ser feito e o que não. Por outras palavras e de forma simples, retiram de memória social o bem e o mal. Branco e preto. Sem gradações pelo meio, sem mais alternativas que as usadas e inventadas pelos seres que manipulam a vida para continuar, para produzir, para reproduzir. [Read more…]

sobe e desce

Acordo – o que lá está, não está… Deveria, poderia… parte III

Parte I – Dimensão político-partidária
Parte II – A duração das carreiras

Escrevi nos textos anteriores que o acordo é bom do ponto de vista político, para sindicatos, para o Ministério, para as escolas… Mas, escrevi também que a carreira me parece excessivamente longa. Acredito que será possível, em momentos mais positivos do ponto de vista económico, voltar a esta questão.

Se me permite, car@ leitor@, pretendia agora reflectir sobre o modo como se vai processar a progressão na carreira.
A questão central do acordo foi a necessidade de garantir que TODOS os professores avaliados com BOM podessem chegar ao topo da carreira. Com este acordo isso fica garantido. Na carreira Maria de Lurdes a nossa expectativa de carreira terminava no 7º escalão (índice 245 ao fim de 18 anos). Agora temos uma carreira que nos permite chegar ao índice 370, sendo que isso é muito tempo… demasiado tempo… Com o congelamento (28 meses que o ME insiste em não considerar – rouba-nos um tempo de serviço que efectivamente trabalhamos!) pode ir até aos 42, 5 anos. É muito, demasiado…
Para progredir (pt 4 do acordo) os professores deverão reunir 3 condições: tempo de serviço, avaliação de Bom / Muito Bom / Excelente e formação. Aqui, nada de novo em relação ao que temos.
Os cenários possíveis: [Read more…]

Conversa…sões

Mário Nogueira apresenta o acordo com o ME

Mário Nogueira

Mário Nogueira esteve agora em directo para apresentar a sua visão do acordo com o ME.

1- A primeira nota, que é a ENORME vitória dos Professores, vai para a possibilidade de todos os professores poderem ir ao topo da carreira. Até aqui, 100 mil teriam que ficar no terço inferior da carreira. Agora, todos, em 34 / 38 anos podem chegar ao topo. está longe de ser óptimo, mas é melhor do que aquilo que se tinha.
Ou seja, está definido um modelo de avaliação, exigente, formativo e que traz paz às escolas. Quem, provar que é bom, pode chegar ao topo.
2- A segunda ENORME vitória vai para o fim da divisão na carreira. Titulares, RIP!
3- Quem já está no sistema, ainda que a contrato, até no privado, não tem que fazer a prova de ingresso.
4- No próximo ano haverá concurso.
5- A avaliação não entra nos concursos!

Fica também em aberto a continuidade da negociação de diversas matérias (horário de trabalho, funcões lectivas e não lectivas, faltas, férias, direitos sindicais, etc…)

Como elementos menos positivos, MN avança:
– os ciclos de 2 anos de avaliação são demasiado curtos;
– o modelo de avaliação está demasiado perto do SIMPLEX;
– a manutenção de quotas para 2 escalões;
– o tempo de serviço (28 meses) congelado continua a ser roubado pelo Governo. isto é, não há contagem integral do tempo de serviço.
– a carreira continua demasiado longa – 34 anos – contra o que defende a UNESCO;

Mário Nogueira felicitou ainda os professores pela luta que desenvolveram.
A luta tem resultados, tem valido a pena e que por isso a LUTA vai continuar. Como sempre podem contar com a FENPROF!”

A derradeira derrota de Maria de Lurdes Rodrigues

A professora Isabel Alçada conseguiu em 2 meses de mandato o que a socióloga da treta Maria de Lurdes Rodrigues não conseguiu em mais de 4 anos. Ao ver o acordo de hoje entre o Ministério e os Sindicatos, a antiga Ministra da Educação devia corar de vergonha e perceber quão má foi a sua passagem pela 5 de Outubro. Para os alunos, para os professores, para a Escola Pública.
Maria de Lurdes Rodrigues está morta e enterrada. Pacificadas as escolas, vamos resolver o que verdadeiramente interessa: os problemas do ensino em Portugal.

Acordo!

Está confirmado. Há acordo entre o ME e a FENPROFfree_287718
Acordo ME/FENPROF!

Isabel Alçada na SIC confirma o acordo e valoriza o processo de aproximação entre os Professores e o ME.

ministra

Para o anedotário nacional, mais um contributo do Ministério da Educação

Imaginem que numa escola apenas existem dois professores que leccionam uma dada disciplina. Imaginem que ambos pretendem atingir um determinado escalão, para o qual haverá uma quota de 30%.

Segundo a proposta ministerial de avaliação os professores, ou pelo menos o que entendi dela, uma vez que ambos os professores necessitam de quem lhes assista a umas aulas, terão de assistir às aulas um do outro. As aulas assistidas, a maior imbecilidade de todo este processo já que qualquer calaceiro prepara 2 ou 3 aulitas à moderna, com uns paurpóins e tudo, mesmo que nas restantes se limite a ditar apontamentos retirados de um manual qualquer, serão uma espécie de intercâmbio: hoje assistes à minha, amanhã vou eu à tua.

Num caso destes (que não é uma raridade, mas a banalidade nas escolas mais pequenas) é suposto que ou chegam a um acordo, ou cada um  tramará o outro, o que até pode dar jeito, sempre se poupam uns tostões nos 30% (que não sei muito bem como se aplicam, já que se for a nível de escola/disciplina apenas 2/3 de um dos professores poderá subir na carreira).

Há mais anedotas destas, mas agora vou cogitar noutra coisa: como serão avaliados os assessores de comunicação que andam numa azáfama doida desde ontem nas caixas de comentários de tudo o que é online. Terão quotas? Os comentários são lidos por um supervisor? É que dado o insucesso que tiveram nos últimos tempos, eu se fosse do governo já os tinha chumbado.

Professores e Ministério: não há fretes para ninguém

Parece que hoje é o dia P. P de proposta! Correcção pós-publicação: no site do SPN já podemos ler a última proposta do ME.
A luta dos professores é pela dignidade das suas carreiras, mas é também algo muito mais amplo do que isso. Por um lado trata-se de mostrar a toda a população que nem um governo maioritário consegue vergar a maioria do povo e, prova, também por isso, a todos os poderes e respectivos pretendentes que não é possível fazer tudo, ainda que às vezes pareça.
Depois das eleições, o PSD avança com as duas mãos para uma espécie de acordo com o PS, o que até nem foi mau para resolver um problema que estava criado – o da avaliação dos dois últimos anos. E desde então as reuniões entre os sindicatos e os novos donos da 5 de Outubro foram-se sucedendo.
O Bloco central de interesses, PS e PSD colocaram as suas máquinas no terreno – o PS pelo lado do governo e em alguns movimentos de opinião unipessoais. O PSD através da FNE.
Acontece que as propostas do ME não são melhores que as de Maria da Lurdes – e se os problemas, antes, eram as opções políticas, não é por mudar de personagem que o enredo muda. Isto é, a “Santa” pode passar de Lurdes a Isabel, mas o pecado continua lá. E por isso só posso aplaudir, como se de um golo do Saviola se tratasse, as declarações de Mário Nogueira ao Rádio Clube.

http://sic.sapo.pt/online/flash/playerSIC2009.swf?urlvideo=http://videos.sapo.pt/4gPh68hypAsKHUJurQZ7/mov/1&Link=http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/noticias-pais/2009/12/lider-da-fenprof-garante-que-nao-vai-fazer-favores-a-ninguem28-12-2009-95810.htm&ztag=/sicembed/info/&hash=FF3C1208-4291-4FCC-8A32-9B9AB0E99B57&embed=true&autoplay=false

A senhora da DREC que nunca o foi e já não o é

Parece que a Directora Regional de Educação do Centro já não o é. Até parece que nunca o foi. Parece uma brincadeira? É mesmo. As Federações Distritais do PS da zona (Coimbra, Viseu, Guarda, parte de Aveiro e parte de Leiria) gostam muito de cargos, e trabalhar ao pé do Dolce Vita deve saber a muita gente como dolce vita. A anterior Directora reformou-se, e tudo leva a crer que em Lisboa não fizeram bem as contas à vida. Deviam saber que nestas coisas convém consultar as tais federações, e distribuir bem as prebendas. Na DREC como em todas as direcções regionais.

Noutra versão sobre os acontecimentos (e que me parece acumulativamente muito credível) havia um melindre:

O alegado melindre, explicou a mesma fonte, consiste no modo como lidaria a titular da DREC com o dossiê dos contratos de associação com o ensino particular depois de ter intervindo amiúde nesse domínio enquanto inspectora.

Ora conhecendo o peso político que o ensino particular tem em Coimbra (contratos de associação é aquela banhada em que o estado paga a um privado para aceitar alunos do público, a custos bem superiores), a pressão pode ter vindo também daí.

E agora siga a dança, com novos pares.

Actualização: as meninas é que sabem:

As meninas não têm andado com muito tempo para rescrever Uma Aventura da DREC. Mas a nossa prima,  que alterna à beira do Rodizio Real, garante  que Beatriz Proença saiu para entar Alcídio Martins Faustino,  que se levantou do governo civil de Viseu (onde foi chefe de gabinete e governador) para ceder o lugar a  Miguel Ginestal, o camarada que foi derrotado por Fernando Ruas e impedido por Sócrates de voltar para o Parlamento

..

Documento entregue hoje aos sindicatos pelo Ministério da Educação

PRINCÍPIOS PARA A REVISÃO DO MODELO DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO-02dez09

http://d1.scribdassets.com/ScribdViewer.swf?document_id=23527843&access_key=key-1zpf5j4iky1h6qlmffa1&page=1&version=1&viewMode=list

A parvoíce não poupa ninguém

“Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta”.

Albert Einstein, um dos poucos homens que deveria ter sido autorizado a flutuar acima de todos os outros, deverá ter morrido sem esta certeza. Para aqueles mais dados às prosaicas parvoíces do dia a dia, resta-nos o lamento, o desabafo livre e uma certa dose de indignação.

 

Algumas pessoas não devem mesmo saber onde têm a cabeça. Duvidam? Vejam então a notícia do ionline, segundo a qual “durante 13 minutos, as conversas dos jornalistas estiveram a ser gravadas por um funcionário do Ministério da Educação”. “Enquanto os jornalistas esperavam por uma declaração do secretário de Estado-adjunto da Educação (…) o funcionário entrou na sala de imprensa e pôs um gravador junto dos microfones e dos tripés que estavam em cima da mesa. Ninguém deu conta de que o aparelho estava a gravar. Durante vários minutos, as conversas dos jornalistas giraram à volta das notícias do dia, nomeadamente sobre o caso Face Oculta. Comentários informais foram trocados entre colegas que não se aperceberam de que estariam a ser escutados”.

 

Lindo, não é?

Comunicado do Ministério da Educação sobre o 1º ciclo de avaliação do desempenho docente

Completando as palavras dos sindicalistas à saída das reuniões de hoje, transcreve-se uma comunicação enviada esta tarde às escolas. O meu comentário é só este: gramava ser um dos professores que por não terem entregue os Objectivos Individuais foram impedidos pelos Directores de entregar a ficha de auto-avaliação, e como tal não foram avaliados. Gramava, porque amanhã me ia rir na cara de um adesivo qualquer mais papista que o Papa

 

O 1º ciclo de avaliação do desempenho docente prossegue e conclui-se, nos termos da lei, até 31 de Dezembro de 2009.

  • Todos os docentes serão avaliados no âmbito do 1º ciclo de avaliação desde que se tenham apresentado a avaliação na primeira fase desse processo, tal como identificada na alínea a) do Artigo 15º do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro e como tal mantida no chamado procedimento de avaliação simplificado, nos termos da alínea a) do nº 2 do Artigo 2º do Decreto Regulamentar nº 11/2008, de 23 de Maio.
  • Assim, a apresentação do avaliado à primeira fase do processo de avaliação concretiza-se através da entrega da ficha de auto-avaliação, que é legalmente obrigatória (conforme dispõe expressamente o nº 2 do Artigo 16º do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro), ainda que não tenham apresentado previamente, no prazo previsto, a respectiva proposta de objectivos individuais.
  • Nos termos da alínea a) do nº 1 do Artigo 8º do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro, a avaliação de desempenho tem sempre por referência os objectivos e metas fixados no projecto educativo e no plano anual de actividades para o agrupamento de escolas ou escola não agrupada.
  • Quando estejam fixados objectivos individuais, o grau de cumprimento desses objectivos constitui, nos termos do Artigo 10º do Decreto Regulamentar nº 2/2008, de 10 de Janeiro, referência essencial da classificação atribuída em relação aos parâmetros a que tais objectivos se reportem.

Há escola para além do ruído

Tudo parece estar limitado à guerra dos sindicatos com o ministério, mas não é assim, há muito mais, e muito mais importante. Vejam:

"Prefiro ter um carro pior e tê-los aqui. É seguro e não há professores a faltarem" -José, pai.

"Os professores acompanham os que têm maiores dificuldades em regime de voluntariado." –  Alexandra,mãe.

"Quero que os meus filhos estejam numa escola com jovens de todas as classes sociais.Não os quero numa redoma de vidro" -Ana paula,mãe.

"O Ministério não teve a iniciativa de nos ajudar a melhorar.E nós precisamos de ajuda! "José Bruno -Director de Escola

"Muitas vezes as notas são o menos importante. A escola é essencial para eles terem ao menos uma boa refeição por dia." Cristina ,vice-directora de escola.