A China e a India e a miséria dos seus povos….

A China e a India conseguem aumentos do PIB a roçar os 10%, porque as suas economias assentam no lado da oferta, baixos salários, nenhuns ou baixíssimos apoios sociais, não têm consumo interno.Estão virados para a exportação para a rica Europa e Estados Unidos. Acontece que estes dois deixaram de ser ricos, não compram, a China, A India e outros países com a taxa do PIB a crescer a dois dígitos vão ter que desenvolver o mercado interno.O Brasil está no rol, nos últimos dez anos tirou 40 milhões de pessoas da pobreza.

Só os mercados internos da China e da India, se e com capacidade de compra eram suficientes para dar um piparote na crise mundial, e arrastar as economias não só dos países desenvolvidos mas tambem de muitos países em desenvolvimento.Acontece que isso tambem levanta problemas. Desde logo uma corrida às matérias primas e consequente aumento de preço, lá se vão as jeanes a cinco euros…

Depois povos com as necessidades essenciais resolvidas começam a pensar em coisas perigosas como sejam a cultura e o conhecimento e isso leva a problemas sociais e políticos…

A Europa e os Estados Unidos têm que travar de vez a “bolha financeira” que não corresponde à economia, isto é, não representa a riqueza criada e deixar de vez de acreditar piamente, naquela máxima: “dá o teu dinheiro aos bancos que eles sabem melhor do que ninguem onde aplicá-lo” porque como se vê é falso!

Podemos e devemos queixar-nos mas a verdade é que fomos nós, pessoas, que achamos possível ganhar cada vez mais, que os bancos nos davam cada vez mais dinheiro na remuneração dos nossos depósitos, que andamos a comprar sapatilhas a um euro,(assente na exploração do dumping social) como se tudo isto fosse natural e sustentável.

Não é!

Ontem lembrei-me de CHE

O meu desacordo em relação ao autoritarismo de Fidel Castro é total. Mas Ernesto Che Guevara, o idealista e lutador CHE, corresponde ao nome e à imagem que invadem o meu imaginário, sempre que me afrontam problemas de miséria e de desigualdade social. Ontem, domingo de Páscoa, a RTP1 mostrou imagens de uma instituição de solidariedade de Campanhã que, por dia, mata a fome com sopa a não sei quantas pessoas, desprovidas de emprego e de meios de sustento próprios. Cada vez há mais gente nestas condições. A miséria não pára de crescer. Aqui e em muitas regiões do Mundo.

Puro romantismo político, dirão muitos. Aceito. Porém, talvez também por indignação, não resisti à tentação de reproduzir no ‘Aventar’ o vídeo da canção ‘hasta siempre’, interpretada por Nathalie Cardone, e de remeter para a biografia de Che Guevara .É pequeníssimo consolo. ‘Hasta siempre comandante”! – (o Ricardo Santos Pinto não se importará com a redundância, até porque é necessário fazer lembrar).

Escravidão – as alegrias da globalização

Máfias do Leste Europeu controlam redes de escravidão sexual de milhares de raparigas que se aventuraram à garipagem do ouro que não existe.

Trabalhadores do Leste Europeu são escravizados trabalhando sem qualquer garantia, de sol a sol com vencimentos miseráveis, é vê-los a serem escolhidos como gado, de madrugada ali em Entre- Campos, quem não se mata a trabalhar ou não se porta bem, para a próxima não é escolhido.

Portugueses são escravizados na vizinha Espanha,  na Holanda e Inglaterra como animais, presos, famintos, cheios de porrada, levados pela ambição de uma vida melhor e por bandidos sem escrúpulos.

Empresários gananciosos transferem para oriente as suas fábricas para manterem a escravidão de crianças que trabalham por 1/5 do salário de um trabalhador Europeu e, nós, os consumidores compramos esses artigos ajudando à miséria.

Um mundo sempre igual, na miséria, na injustiça, na escravidão do homem pelo homem! É isto que queremos deixar aos nossos filhos?

Hoje soubemos que um português há vinte anos a viver na Venezuela foi assassinado com 14 tiros, no que parece ser uma vingança  por não pagar a “dízima”.

Há coisa mais triste que morrer longe da terra natal?

Ajudar a manter a miséria?

Os sinais são já nitidos e nos próximos dez anos vão tornar-se ainda mais claros. O eixo do mundo económico e financeiro está a rodar, deixando a UE e os US e movendo-se na direcção dos BRIC ( Brasil, Rússia, Índia, China ).

Este movimento faz-se à custa de fronteiras sem barreiras e tambem da miséria da população trabalhadora daqueles países emergentes.

Os BRIC são já quem tem grande parte da dívida externa dos US, são quem compra e são proprietários de grandes empresas internacionais autênticos “icones” do capitalismo Ocidental.

Não podemos aceitar que estes movimentos globais  se façam à custa de preços muito mais baixos que os conseguidos no Ocidente, porque resultam de políticas de repartição muito desiguais, o que leva a que os US e a UE estejam, literalmente, a alimentar sistemas instalados nos BRIC que se baseiam numa enorme miséria da classe trabalhadora.

A continuar assim, será o Estado Previdência que pode estar em causa, a maior vitória social dos povos , desde sempre. Tem sido a partir da luta dos trabalhadores que os maiores avanços sociais têm sido conseguidos, no quadro mais amplo do Estado Social .Ora, sem os mesmos  apoios sociais do Ocidente ,esta luta global trava-se em condições muito injustas para os trabalhadores explorados até à miséria naqueles países emergentes.

Hoje, tambem é evidente que o desenvolvimento apoiado no petróleo, tem os dias contados, o preço/barril vai chegar aos 200 dólares, o que coloca em cima da mesa a questão de saber se os países emergentes estão dispostos a travar o seu desenvolvimento a curto prazo, para dar ínicio a uma nova era de desenvolvimento sustentado.

Para os países Ocidentais essa substituíção é muito mais dificil, porque toda a economia está apoiada em estruturas e logística que derivam do petróleo e seus derivados. Copenhaga já mostrou as profundas divergências e não se chegou a acordo.

A muito curto prazo a globalização será posta em causa, os países emergentes não estão dispostos a prejudicar o seu desenvolvimento, melhorando drasticamente o nível de vida das suas populações, o que vai levar os países ocidentais a fazerem movimentos de anti-globalização , no sentido de nivelar os custos e a qualidade dos produtos e bens!

Qual será a opção? É justo que a globalização se faça apenas ao nível do comércio livre, ou tambem é exigível que os trabalhadores daqueles países alcancem um nível de vida decente?

É que não há “jeanes” a dois euros…

Um Padre solidário

Um Padre anglicano defende que as pessoas muito desfavorecidas devem roubar os produtos que estão nas montras das grandes superfícies.

O Padre Tim Jones de York (bonita cidade do norte de Inglaterra com um centro medieval absurdamente belo por parado no tempo) diz que é preferível roubar a quem tem muito do que andar a prostituir-se ou a usar a violência.

Uma sociedade que deixa que alguns dos seus caiam na mais funda das misérias, merece ter uns “achaques” de medo e de consciência, que o senhor Padre trocaria de bom grado por uns roubozinhos.

Ora bem, o senhor Padre está a dizer que os roubos são legítimos por matarem a fome a quem nada tem para comer, ou são próprios para que a sociedade não tenha que pagar mais caro?

Isto pode ser visto como uma caridadezinha, estilo chá dançante ? Ou é mesmo “roubem a eito até que os vossos filhos tenham o suficiente “?

A caminhar para a miséria

  

In a crashing civilization, being rich just means being the last to 

starve.” Anthony Doerr (US-Writer) 2005

 

 

Pensando na crescente gravidade da nossa situação sócio-económica e vasculhando nos meus arquivos, encontrei um mail com um texto que escrevi em 22.12.2005. Considero que se o tema em 2005 era actual, hoje é actualíssimo.

 

RD

 

P.S. Parece que o livro actualmente já se encontra disponível na Bertrand https://www.bertrand.pt/catalogo/detalhes_produto.php?id=32742

 

 

Rolf Damher – convidado

 

 

 

Moderno

Ora cá está mais um exemplo de como o problema deste país são as pessoas que trabalham.

É mais uma vez a Modernidade em pleno.

A ladaínha do Orçamento

Já aí está. Vem sempre nesta altura, Outono do Orçamento Geral do Estado, como as ladaínas da minha terra voltam na Páscoa.

 

Os vencimentos de miséria não podem ser aumentados, as empresas não aguentam, são as PMEs que exportam apoiadas em baixos salários. A Função Pública nem pensar, arrastam tudo, qualquer aumento é a miséria e as falências. Todos os anos, ano após ano, sem vergonha.

 

Mas a ladaínha das remunerações milionárias tambem já anda por aí, é preciso segurar os cérebros, os tais que colocaram este país, novamente, na cauda dos países mais pobres da UE, e dos mais injustos! Que vão embora! Mas vão embora para onde? Alguem os quer?

 

A ladaínha é cantada em únissono, num país governado à vez por um partido que se diz socialista e outro que se diz social-democrata, que deveriam ser partidos com consciência social e reformista, virados para uma economia moderna assente na educação, na inovação e na investigação, mas que só fazem pontes e autoestradas. 

 

De braço dado com empresas monopolistas e/ou em cartel, este Estado que abafa o empreendorismo, que pesca à linha politica as empresas que apoia e facilita, já tem aí as "beatas" de serviço.

 

Taxar os ganhos de capital em 20%? Fogem, outra desgraça, numa prática fiscal que penaliza os pobres e a classe média, só pensar em taxar as fortunas arrepia esta gente. Fogem? Mas para onde? Para os países a sério, onde as políticas são nacionais e prosseguem a equidade fiscal?

 

As mesmas empresas que recebem ajudas milionárias do Estado, que fazem contratos de "contentores de Alcântara" por ajuste directo, por 30 anos, fogem?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O desperdício e a solidariedade

Esta ideia de aproveitar o que a sociedade do desperdício deita fora, para ajudar muita gente necessitada, é uma ideia maravilhosa.

 

Estas grandes  ideias nascem porque há pessoas que se preocupam com os desafortunados,pensam neles todos os dias, procuram soluções. Não é com os chás dançantes nem com a caridadesinha que se resolvem estes problemas. Ter a ideia e estruturá-la, arregimentar boas vontades, coordenar acções, dá muito trabalho. É preciso amor ao próximo, determinação, passar a ter disponibilidade  total, para todos os dias se aproximarem de quem vive nas ruas.

 

As multidões que dia a dia, afanosamente, enchem sacos e carrinhos , perdem tempo nas filas das caixas dos hipermercados,  deixam para trás o que será  aproveitado, pela solidariedade, para ocorrer  à miséria que a sociedade  da abundância, paradoxalmente, cria.

 

A esperança no ser humano dá novas razões para acreditar!