O que é o Progresso?

Se não traz dignidade?

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Blade Runner

O Reitor da Universidade de Coimbra defende que as máquinas deveriam pagar impostos. João Gabriel Silva afirmou, num encontro que teve lugar na cidade de Coimbra e que contou com a presença do ministro Vieira da Silva, que existe, do ponto de vista fiscal, “uma enorme motivação económica para a substituição de pessoas por máquinas, o que coloca os seres humanos numa desvantagem fiscal brutal”.

Esta é a Academia que eu gostaria de ver manifestar-se mais vezes. A que traz ao debate público as questões que, de tão óbvias, passam em silêncio, sem reflexão e sem existência. O Reitor da Universidade de Coimbra obrigou o ministro Vieira da Silva a afirmar também o óbvio, ou seja, que as empresas já se encontram sobrecarregadas do ponto de vista fiscal e que taxar a tecnologia seria “dificultar o progresso”.

Tenho simpatia pelo ministro Vieira da Silva e admiração pela sua competência, mas devo lembrar que a ideia de Progresso, pelo menos aquela que resulta dos movimentos Humanistas da História nos quais, em grande medida, se funda o próprio corpo ideológico e filosófico do Partido Socialista, tem como razão de existência o Ser Humano, e não a Máquina. É certo que muito dificilmente o ministro Vieira da Silva, tendo em conta as funções que ocupa, poderia afirmar outra coisa, tal é a força do dogma que entre nós se instalou sobre a primazia da Máquina. Mais ainda quando terá sido o próprio Humanismo a produzir esse dogma e a cimentá-lo na cultura e na consciência.

É esta, contudo, a fronteira do nosso Tempo.

A direita, o progresso e a tradição

Se perguntarmos a alguém da Direita portuguesa acerca da Uber, a opinião é unânime e passa por clichés como: “É o futuro, não se pode travar a evolução, um Governo não pode regular o progresso.” Se perguntarmos exactamente às mesmas pessoas acerca dos novos modelos de família, invertem o discurso e disparam clichés como: “Não se pode mudar a tradição, é arriscado fazer experimentalismos, o Governo tem de regular.”
Irónico, não é?

Via Uma Página Numa Rede Social.

Eurogrupo: a Grécia como desafio democrático

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O primeiro-ministro grego está debaixo de fogo e os canhões apontados à Grécia estão em Bruxelas, com o apoio dos governos português e espanhol. Tsipras disse que os gregos encontraram em Bruxelas um eixo de poder que tem um objectivo político muito claro: assegurar os resultados eleitorais que melhor servem os interesses dos partidos que têm partilhado o poder nos países onde haverá eleições este ano, e os dos seus parceiros de negócios.

Numa tentativa desesperada de defesa dos referidos interesses (que não são os dos povos, sabêmo-lo hoje, ao custo do nosso sofrimento e da indignidade das nossas vidas de cidadãos de países supostamente desenvolvidos e democráticos, mas onde cheira de novo a fascismo, naquela versão que a gente sabe), Mariano Rajoy disse que os ibéricos não são responsáveis «pelas frustrações dos radicais de esquerda» quando confrontados com a realidade dos factos. Como se a realidade fosse unicamente composta pelos factos que melhor servem os interesses de Rajoy. Já o Governo alemão, acusou Tsipras de ter cometido um erro que não é habitual, ao atacar os seus parceiros europeus, «algo que não se faz no eurogrupo», disse o Governo alemão. Isto está bonito.
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Uma história antiga

 
 
 

( Pormenor - adão cruz - )

 

Uma história antiga

 Foi há muitos anos, quando eu era estudante do segundo ou terceiro ano de medicina. Estava no velho Café Progresso a estudar, ainda me recordo, umas coisas de embriologia, a estúpida abordagem da embriologia de então, que nada tem a ver com as maravilhosas lições de Richard Dawkins. Estava sentado numa daquelas pequenas mesas quadradas, mesmo junto à porta que dava para a Travessa Sá Noronha.  [Read more…]

Sem progresso ou regeneração possíveis.


O aparente declínio da actual maioria parlamentar e a iminente eleição do novo presidente do maior partido da oposição, são demonstrativos do funcionamento daquilo a que em Portugal se convencionou chamar de “rotativismo”. Expressão cunhada nos finais do século XIX e à época conotada depreciativamente, espelha afinal a natural alternância no poder de forças que aparentemente antagónicas nas suas bases programáticas e sociais, são a essência da manutenção daquilo a que os marxistas apodaram de “democracia burguesa”. Este tipo de organização constitucional firma o seu edifício no primado da Lei, liberdade de pensamento, expressão e reunião e os consequentes direitos adquiridos ao longo do processo de modernização social que se estenderam à saúde, educação, habitação, etc. Portugal foi um dos Estados pioneiros na construção daquilo que se convencionou designar por liberalismo, pois a consolidação do regime da Carta a partir da década de 60 – a Regeneração -, normalizou o relacionamento inter-institucional, criou as condições para um impressionante desenvolvimento económico e possibilitou o país a constitucional e gloriosamente consagrar ad eternum princípios fundamentais, como a abolição da pena de morte.

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