O Trump do Samba

Imagem: ARD  – Plante soja comigo

Há uns dias, num dos melhores programas humorísticos do primeiro canal de televisão alemã (humor, no mínimo, de calibre RAP), Bolsonaro recebeu as honras que merece:

“Desde a posse do presidente Jair Bolsonaro, o desmatamento cresceu significativamente e pode continuar aumentando a longo prazo”, diz uma voz em off, após aparecer uma foto do líder brasileiro como um “bobo da corte do agronegócio”, segurando uma garrafa de pesticida.

O apresentador destaca ainda que o presidente “não se importa nem um pouco” com a suspensão de verbas para projetos ambientais anunciada pelo Ministério do Meio Ambiente alemão no fim de semana. “Pegue essa grana e refloreste a Alemanha, tá ok? Lá tá precisando muito mais do que aqui”, afirmou Bolsonaro ao reagir com desprezo ao congelamento dos repasses.

Ehring também fala sobre o acordo comercial negociado entre a União Europeia e o Mercosul, chamando o pacto de um “romance destrutivo”. Atrás dele aparece uma fotomontagem retratando o presidente e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, como uma dançarina sentada em seus braços.

“Bolsonaro ainda demitiu o chefe do próprio instituto que registrou o desmatamento na floresta tropical”, ressalta o comediante, referindo-se à demissão de Ricardo Galvão do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “E também nomeou a principal lobista da indústria agropecuária como ministra da Agricultura”, complementa.

Resta apenas dizer que a conivência da UE com todo este despautério é vergonhosa. Mas os eurinhos à vista para as indústrias automóvel e química são irresistíveis.

O coreto mais correcto

Crows swoop down into the empty bandstand. I don’t know what they could be looking for.

— Sam Shepard

“Cow that went into them boots musta had the measles, huh? What kinda hide you call that?”

“That’s belly ostrich, sir.”

“Belly ostrich. I’ll be. Ostrich ain’t even a cow, is it?”

Sam Shepard

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Duvido que Ricardo Araújo Pereira tenha pronunciado o correspondente a correto, ou seja, [kuˈʀetu]. Muito provavelmente, pronunciou [kuˈʀɛtu], ou seja, correcto. Aliás, Araújo Pereira tem razões para estar irritado com o «politicamente correto», mas contente com Barreto [barrete+o], forreta, carbureto, jarreta, cloretocoreto e correto, perdão, correcto. Exactamente. Atenção aos ataques ramificados: porque o ‘coreto mais correcto’ funciona, mas o ‘coreto mais concreto’, variante do título, ou até «os teus segredos mais secretos», dos Rádio Macau, nem por isso. Porque, como os crows no coreto e a cow que não é avestruz, «there are more things in heauen and earth Horatio then are dream’t of in your philosophie».

O coreto mais correcto: o da minha infância (http://bit.ly/2G2EO9B). Foto via mapio.net: http://bit.ly/2FUZ0XX

No sítio do costume, já se sabe, não há problemas, é tudo facultativo:

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Obrigado.

São inúmeras as vezes que diferentes órgãos de comunicação social utilizam como fonte o Aventar (e outros blogues) sem o cuidado e a educação de os citar como fonte. E sobre isso já se escreveu, sobretudo no passado, no blogue.

Porém, quando acontece o oposto não nos custa nada sublinhar o facto. É o caso desta peça do JN que cita o Aventar (texto do Dario). Assim como o Ricardo Araújo Pereira na TVI24 (programa “Governo Sombra“) que cita os textos do nosso Francisco Miguel Valada. Obrigado.

Sons do Aventar – O Jardim dos Mind da Gap

Interventivo por excelência, o (bom) rap português caracteriza-se pela análise profunda do país e do mundo em que vivemos, longe do estilo gangster norte-americano ou das vertentes “bling-bling” dos artistas pop da MTV que se fazem passar por rappers quando na verdade são apenas fotocópias uns dos outros sem conteúdo, que dissertam sobre cus grandes, jóias ainda maiores e festas onde chegam de casaco de peles sob um tronco nu inchado de esteróides.

Nas duas últimas décadas, Portugal viu nascer músicos que fundiram a alma e a expressividade dos grandes poetas lusos com ritmos e batidas encaixadas de forma harmoniosa. O resultado são bandas e artistas como os Dealema, Valete, LCR, Sam the Kid, Chullage e, entre tantos outros artistas que respiram talento longe dos holofotes da artificialidade, os Mind da Gap, percursores do movimento no norte do país e autores do tema que vos trago, O Jardim, uma radiografia cantada com beats partidos de um país partido em pedaços.

Desfrutem. A cultura Hip-Hop regressa em breve ao Aventar.

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A greve dos calões

Azealia, Finalmente Uma Gaja Má

Finalmente Uma Gaja Boa-Má. Gosto.