Médicos em passeio pago

Depois o povo é que é mauzinho e pensa mal desta gente muito qualificada! Umas centenas de médicos foram a um congresso médico e a seguir tiveram direito a um cruzeiro a uma parasídiaca ilha Indonésia. Tudo pago por uma farmacêutica.
Claro que é importante os médicos actualizarem-se conhecendo as novas propostas terapêuticas. É bom para os doentes que passam a ser tratados com medicamentos mais recentes, mais eficazes e com menos efeitos secundários. O problema é quando não é assim e os médicos, por terem viajado gratuitamente, se sentem na obrigação de prescrever o medicamento ou medicamentos daquela farmacêutica. Muitas vezes são medicamentos que não acrescentam nada ao arsenal farmacológico já à sua disposição. E, por serem novos, são mais caros e não são mais eficazes que os já existentes.
Todos sabemos que não há almoços gratuitos e isto volta a colocar em cima da mesa a questão dos medicamentos genéricos, mais baratos e tão eficazes como os de marca! Mas com uma percentagem muito pequenina de mercado quando em países mais ricos e com maior capacidade de negociação a percentagem é bem maior.
Que fazer? As medidas administrativas de controle podem ser um peso insuportável no sistema. As instituições de certificação nacionais e internacionais já filtram com eficácia e no mínimo não deixam vender gato por lebre. Mas se calhar é o preço que temos de pagar por uma contradição insanável.
Não é verdade que alguem tem que estar doente e infeliz para outros poderem ter lucros?

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