Megaprojectos:Grito de alerta

Diz Eduardo Catroga (economista, ex-ministro das Finanças)

Decidir é estabelecer prioridades i) o projecto Porto-Vigo é mesmo prioritário, tendo presentes as necessidades estratégicas da região norte?As empresas nortenhas não necessitarão,antes,de outro tipo de apoios para melhorarem a sua competitividade externa?ii) o projecto Lisboa-Porto pressupõe o encerramento do serviço público normal de passageiros e do Alfa Pendular? Como se vai dividir a clientela futura,a rentabilidade, entre as duas linhas a operarem em paralelo?Não é verdade que o TGV para ser rentável exige uma distância mínima de 400 Kms?iii)O projecto Lisboa-Madrid vai representar seguramente, durante muitos anos,um “buraco financeiro”:serão os contribuintes a subsidiar? iv) se existe mercado que justifique algum troço (ou todos)…então porque o risco comercial do projecto e os riscos dos desvios dos custos das obras não ficam do lado das concessionárias privadas…nas parcerias público-privadas (PPP)?V) se é estratégico para a UE que Portugal execute, a curto prazo,…então porque não paga a UE?
Estes investimentos representam um largo quinhão da riqueza nacional e que, através da filosofia das parcerias público- privadas, hipotecam o futuro com encargos vultuosos para os contribuintes.São projectos de alto risco para todos os que pagam impostos e taxas!Não esquecer que, além da componente conjuntural da crise (que será ultrapassada com a recuperação da economia internacional) confrontamo-nos com uma componente estrutural que se lhe sobrepõe e que explica a “década perdida” em termos de convergência real e o endividamento externo galopante!

“Quando a imprensa não fala, o povo é que não fala”

“Quando a imprensa não fala, o povo é que não fala. Não se cala a imprensa. Cala-se o povo”. A frase é do poeta e artista inglês William Blake. Foi dita no século XVIII mas podia ter sido dita hoje. Foi escrita por Blake mas confesso que gostava de a ter escrito / dito eu próprio. Por vezes dá-me inveja de frases que dizem tudo.

Assim, neste dia, quando se assinala o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, e quando, citando um relatório internacional, o Público diz que “a liberdade de imprensa no mundo diminuiu pelo sétimo ano consecutivo e é ameaçada pela crise económica global”, não me apetece dizer mais nada.

Pode ser que amanhã o mundo esteja melhor.

Árbitro, isto vai mudar!

Este é o primeiro árbitro profissional a trabalhar no nosso país! Foi proposto pelo Benfica e aceite por todos os clubes ! Vozes invejosas criticam, apontando que a tendência dos nossos jogadores se atirarem para o chão vai acentuar-se! Vão passar o jogo a gritar pelo árbitro! O obrigado provocatório do CAA no Blasfémias de hoje vai ter resposta!

OFERECER UM COPO DE VINHO, É DAR DE COMER A UM MILHÃO DE PORTUGUESES

POLÉMICA EM PONTE DA BARCA

Lá andam eles de novo a exigir desculpas a uns e a outros.
A comitiva do PS, em campanha para as Europeias em Ponte da Barca, foi brindada com um copo de vinho, atirado para o meio da multidão. Não sei se branco se tinto, de qualquer modo, foi reeditada a célebre frase do anterior regime, “dar de beber um copo de vinho, é dar de comer a um milhão de portugueses”.
Foi pelo menos um “upgrade” à água com que o sr Vital foi brindado anteriormente nas manifestações do 1º de Maio. As gentes do Norte sempre foram mais beneméritas.
Com a economia tão em baixo, e com a agricultura em sérias dificuldades, não se percebe muito bem toda a polémica instaurada.

Dia Um, Ano Primeiro

Aqui posto de comando
Do movimento das Forças Armadas

De súbito, a manhã ficou mais clara:
uma ave luminosa invadira o tempo,
rasgando com as asas a cortina brumosa,
a toalha de pus, a cirrose do medo.
De repente, tudo assumiu outro sentido
na poalha dourada da luz amanhecente
com os soldados, os tanques, os comunicados,
com as espingardas floridas e com a gente.
O silêncio derramou das suas feridas
um rio de fogo que destruiu as mordaças
e um grito colectivo de raiva e esperança
inundou as ruas, as praças e as avenidas.
Um hálito de futuro as percorreu;
uma inscrição floresceu vitoriosa
sobre a pedra musgosa de um velho muro
como um murro nos dentes da opressão.
A criminosa apatia que por tantos anos
nos enevoara o gesto e sufocara a voz
esfumava-se na rosa evanescente da alvorada
e surgia agora transformada em canção.

Um mundo de intermináveis corredores,
de cárceres, de tortura, exílio e morte
diluía-se no ácido subtil desta alegria,
que ocupara a cidade, o país e todos nós.
Pela noite, enquanto quase todos dormiam
eclodira a soleira, o limiar de um novo tempo:
o assassínio, a fome e a ignorância
pareciam já só uma recordação pungente.
Os milhões de cérebros violentados
por décadas de estupidez e crueldade
pareciam ser produto da nossa imaginação
ou ter existido apenas num pesadelo atroz.
Adormecêramos velhos, ciciantes e derrotados,
acordávamos jovens, iluminados e vitoriosos
e isso deixava-nos atónitos e boquiabertos,
cegados pela luz feroz da liberdade.
Falo do instante, do momento feito de horas
em que o tempo se suspendeu solene
enquanto se esvaía a noite da repressão
e a manhã clara nascia, incandescente.

Não falo do tempo em que, hesitantes,
procurávamos a bússola, o sextante, a vela
para navegar Abril, para sulcar o oceano
que o coração do povo abria generoso à Revolução.
Falo, sim, do momento em que o chacal
se escondeu, amedrontado, no fundo do covil,
espiando-nos a esperança, sonhando anoitecê-la
em setembros e marços de ódio e de vingança.
(Nas nossas mãos espreitavam já talvez
as garras de dilacerar revoluções e matar sonhos,
dentro de muitos de nós despontavam sementes
de outras novas e cinzentas servidões).
A luz atravessou o prisma de cristal da vida
e explodiu em mil cintilações de cor
perfumando o pulmão dos velhos medos
com um seta de amor, um estilhaço de sol…
Desse momento falo, do instante breve e puro
em que o Paraíso pareceu estar à mão dos nossos dedos;
não, não é do passado que vos falo – juro,
pois foi no futuro que Abril aconteceu.

(Do livro O Cárcere e o Prado Luminoso)

A estranha amnésia de Ferreira Leite e a aproximação a Santana Lopes

Manuela Ferreira Leite continua com uma estranha amnésia em redor da sua participação, como ministra das Finanças, no Governo liderado por Durão Barroso e agora na qualidade de presidente do PSD.

Como se não bastasse o anterior “sim” ao TGV, quando no Governo, e agora o “não” quando na oposição, traz-nos mais uma bela divergência pessoal de opiniões. A ministra das Finanças de outrora (como nos recorda Pedro Sales, no Arrastão) subscreveu uma lei de bases de política educativa onde apoiava a “lei da escolaridade obrigatória de 12 anos a começar a partir do ano lectivo 2005-2006 para os alunos que se inscrevam no primeiro ano do segundo ciclo do ensino básico”.

Passaram mais de cinco anos e Manuela Ferreira Leite parece ter esquecido essa assinatura. Na entrevista (ou terá sido uma conversa de velhos amigos da mercearia?) a Mário Crespo, a líder do PSD já dizia ser uma asneira implementar o aumento da escolaridade obrigatória até ao 12º ano. No Expresso, no seu habitual artigo, manifesta a ideia de que “o aumento de escolaridade para 12 anos ou até aos 18 anos é, infelizmente, mais fonte de preocupação do que regozijo”.

Por sinal, até concordo com a senhora, que até já foi ministra da Educação. Embora defenda que um dos poucos caminhos de Portugal para ser um país decente se faça através da educação e qualificação, esse percurso não se faz por decreto, por imposição ou dentro de uma fórmula de facilitismo e de uma espécie de “não vamos chumbar (agora diz-se “reter” mas eu sou da velha guarda) para não traumatizar estas jovens criaturas”.

O certo é que Manuela Ferreira Leite parece divagar num mar de contradições demasiado agitado para quem advoga uma “política de verdade” nos seus já famosos cartazes. É o TGV, é o 12º ano, é o dizer e desdizer em relação à política de alianças pós-eleitoral, é o sapo engolido por via da candidatura de Santana Lopes a Lisboa.

Começo a perceber que MFL começa a aproximar-se depressa do estilo PSL.

Drogas e Paralelos

A propósito da MGM. Não, não é a Metro Goldwin Mayer, é a Marcha Global da Marijuana.
Aqui há uns tempos estive a ver um documentário sobre o Maio de 68 e apercebi-me de algumas relações estranhas. Reparei que após o Maio de 68, em França, a primeira medida tomada pelos governantes da cidade foi a repavimentação de todas as ruas com asfalto. Reparei também que não havia uma única imagem em que não estivesse alguém sobre o efeito de drogas. Não percebi à primeira o porquê das referências aparentemente desconexa.
Mas depois fez-se luz.
As drogas são subversivas. E são-no porque põe um homem a questionar. Quem usa drogas estimulantes sabe que as drogas são subversivas. Até a gravidade é questionada. Um estudo recente – que entretanto perdi o link, mas fica mais um estudo do género – revela que 3 em cada 5 investigadores científicos usam drogas como ajuda no seu trabalho. Foi assim, com ajuda de LSD, que o modelo de dupla hélice de ADN ganhou vida na cabeça de Francis Crick e dos seus companheiros. Se bem que as drogas sejam legais, porque são vendidas por um laboratório qualquer, não deixam de ser drogas. E os seus princípios activos não são nada meigos. Os mais usados são duas substâncias, uma estimulante e outra para controlar e retardar o sono. Tem toda a lógica. Eles são cientistas e percebem de certeza toda a lógica dos danos cerebrais.
O que não tem lógica é a uma sociedade que por um lado permite, e bem, a livre escolha para abortar uma vida em crescimento, por outro proibir o uso de drogas. Correcção: algumas drogas. Tudo o que são drogas retardantes, que põe os cidadãos idiotizados a olhar para a parede sem pensamentos, ou a dormir indefinidamente, são permitidas e até comparticipadas pelo próprio Estado. Prozacs, Lordesals, Valliums, Cipralexs, Alprazolams, Tegretols, Diazepams, é só escolher. E isto é só o conteúdo da minha caixinha dos medicamentos. Nem sequer imagino o mundo maravilhoso das prateleiras das farmácias. Em Portugal, os medicamentos que mais se vendem são anti-depressivos, soporíferos e derivados. Significativo.
Por outro lado, tudo o que são drogas estimulantes são proibidas. Quer dizer, quando se tem 60 anos já se pode usar drogas legais estimulantes, para uma vida melhor.
A única justificação para a proibição, é que estas drogas e as suas substâncias activas, além de levarem os utilizadores para um estado de êxtase, também fazem com se questionem. Questionar sobre o universo, questionar sobre os planetas, questionar Deus, questionar o Homem, questionar a sexualidade, questionar o regular funcionamento de todas as coisas. E o problema é que quando se questiona o funcionamento de qualquer coisa, existe sempre a tendência natural de tentar arranjar alternativas melhores. Ou pelo menos, diferentes. Quando se questiona se se pode melhorar um walkman, e desenvolve-se um ipod, ninguém se chateia e está tudo bem. O problema começa a ser grave quando se questiona por exemplo o funcionamento dum regime democrático. E se tenta arranjar também uma alternativa. Os governos, sejam eles democráticos ou mais fechados e restritivos, proibem as drogas estimulantes, mas incentivam o uso de drogas retardantes.
O ano passado comemoram-se os 110 anos da invenção e comercialização livre da heroína. Ou tecnicamente da diamorfina – um opiáceo alcalóide, ou ainda mais tecnicamente de C21H23NO5. Só a própria existência destas fórmulas e destes nomes já comprova o uso de outras drogas por parte dos cientistas.
Heinrich Dreser – um nome a reter, porque também esteve envolvido na sintetização da Aspirina – desenvolveu a nova droga para uso hospitalar como analgésico, anti-tússico e pasme-se como substituto não-aditivo da morfina, e a Bayer – sim, A BAYER dos medicamentos “normais” – registou o nome: heroína. Num mundo que condena drogas é muito estranho que a heroína seja uma marca registada! De 1898 a 1910, a Bayer fez publicidade e vendeu heroína livremente como um medicamento não aditivo. Só quinze anos mais tarde começou a ser proibida… mas a Bayer continuou e continua a ter a marca registada. Isto parece-me uma lógica de junkie, mas tudo bem! Já a metadona, que é basicamente heroína sintetizada de outra forma é permitido o seu fabrico para tratamento da dependência da… heroína. Mais uma vez, lógica de junkie. E para ser totalmente uma lógica de junkie, é ser a Bayer proprietária dos direitos de produção da metadona.
Isto tudo parece apenas ser um problema de produção industrial,  direitos de produção e marcas registadas. Acho difícil imaginar dois “queimados” numa viela a discutirem patentes e coisas do género… mas se calhar até já foi uma realidade, visto que muitos dos originais drogados eram médicos que por acaso – só por acaso – se viciam em morfina e seus derivados…
E nem vale a pena falar que os principais países produtores destas drogas são o Afeganistão, Paquistão, Indonésia ou o Vietname, porque senão o comentário passa da esfera do drogado e da viela escura, para os colarinhos brancos e aos holofotes das relações mais complexas dos países e das suas intervenções militares…
E aqui está o problema principal: quando a Bayer produz metadona, e a comercializa paga impostos. Gera e movimenta capital que pode ser alvo de controlos e impostos por parte dos Estados. E torna-se um negócio tão normal quanto vender frutas, plutónio ou armas. Todas as trocas comerciais em que os Estados não possam intervir, retirando algum dinheiro para si através de taxas e impostos, são consideradas ilegais. A ilegalidade das drogas apenas representa a inoperacionalidade dos Estados em conseguir controlar e aplicar impostos no seu fabrico e comercialização. Apenas isso. No momento em que os Estados possam aplicar impostos nas drogas estas tornam-se legais. Mesmo que os governos pudessem arranjar – e de certeza absoluta que a arranjariam – uma forma de lucrar nestas trocas comerciais, nunca apoiariam o uso de drogas estimulantes, porque já perceberam o efeito secundário mais perigoso: a subversão.
O efeito subversivo das drogas estimulantes: destruir o que está assente, derrubar, confundir, perturbar, desorganizar, perverter, afundar, arruinar, submergir, sofrer, revolucionar. Este é o efeito secundário indesejável por parte dos governos e governantes.
Enquanto uma pessoa individualmente, se droga, se subverte e escreve o “Trainspotting” como o fez Irvine Welsh, não há problema. Quando William S. Burroughs escreve o Naked Lunch, não há problema. Quando toda uma Beat Generation aparece, não há problema. Aliás, acho que existiria um grande problema se se retirasse o álcool à Amália Rodrigues e à Nina Simone. Alguém imaginaria os Rolling Stones sem drogas? Alguém imaginaria gajos tão perfeitamente normais como os Beach Boys se não fossem as drogas? Ou anormalmente geniais como os Led Zeppelin? Ou os Pink Floyd? Se os Incas e os Maias não mastigassem folhas de coca todo o dia, teriámos Machu Pichu e outras obras grandiosas? Claro! Existiriam pirâmides, mas como essas foram feitas à base de chicotadas e escravatura são perfeitamente aceitáveis e “limpas”.
Se se fizesse uma lista com todos os eventos em que estivessem envolvidas drogas, essa lista seria tão grande e complexa quanto é a história da Humanidade. Até porque num espectro mais largo, todos nós somos drogados e dependentes de alguma coisa.
Todos estes fenómenos são compreensíveis.
O que não é de todo compreensível é que um Estado actual proíba o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal do aborto,
qu
e não é mais do que permitir que se retire uma parte viva do interior do corpo, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal de fumar tabaco e o uso da nicotina – cobrando impostos!! – que tem um efeito tão dependente quanto qual droga dura, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal de beber álcool, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite a livre escolha pessoal de consumir combustíveis fósseis que transformarão o Planeta em qualquer coisa que as gerações futuras dificilmente viverão nele, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permitir – e garantidamente vai permitir – a livre escolha pessoal de praticar eutanásia, não pode proibir o uso de drogas. Quando um Estado permite todas estas actividades, aplica taxas e impostos sobre a sua produção e comercialização livre, não pode pura e simplesmente proibir o uso de nenhum tipo de drogas. Não tem estatuto moral ou ético. Nem sequer tem uma justificação. Apenas pode subverter os argumentos.
E o Estado tem o exclusivo da subversão. E nunca o perderá. Esta é a única justificação séria e imparcial porque os Estados e governantes não permitem o uso de drogas. As drogas são subversivas. E os Estados também aprendem. Aprenderam que determinadas drogas são estimulantemente subversivas e levam a questões adormecidas que quando são respondidas, geram descontentamentos que podem acabar em greves, motins ou revoluções.
Logicamente, quem governa ou gere pessoas, não quer gerir descontentamento. Quer aceitação e quer “ovelhice”.
Quem gere pessoas, quer uma fila rígida de tímidos, não-questionadores, obedientes e apáticos palermas que sigam as normas e directivas impostas. Quem governa, quer uma máquina que funcione sem falhas, sem sobressaltos, sem sentimentos, sem dúvidas, sem questões, sem emoções. No futuro, naturalmente as drogas irão ser legalizadas, nem que seja porque todos os estudantes de Direito e os futuros políticos as consomem e não quererão perder este bem adquirido.
E os paralelos? Bem, os paralelos são apenas um pormenor interessante. Porque é que todas as ruas das cidades são asfaltadas? Mesmo as ruas só para pedestres?
Simples! As revoluções rurais são facilmente debeladas nem que seja porque ninguém saberá, já que praticamente ninguém vive em ambiente rural. As revoluções e motins nas cidades não são tão facilmente resolvidas. Correcção. Não eram. E não eram porque os amotinados e revoltosos tinham uma arma gratuita: os paralelos que pavimentam as ruas. Os paralelos dos pavimentos eram uma arma gratuita de grande utilidade quando não se tem armas nenhumas. Qualquer miúdo arranca um paralelo na rua e desfaz um carro, uma loja, uma repartição de finanças, qualquer coisa. Na verdade, continuam-se a travar guerras urbanas só arremessando pedras, fazendo frente a exércitos com metralhadoras automáticas, sem que o poderio militar ganhe grande vantagem.
A máquina subversiva do Estado contrapõem esta substituição dos paralelos por asfalto com “segurança rodoviária”. Em 1974 também a redução dos limites de velocidade era por causa da “segurança rodoviária”. Bem subvertido. Que drogas terá o Estado e os seus representantes à sua disposição, para estas subversões tão gostosas?
Já agora, a piada da questão: muitas das drogas apreendidas não são destruídas. São reconvertidas num produto que serve… para asfaltar estradas.
No final e pensando melhor: se as drogas fossem liberalizadas a ordem económica mundial dava um grande trambolhão. Basta imaginar que toda a América do Sul se tornaria numa potência exportadora da noite para o dia. Se calhar é por causa disso que as drogas continuam proibidas. Imagino o que seria ver o Afeganistão como maior exportador mundial de ópio, cheio de alegres talibans na lista da Forbes.

CRISE, CRISE, CRISE!

FINANCIAMENTO DOS PARTIDOS POLÍTICOS
Estou sensibilizado, direi mesmo comovido, para além de me sentir orgulhoso, com a notícia de hoje sobre a nova lei de financiamento dos partidos políticos.
Portugal, o país do nosso Primeiro e dos seus amigos políticos (sejam eles de que partido forem), vive desafogadamente, sem os problemas que afectam os outros países por esse mundo fora. Não temos problemas graves no que respeita à educação, à saúde, ao emprego, ou a qualquer outro sector, diga ele respeito à economia ou ao bem estar e nível de vida dos cidadãos.
A crise de que se ouve falar, não é de todos nem para todos. Portugal, o meu País, não é o país de que falei no parágrafo anterior. No meu, os problemas adensam-se dia-a-dia, o descontentamento popular cresce, as falências das empresas acontecem diariamente, o desemprego é cada vez maior, a fome começa a aparecer, a economia não mexe porque já quase não existe.
Os partidos políticos existentes em Portugal, deveriam servir, em primeira e última análises, o povo Português. Se o povo vive com dificuldades, se o povo não tem dinheiro, se as pessoas começam a ver os seus empregos a desaparecerem, não têm, a classe política e os partidos, o direito de verem os seus rendimentos a subir exponencialmente, ainda para mais se o dinheiro que passam a receber, for pago pelos cidadãos, todos, eu e qualquer um de nós, que vivem com dificuldades.
A nova lei do financiamento dos partidos, das campanhas eleitorais e dos grupos parlamentares, aprovada em tempo recorde por quem vai dela beneficiar, faz aumentar em mais de 55 (cinquenta e cinco) vezes o limite das entradas em dinheiro vivo, permitidas por lei.
Desta forma, faz-se tornar legal uma vergonha que era praticada por toda a gente.
Esta lei, é realmente original, e a sua célere aprovação mostra a transparência em que os nossos parlamentares vivem.
E nunca mais é Outubro!

"Ser Mãe é…" por Cláudia Jacques

Dia da Mãe

Cláudia Jacques a propósito do dia da Mãe:

«SER MÃE É..»

Ser mãe é mais, muito mais que dar à luz!

Luz verdadeira e incandescente é a que nasce de nós mulheres, quando vemos pela primeira vez o ser que nos «rasgou» o ventre com vida e determinação, a saltar para o mundo, chorando daquela maneira maravilhosa e natural.

Luz brilhante é o acompanhar dos seus primeiros momentos, aquele toque divino de inocência e fragilidade, aquele momento único de o ver crescer e gatinhar pela primeira vez… Sangue do meu sangue, carne da minha carne, ‘ser’ mãe é partilhar e desfrutar os momentos dessa parte da minha própria vida: os nossos bebés, os nossos filhos. É uma acta séria e aclamadora registada no meu corpo e alma, é a beleza infinita da Natureza operada em nós. Ser pai é algo especial, mas ser mãe é muito mais. Mãe é a origem de tudo, é ‘Ser Humano’ e ser-se humano! É o estado da Bela Natureza em bruto, muitíssimo mais belo que o brilho do mais belo diamante Van Cleef & Arpels.

Sentir o seu primeiro som, a sua primeira palavra bem soletrada, o seu primeiro namorico ou a sua primeira vez que diz «mãe ou mamã»! É único e inesquecível como uma bela melodia de amor que nos ficará sempre na mente. Vocês mães sabeis do que falo! Adoro ser mulher, amo ser mãe e ASSUMO que «Ser» no feminino é sublime! Mãe, mulher, corpo, alma são 4 elementos que estão presentes e dos quais sempre apreciei saborear, como o ar que respiro.

Gostaria que neste Dia da Mãe de 2009, todas as mães se orgulhassem e demonstrassem ao mundo em serem assim especiais: Mães e mulheres como dicotomia indissociável. Eu, como qualquer outra mulher, amo as minhas filhas e quero tudo de bom e do melhor para o seu futuro. Todo o meu esforço e trabalho tem sido também em prole delas, para que cresçam sadias, fortes, determinadas, com opiniões sobre a vida e sobre as coisas, com espírito crítico sobre a sociedade. Gostaria que fossem generosas com os seres humanos que as rodeiam, que compreendessem que não há só um mundo, mas muitos mundos, que saibam qual é o seu lugar mas que jamais esqueçam que devem respeitar o mundo dos outros. Que lutem contra o preconceito, contra o ódio e a inveja e que se liguem sempre à beleza e à inteligência pelo caminho fora, esse caminho da eternidade e da sensibilidade que é o da vida humana.

Vivam as mães portuguesas, viva a alegria, viva o amor, VIVA A MULHER como mãe de todas as coisas!

Cláudia Jacques, Porto