A Turquia

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A propósito da visita do Presidente da República à Turquia vou ressuscitar uma posta que coloquei em tempos na blogosfera sobre a pátria de Ataturk – foi a 14 de Maio de 2007 e como resposta a um Amigo. Por acaso desconheço a posição do nosso PR sobre a matéria. Aliás, desde a sua célebre declaração aos portugueses sobre o Estatuto dos Açores pouco sei das suas opiniões sobre o que quer que seja.

Meu caro Amigo,

As últimas eleições francesas foram disputadas por dois candidatos, Segolenè Royal e Nicolas Sarkosy. A primeira representava a esquerda francesa e o segundo, a direita. Isto em termos muito simplistas pois, como bem sabes, Segolenè não representava assim tanto a esquerda socialista tradicionalista (que a detesta, profundamente, por a considerar demasiadamente liberal) nem Sarkosy representa certas franjas mais moderadas da direita francesa. Era o que tinham e a mais não estavam obrigados.

O Povo francês, de forma esmagadora, decidiu votar e com o seu voto fez uma escolha clara: Sarkosy. Como já escrevi antes, espero que não se arrependa. Entendo o voto francês: a insegurança que se vive nas grandes cidades francesas (que eu próprio sou testemunha no caso de Paris ou Marselha); o “papão” Europa provocado por aqueles que não querem respeitar o “Não” francês à Constituição Europeia e o desemprego crescente dos licenciados (lá como cá), sem esquecer alguma intolerância religiosa da comunidade Árabe residente em França. A tudo isto se soma a intranquilidade provocada por uma certa esquerda radical que não sabe respeitar a vontade da maioria – como, aliás, se viu posteriormente. Foi um voto profundamente “nacional”. O que se entende.

Contudo, desconfio muito das intenções de Sarkosy. Desde logo, porque entendo que violência gera mais violência e não resolve problemas de segurança. Temo que se resvale da “força da autoridade” para a prática do “autoritarismo”. A seguir, não esqueço que Nicolas Sarkosy não nasceu ontem, esteve no governo francês nestes últimos anos – mais dedicado a cimentar uma posição forte como candidato da inevitabilidade do que a governar. Mas, mais grave, considero perigoso (no mínimo) a sua posição face a uma integração da Turquia na UE. Como bem sabes, Sarko, é completamente contra. O que, a meu ver, é uma estupidez e um erro trágico para a segurança da Europa e do Mundo.

Não sendo um “turcófilo”, como se afirma Pacheco Pereira num lúcido artigo de opinião do Público (Sábado, 12 de Maio), considero a Turquia como um país europeu. Mais, é fundamental para a Turquia e para todos nós, um forte apoio da Europa aos enormes movimentos “pró-europa” existentes nas classes intelectuais e nas elites turcas. Os povos Árabes sofrem às mãos de tiranos sem escrúpulos, refugiam-se no verdadeiro ópio do povo que é o fundamentalismo religioso (todo ele, seja qual for a crença) e vivem desgraçadamente – experimentem visitar um qualquer país árabe, mesmo aqueles aqui ao pé da porta como o Magrebe e facilmente compreendem esta minha afirmação, basta olhar-lhes nos olhos. Os povos Árabes só se vão libertar deste ofensivo colete-de-forças quando, tal como nós, tiverem acesso a liberdade de expressão. Quando conseguírem ter aquilo que nós temos e que nem sempre sabemos valorizar. Ora, a Turquia, não é apenas uma das portas da Europa, é também uma importante porta na Ásia e nos países Muçulmanos. Com o desenvolvimento económico que uma entrada na UE acarreta (como connosco antes e agora nos países do leste), a Turquia seria um motor de desenvolvimento e uma alavanca democrática para todo o Mundo Muçulmano. Sabes porquê, meu caro PJ, porque todos nós, queremos o melhor para os nossos filhos e os Árabes (como antes os Russos, pegando numa célebre canção de Sting) também amam os seus filhos.
É esta a tragédia de uma certa direita quando na mão dos “Sarkos” deste Mundo.

Pode ser que eu esteja enganado. Deus queira.

Julgo que, agora, percebes melhor as minhas profundas reticências e até alguma rejeição a Sarkosy. A mesma que tenho para com certas franjas da nossa direita, agora entretidas com a “perseguição” aos estrangeiros que querem vir trabalhar para Portugal (cuja resposta dos Gatos Fedorentos foi absolutamente genial), que não entendem a importância desta força de trabalho e acréscimo cultural. Não entendem hoje, como ontem e nunca entenderão. É preciso conhecer Mundo, compreender a natureza humana e não confundir casos de polícia com problemas de segurança (que sempre existiram). Como não entenderam (nem reconhecem) a importância “dos de fora” na nossa epopeia dos descobrimentos – o período mais áureo da nossa história. Coincidência? Não me parece.

BCP – 625% a trepar a crise

Então a crise? Como é possível este aumento “orgasmático” dos lucros num banco em crise? E se não há crise no banco haverá uma boa razão para a entrada dos homens PS e do governo na Administração ? O que é que nos escondem? É a massa da CGD, nossa, que está lá a arder ? São os negócios finos?

Quase que se torna cansativo…

O FC Porto continua a ganhar. Até os festejos já perdem algum fulgor, é que são tantas vezes seguidas… Mas ainda bem. É que eu fiz uma aposta já no longínquo ano de 1991, na altura em que o César Brito marcou dois golos pelo Benfica, em pleno Estádio das Antas. Apenas “ouvi” os golos na rádio. A SportTV ainda estaria a ser combinada ali junto aos placards publicitários do sr. Oliveira. Triste com a derrota, revoltado com a afronta, a chorar de nervos, e com a estupidez natural de quem tem 18 anos, apostei naquele preciso momento com a minha família, que por acaso é toda benfiquista e sportinguista, que o FC Porto ainda havia de ser o melhor clube português. Bastava para isso ter mais campeonatos que os outros clubes. Impossível! Em 1991 esta era uma meta demasiado longínqua para ser alcançada. Em 2009, o FC Porto conquista o 24.º título. O Sporting (mas afinal, existem mesmo sportinguistas?) ficou bem para trás. O Benfica (o clube que mais ganha com as vendas de lenços brancos) está apenas a 7 campeonatos e continua a ser a palavra mais vezes associada com “desilusão”.
Depois de anos a ouvir constantemente “falar” de estatísticas com o “nós temos 2 Taças dos Campeões Europeus, coisa que vocês nunca vão ter“, “nós já temos 30 campeonatos, só daqui a 50 anos é que nos passam“, qual será no futuro o grande argumento que permita aos outros clubes não justificar que o FC Porto é de facto, o melhor clube português? Só se for, nunca termos tido Cinco Violinos ou o Eusébio no plantel. É pena que o Fernando Gomes não tenha marcado mais meia dúzia de golos, senão lá se ia a estatística novamente.
Já fui sócio e sempre vi os jogos no meio dos “Super”, com os meus amigos de infância. Mas já não “adoro” o FC Porto como antigamente. No geral, (como em quase tudo) perdeu-se a simplicidade e a inocência do futebol. Está tudo demasiado profissionalizado e industrializado e estes são pormenores que me dão algum amargo de boca. SAD’s, cotações em bolsa e administradores são um trio de ataque que me metem logo na retranca. Penso, se  jogadores como o Rui Filipe ou o Domingos, por exemplo, alguma vez conseguiriam emergir no FC Porto com (exagerado) sotaque sul-americano dos dias de hoje.
Ainda assim, nos pormenores, também se vê a diferença para melhor do FC Porto em relação a outros clubes. Com o tratamento à camisola “2”, por exemplo. O FC Porto conseguiu apenas com uma camisola, criar um perpetuador da mística do clube. Apenas com uma camisola, o FC Porto consegue transmitir feitos e anos de experiência de verdadeiros mitos do clube para as gerações seguintes. Outros clubes ainda tentam perceber o que é a mística. Independentemente dos (muitos) bons jogadores do plantel, uma palavra de destaque para um jogador que muito admiro e que acho que fica esquecido: Raul Meireles, o miúdo que era da Boavista e que agora é, para mim, o motor do FC Porto. Tivesse mais “cabedal” e arriscava-se a ser o actual melhor meio-campista português. Ao Pedro Emanuel também, por continuar a ser um exemplo (interno e externo) do que é ser jogador de futebol através de todas as etapas da carreira, até mesmo quando se está para pendurar as botas.
Fica a minha sugestão: vender algum do sotaque sul-americano para dar lugar aos miúdos das camadas jovens. Já este ano tive dificuldade em distinguir as declarações dos jogadores do FC Porto e a telenovela mexicana da vizinha. Senão para o ano será o “Pienta Campionato Puertista”. Acho que já chega, não?
Por último, que FC Porto será esse sem Pinto da Costa? E que Pinto da Costa será esse sem FC Porto? Já não consigo distinguir quem é quem.
A este ritmo e com “este” FC Porto, acho que vou ganhar a aposta na próxima década. Só é pena já não me lembrar do que vou ganhar com a aposta. Parabéns ao FC Porto. Outra vez.

Passe a publicidade (e não é por ter estado envolvido na produção), aproveito para sugerir aos verdadeiros amantes do futebol, uma obra imprescindível de dois verdadeiros crâneos do mundo do futebol e da investigação, grandes amigos e excelentes profissionais: História do Futebol em Portugal – A Paixão do Povo, de João Nuno Coelho e Francisco Pinheiro.

Investimento, exportação e consumo

Estes são os três motores do desenvolvimento económico.
O consumo sem produção interna agrava o desequílibrio externo. O investimento sem rentabilidade agrava o endividamento do país. As exportações são a chave da mudança-de preferência exportações de produtos que não requeiram uma componente importada muito grande para serem manufacturados.
É pois na criação de condições para que este tipo de exportações se possa implantar e desenvolver que o estado, através do Governo, se deve empenhar. Parte dos escassos recursos existentes têm obrigatoriamente de ser para aí dirigidos (Nicolau Santos,Expresso). E continua: O grande objectivo é limitar ao máximo o aumento do desemprego. Para isso, as pequenas e grandes empresas são a chave da questão! Dão emprego a mais de dois milhões de pessoas numa população activa de 5,2 milhões, das quais 500 mil estão desempregadas.
Nesse sentido, aliviar as tesourarias das PME, que se encontram estranguladas pela quebra dos mercados, é fundamental. Isto não carece de demonstração. Todos os que se interessam por estes assuntos sabem que é assim. Há estatísticas de instituições nacionais e estrangeiras que o atestam. Mas, caro leitor, faça um exercício de memória e analise as medidas de combate à crise. Tomada do poder no BCP com muitos milhões (nunca se soube quantos) da CGD, num assunto de uma empresa privada que os seus accionistas deveriam tratar entre si.
No BPN, antecipa-se uma proposta de uma solução vinda dos accionistas para lá se enterrarem 2 000 milhões de euros que, tudo indica, vão para o buraco. No BPP, o Governo afadiga-se em encontrar soluções que, obviamente, estão a passar pelo nosso dinheiro. Lê-se hoje na imprensa que o buraco que era, inicialmente, de 400 milhões de euros, anda agora nos 2 000 milhões!
Os concursos públicos estão virados para as grandes empresas com aquela, como lhe hei-de chamar… “sem vergonha” de os concursos até 5 milhões de euros serem entregues por convite. Pelo que se sabe pelas Associações das PMEs, os concursos desapareceram e as ajudas não chegam.
E os Megaprojectos, servem a quem? Para as grandes empresas, bancos, construtoras, gabinetes de consultores internacionais e importação de material sofisticado, para além da sua óbvia inutilidade e inviabilidade económica! Porque é preciso insistir? Porque esta política cúmplice do Estado com as grandes empresas vem de Salazar e com ela o país diverge dos seus parceiros europeus e empobrece! É preciso dizer não a esta política desastrosa!

Professores de volta no mês de MAIO!

Não há duas sem três, vamos encher Lisboa outra vez” (in destaque www.spn.pt)

A segunda MEGA-manifestação de Professores em Lisboa

A segunda MEGA-manifestação de Professores em Lisboa

A 5 de Outubro de 2006 os Professores portugueses fizeram a primeira grande manifestação em Lisboa. Quase esquecida, essa manifestação trouxe para as ruas da capital mais de vinte mil docentes. Foi o primeiro grande momento depois da greve ilegalmente anulada no verão anterior.
As iniciativas do Governo, principalmente da Srª Ministra e dos seus secretários, foram conduzindo as coisas de modo a tornar a questão entre os professores, como uma questão de dignidade, muito mais do que profissional.
A 12 de Fevereiro de 2008 os Professores do Norte juntaram-se no cinema Batalha (Porto) e deram o arranque para o maior movimento social que o país alguma vez viveu – na dimensão das nossas escolas, assistimos ao “nosso” 25 de Abril.

A 8 de Março de 2008, dia Internacional da Mulher tivemos 100 000 professores na rua.

Muitos julgavam impossível isto voltar a acontecer, mas aconteceu: 8 de Novembro de 2008!

Pois bem, o Sr. Secretário de Estado, desta vez o sr. lemos, vem argumentar que a FENPROF só vai para a rua agora em Maio porque tem candidatos nas listas às eleições europeias.
Sendo isto verdade – há dirigentes da FENPROF nas listas às europeias, como eu já aqui escrevi – é completamente falso que seja isso que move os professores.
E a prova está neste post onde pretendi mostrar que o movimento dos professores é muito mais do que uma questão partidária e tem sido constante nos últimos anos.
Vamos voltar agora, sabem porquê? (continua)

porto ignorado pelo Deus Mercado!

Oi,

eu aqui venho defender a causa prismática de um Benfiquista tripeiro. Sou de esquerda e no sentido mais nobre (ESPERO EU) da palavra sou também intelectual e de esquerda. Gosto de futebol, ou seja, só defeitos.

O que leva então o país a ignorar os feitos do Porto e hiper-valorizar, por exemplo, qualquer facto relacionado com o BENFICA?

Os ferrari que circulam por Gaia

Os ferrari que circulam por Gaia

O mercado, sempre o DEUS mercado. É essa a minha leitura.
Como consumidor de informação e hoje a informação está também transformada num produto, compro produtos sobre o BENFICA e nunca compro nada sobre o porto. E creio que os valores de venda e de publicidade ano após ano mostram isso mesmo e, só por isso, se pode compreender a relativa indiferença que o país, de facto, mostra perante as vitórias do porto.
Obviamente, acredito, há também aqui alguma habituação ao ganhar – quer dos media, quer dos próprios adeptos e adversários. Até parece que não é notícia o porto ganhar o campeonato. É como a história do homem que morde o cão.

Numa segunda dimensão penso que seria interessante, até na sequência de posts anteriores que se fizesse alguma reflexão sobre a forma como o porto comunica em tempos de vitória. Mais adeptos, mas sempre jogadores, corpo técnico e claro, sua eminência, traduzem em vocabulário agressivo perante outros a motivação das suas práticas.
Ganham porque os outros os criticaram, porque os trataram mal, porque são uns coitadinhos, etc… Ganham sempre contra alguma coisa, se calhar contra os moinhos de vento.
Mas, tal como o Mourinho se atira para a frente das balas para defender os jogadores, creio que a marca porto só faz sentido nesta existência quase provinciana de quem está sempre contra o que vem da capital, a velha história “Lisboa a arder”.

E, meus caros PORTISTAS AVENTADORES, o insucesso do porto nos últimos 30 anos é mesmo esse – nunca conseguiu ser um clube que ganha porque sim. Ganha porque os outros e tal…
O melhor exemplo disso foi o dia em que o BENFICA, sem eu saber, em 2003, creio, ganhou uma taça uefa em Sevilha. Sim, o BENFICA.
É que ao entrar no estádio para festeja com os seus adeptos, o que se ouvia aqui no Porto era SLB, SLB, filhos da puta SLB! Aí percebi a grandeza de uns e o menor tamanho de outros.

Num terceiro aspecto a considerar, creio que no post do José Freitas fica clara a relação directa entre o isolamento de uma região e a forma, a meu ver, menor, como se vivem as vitórias do porto. Parece que o resto do mundo se uniu para nos tramar, como se pode ouvir na canção, mas de facto, o que aconteceu, foi que o Norte e também o Porto (região, cidade) não conseguiram, nos últimos vinte anos mostrar a sua força, que, se calhar, até não tem. Os nossos políticos são claramente dos piores que temos tido – Valentim e Fernando Gomes só para citar alguns e com um umbigo enorme, o norte vai continuar a viver das vitórias de um clube que teima em não crescer para lá da sua dimensão.

Estou a ser mauzinho e vou levar nas orelhas dos meus caros aventores, mas entendam este post como o post de um vermelho que não consegue perceber o que pode o seu clube fazer para ganhar!

Termino com os votos dos meus mais sinceros parabéns pelo Tetra!
JP

11º

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O FC Porto como valor acrescentado

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Um comentário do aventador Miguel Dias num “post” do Fernando Moreira de Sá, a propósito do tetracampeonato do FC Porto, levou-me ao baú das recordações. Nem foi preciso procurar muito, nem me enchi de pó, porque a memória que pretendia não morava longe. Tem uns dois meses. Foi escrita para um outro espaço mas permanece totalmente actual.

Lembrei-me dela por causa do breve comentário do Miguel Dias, que salienta haver “muito de revanche, de ódio visceral a raiar o sadismo”, na forma como os adeptos do FCP festejam. Fala de humilhação e de um dos factores de bloqueio do Porto serem as vitórias do principal clube da cidade. “Conclui-se que o porto cidade, porque noutras esferas não tem o poder (e competência, conceda-se do pinto da costa) não é mais do que é por causa doa poderes ocultos da capital”.

Não concordo. Bem sei que há alguns indivíduos que, em vez de exaltarem os triunfos próprios, preferem acicatar os orgulhos feridos das derrotas alheias. Acontece com adeptos do FCP como acontece com simpatizantes de outros. Mas não é a maioria.

O tempo em que o Porto olhava para Lisboa com um misto de desdém e inveja, também já lá vai, parece-me. O Porto, cidade e região, caíram num fosso em que já não vale a pena ter sentimentos desse género, por muito ridículos que fossem.

Lisboa é a capital do país e ainda bem. Para o bem e para o mal. Não é por aí que o Porto terá razões de queixa. Nem sequer vale a pena reforçar a ideia que a Invicta se irrita com o famoso centralismo que, de tão real, não vale a pena esconder. Às vezes enfurece-se com razão, noutras vezes não.

Vamos, se me dão licença, e com ligeiros retoque, ao que escrevi há dias.

Hoje, a cidade do Porto, a sua Grande Área Metropolitana do Porto e a região Norte mais parecem uma manta de retalhos que uma união de vontades e interesses. A fórmula de gestão do aeroporto parece ser, por estes dias, a única coisa que faz levantar de manhã a Junta Metropolitana do Porto. Demais, há um deserto enorme. Nem num instrumento determinante para a mobilidade da região há um debate sério e busca de consensos. A linha do metro para Gondomar, que deveria ter entrado na primeira fase do projecto, só agora começa a ser executada. Nada de mais, só tem 10 anos de atraso.

A administração estratégica, para lá da rotina do dia-a-dia, não existe. Cada município está feliz no seu cantinho, a brincar com as pequenas coisas, numa espécie de “The Sims” para os crescidos. De projectos comuns e ideias de coordenação, com poucas e honrosas excepções, nem vale a pena falar. Por falta de vontade, de querer, de saber ou, ainda pior, por invejas e egoísmos, a cidade e a região lá vão caminhando, cada um para seu lado. Mas é um percurso trôpego, com muitos tropeções e demasiadas quedas.

A transferência das sedes dos bancos do Porto para Lisboa (ainda hoje o Público lembrava o nascimento dos bancos na capital do Norte) fez quase desaparecer o peso económico de uma balança cada vez mais desequilibrada. Daqui até à saída da bolsa foi um instantinho. A indústria está em queda desde que os fundos de apoio do passado serviram, sobretudo, para melhorar a frota automóvel e comprar uns néons novos, em vez de uma séria reestrutura tecnológica e uma digna formação técnica dos funcionários. Nem os milhões de outros quadros de financiamento chegaram para lamber as feridas abertas. É certo que, neste aspecto, o panorama melhorou, mas perderam-se anos, empresas e empregos. A ‘capital do trabalho’ também mudou para a capital e arredores. No Porto e no Norte trabalha-se muito ainda, nalguns casos também muito bem, mas os índices mostram que a maior produtividade já não mora aqui. Os números, frios e cruéis, dizem isso. E os números, como todos sabemos, são como o algodão.

De peso mediático nem vale a pena falar. No passado os autarcas do norte ainda eram ouvidos sobre os grandes projectos nacionais e até sobre o orçamento de Estado se lhes pedia uma palavrinha. Hoje não há nenhuma televisão nacional que os queira ouvir. A não ser que haja chatices e problemas. O local dos jornais pouco mais é que um pequeno repositório do labor dos municípios e pouco mais, fazendo lembrar uma qualquer gazeta oficial.

O Porto, cidade e região, definha progressivamente. O norte, seguindo os traços da sua capital, acompanha esse processo. Nós, os portuenses, os nortenhos, orgulhosos da nossa história, da nossa Invicta e do patrimónios mundial tão desgraçadamente aproveitado, felizes por pertencermos à mais bela região do país, onde há montanhas, rios, planícies, praias, o vinho do Porto, uma gastronomia invejada e maternidade de grandes personalidades das artes, continuamos a assistir a esse definhamento.

Volta e meia, lá ficamos contentes por pequenas – ou grandes – vitórias pontuais. Porque o FC Porto volta a ser melhor que os outros (o que não é normalmente difícil), porque o Manoel de Oliveira fez 100 anos, porque o Carlos Tê e o Rui Veloso fizeram o “Porto Sentido” que é mais bonito que o “Lisboa menina e moça”, porque Agustina é uma mulher do Norte, porque o Infante de Sagres nasceu na Ribeira, porque temos a Fundação e o Museu de Serralves, ou o Parque da Cidade, ou a Lello, a mais bela livraria do mundo, e a Red Bull Air Race e os outros não têm, ou simplesmente porque sim.

Por isso é que as vitórias do FC Porto são apenas vitórias desportivas mas, ao mesmo tempo, vão para além disso. Sobretudo num momento em que Pinto da Costa parece ser o único timoneiro de uma entidade nortenha que é um verdadeiro valor acrescentado.

Os intelectuais de Esquerda não gostam de futebol


via Blasfemias

Porque sei que há lá portistas, fui ao meu blogue preferido, para além do Aventar, claro, ver o que tinham dito de mais uma grande vitória do FC do Porto.
Para minha surpresa, zero. Nada. Nicles. Ao contrário dos blogues de referência, como o Blasfémias ou o Arrastão, o «5 Dias» decidiu pura e simplesmente ignorar o assunto. Até o recatado Klepsydra, do Rui Curado Silva, dedicou dois «posts» à vitória de ontem.
Realmente, os intelectualóides de Esquerda são malta esquisita. Entretêm-se com o Zizoko e esquecem-se do verdadeiro herói, o Cissokho. Entretêm-se com Santiago Sierra, artista espanhol radicado no México, e esquecem-se de Lucho González, um artista argentino radicado em Portugal. Entretêm-se com Desidério Murcho e esquecem-se de que, se Portugal está murcho, no Porto vive uma nação bem viçosa. Entretêm-se com as Conferências do Estoril e esquecem as Conferências do Dragão. Shostakovic??? E que tal Sapunaru?
Olha se eu ainda trabalhasse no «5 Dias»! Agora sim, é que o «Grande Bardo» me indicava a porta da rua. Felizmente, aqui no Aventar, não tenho desses problemas. Não vejo que alguém que me possa dizer o que devo ou não escrever. Seja um belíssimo poema do Pedro Homem de Mello (oh, oh, também sou intelectual!), sejam os profanos festejos de rua.

A onda dos fiascos

Tudo com uma mão cheia de ministros e televisões a condizer.Como sempre não só não éramos tecnicamente capazes como estávamos na frente,a nível mundial.A coisa promete, vejamos: i)50 mil milhões de euros é quanto Portugal poderá ganhar, no mercado mundial da energia das ondas, caso não se atrase na criação de um cluster industrial neste domínio.ii) 40 mil postos de trabalho poderão ser criados em torno da energia das ondas, dos quais 4 000 quadros superiores e 400 de investigadores iii)17 empresas e instituições são já associadas do Centro da Energia das ondas,fundado em 2003 iv)45 anos é o prazo de concessão do parque-piloto de São Pedro de Moel à REN.O resultado, na prática? Mário paulo da REN “…não tivemos nenhuma resposta do governo…” Ou seja ” …não há nenhum contrato assinado” Porquê?”…não faço a mais pequena ideia!” Um dos industriais interessados “…O ministro colocou tanto entusiasmo no assunto que quase nos convenceu de que agora era mesmo a sério,que Portugal iria mesmo desempenhar um papel de relevo mundial no sector da energia oceânica.Afinal talvez não seja bem assim!” Temos tudo, as melhores condições naturais, as melhores ondas, um mar profundo a poucos Kms da costa,fabricantes interessados, investidores,industriais …só falta a tecnologia!!!Isto é , tudo o que temos já cá estava!É preciso apoiar a investigação financeira e cientificamente, trabalho do governo, mas isso não anda!Mas o TGV vai a nove, é só comprar lá fora…

Só para irritar o Miguel Dias…

Que diabo se faz no Tribunal de Contas?

O título deste texto foi retirado de ‘Os Maias’, obra intemporal de Eça de Queiroz, cuja primeira edição data de 1888. Trata-se de uma passagem do diálogo entre Taveira e Carlos Maia, que tomo a liberdade de transcrever: ” – Duas horas e um quarto! – exclamou Taveira, que olhara o relógio. – E eu aqui, empregado público, tendo deveres para com o Estado, logo às dez horas da manhã. – Que diabo se faz no Tribunal de Contas? – perguntou Carlos. – Joga-se? Cavaqueia-se?” e Taveira responde ” – Faz-se um bocado de tudo, para matar tempo… Até contas!”.

Confesso que, como o meu homónimo há 120 anos atrás, tenho a mesma dúvida; agora avivada, diga-se, pela notícia na edição ‘on-line’ do ´Público’ do passado dia 9,TribunaldeContas, divulgando que o dito tribunal classifica a gestão da EP (Estradas de Portugal) na Ponte Europa como “muito má”. O tribunal limitou-se à mera classificação do acto. O corpo da notícia cita uma derrapagem de 41 milhões euros e que Portugal foi obrigado a devolver 6,2 milhões de fundos comunitários, por não serem elegíveis para financiamento uma fatia de trabalhos a mais. Feitas as contas, o erário público foi lesado em 47,2 milhões de euros.

Ignoro se, como em ocasiões anteriores, o Dr. Guilherme Oliveira Martins, com aquele seu ar pardacento e de voz monocórdica e lamuriosa, que não assusta ninguém e diverte alguns (Mr. Bean, recordam-se?), veio uma vez mais declarar ao País as vacuidades do costume – quanto a medidas sancionatórias a aplicar aos responsáveis de tamanhos prejuízos para as finanças públicas, nada.

Este e outros casos justificam que os portugueses estejam entre os povos mais tristes da Europa, como referido em ‘The Economist’, em artigo já invocado neste blogue pelo José de Freitas. Outro exemplo de tristeza e revolta: o jornal ‘i’ noticiou a seguinte afirmação de Helena Roseta: “o meu protesto vai para a forma como o projecto foi entregue à Liscont sem concurso público. A suspeita inicial ninguém ma tira”. A Liscont, recorde-se, é uma empresa do grupo Mota-Engil, gerido pelo “socialista” Jorge Coelho.

Este chorrilho de obscenidades causa-me perplexidade e indignação, sobretudo pela ausência de acções de legítima autoridade democrática a punir a falta de rigor na aplicação de dinheiros públicos. O Tribunal de Contas, segundo o art. 202.º, n.º 1, da Constituição, deveria, em meu entender, agir em conformidade com o seguinte texto constitucional: Os tribunais são os órgãos de soberania com competência para administrar a justiça em nome do povo”. Mas a este tribunal é, de facto, consentido não administrar a justiça em nome do povo. E então retomo a pergunta: “Que diabo se faz no Tribunal de Contas?”. Sem esclarecimento alternativo, tenho que me contentar com a resposta do Taveira.

No Porto, hoje à noite, foi assim…

F.C. Porto:

A minha filha foi comigo ver o Porto ser Tetra Campeão.
Nestes seus quase seis anos de vida já viu o Porto ser campeão cinco vezes, uma vez vencedor da Champions e melhor equipa do Mundo. A minha Mafalda é sócia e portista desde que nasceu e já viu que o pai não se engana nas escolhas. Nas poucas escolhas que fará por ela na vida. Muito poucas.
Esta foi a segunda vez que foi ao futebol no Dragão e esteve à altura do acontecimento. O traje foi a rigor: cachecol “Mulheres Portistas” e chapéu a imitar um Dragãozinho. Assistiu ao jogo com entusiasmo e um valente pacote de pipocas. Desta vez, fez-me o obséquio de não imitar o pai e o povo circundante sempre que os impropérios saltavam de suas bocas. No final teve direito a passeio pelas ruas da minha adorada cidade, o Porto.
Já festejei as vitórias do Porto de várias maneiras e com diferentes personagens. Esta foi a primeira vez que o fiz com a minha filha. Um ritual de passagem.

Futebol Clube do Porto, a Vencer desde 1893.fcporto_0607_1