O primeiro Dia do trabalhador em liberdade: 1 de Maio de 1974

Porque, parafraseando Saramago, onde dez mil páginas não bastariam, uma só já é demais, este «post» só tem fotografias. O primeiro 1.º de Maio depois do 25 de Abril levou milhões de portugueses às ruas. Celebravam a liberdade e uma mudança económica e social que, afinal, nunca se concretizou. Esses milhões de portugueses foram os verdadeiros protagonistas do 1.º de Maio.
   

 

 

Na última foto do lado direito, Cristina Torres, que sofreu durante a Ditadura, ao lado de Mário Santos, no 1.º de Maio da Figueira da Foz.  in anibaljosedematos.blogspot.com

As maravilhas das «Novas Oportunidades»


A propósito de um «post» de António Figueira, do «5 Dias», relativo às «Novas Oportunidades» de Vanessa Fernandes, lembrei-me de um «post» com alguns meses sobre o atleta olímpico Pedro Póvoa.
Todos nós conhecemos, com efeito, algumas das maravilhas do programa «Novas Oportunidades». Gente que, mesmo sem saber escrever, ficou com o 6.º Ano; gente que tinha a 4.ª Classe incompleta e que, em três meses, ficou com o 9.º Ano; gente que tinha o 6.º Ano e que, em seis meses remunerados, ficou com o 12.º.
Agora vem a público o caso de Pedro Póvoa, atleta olímpico de taekwondo que tinha o 9.º Ano e que, num semestre, concluiu o Secundário. Ao abrigo do Estatuto de Atleta de Alta Competição, vai agora entrar no curso de Medicina da Uiversidade do Minho. Hesitou entre Psicologia e Gestão, mas acabou por preferir a Medicina.
Apetece-me parafrasear Manuel António Pina numa das suas últimas crónicas no «Jornal de Notícias»: «Um dia destes, juntamente com um anestesista também “simplex”, estará a operar o leitor num hospital público, os dois cheios de curiosidade sobre o que haverá dentro de uma barriga.»

UM PS DESESPERADO

VITAL OFENDIDO COM AS OFENSAS AO PS
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É uma vergonha democrática o que fizeram ao sr Vital. Tinha ele acabado de cumprimentar o sr Carvalho da Silva e os insultos, e as tentativas de agressão e outras coisas ainda menos abonatórias de quem as proferiu, lhe foram atiradas. Agarrado pelo braço, que isto de andar no meio do povinho implica segurança, lá o foram levando por entre a populaça, enquanto ele, o sr Vital, ia respondendo a um ou outro repórter que tentavam obter reacções aos desacatos, e lá foi dizendo que tudo aquilo não era para ele mas contra o PS, acusando  implicitamente o PCP.
O sr Canas sentiu-se também ofendido em nome do partido que representa, e lá foi debitando umas coisitas iguais às de sempre.
Aos poucos, uns e outros, lá se vão vitimizando, copiando os tiques do grande irmão, o nosso inestimável Primeiro.

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"Magalhães" na Feira da Ladra

Os resultados estão aí ! A primeira geração do “Magalhães”, obsoleto devido ao elevado aproveitamento dos nossos alunos que trabalham já com a segunda geração, estão a atingir a população mais desprotegida (atingir no sentido de chegar, não de acertar na tola de um qualquer gajo). Vendem-se por 150,00 euros na Feira da Ladra. Como sabem, é feira da ladra por ali se ter recebido, no passado, os artigos roubados, o que não é o caso no presente.
Assim, numa prova de grande dinamismo, pode comprar a maravilha da tecnologia de ponta construída em Portugal, ao mesmo tempo que o ferro de engomar a carvão, tecnologia em desuso, mas que com a eficácia deste governo pode estar aí a salvar-nos da crise! As famílias que estão a vender a primeira geração do “Magalhães”, não querendo dar a cara, dizem-nos que não têm espaço em casa para terem dois computadores porque o filho mais velho está desempregado e voltou para casa dos pais.
Mas todos dominam o “Magalhães” e lá em casa é uma alegria contínua. Com os 150,00 euros, conseguiram pagar o spread que o banco lhes exigiu face à baixa da taxa de juro! Andem depressa que o artigo está a esgotar-se!

Adalberto Mar: O meu 1.º de Maio de sangue

Ao percorrer aquelas ruas e avenidas lembrei-me de quem por mim, há 4 décadas atrás, foi esmagado pela policia política. Qual poema triste e melancólica canção ao entardecer, senti-me triste porque senti que mesmo que fossemos muitos não éramos milhões. Senti que a juventude mais recente estava embriagada em casa, vendo os seus programas favoritos, os seus jogos de computador ou sublimando o dia com coisas doces e agradáveis.
E lembrei-me de uma Era que já morrera, ainda eu era adolescente em inicio de vida… Um fascismo cínico e feroz. NÃO CONHECI QUEM CONTRA O MAL, CONTRA O HORROR, CONTRA A DITADURA E O DESAMOR lutou. Não conheci as feridas que lhe lançaram ao corpo, não conheci as mulheres a quem queimaram os seios por dizer «quero ser uma mulher livre»! Não conheci o lutador a quem destruíram os genitais com choques, Não conheci, e estão tão «longe de mim», as mulheres que foram sucessivamente violadas pelos abutres do sistema de então, para que desse nomes, locais, histórias..Não sei o que foi feito delas no caminho da vida. Não sei do que é feito dos milhares de negros e de brancos cujo sangue humedeceu as terras de África, simplesmente porque queriam viver e crescer em paz e identidade com os seus filhos.
Não sei onde pára essa gente, verdadeira vítima e última razão para que eu hoje possa ser o que sou e possa dizer o que quero, em paz e com determinação. Para que eu hoje possa viver como quero e com quem quero, sem que me entrem na porta e me digam como «devo viver e o que devo dizer»!

Eu gosto de luxo, de cor e de suavidade. Gosto do toque da seda e do veludo na minha pele e no meu rosto cansado. Mas não posso, jamais poderei esquecer, o chão húmido e rugoso, o odor de podre que os meus irmãos, camaradas ou simples amigos, perdidos no tempo e no espaço tiveram de suportar, nas noites dos cadafalsos das prisões, para que eu hoje observasse o pôr do sol em harmonia com os meus sentimentos. NÃO POSSO NEM DEVO ESQUECER QUE O SOFRIMENTO DELES E DELAS foram ‘chão e adubo’ para que eu hoje deixasse crescer a minha sensualidade, sexualidade, harmonia, poesia ou palavra fluindo como o coração e os sentidos. SEM A DOR DELES NÃO PODERIA HOJE SENTIR AMOR. Devo-lhes isso e muito mais. Por isso, sem os/as conhecer, digo que são meus irmãos, amigos, camaradas e tudo o que for soletrado com graça, harmonia e raça.
Do alto do New York Hilton vejo a magnificência da noite bela e requintada de Manhattan , mas ao longe ..mais ao longe e mais ao lado vejo o Tarrafal do passado, quente, húmido ,já sem história e sem o glamour de onde estou, mas que determinou tanto e indirectamente a visão do conforto actual. Não há luxo no sofrimento humano, mas foi um luxo pago a ferro e fogo hoje podermos ser livres. Não posso esquecer quem partiu para África e com o corpo tombado, ermo, no chão da selva por lá ficou. FICARAM, CRUELMENTE TAMBÉM, AS RAZÕES NESSE SOLO SANGRENTO: ninguém e todos tinham razão, ninguém foi inocente, e todos foram culpados e absolvidos. EU NÃO. MAIS DO QUE NUNCA QUERO AGRADECER A QUEM GRITOU POR MIM, A QUEM MORREU POR MIM, A QUEM SOFREU POR MIM. LEMBRAR-ME-EI SEMPRE E PARA A ETERNIDADE quando olhar o pôr do sol no Torrão do Lameiro, perdido entre Deus, entre a vida, entre o MAR ETERNO, entre a Profunda Natureza e o Vento-amigo que me fala tão bem ao ouvido quente..SEMPRE QUE ALI ESTIVER, como se estivesse dentro de uma pura melodia de Sade ADU, LEMBRAR-ME–EI SEMPRE desses heróis caídos e esquecidos, dessa gente que por mim e por TI disse «QUERO SER LIVRE, QUERO PENSAR, QUERO AMAR» e pagou ou morreu por isso. POR ISSO MESMO, TAMBÉM CAMINHEI ONTEM NA RUA, POR ISSO MESMO ONTEM GRITEI «SAI DO PASSEIO JUNTA-TE AO NOSSO MEIO».A crise não me cala nem o corpo nem a alma! Porque, como uma bela árvore de flores ao vento, a liberdade tem de ser regada. Como quiseres: com água ou mel, com vinho ou com esperança, mas TEMOS DE ALIMENTAR E REGAR A ESPERANÇA, A VIDA, A LIBERDADE TEM UM PREÇO. O TEU.
VIVA O 1º MAIO, SEMPRE! POR TI, PELOS TEUS FILHOS, PELO IDEAL,PELA NATUREZA, PELO AMOR À VIDA. NÃO PENSES QUE SOMENTE A MODA É COOL! O 1º DE MAIO E PENSARES O QUE QUERES SEM TE ESMAGAREM É AINDA MAIS COOL! BE COOL! BE WILD BUT BE FREE too and most of all!

1º de Maio:

No dia dos trabalhadores, fazendo uma pausa no trabalho, não posso deixar de escrever sobre o tema.
Não vou falar sobre os trabalhadores que as centrais sindicais arrebanham para a Avenida da Liberdade nem para o folclore mediático onde aproveitam um dia com toda esta simbologia para praguejar contra o governo, a direita, os capitalistas e outros perigosos fascistas.
Nem vou falar daqueles trabalhadores que, nas palavras de João Paulo Silva, “trabalhem na preparação das comemorações dos queques caviar de direita que nos levaram ao ponto em que estamos”.
Não, eu prefiro falar naqueles trabalhadores que nascidos noutras paragens escolheram Portugal como porto de abrigo, a exemplo de mais de um milhão de compatriotas nossos que foram para fora procurar uma vida melhor. É desses que me lembro neste dia, sobretudo depois de ouvir ontem, na TSF, o inenarrável “Paulinho das feiras” a defender o fecho das nossas fronteiras aos trabalhadores estrangeiros, querendo travestir-se de “Paulinho das feras”. Seguindo a linha de pensamento recentemente adoptada por certos sectores do PSD que, infelizmente, andam a navegar à vista e a ser muito mal aconselhados.
Quem defende a Liberdade não pode, por maioria de razão, alinhar neste tipo de populismo barato. Um país com mais de um milhão de trabalhadores espalhados pelo Mundo, não pode dar-se ao luxo de bramir contra os trabalhadores estrangeiros.
É deles que me lembro hoje, no dia do Trabalhador.

O 1.º de Maio e os Direitos dos Trabalhadores, visto pelo POUS

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(explicação da iniciativa aqui, outros depoimentos aqui e aqui)

«O Primeiro de Maio é comemorado este ano pelos trabalhadores de todo o mundo, no quadro de uma ofensiva avassaladora contra todas as conquistas laborais, contra as próprias convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), como é o caso da desregulamentação do horário de trabalho ou da tentativa de transformar os sindicatos em organismos corporativos, comprometidos em fazer os trabalhadores aguentar a manutenção do capitalismo em decomposição. No centro de toda esta ofensiva está a própria negação, feita a milhões de trabalhadores, de poderem vender a sua força de trabalho, logo de sobreviverem na sociedade capitalista. É a destruição física da classe trabalhadora que está a ser feita, é a destruição da base de sobrevivência da sociedade democrática e da civilização.
No caso de Portugal, são direitos conquistados com a Revolução do 25 de Abril que estão a ser subvertidos, direitos que o calor da revolução impôs que fossem consignados na Constituição da República.
Deles constam: a segurança no emprego, a possibilidade de serem criadas Comissões de Trabalhadores, o reconhecimento à livre associação sindical e os respectivos direitos das associações sindicais, entre as quais exercer o direito de contratação colectiva e obter a legitimidade para a celebração das convenções colectivas de trabalho, o direito à greve e a proibição do lock-out.
O Código laboral – imposto pelo governo de Durão Barroso e ainda mais agravado pelo governo de Sócrates, um Código que, logo no primeiro artigo, afirma ser a adaptação de 17 directivas da União Europeia – materializa esta subversão, destruindo a contratação colectiva e legalizando o trabalho ultra precário, o trabalho a recibo verde.
Temos consciência de que hoje muitos trabalhadores, principalmente os mais jovens, não se associam às organizações sindicais por variados motivos: alguns não têm plena consciência dos seus direitos; outros não contam com a eficácia das organizações sindicais para os defender; outros ainda estão em tal situação de precariedade que receiam sindicalizar-se com medo de verem os seus contratos não serem renovados. Poucos estarão dispostos a fazer parte dos sindicatos para defender os direitos que já perderam. Mas uma perda muito acentuada de direitos poderá, eventualmente, inverter este processo: afinal os sindicatos são a fortaleza dos trabalhadores, como diz a Carmelinda Pereira, militante do POUS e cabeça da nossa lista às eleições para o “Parlamento” Europeu.

1886 – O primeiro 1º. de Maio

O 1º. de Maio que hoje se comemora teve a sua origem numa manifestação de trabalhadores, realizada em Chicago (EUA), em 1886. Nela se reivindicava a redução do tempo de trabalho para 8 horas diárias. Milhares de trabalhadores participaram nesta manifestação, dando-se início, na sequência, a uma greve geral nos EUA. As manifestações dos dias que se seguiram resultaram na chamada Revolta de Haymarket.
Uma bomba lançada para os polícias foi o pretexto para a carga policial e para as injustiças decorrentes. Mas a semente da consciência estava lançada: era cada vez mais necessário e urgente defender os direitos dos trabalhadores.

A CONDIÇÃO DA PRECARIEDADE GENERALIZOU-SE COM O FANTASMA DO DESEMPREGO: 90 DESEMPREGADOS POR HORA, EM PORTUGAL E UM POUCO POR TODA A PARTE

Hoje, o 1º de Maio comemora-se um pouco por toda a parte. Este ano, as três maiores centrais sindicais francesas estarão unidas contra as consequências da crise que o sistema económico gerou. Consequências que recaem sobre os próprios trabalhadores. Obama, o G20 e a União Europeia incentivam os bancos a “fugir para a frente”, com o sistema a resvalar para o abismo da crise. Despojam-se os sistemas produtivos, alimentando o capital financeiro, em vez de se apoiar os sectores produtivos e se impedir os despedimentos. A desregulamentação é total. Existem fábricas viáveis que fecham ou se deslocalizam, como a Qimonda.
Desmantelam-se os serviços públicos, privatiza-se. Colocam-se os trabalhadores uns contra os outros, na divisão hierárquica das carreiras. A condição da precariedade generalizou-se com o fantasma do desemprego: 90 desempregados por hora, em Portugal e um pouco por toda a parte.

EXIGIMOS A PROIBIÇÃO DOS DESPEDIMENTOS

Por isso, a RUE se juntou ao POUS para apoiar o projecto de lançar uma candidatura ao Parlamento Europeu, para exercer o seu direito cívico de difundir um Apelo a EXIGIR ao Governo que faça uma lei que proíba os despedimentos. Este Apelo já foi levado à UGT, já foi levado à CGTP, aos sindicatos dos professores, às manifestações dos trabalhadores, ao Cordão Humano dos professores, à Marcha do 25 de Abril, e pode ser assinado pela internet. Mas é principalmente na rua, junto dos trabalhadores e de todos os cidadãos que tem tido o melhor acolhimento. Muitos foram os que se dispuseram a assinar este Apelo. Porém, nem todos assumem a necessidade da ruptura com a União Europeia. Ruptura não apenas com as políticas, mas com as próprias instituições da UE, nas quais não confiamos por não terem sido eleitas, como é o caso do nomeado Presidente da Comissão Europeia; e, também, por não defenderem os interesses económicos de cada nação, mas sim os interesses da Globalização em nome do Banco Central Europeu (BCE) – defensor dos interesses dos imperialismos dominantes, ao serviço da alta finança; assim como não acreditarmos nos poderes do Parlamento Europeu, que legisla de acordo com as decisões da Comissão Europeia e do BCE.

TEMOS O DEVER CÍVICO DE LANÇAR O APELO À PROIBIÇÃO DOS DESPEDIMENTOS E DE PÔR A NU AS INSTITUIÇÕES DA UNIÃO EUROPEIA

Estamos juntos nesta lista (ver declaração eleitoral) porque acreditamos que este não é o melhor caminho para a cooperação entre as nações que almejamos. E não vemos como se pode sair da crise de uma forma positiva, com despedimentos em massa, desregulamentando e destruindo o que antes era produtivo. Entregando capitais à Banca, ela própria geradora da crise.
Hoje saudamos aqui o Dia do Trabalhador e defendemos o seu direito ao Trabalho, à sua dignidade profissional: nas fábricas, no mar, nas escolas, em todos os serviços públicos, e apelamos a todos os trabalhadores a unirem-se na exigência ao Governo de pôr fim aos despedimentos. Unidos também em defesa dos serviços públicos e dos direitos do trabalho. Unidos em defesa da Escola Pública, a escola dos filhos dos trabalhadores. Unidos na exigência da proibição dos despedimentos.

Pela Lista do POUS às Eleições para o “Parlamento” Europeu

Carmelinda Pereira
Paula Montez»

O enriquecimento ilícito e os contribuintes dos partidos

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Excelente a analogia de João Miranda, no Blasfémias, sobre a questão do financiamento dos partidos.

Expressa aquilo que, de facto, se passou de relevante no parlamento nas últimas semanas. Por um lado, o sempre popular enriquecimento ilícito. Em ano eleitoral os partidos gostam sempre de apelar à veia moralista e soa-lhes bem ouvir uns “muito bem” provenientes da maralha, em vez de apenas da bancada ali perto deles.

Por outro, olham para os cofres da sede e vêm as notas a descer de volume. A festa da democracia exige gastos elevados com inúmeras despesas. Há brindes para distribuir, cartazes para imprimir e colar, tempos de antena para pagar, carros para alugar, uma data de beijos e apertos de mão para trocar. E tudo tem um preço, até os beijos e os apertos de mão. Por isso, o melhor é encontrar soluções coloridas.

De resto, é sempre divertido ver o madeirense Guilherme Silva abordar os contextos sócio-políticos de alguns partidos, “como é o caso do PCP”, fazendo de conta que o Chão da Lagoa já não dá uvas.

O 1.º de Maio e os Direitos dos Trabalhadores, visto pelo PND

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(explicação da iniciativa aqui, outros depoimentos aqui)

«A forma de pensar o trabalho em Portugal enferma, à partida, de duas utopias, e/ou mitos, que muito têm contribuído para viciar o mundo laboral e empresarial:
– o emprego para sempre
– o Estado e os políticos é que criam empregos
Parece óbvio que este duplo desígnio é privilégio exclusivo do sector público, em especial da chamada função pública, que luta com unhas e dentes pela sua manutenção. Não é que seja impossível manter esse status para um grupo social mais ou menos numeroso. O que importa é saber o custo e as consequências para o País e, já agora, até quando é sustentável a máquina do sector público com o seu défice.
Não vale a pena escamotear a importância da complementaridade entre o trabalho e o capital, da mesma forma que não vale a pena pôr o vício de um lado e a virtude do outro. Há de tudo nos dois lados. O vício e a virtude não pertencem a uma classe social, mas sim à natureza humana que vive nos dois lados.
É nessa complementaridade e recíproca necessidade que o mundo do trabalho, e a sociedade em geral, deve assentar os seus alicerces. O capital precisa do trabalho e o trabalho precisa do capital. É histórico. De uma forma ou de outra, sempre foi assim.
Sendo utópica a pretensão de garantir o emprego para sempre, por vezes mais até do que outros contratos de carácter mais pessoal e familiar, é desejável que seja o mais duradouro possível.
O emprego é matéria complexa, tal como a economia e o clima, e, por isso, propícia para os políticos se porem em bicos de pés e darem a sensação que têm muita influência na “criação de emprego”, como eles dizem. Mas, curiosamente, nenhum reconhece que tem influência na criação do desemprego.
A solução é simples e razoável: se houver empresas, há empregos. E para haver mais trabalho e riqueza, menos impostos. Não deixa de ser paradoxal, para aqueles que julgam que são os políticos que vão arranjar emprego para os milhares de desempregados, que uma das poucas coisas que ao longo dos anos os políticos podiam ter feito, e não fizeram, para criar empregos: baixar os impostos sobre as empresas. Os altos impostos, sobre as empresas e outras actividades, são um obstáculo fabuloso para a criação de emprego e a dinamização do mundo laboral.
Por fim, se em momentos de crise e défice, as empresas despedem empregados para tentar sobreviver, é de justiça que as empresas repartam os seus lucros, quando existem, pelos seus colaboradores, pois eles fazem parte do sucesso. Era muito interessante, e um grande passo em favor da justiça no trabalho, que as entidades empresariais chegassem a um acordo quanto à parte de lucros a distribuir anualmente pelos empregados, segundo o seu mérito, diligência e competência.»

Prof. Manuel Brás, membro da Direcção do PND

Contra a gripe – 1º de Maio ao ar livre

Vou para a Alameda com os meus amigos comemorar.
Conto que o Carvalho da Silva não demore muito com o discurso e a seguir vou para os copos e para os petiscos. Há petiscos e vinho de todas as regiões do país, produtos genuínos, do melhor, que no dia a dia normal não passam no estreito. Até há famílias de farnel de comer e chorar por mais. Em troca, compro o que os seus parcos salários não lhes permite comprar. O que trazem é da horta , do galinheiro, do quintal. Ficamos amigos para o resto da vida, embora nunca mais os veja.
Os meus amigos são comunistas, malta da minha terra e meus amigos de infância, juram a pés juntos que não há festa como aquela. Talvez a festa do “Avante” mas os comunistas são outra coisa. Está ali tudo por devoção, felizes e malta que está ali é porque é dos “nossos”.
Grandes abraços, gostos em comum e desta vez é que vamos mesmo subir. As sondagens não mentem. E, depois, estão todos contra nós, a começar pela comunicação social. Os americanos já estão a comer à mão em Cuba, isto não acaba assim, a Rússia já está novamente a crescer e agora é para sempre, já viram o que é o capitalismo. A camaradagem mede-se pelos copos e pelos petiscos que se oferecem aos camaradas que passam por ali perto, há fome e miséria. Chega para todos. Não sou comunista, mas hoje sou um deles. Aos copos, ao ar livre e à camaradagem.
Segunda-feira recomeçam as discussões ideológicas. Os camaradas todos contra mim. Mas os amigos de infância não são para toda a vida?

O 1.º de Maio e os Direitos dos Trabalhadores, visto pelo PCTP/MRPP

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(explicação da iniciativa aqui)

«Qualquer trabalhador consciente está hoje em condições de compreender que o combate à presente crise económica exige um método de acção firme, cujo primeiro e decisivo elemento deverá consistir numa separação política clara entre os responsáveis pela crise e aqueles que são as suas vítimas.
Ninguém de bom senso estará hoje disposto a embarcar na conversa mole do doutor Soares, do professor Sousa, ou mesmo do doutor Louçã, segundo a qual os únicos responsáveis pela actual crise são os financeiros e os especuladores mal intencionados…
Com efeito, o lugar onde todo o enriquecimento ilícito se origina, reside na actividade de produção, na fábrica e na empresa onde os trabalhadores são diariamente espoliados da maior parte dos frutos do seu trabalho.
Não foi a fabricar notas ou moeda bancária que se alimentaram as “donas Brancas” que, como cogumelos, há muito proliferam no sistema financeiro nacional e internacional, mas foi sim e sobretudo com as enormes fortunas acumuladas tendo por base as actividades de produção e venda de bens e serviços. No sistema económico nacional e mundial, não é possível destrinçar o grande capital industrial do grande capital financeiro, pela simples razão de que não é possível fazer aumentar o valor real do dinheiro se não for através da transformação deste em capital industrial e em mais-valia produzida pelos trabalhadores e apropriada pela classe capitalista e respectiva corte de lacaios.
Hoje, em Portugal, apenas pouco mais de um terço da riqueza produzida é representada por rendimentos do trabalho, sendo o restante constituído por rendimentos do capital. E hoje, no Portugal europeu em que se louvam os partidos da situação, as actividades produtivas vão inexoravelmente desaparecendo, umas após outras. Concentrado em poucas mãos, o dinheiro é canalizado sobretudo para actividades parasitárias e especulativas. Estas duas realidades alimentam-se uma da outra, num círculo vicioso a que é necessário e urgente pôr cobro.
Os responsáveis pela actual crise são assim todos aqueles que, ao tomarem o lugar dos Mellos e dos Champalimauds depois do período revolucionário de 1974/75, restabeleceram em Portugal uma ordem económica capitalista idêntica à que vigorava antes daquela data. E são os partidos, sobretudo o PS e o PSD, que, sob o chapéu protector da União Europeia, apresentaram esta escolha como a melhor para o país e que, alternadamente, se banquetearam à mesa do orçamento, transitando das grandes empresas para o governo e do governo para as grandes empresas…
Deixar que os responsáveis pela crise sejam os que ficam a cuidar da sua solução, é como pôr o ladrão a guardar a vinha. Nas medidas que tem tomado na presente emergência, o governo Sócrates tem vindo a fazer aquilo que melhor sabe, que é canalizar milhões a fundo perdido para os bancos e grandes empresas, sob o argumento de, com isso, estar a defender o emprego, ao mesmo tempo que as empresas encerram umas após outras ou impõem condições de exploração da força de trabalho que colocam Portugal ao nível das piores práticas de trabalho barato e sem direitos.
Acentuar ainda mais, como está a ser feito pelo actual governo, a repartição do rendimento nacional a favor do capital, significa regar com gasolina o fogo que se ateou.
De facto, o que a presente crise veio já revelar com enorme clareza é que, no sistema capitalista de produção, toda a riqueza se acumula naquela pequena parte da população que vive do trabalho da maioria, e que é em tal facto que reside a principal causa dessa mesma crise. Assim, e em termos imediatos, é preciso fazer com que a riqueza produzida reverta para quem a produz, o que significa que, para combater os despedimentos e o encerramento das empresas, se tenha de instituir um horário de trabalho mais reduzido, a semana de 30 horas, para todos os trabalhadores, e, ao mesmo tempo, fazer aumentar drasticamente a proporção da massa salarial global no rendimento nacional, reduzindo na mesma proporção os rendimentos do capital.
É em torno da reivindicação da semana de trabalho de 30 horas e de um aumento geral de salários acompanhado de uma diminuição substancial dos leques salariais, que se poderá começar a estabelecer uma clara linha de demarcação entre os responsáveis e as vítimas da crise actual. Esse terá de ser o primeiro passo para o ataque imediato a essa mesma crise, o qual há que transformar no prelúdio de uma revolução total do sistema económico, político e jurídico em que assenta o funcionamento da sociedade actual.
Vamos à luta!»

1º Maio – Dia do Trabalhador

No Dia do Trabalhador eu estarei a trabalhar.

Xiuuu.

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Não digam nada à CGTP…

O 1.º de Maio e os Direitos dos Trabalhadores, visto pelos pequenos Partidos


O Aventar pediu um depoimento exclusivo, subordinado ao tema «O 1.º de Maio e os Direitos dos Trabalhadores», aos Partidos Políticos não representados na Assembleia da República e ainda a alguns movimentos cívicos de cidadãos. Ao longo do dia de hoje e nos próximos dias, vamos publicando os depoimentos que nos forem chegando.
A ideia inicial era publicá-los todos ainda hoje, mas o atraso nos convites atrasou também a recepção dos textos. Nestes pequenos organismos, como nos blogues, não há um profissional sempre pronto a responder às solicitações.
Os textos serão publicados por ordem de chegada.