ainda bem que vivemos num Estado laico

caso contrário levaríamos com 4 horas de directo na televisão paga por todos nós para assistirmos em directo ao passeio da Virgem ao Miradouro.

Patxi Andión

Quem?
Sim. Patxi Andión.

Eu também passei por essa experiência quando há quase dez anos alguém me dizia que seria ele a presença musical no Congresso do SPN. Depois de ouvir fiquei, ficamos Apaixonados! Eu e a minha namorada!
Que voz, que comunicador!

Viver sendo livre

Viver sendo livre

Um brilhante intérprete de música, quase sempre em Castelhano, mas também em Basco e Português.
Esteve ontem na Casa da Música.
Eu também estive, estivemos -que concerto!

A Web surprendeu-me pela ausência de informação sobre ele, mas podem sempre ver a Wikipédia, mas em Castelhano.

No guia distribuído à entrada podemos ler o que escreveu o autor sobre ele mesmo, o outro eu, a quem ele pergunta “Quem és?” Escreve assim:
“Consumido pela febre de viver, a minha obra é a minha vida e as minhas canções não são mais do que pretextos para essa chama que alimenta o sonho dos poetas e arde no coração dos rebeldes: Viver sendo livre!

Para ver:
– Vídeo dos 20 anos: 20 anos de Patxi Andión;
– Vídeo da actuação no Coliseu dos Recreios: Patxi no Coliseu dos Recreios

Para comprar os “30 Grandes Êxitos” e ouvir… Bem coladinho, bem juntinho! Sucesso garantido!

A injustiça social e os chás dançantes

Lembro-me de estar deitado numa cama de um hospital militar e receber a visita das senhoras do Movimento Nacional Feminino. As mesmas cujos filhos e genros não iam para a guerra. Foram lá oferecer-me um saco de plástico com umas bugingangas que nem sequer podia comer. Mas estavam ali a lavar a consciência junto dos que eram arrancados às famílias e que davam com o coiro na tropa! Famílias onde faltava quase tudo mas onde sobrava amor e afecto.
As minhas três irmãs mais velhas não puderam estudar para “o homem” da casa ir para a escola. Faltava tudo desde uma alimentação regular e suficiente, até ao médico que só se visitava quando o caso era para morrer. Os sapatos que não se tinham à roupa (pouca) que andava junto ao pêlo. Um país profundamente pobre e injusto, com meia dúzia de famílias a abocanharem grande parte da pouca riqueza que se produzia.
Mas esse mesmo “regime fascista” tentava compor o ramalhete social promovendo uma espécie de “caridadezinha” que os “ricos que comiam tudo” levavam à prática como branqueamento da injustiça de que só eles eram culpados. Nos tempos de crise vamos vendo quem sempre se calou perante o ataque organizado às empresas e às injustiças friamente cometidas, armar agora em “caloroso” irmão na miséria.
Felizmente que há muitas Organizações não governamentais (ONG) que fazem um grande serviço de apoio aos mais pobres, lançando mão dos desperdícios que esta sociedade injusta produz sem cessar! Mas que fique bem claro que não é de “chás dançantes” que esta sociedade precisa!
Precisa de um política de rendimentos justa e de meter na cadeia quem envia para o desemprego os mais frágeis!

Médicos portugueses em pleno Congresso de Ginecologia


Agora sim, percebemos as verdadeiras razões pelas quais os médicos portugueses não querem a troca de medicamentos de marca por genéricos.

Por que festejamos os 50 anos de um miradouro?

Cristo_Rei_Lisboa

Sim, eu sei que este é um país muito religioso (embora já tenha sido mais). Sim, sei que gostamos de festas (apesar do nosso ar tristonho). Sim, sei que qualquer coisinha que envolva a imagem de Fátima é sagrado (embora não perceba bem porque se há-de fazer festa tão grande com uma escultura).

Apesar de saber tudo isto, reconheço sérias dificuldades em entender as causas de tanta festa por causa de um miradouro. Se alguma alma tiver a caridade de me explicar, ficam os meus agradecimentos.

Nobel da Paz para Berlusconi

Foi constituído o comité que irá preparar a candidatura de Sílvio Berlusconi ao prémio Nobel da Paz, pelo “seu empenho humanitário no campo nacional e internacional.” Não sei exactamente que medidas tomadas no plano interno têm em mente os patrocinadores desta candidatura, uma vez que a notícia que está a ser avançada apenas refere a actuação do Cavaliere na cena internacional, mas creio que bastaria citar a nova lei da imigração, aprovada há dias, e as suas humanitárias propostas, para justificar a atribuição do Nobel a Berlusconi: – Criminalização da imigração ilegal, com aplicação de uma multa de até dez mil euros a quem entrar ou permanecer no país sem visto; – Aumento do tempo máximo de permanência de imigrantes em situação irregular nos Centros de Identificação e Expulsão (o nome diz tudo); – Proibição às mulheres estrangeiras sem visto de permanência de registarem os filhos que tiverem em território italiano, o que, a ser cumprido, abrirá caminho a que percam a guarda das suas crianças quando forem expulsas do país; – Legalização das milícias populares formadas por cidadãos que pretendem garantir a segurança pública (as “guardias padanas”) e que até aqui se têm dedicado a vigiar os imigrantes em situação irregular; – Proibição do arrendamento de imóveis (casas ou quartos) a imigrantes em situação irregular, com aplicação de multa e detenção até três anos para os senhorios infractores. Bem vistas as coisas, porquê parar por aqui? Por que não reclamar o Nobel que a Cosa Nostra há tanto merece? Ou exigir a Oslo que, ainda que a título póstumo (bem diz o povo que mais vale tarde do que nunca), distinga o pacifista Benito, e assim redima Il Duce daquela morte patética, de pernas para o ar, exposto à multidão desrespeitosa naquela praça de Milão?

Investimento Sócrates: 4 estádios às moscas

Investir sem parar em obras públicas é o remédio de Sócrates para a crise!
Em quê? Não interessa! Em tudo! De todos os quadrantes, incluindo dos empresários, clamam vozes avisadas que neste quadro frágil e, principalmente, incerto, ninguém sabe o que aí vem, a prudência é o caminho a seguir. Obras de proximidade, recuperação de escolas, hospitais, lares, centro das cidades, renovação das redes de distribuição de água e electricidade, ampliação da rede de distribuição do gás. Melhorar o ambiente, as praias, os acessos às áreas de lazer, facilitar o turismo, o Patrimónimo Histórico que está a apodrecer…
Não, o homem quer obras megalónomas, que depois de lançadas já não andam para trás, que ninguém controla, onde o risco é medonho e a irresponsabilidade um crime! Obras que importam do estrangeiro grande parte do Know How e dos equipamentos, que nos próximos dois anos não têm nenhum efeito no emprego. Não, o homem quer grandes obras!
Obstinado, este mesmo Sócrates já esqueceu que foi por não ouvir ninguém que se deitaram para o lixo 200 milhões de Euros em quatro estádios que todos sabiam não serem necessários: Estádio do Algarve, Leiria, Coimbra e Aveiro. Não só não têm espectadores como as próprias Câmaras não têm capacidade financeira para suportar a sua manutenção. Fez-se um Europeu de Futebol na Holanda e na Bélgica e cada um dos países construiu dois estádios!
Se este homem fosse chamado à responsabilidade deste enorme prejuízo, talvez fosse mais humilde e não cavasse a nossa sepultura! E comparasse o que se faz naqueles dois países para perceber uma série de coisas! A responsabilidade na alocação dos dinheiros públicos, a rentabilidade dos projectos e, porque é que eles são ricos e nós cada vez mais pobres!

FREEPORTGATE, AINDA E SEMPRE

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O PRIMO HUGO DISSE AO JORNAL QUE O PRIMEIRO MENTIU E CONHECIA O SMITH E O PEDRO
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O primo, o tio, o filho do tio, o sobrinho, o ministro, Ministério do Ambiente, o nosso Primeiro, o Smith, o Pedro, a China, Kung Fu, fugas, mentiras, meias verdades, dinheiro, suborno, corrupção, Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo, eleições de 2002, Shaolin, monges, processo, Ingleses, Portugueses, emails, Polícia Judiciária, Procuradoria Geral da República, DCIAP, Jornal O Independente, culpa, inocência, arguidos, família, reuniões, Alcochete, ninguém acusa ninguém, todos são não culpados, o dinheiro desapareceu, ninguém se demite.
Quase cinco anos de histórias desde a denúncia do jornal “O Independente”, fazem uma campanha caluniosa, infame e de cor escura, mesmo até preta, segundo os amigos e defensores do Primeiro de Portugal.
Esta trampa nunca mais acaba, e …
Nunca mais é Outubro, caramba!

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A ética e a confiança não têm lugar num risco de bâton

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Que me desculpem os defensores do “jornalismo corajoso”, como o Ricardo Santos Pinto aqui apelidou há dias, do Jornal Nacional das sextas-feiras da TVI. Até posso reconhecer a “coragem” de enfrentar alguns poderes instalados na nossa sociedade, como o primeiro-ministro. Quanto ao resto, tenho muitas dúvidas.

Gostava de saber, por exemplo, há quanto tempo a TVI tinha o famoso DVD da conversa de Smith e companhia. Gostava de saber porque é que optaram, primeiro, por passar o som, mas não a imagem, reservando-a para uma fase posterior. Admito que haja uma justificação aceitável mas como não a conheço, suponho que a ideia era prolongar o efeito, manter o caso em fervura lenta mas permanente, com evidentes objectivos de audiência e de afectar politicamente um homem com o qual a dupla José Eduardo Moniz / Manuela Moura Guedes não vai à bola, nem a qualquer outro lado. Confira-se, pois, o tom dos restantes espaços informativos e o de sexta-feira. Há ali diferenças e não estão apenas no estilo dos apresentadores.

Respeito mas não gosto do género de apresentação de Manuela Moura Guedes. Não é por causa de Sócrates, garanto. Já não apreciava antes e continuo a manter a mesma posição. Hoje fiquei a conhecer um novo aspecto. O Expresso enviou para a TVI a capa da edição de hoje, dando conta da entrevista exclusiva com o primo de Sócrates, sobre o caso Freeport. A capa do jornal foi disponibilizada para ser mostrada na revista de imprensa deste sábado, com pedido de embargo até às 24 horas. Um pedido de embargo significa que ninguém pode utilizar as informações disponibilizadas até à data em causa. A informação é cedida com o objectivo dos jornalistas a poderem trabalhar, possibitando a posterior apresentação da notícia mal o embargo termine.

Leio hoje no DN que esse pedido não foi respeitado. Fiquei, assim, a saber que a paladina da liberdade e do jornalismo “corajoso” não liga muito à deontologia e à ética profissional. Pior, fiquei a saber que Manuela Moura Guedes, não é de confiança.

Foi assim tão má a opção tomada? Tanto mais que o Expresso já andava, há dois dias, a anunciar essa entrevista no site da Internet? Um exemplo, com algum exagero, reconheço, mas que funciona. Imagine que um amigo, que toda a gente sabia que tinha feito uma biopsia, lhe conta que, de facto, tem um cancro e lhe pede para não revelar a ninguém durante as próximas quatro horas, porque prefere ser ele a dizer aos amigos e à família. Você, alegremente, esquece o pedido e a consideração que o amigo lhe merece e, para brilhar, para ser o primeiro, desata a telefonar a toda a gente e a contar o que sabe. Garanto que além de se transformar num estafermo, o seu amigo, provavelmente,o irá apagar da lista de contactos.

Lisboa e Porto – e o Alentejo?

Sou lisboeta, filho de lisboetas, e gosto do Porto. Detesto, por isso, patéticas disputas entre gente das duas cidades; muitas vezes, a meu ver, não passam de manifestações de bacoco provincianismo. Contra tais polémicas, assalta-me a vontade gritar que há mais país, para além de Lisboa e Porto. O imenso Alentejo é um exemplo de região merecedora de estar mais presente na discussão pública, e em acertadas decisões políticas. Se outros valores não existissem, a solidariedade e a coesão nacional seriam suficientes para o justificar.

O Alentejo, como outras regiões, pode ser observado e analisado em diferentes perspectivas. Dos quadros da natureza, retiramos as deslumbrantes paisagens de final de tarde, em dias quentes e límpidos. De modo ascético, contemplo a enorme planície, suavemente dourada pelo Sol, e saboreio o estado do nirvana, como serenidade perpétua. Todavia, à natureza contrapõe-se a paisagem humana e esta causa-me sentimentos antagónicos. O deslumbramento e a serenidade cedem o lugar à tristeza e à compaixão.

Percorro vilas e aldeias do Alentejo. O cenário de uma população envelhecida, e abandonada à sua sorte, é comum. As idosas lá se arrastam nas tarefas de casa. Eles sentados no banco corrido, à porta da tasca ou do café, esperam tranquilos que este e outros tempos passem. O retorcido cajado, para alguns, é também inseparável companheiro, de todas as caminhadas, incluindo as do tempo.

O Alentejo teve quase sempre o desprezo do poder central. É uma história antiga, que o poeta João Vasconcelos e Sá satirizou, num jantar de Carnaval de 1934, na presença do Ministro de Agricultura de Salazar, Leovigildo Queimado Franco de Sousa, precisamosdemerda.

Nos tempos recentes, anos atrás, ofereceram-lhe a Barragem do Alqueva, a grande infra-estrutura que iria impulsionar a agricultura alentejana para um enorme desenvolvimento. Submergiram terras, casas e a Aldeia da Luz, cuja réplica foi traçada e construída a preceito, para que o sofrimento dos habitantes ficasse minimizado. Foi garantido que, depois, desfrutariam dos benefícios de uma terra produtiva e próspera. Mas os políticos, de novo, mentiram. Há pouco tempo o ‘Expresso’ noticiou que a nova Aldeia Luz está a ser abandonada pelos mais jovens. A escola, cada vez com menos alunos, corre o risco de encerrar dentro de algum. Ficarão os idosos, como sempre.

É este o ‘novo Alentejo’ prometido e não cumprido. Julgo criminoso usar avultados montantes de dinheiro público para facilitar a construção de ‘resorts’ e campos de golfe, projectos que só a crise fez questão de parar… e não o bom senso dos nossos políticos.

O Alentejo precisa de contratar um Alberto João qualquer. É o meu palpite de hoje.

Estou confuso…

relativity
Deveras que estou. Pergunto-me o que foi o nosso Primeiro-Ministro fazer durante 6 horas à Madeira. Pergunto-me porque só ao fim de 4 anos de governação, se deu ao trabalho de fazer uma viagem tão grande sobre o Oceano Atlântico, apenas para ver distribuir 200 computadores a meninos. Terá ido apenas passear, para arejar um pouco a cabeça, deixando para trás os Vitais Moreiras, os Manuéis Alegres e os Lopes das Motas? Terá ido à Madeira para mostrar ao nosso Presidente da República que quando é preciso ir desanuviar um pouco desta canseira da crise, pode-se “ir para fora cá dentro“? Terá ido porque hoje era o seu dia de folga? Terá ido porque era o último sítio do Planeta onde ainda não foram distribuídos os Magalhães? Terá ido para conhecer pessoalmente esse grande entertainer nacional, Alberto João Jardim? Terá ido apenas, relembrando os tempos de Ministro do Ambiente, apreciar a flora ou a fauna MARINHA? GRANDE confusão que isto me mete!

O Bloco e o Alberto Gonçalves:

O sociólogo Alberto Gonçalves, a par com o Carlos Abreu Amorim (Correio da Manhã) e o Ferreira Fernandes (DN) são os meus comentadores preferidos da imprensa escrita.
O Alberto Gonçalves (Sábado) é dotado de um sentido crítico (e humor) absolutamente fantástico. Ontem, no seu “Juízo Final” transcendeu-se: “Nas últimas trés décadas, o meu contacto com as artes circenses tem estado restrito a uma trupe que acampa na minha vizinhança e às proezas do Bloco de Esquerda”. (Ler tudo AQUI).
Fantabulástico! As suas crónicas deviam ser de leitura obrigatória no ensino secundário, ehehehe!

Sócrates, Lopes da Mota e a demissão… de Sócrates

A discussão em torno do processo disciplinar instaurado a Lopes da Mota (ilustre presidente do Eurojust) anda a passar completamente ao lado das questões essenciais.
Obviamente que a comunicação social também é responsável por este desvio de atenções (o Fórum TSF no dia seguinte a esta notícia tinha como tema “a credibilidade e representatividade dos políticos” e não discutiu as pressões), mas o que me surpreende é mesmo a posição de todos os partidos da oposição.
Todos nós sabemos o estado da justiça, todos nós já emitimos opiniões e todas elas convergem. Mas a discussão hoje não deve, nem pode ser em torno do estado da justiça, nem mesmo em torno da demissão ou não de Lopes da Mota. O que se deve discutir seriamente é o facto de um governo querer a todo o custo controlar este processo que deveria estar apenas alocado aos protagonistas judiciários. Este caso prova uma vez mais que o actual elenco governativo também pretende manipular a justiça. Isto não é grave… é muito grave!
Num país normal, o mínimo que tinha acontecido era a demissão imediata do governo, ou seja, a demissão de José Sócrates.
Não é normal que não se questione o porquê das pressões. Lopes da Mota pressionou a justiça apenas com o intuito de beneficiar aparentemente o seu amigo José Sócrates, primeiro ministro de Portugal.
Esta atitude déspota do governo português põe em causa todo o sistema democrático e a discussão política está quase toda ela a passar ao lado do essencial.
Exigem-se consequências! Portugal não pode continuar a conviver com casos mal explicados que envolvem altas figuras do estado. Por muito menos, Miguel Cadilhe, Murteira Nabo, António Vitorino, demitiram-se dos respectivos governos.
A bem da democracia, José devia demitir-se e não ser candidato a primeiro ministro nas próximas eleições.

O amor é lindo!

“Estar na Capadócia era um sonho da minha mulher”. Cavaco Silva, Presidente da República, hoje, na Turquia.