O 13 de Maio ou as patranhas da Igreja


Faz hoje 92 anos que, alegadamente, três pastorinhos viram Nossa Senhora na Cova da Iria. Ao que parece, Nossa Senhora contou três segredos aos pastorinhos.
Os crentes que me perdoem, mas sempre achei isto uma enorme patranha. Nossa Senhora em cima de uma azinheira? Ora, ora…
Pessoalmente, e ainda ontem dizia isto a um amigo, acredito mais que os pastorinhos se tenham esquecido das horas por andarem na brincadeira, como crianças que eram. E chegaram atrasados para o jantar.
E depois, claro!, para não levarem na tarraqueta, como diz o meu sogro, tiveram de inventar uma «estória». Que tinham visto Nossa Senhora! E logo Nossa Senhora! Ah, ah!
Não tinham fraca imaginação, os ganapos, não senhor…

O coninhas

Estou certa de que no sul a designação será mais suave mas creio que, pese alguma eventual grosseria, nenhum outro substantivo seria mais adequado. O coninhas é aquele homem que desbarata a sua dose de sensibilidade feminina no cultivo da intriga e da superficialidade, e se abriga das intempéries do mundo debaixo da saia da sua mulher.

O coninhas é fútil sem sensibilidade, timorato sem prudência, cortês sem empatia. No silêncio da sua mente de traços paranóicos, tece complicadas fantasias sexuais com mulheres improváveis e vive aterrorizado com a ideia de que essas fantasias possam chegar ao conhecimento da sua mulher.

Quando está entre mulheres próximas à sua – amigas, vizinhas, colegas de trabalho… – mimetiza-se. Se são donas de casa, ele fala do tempo que faz, tão húmido, que chatice, não seca nada. Se são mães, junta-se ao coro, o meu também, é um traquinas, sempre a fazer asneiras. Se são profissionais, também ele se sente desafiado por uma sociedade que obriga as mulheres – e os homens, atenção, que os homens também – à perfeição em várias frentes.

Mas se a mulher em causa está a uma prudente distância de segurança da sua, se probabilidade de alguma vez se cruzarem é remota… aí o coninhas solta-se. Fala livremente dos decotes que lhe fazem vertigens, dos perfumes estonteantes, das bocas de lábios cheios… Entra num frenesim histérico do qual só um tabefe o pode resgatar.

Um sistema nervoso frágil, mutilado pela permanente auto-censura, reage mal à livre expressão. O coninhas anseia por limites, precisa do olhar carrancudo da sua mulher ainda antes de ele se atrever a pisar o risco, precisa da segurança reconfortante das rotinas, do filme alugado à segunda à noite, do telefonema de controlo se ele se atrasa um pouco no regresso a casa, das tardes de sábado na cozinha, às voltas com o livro de receitas da Bimby.

O coninhas pretenderá que é feminista, defensor da igualdade de direitos, e haverá mulheres que o olham como o homem ideal, mas esta criatura, não se enganem, tem os dias contados. Dividido entre o desejo e o temor, espartilhado por anseios antagónicos, amordaçado pelas suas próprias mãos, presa da coscuvilhice sem freio, o coninhas é uma bomba-relógio…

Em defesa da Linha do Tua

A imprensa noticia hoje que o Ministério do Ambiente decidiu definitivamente pelo alagamento da linha ferroviária do Tua para a construção de uma Barragem. Embora construída à cota ´mínima, é um pedaço inestimável da nossa história e da nossa cultura que desaparecem. Razões mais do que suficientes para recuperar este texto, sempre actual, que já publiquei em três blogues, e o pequeno filme que fiz aquando da viagem até Mirandela.

O facto de sermos governados por um iletrado, de quem nada se espera em termos de defesa do património natural e edificado do nosso país, não dá a ninguém o direito de cruzar os braços perante o atentado criminoso que se prepara para o Vale do Tua e a sua inacreditável linha ferroviária.
Para quem não sabe, a Linha do Tua foi equiparada, pelos mais reputados engenheiros, em termos de dificuldade, às Linhas ferroviárias dos Alpes Franceses ou Suíços. Pela sua beleza e rigor técnico, merecia ser classificada como Património Nacional ou, mesmo, Património Mundial da Humanidade.
Ao invés, querem destruí-la. Para dar lugar a uma Barragem, que representará menos de 4% da produção de energia existente de norte a sul. Uma Barragem! Um monte de betão, tão do agrado dos novos engenheiros de Portugal. Os engenheirozecos que hoje mandam no país, os mesmos que fazem licenciaturas da forma que se sabe e que fazem projectos de sarjeta!
Pensarão os mais pessimistas que não adianta lutar. Nada se pode contra o betão! Nada se pode, no fim de contas, contra o dinheiro! Pois se Portugal é líder nas energias alternativas e continuamos a pagar a electricidade cada vez mais cara…
Concedo que é difícl. Lutar contra o betão e o dinheiro é difícil, mas lutar contra a ignorância é ainda mais. Mas não é impossível. Temos as gravuras de Foz Côa como exemplo, apesar de continuarem à espera de uma verdadeira política de exploração cultural e turística.
Infelizmente, quando perguntados, os senhores do poder dirão que se trata de progresso. De desenvolvimento.
Como é óbvio, os senhores do poder não sabem, porque não querem saber e porque são iletrados, que em 1886 a Linha do Tua já chegava até Mirandela e que em 1906 chegou a Bragança.
100 anos depois, a ligação a Bragança já não existe. Há muito que já não existe! 120 anos depois, querem acabar com a ligação a Mirandela, a última ligação ferroviária do Nordeste Transmontano!
O progresso é isto? O desenvolvimento é isto? Acabar com o meio de transporte mais limpo, mais eficiente e menos poluente do mundo é progresso? É desenvolvimento? Abandonar a via tradicional para fazer absurdos TGV’s num país minúsculo o que é?
Para o fim, o mais importante: as pessoas. Algo que, olhando para a realidade sócio-política do nosso país, não será grande argumento. São poucos aqueles que vivem em Trás-os-Montes, por conseguinte, são poucos aqueles que votam. Acabar com a única ligação ferroviária em toda a região não representará mais do que meia dúzia de milhares de votos, tantos quantos são aqueles que utilizam anualmente a Linha.
Milhares de pessoas, todos os anos, em aldeias isoladas, sem forma de chegar a Mirandela ou à Régua? É o progresso! É o desenvolvimento!
Infelizmente, como já se percebeu, não vale a pena contar com o bom senso dos novos engenheiros que governam Portugal. Já sabemos que o Sr. José de Sousa, o pequeno democrata de Vilar de Maçada, nunca recua. Nem ele, nem o seu Ministro Jamais, nem aqueloutro Ministro que demoliu a casa onde viveu Almeida Garrett para aí construir o seu empreendimento de luxo. Para essa gente, o património vale muito pouco.
Infelizmente também, não podemos recorrer sequer a Belém, onde vive uma Múmia Petrificada que, embrenhada no seu novo papel de «cooperadora estratégica», sorri até mais não poder, calculista até à vergonha. O mesmo que, enquanto Primeiro-Ministro, começou a destruição da via férrea.
Pelo menos até ao seu segundo mandato, Portugal pode estar a «ferro e fogo», que ele continuará a passear férias em Moçambique à custa do erário público.
Resta-nos, pois, lutar. Sozinhos. Com a força da razão. Em defesa de um vale único que vai desaparecer. Em defesa de uma linha irrepetível, considerada a terceira mais bela do mundo das vias estreitas. Em defesa de Portugal. Em defesa das suas gentes que dependem do comboio.

"Sexo entre casal de cadáveres causa escândalo"

Isto a propósito do post com o título “Preservativos e sexo anal nas escolas secundárias”. Que excelente título. E que polémica. Menores de idade, sexo anal e escolas secundárias? Escândalo! No entanto, acho que este título do JN é ainda mais escandaloso.
Para surpresa minha até é mesmo verdade! Mais uma vez, o anatomista louco Gunther von Hagens está a provocar escândalo. Desta vez, expôs um casal de cadáveres plasticizados em pleno acto sexual. A “escultura anatómica” chama-se “Acto Suspenso”.
Já conheço esta personagem de ar tresloucado há alguns anos. Houve uma altura até em que pensei ir até Berlim para ver a exposição. Queria perceber por mim, in loco, se esta exposição estava errada ou correcta. Ainda não a consegui ver. Entretanto já apareceram outras exposições anatómicas do género e o celeuma esmoreceu. Não admira que a exposição original (Koerperwelten – Mundos dos Corpos) tenha que puxar dos galões e escandalizar novamente.
Pelos vistos, “políticos e dignatários eclesiásticos (o que será isto?) exigiram que o “Doutor Morte”, retire os cadáveres da mostra, considerando “indecente e imoral” colocar corpos sem vida em tal pose.” Mas se for noutra pose não-sexual, já pode!?
Os responsáveis das duas principais igrejas alemãs, a Católica e a Protestante, pediram “a proibição de mostras públicas de cadáveres, que consideram atentatória da dignidade humana, ainda para mais se for para fins lucrativos.” Daqui eu entendo que se eu quiser ver um cadáver numa posição estranha tenho de estar sozinho com ele na sala e não devo pagar nada por isso.
Curiosamente, eu já visitei a secção de anatomia patológica do Instituto Abel Salazar. O ano passado tentei novamente, mas foi-me negada a entrada. Apenas os alunos podem visitar um excelente espólio que está para ali escondido. Mas qual é o problema desta gente? Acham que vou ficar traumatizado por ver o interior do corpo humano? Por ver um rim? Um pénis? Sinceramente! Devo parecer um miúdo para esta gente!
Eu penso sempre que já se atingiu o limite. Mas aparentemente não. Nota-se que cada vez é mais difícil, mas parece haver sempre um maluquinho qualquer que consegue surpreender os restantes com “uma boa polémica”. Mais difícil ainda, é definir o que é aceitável ou inaceitável. Expor cadáveres com propósitos científicos de mostrar a anatomia é aceitável? Não? E se forem de plástico, já será? E se for para o desenvolvimento da anatomia? O que será o inaceitável? O que é isto do tabu? Para mim, o tabu é apenas falta de acessibilidade a um assunto. Por exemplo, pornografia e sexo anal. Basta mencionar estas palavras e alguém do outro lado da sala começa logo a corar. A pornografia é um tabu porque não está acessível. Se a pornografia estivesse acessível da mesma forma como uma telenovela ou um jornal gratuito não seria um tabu. Nem seria nada de especial. Seria como uma opinião qualquer. É a velha questão da bicicleta, “ficas na tua e eu fico na minha”.
Todos os dias somos confrontados com a menina meia descascada que apresenta os programas de diversão da noite, com a apresentadora toda gira e decotada, com as alusões sexuais dos anúncios na comunicação, em que para vender um sumo tem de aparecer uma boazona quase a ficar nua, ou em que uma pequena rapariga de biquini rarefeito bebe cerveja “até à última gota”,  ou em que cornflakes são misturados com morangos, natas e uma esbelta top-model pelo meio. Sexo, sexo, sexo e mais sexo. E pornografia?
O sexo é implicitamente impingindo, mas a pornografia é negada! Porquê? Porque é tabu!
Com quem é que falamos sobre pornografia? Ninguém. Mas sobre sexo falamos de certeza. Até há programas sobre sexo, com mulheres a avaliarem diferentes tipos de dildos!!
Se depois de todos estes estímulos eu quiser aceder a uma boa pornografia… fico-me pelos estímulos, porque pornografia quase só imaginando-a. “It´s all in your mind”. Apesar de parecer que está aí em todo lado, não está. A TV não emite. A TV por cabo só emite em canais codificados. Na imprensa é praticamente inexistente. Em livros nem nunca ouvi falar. Resta o bafiento video-clube com os filmes ainda nas amarelecidas “micas” de plástico dos anos 80. Mas dizem-me que os filmes agora são melhores… porque vêm com extras. É o que dizem…
Claro que depois existe a Internet, o verdadeiro cyber-mundo pornográfico. Mas dá cabo do computador todo. Vírus, worms e outras coisas exclusivas da net, invadem-nos o computador mesmo que nem se queira. Às vezes ligo o computador e ele sozinho até se inscreve em sites XXX. A Internet lá vai quebrando o velho tabu da pornografia. Este problema da (pouca) acessibilidade da pornografia e do seu respectivo tabu tem de ser comparado a um outro semelhante: o sexo anal. Como raramente se ouve/se fala/se vê/se faz, é sempre o mais proibido o mais desejado… Acessibilidade… É o que faz quebrar os tabus…
Tabus? Ainda existem tabus? Acho que não. Já nada faz eco hoje em dia. Já nada choca. Mas isso também não interessa para nada, porque estão sempre a aparecer uns tabus diferentes para apreciar.
O que me interessa é isto: quando é que se tem a oportunidade única de juntar cadáveres, sexo anal, o Albino Almeida e a Ministra da Educação em apenas 2 posts deste blog? Isto é que é polémica! Não consegui resistir.

Dia 30 voltamos a Lisboa porque:

Caros leitores,
o que a equipa da educação do sr. “Ingínheiro” fez ao presente e ao futuro da nossa escola pública é algo muito próximo de um crime contra a humanidade. O tempo vai dar razão a quem anda há anos a dizer tal coisa.
São muitos e variados os motivos, mas para abrir a explicação vou recorrer a trabalho alheio:

– Cartoon da situação em França, lá como cá:

As notas

As notas

– A Carta à ministra da Educação, um texto de Santana Castilho no Público de hoje:

Um texto de Santana Castilho publicado no Público

TGV – o que nos escondem

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A situação do país é tão má que é quase impossível que os Megaprojectos avancem. Mas como já vimos inaugurar fábricas com tecnologia de ponta que ninguém reconhece, aproveitar as ondas do mar e não haver tecnologia, controlar bancos privados que afinal têm lucros fabulosos, é melhor termos cuidado.
A questão é tão grave que há um grupo de personalidades que se estão a dirigir ao governo no intuito de o levar a reflectir sobre o assunto, revela hoje o “i”!
Entretanto, veja o que nos esconde o governo ou, como diz o autor, o que não chega a Sócrates!

A homossexualidade trata-se?

Colocar esta pergunta é mais indecoroso para alguns do que o sofrimento de pessoas que se querem tratar. Há pessoas que se sentem mal com o facto de serem, ou pensarem ser, homossexuais. Este estado é, sem dúvida nenhuma, uma doença. Ter uma doença é ter algo que impede a pessoa de se sentir bem consigo própria, de ser feliz. Estar doente não é a ausência de doença, no sentido médico do termo. Por isso se diz que há doentes e não doenças! Há uma média de suícidios entre os jovens homosexuais muito superior aos restantes jovens.
Perante este facto e este sofrimento, há quem defenda que não devem ser tratados nem procurarem um médico. Porquê? Porque a homossexualidade não é uma doença! Se não é uma doença (pelo menos para alguns), porque é que os jovens se suícidam? Porque não têm auto-estima, sentem um sentimento de rejeição, sentem vergonha, enfim, não são felizes.
Há por aí uma discussão entre médicos por causa deste assunto. Daniel Sampaio e a Ana Matos Pires da Jugular criticam ferozmente dois seus colegas que tratam quem os procura por se sentiram doentes. Paulo Jorge Vieira do «5 Dias» também vai no mesmo sentido.
É essa a obrigação dos médicos, tratar quem os procura. Mas o que me parece é que na opinião do Daniel Sampaio, da Ana Matos Pires e do Paulo Jorge Vieira, conta mais o preconceito de que a homossexualidade é algo de muito natural. Para muitas pessoas, não é! E tanto não é que há homossexuais que procuram os médicos para serem tratados da sua homossexualidade!

Post aberto ao 5 Dias

Caros bloggers do 5 Dias:

Dirijo-me a vós por esta via por o blog não ter endereço de email e por não estarem disponíveis os endereços de cada um dos membros.
Fui membro desse blogue durante alguns meses, em 2008 e 2009. Entrei de minha livre vontade, sem espalhafato, e saí do mesmo modo, sem dramas. Os meus textos ficaram por aí, não tendo sido posteriormente disponibilizados para colocação neste blogue onde agora me encontro porque achei que não havia necessidade. Se os quiser utilizar, sei onde ir procurar.
Decidi, há uns dias, que os meus textos, no 5 Dias, não têm o destaque merecido. Escrevi um email às pessoas que por aí estavam quando fui membro, a saber, o Nuno Ramos de Almeida, o António Figueira, o Luís Rainha e o Zé Nuno. Pedi que fossem mais realçados. Não fui atendido. A minha insistência apenas teve como resposta final o silêncio.
Venho, assim, solicitar, por esta via pouco pessoal e pouco confortável, que o façam. Espero que entendam que não autorizei, não entreguei, não cedi a ninguém, e muito menos a uma entidade chamada “5 Dias” quaisquer direitos sobre os posts que aí publiquei, sobretudo para depois estarem tão escondidos no meio de textos que não interessam a ninguém. Ninguém tem direitos sobre os mesmos a não ser eu próprio. Escrevi-os e publiquei-os eu.
Por muito que possa ser considerada uma minudência, estão a ser pouco divulgados no blogue contra a minha vontade. Retidos. Porque, neste momento não tenho direitos de administração, portanto, não lhes posso aumentar o tipo de letra eu próprio. Não posso pô-los a bold. Peço-vos que o façam. Que alguém o faça. O Nuno Ramos de Almeida recusou.
Espero que o bom-senso prevaleça. E que o que vos peço seja atendido. Eu, por mim, não vou desistir enquanto não vir este meu direito respeitado. Não vou, não. Alguém poderá dizer que é birra ou outra coisa qualquer. Não me importa.

É tudo.

Saudações blogueiras.

Ricardo Santos Pinto / r.

Actualização: Aviso desde já que, como tenho tomates e não me escondo sob as saias da mamã, vou recorrer a vias judiciais para que este meu direito seja cumprido. Corpo 18 e a bold para os meus «posts», já!

Que a alta inquisidora, perdão, presidente do Conselho Executivo, nos salve!

A alta inquisidora, perdão, presidente do Conselho Executivo da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos José Maria dos Santos, no Pinhal Novo, em Palmela, determinou que alunos, professores e funcionários deste estabelecimento público estão proibidos de “vestir tops com decotes pronunciados, minissaias muito curtas e calças descaídas”, revela-nos hoje o Correio da Manhã.

A alta inquisidora, perdão, presidente do Conselho Executivo, Natividade de Azeredo de sua graça, confirmou a aplicação das regras, aplicadas numa emenda ao regulamento interno da escola, como resultado de situações verificadas na sala de aula. Nem me seguro de imaginar o deboche que seriam as aulas daquela escola e o regabofe entre alunos, professores e demais funcionários.

Valha-nos a existência de tão casta senhora para impor o decoro, a moral e os bons costumes naquela nobre escola e naquele meio social. Fico até atormentado só de imaginar o estado de degradação moral daquelas bandas, quais Sodoma dos nossos dias.

Apesar destes sinais positivos, preocupo-me agora com o resto da comunidade não escolar. Os pais, familiares, amigos dos pais e amigos dos familiares daqueles jovens, para não falarmos dos amigos e familiares dos professores e funcionários e respectivas relações sociais terão foram de se salvar? Atendendo ao estado de decrepitude a que os frequentadores da escola chegaram, suponho que a comunidade envolvente deve estar contaminada do mesmo fervor libertino, senão como aceitar ou imaginar que tal seria possível dentro da insigne estabelecimento de ensino.

Que a alta inquisidora, perdão, presidente do Conselho Executivo, nos salve.

Anal, Apertado, Obstrução

Em três postes quase seguidos e no mesmo dia, os aventadores dão bem conta dos apertos do dia a dia a que estão sujeitos.
Aventar é um lugar ao vento, numa planície, sem horizontes, o contrário de apertado! Porquê esta súbita tendência para o limitado, para “estar à rasca”? Efeitos colaterais da crise?
Mas como, se ainda ontem o Porto ganhou o campeonato, e o presente era risonho e “as manhãs cantavam”? Aproximação às matérias, brilhantemente, tratadas na Jugular? Sexo, homossexuais e lésbicas? A verdade é que os meus companheiros aventadores dão índicios de caminharem para uma depressão. Assunto tambem da competência da Jugular! Ou simples
“relaxamento” após os folguedos do tetra? Treta, diria o Aniceto! Treta ou não exige análise conveniente e soluções eficazes.
Como tal, avanço já com medidas correctivas. Qualquer sugestão para se abordar estes assuntos aqui no Aventar será considerado como uma pressão inadmíssivel e, como, tal sujeito a inquérito.Se for um elemento exterior ao Aventar, será tido como um conselho mas a rejeitar de imediato. Se for de qualquer autoridade do poder Judicial, Governamental, Religiosa ou Jornalística, deve ser de imediato transmitida ao PGR. Há que aproveitar a maré! E aliviem-se!

Que Estado Palestiniano quer o Papa?

Bento XVI anda por terras sagradas, transformadas em terras violentas por homens que se dizem filhos e herdeiros das terras sagradas.O Papa quer um Estado Palestiniano independente.Pelo menos referiu-se a este assunto assim mais ou menos nestes termos.Mas para termos um Estado independente precisamos de i) um território ii)um povo iii) uma organização política.Cada uma destas características traz-nos problemas que o Papa não quiz esclarecer mas é onde residem os embróglios.O território é um só para a opção “dois estados,dois povos, um só território? É acreditar que a água e o azeite se misturam e não misturam como se sabe. Dois territórios, dois Estados , dois povos? Mas assim lá se vai “o grande Israel”! E Jerusalém? Autónomo dos dois Estados e governado por uma solução “tipo Vaticano”? Um Estado dentro de dois Estados? Ou governado por uma solução internacional,com Europeus e Americanos ? Como se vê ir à Palestina e dizer que se quer um estado Palestiniano é dizer muito pouco.Todos querem, menos os Palestinianos, sejam eles Árabes ou Judeus.De qualquer forma estou em crer que a criação de um Estado Palestiniano, com a “absolvição” dos grandes deste mundo poderia abrir caminho a uma solução negociada,mas não tenhamos dúvidas, só daqui a algumas gerações, quando o ódio estiver esquecido!

Coisas execráveis

Não sou muito antigo na blogosfera, mas isto deve ter sido das coisas mais execráveis que já li.

Será isto a famosa paciência chinesa?

wang-guiying

Wang Guiying tem 107 anos. A longa vida desta chinesa, que viu partir o imperador e chegar a revolução, tem sido vivida, imagino, de forma calma e lenta.

Nascida na província de Guizhou, filha de um mercador de sal, esse produto de grande valor humano, cresceu a ver os tios e outros homens a tratar mal e a bater nas respectivas mulheres. Talvez por isso, criou uma severa resistência ao casamento.

Após a morte do pai, mãe e irmã mais velha terem morrido, Wang mudou-se para o campo. Viveu da da pequena agricultura, como tantos milhões de outros chineses. Assim foi até aos 74 anos, quando as forças a abandonaram e se tornou impossível continuar na lavoura.

Passados todos estes anos, Wang chegou à conclusão que era tempo de perder o medo. Apostou em esquecer o longínquo passado e manifestou esperar encontrar o homem da sua vida, de preferência um centenário e bom conversador, porque o que ela pretende é conversar com alguém.

Tudo porque não quer ser um estorvo para as suas sobrinhas, já adiantadas na idade, e que têm de a apoiar de forma quase permanente desde que partiu a perna, aos 102 anos. Já lá vão cinco, contou à Reuters.

“Os meus sobrinhos e sobrinhas estão a ficar velhos e os seus filhos estão já ligados às respectivas famílias e eu estou a tornar-me um incómodo. Tenho já 107 anos e ainda não casei. O que acontecerá se não me despachar a encontrar um marido?”.

Vital Moreira, o melhor que nos podia acontecer

Foto do http://exsocialista.wordpress.com/Quanto mais os dias passam mais me convenço que o Vital Moreira foi o que de melhor podia ter acontecido ao nosso país.
Já quase nem precisa de abrir a boca para que mais um português decida não votar nele.
A forma como defende a não realização do referendo é fantástica. (via arrastão)

Obrigado camarada Moreira, sem ti teríamos que levar com o Sócrates mais uma anitos!

Primeiro-Ministro no http://exsocialista.wordpress.com/

Nos 25 anos da morte de Joaquim Agostinho


O Luis Moreira chamou a atenção, no Domingo, para os 25 anos sobre a morte de Joaquim Agostinho. Afogueado com o tetracampeonato do FC do Porto, preferi deixar para hoje a evocação do maior ciclista português de sempre.
Joaquim Agostinho nasceu a 7 de Abril de 1943 no lugar de Brejenjas, da freguesia de Silveira, concelho de Torres Vedras. O ambiente rural em que foi criado levou-o a abandonar os estudos quando ainda não completara a quarta classe, para ajudar o pai na lavoura.
Durante um ano, esteve em Moçambique a cumprir o serviço militar. Quando regressou, pegou no dinheiro que fora amealhando e foi a Torres Vedras comprar uma bicicleta. Passou então a ser a sua amiga inseparável e que utilizava para se deslocar diariamente para a Fazenda dos Cucos, onde trabalhara antes ainda de ir para o Ultramar. Demonstrando a força que tinha nas pernas, conseguia chegar sempre ao mesmo tempo da camioneta da carreira.
«Nesses tempos Agostinho deslocava-se para o trabalho utilizando uma bicicleta como meio de transporte, aliás como faziam muitos dos seus conterrâneos. Eram grandes grupos de trabalhadores da Casa Hipólito, do FAZ e de outras empresas que enchiam nas horas de ponta, por completo, as estradas que ligam Torres Vedras a destinos como Coutada, S. Pedro da Cadeira, Silveira, Povoa de Penafirme, e entre eles encontrava-se muitas vezes o nosso Joaquim Agostinho.» (Francisco Manuel Costa Fernandes, in Joaquim Agostinho: 20 Anos)
Aos vinte e cinco anos, concretizando uma aspiração que ia alimentando há algum tempo, decidiu que queria ser ciclista. Em 1967, no dia de Natal, competiu pela primeira vez a nível oficial. Foi no Circuito do Barro e a facilidade com que venceu, a grande distância de todos os adversários, demonstrou que se estava em presença de um enorme talento.
Poucos dias depois, vai prestar provas ao Sporting Clube de Portugal e é imediatamente admitido. Chamavam-lhe então o «Quim Cambalhotas», porque caía muitas vezes. Não imaginavam, nessa altura, que seria numa dessas quedas, anos mais tarde, que encontraria a morte. No entanto, a abnegação com que encarou esses primeiros tempos de «leão» ao peito levou-o à vitória, logo no ano seguinte, do Campeonato Nacional e Regional de Amadores. Já como profissional, participa na sua primeira Volta a Portugal em Bicicleta, ainda em 1968, onde fica em segundo lugar.
Em 1969, consegue a sua primeira internacionalização, através da participação no Campeonato do Mundo de Estrada, em Imola. Apesar de terminar a prova em décimo quinto lugar, essa classificação foi a melhor de sempre obtida por um ciclista português. Pouco tempo depois, vence a Volta ao Estado de S. Paulo, no Brasil, e volta a sagrar-se Campeão Nacional de Fundo. Termina a Volta a Portugal em primeiro lugar, mas é desclassificado por acusar «doping».
Entretanto, a fama de Joaquim Agostinho galgara fronteiras. Na prova mais importante do calendário mundial, o «Tour» de França, vence duas etapas (Mulhouse e Revel) e termina no oitavo lugar.
Em Portugal, já não tinha nenhum adversário à altura. Em três anos, entre 1970 e 1972, vence três Campeonatos Nacionais de Fundo e três Voltas a Portugal. O quarto lugar que obtém na Volta a França de 1972 chama ainda mais a atenção da comunidade internacional para as suas qualidades.
Em 1973, abandona o Sporting e é contratado pela Bic. Em França, vence o contra-relógio de Bordéus e termina a prova em oitavo lugar. No ano seguinte, fica em segundo na «Vuelta» à Espanha, onde só não ganha porque teve de ajudar o «chefe de fila», e em sexto no «Tour». Nos anos seguintes, a contas com problemas nos clubes que representou e com acusações de «doping», vai desiludir.
Mas em 1978, ao serviço da equipa belga Velda / Lano / Flandria, regressa em grande. Forte e pujante, em particular nas etapas de montanha e nos contra-relógios, termina a Volta a França na terceira posição, a melhor classificação que obteve. Melhor do que ele, só os míticos Bernard Hinault e Joop Zoetmelk. A euforia que então se apoderou dos emigrantes portugueses, quando subiu ao pódio para receber o prémio do terceiro posto e a medalha da cidade de Paris, ficou na história da prova.
No ano seguinte, representando a mesma equipa, Joaquim Agostinho partiu como favorito à vitória. No entanto, os primeiros dias não lhe correram bem e só a etapa dos Alpes e o último contra-relógio lhe permitiram repetir a classificação do ano anterior, o terceiro lugar. «Quando pressinto que Agostinho vai fugir, ataco eu, para ficar tranquilo», viria a dizer Eddie Merckx nesse mesmo ano.
Em 1981, desistiu. Em 1982, não participou. Em 1983, ficou em décimo primeiro lugar. Era então o mais velho do pelotão, com quarenta anos. Foi a décima terceira e última vez que correu a Volta à França. Anos mais tarde, em 2003, viria a ser considerado o vigésimo nono melhor ciclista da Volta de todos os tempos, numa classificação que tinha Eddy Merckx, Bernard Hinault e Jop Zoetmelk nos primeiros lugares. Uma das dezassete curvas da mítica etapa que termina no Alpe d’Huez foi baptizada de Curva Agostinho em sua honra. Uma curva que tem uma inclinação de 14,7% e que representa o ponto mais difícil da ascenção.
Em finais de Abril de 1984, quando preparava o regresso à Volta a Portugal, participou na Volta ao Algarve ao serviço, ainda e sempre, do Sporting. Assumiu desde cedo o comando da prova e foi com a camisola amarela que, na etapa que terminou na Quarteira, no dia 30 de Abril, caiu na recta da meta quando se atravessaram no caminho dois cães. Ainda conseguiu levantar-se e terminar a etapa, com a dignidade que sempre demonstrou, mas foi o chamado «canto do cisne».
«Agostinho decidira, enfim, deixar a vida de andarilho pela estranja. Para acabar a sua carreira no Sporting. Acabá-la-ia tragicamente. Como herói morto na batalha. Corredor de milhares e milhares de quilómetros, subiu e desceu adamastores, cruzou, vezes sem conta, planícies, obedecendo a uma mitologia sem sentido que era uma espécie do seu código deontológico na raça: cair, sufocar a dor e continuar.» (Carlos Miranda, in História de 50 Anos do Desporto Português)
Com fortes dores de cabeça, é levado para o Hospital do Algarve, onde nada é feito porque não havia neurocirurgião. Acaba por ser transportado de ambulância para Lisboa, porque não havia helicóptero disponível. Nunca como nessa altura as lacunas do Sistema Nacional de Saúde nessa deprimida zona do país se revelaram tão graves.
Nos dias seguintes, o país ficou suspenso de um desfecho que se temia tanto quanto se adivinhava. A entrada em coma prenunciou a morte, ocorrida no dia 10 de Maio. Causa do óbito: embolia pulmonar, conseqüência do inicial hematoma epidural, ou seja, sangue que se aloja entre a calota craniana e a dura-máter e que tem solução se tratada de imediato, o que não aconteceu. Foi sepultado no cemitério de Silveira, numa cerimónia que contou com a presença de milhares de pessoas.
«Vê tu, Joaquim, é capaz de aparecer quem proclame que tu caíste de camisola amarela, algo que, afinal, era capaz de lisonjear Merckx, Anquetil, mais para trás, um Bartali e um Copi… Levei o meu tempo a perceber, mas ainda compreendi em boa altura: que tu nunca quiseste deixar de ser o camponês que nasceste, que a uma camisola amarela preferias o ir para casa, uma semana que fosse, que a uma vitória nas alturas querias o amor da mulher, dos filhos, o conforto da casa, a paródia dos amigos, o João, o Leonel, que o teu mundo não era o dos «palaces» dos fins de etapa, os teus horizontes confinavam-se aos campos verdes de Torres Vedras, o teu Atlântico não era o do Brest, era o de Santa Cruz… Foi isso que compreendi e confidenciei então, a meia dúzia ou menos de pessoas amigas: nunca s
er
ias um grande campeão, contentavas-te em ser um homem feliz. O Rei podia vestir a tua camisola.» (Carlos Miranda, in «História de 50 Anos do Desporto Português)
Em sua homenagem, o Prémio Internacional de Torres Vedras passou a designar-se, em 1985, Troféu Joaquim Agostinho. Em 3 de Julho de 1988, foi inaugurado na Várzea um monumento em bronze que recorda a sua memória, da autoria do escultor Soares Branco, do arquitecto Leopoldo S. Branco e do torneiro João António. Em Silveira, onde nasceu, foi dado o seu nome a uma das avenidas mais movimentadas da freguesia e erguido um monumento em sua honra.

in «Torres Vedras: Na ESteira das Velhas Torres», Paços de Ferreira, Héstia Editores, 2006.