Aleluia!


Dúvida? Não. Mas, luz, realidade
e sonho que, na luta, amadurece.
– O de tornar maior esta cidade.
Eis o desejo que traduz a prece.

Só quem não sente o ardor da juventude
poderá vê-la, de olhos descuidados.
Porto – palavra exacta. Nunca ilude.
Renasce, nela, a ala dos namorados!

Deram tudo por nós estes atletas.
Seu trajo tem a cor das próprias veias
e a brancura das asas dos poetas…
Ó fé de que andam nossas almas cheias!

Não há derrotas quando é firme o passo.
Ninguém fale em perder! Ninguém recua…
E a mocidade invicta em cada abraço
a si mais nos estreita. A pátria é sua.

E, de hora a hora, cresce o baluarte!
Lembro a torre dos Clérigos, às vezes…
Um anjo dá sinal quando ele parte…
São sempre heróis! São sempre portugueses!

E, azul e branca, essa bandeira avança…
Azul, branca, indomável, imortal.
Como não pôr no Porto uma esperança
se “daqui houve nome Portugal”?

Pedro Homem de Mello

Pinto da Costa, Jesualdo e Pedro Emanuel

  
5 de Novembro de 2008. Kiev, capital da Ucrânia. A 20 minutos do fim, o FC do Porto perde com o Dínamo e está afastado da Liga dos Campeões. Depois das derrotas com esse mesmo Dínamo, com a Naval e com o Leixões, parecia o fim da linha para Jesualdo Ferreira e para o Campeão Nacional.
De repente, Rolando e Lucho Gonzalez marcam dois golos e o FC porto passa para a frente. É a reviravolta e a caminhada em frente na competição. Viria a cair apenas em Abril, aos pés do Manchester United, e depois de ser simplesmente a equipa mais difícil que o actual Campeão Europeu teve de defrontar na sua caminhada até à final.
Na minha opinião, foi aquele o momento decisivo. A reviravolta no jogo e na época. Foi também o jogo em que Pedro Emanuel regressou à equipa após meses de ausência. A voz de comando, o espírito do dragão que encarna foram fundamentais. A sua experiência, a sua calma, a sua raça terá valido, muito provavelmente, uma época.
Jesualdo Ferreira teve a inteligência de perceber que, naquele momento, era aquele jogador que fazia falta. Um treinador que foi desde sempre mal-amado mas que, na terceira época à frente dos destinos do «Dragão», já nada tem a provar a ninguém. Mesmo aquele temor, aquela reverência que demonstrava face a adversários mais fortes, parece ser hoje coisa do passado. A forma como integrou os novos elementos com os que já cá estavam foi extremamente hábil. Com ele, o plantel ter-se-á valorizado em vários milhões.
Por fim, Pinto da Costa. Sem os rabos de saias a distraí-lo, voltou a assumir o comando da nau. Relembre-se que o FC do Porto tinha 7 Campeonatos conquistados quando chegou à Presidência, 3 deles na década de 30, 2 na década de 50 e 2 na de 70, quando já era o chefe do Departamento de Futebol. Hoje, tem 24 e é um clube de nível internacional. Mais palavras para quê?

Faltam 15 minutos para o jogo decisivo.

O Leão já não ruge


Faz hoje 25 anos que morreu um grande campeão. Joaquim Agostinho, uma força da natureza, preparado a pão e água, com jornas de enxada nas mãos na sua terra natal. Atacava quando tinha forças, o que era quase sempre. “Doucement”, dizia-lhe Merckx ao empinar a bicicleta montanha acima. Ali, em Espanha, roubaram-lhe uma Vuelta e ficou várias vezes nos três primeiros lugares no Tour. Jogava as cartas que sabia serem os seus trunfos. Essa paixão pela vitória, pelos riscos inerentes a quem quer ganhar, morreu em Alvalade com o leão das estradas.
O Simon Vik tem força, é um cavalo sem freio, corre para a baliza e marca golos? É preciso pôr-lhe rédea curta e pô-lo a defender!Mas olha que no Dragão há lá um tipo que se chama Hulk e que é como ele, mas lá dão-lhe o campo todo para ele dar largas à força, correr, rematar e marcar golos! Pois é, não quer vai para o banco. Resultado? O Leão já começa derrotado. Quer ficar em segundo! Querem que o Leão jogue como o treinador que foi um jogador medíocre. Bola para o lado e para trás! Está sempre, matematicamente, na luta, embora não diga para que lugar. O Moutinho precisa de mobilidade no meio campo? Prende-se numa das extremas, a jogar por dentro, para dar lugar a esse craque de força e violento pontapé que se chama Romagnoli. Pois é, enquanto houve obras, muitas e grandes, negócios, acotovelavam-se para serem dirigentes. Como agora só há déficites e passivos, procura-se de lamparina na mão para ver se se encontra uma saída!
E o Pinto da Costa tem a culpa toda, como não pode deixar de ser!

Os Primeiros dias do “i”

Nestes primeiros dias do “i” (que raio de nome) já se pode fazer um primeiro balanço.
Estamos perante um jornal diário com filosofia de semanário. Falo por mim, apenas o consigo ler em condições à noite. É mesmo muito bonito e a revista de fim-de-semana é um primor, a exemplo dos projectos do género com dedo do Pedro Rolo Duarte.
Porém, pelo que já vi, tenho sérias dúvidas neste projecto. Desde logo, peca por ser mais um jornal de Lisboa considerando o resto do país como mera paisagem. Ou seja, define como mercado quase único, a classe média-alta e alta de Lisboa. Vindo de um grupo económico de Leiria pode até espantar os mais distraídos mas não, é típico dos grupos económicos nascidos fora do circuito da capital (veja-se como exemplo o Visabeira). O sonho é agradar às elites de Lisboa e esperar que, com tempo, elas se esqueçam da origem provinciana destes e os insiram no seu seio, nas suas tertúlias do croquete. Enfim, mais do mesmo. É pena.
Por último, uma nota assustadora: para quem investiu 2 milhões de contos nesta empreitada ter apenas 5 páginas de publicidade paga (duas delas da Câmara de Gaia) na edição de sábado (excluindo a revista) é manifestamente curto.

O Dragão em fúria


Pedroto, “o Zé do Boné”, foi o primeiro a perceber que o FCP perdia os jogos ainda estava em cima da ponte que liga a Gaia. Começou por aí, mostrar aos jogadores que era no campo que se ganhava ou perdia. Um belo dia, foi a Inglaterra com a Selecção, “que íamos ser cilindrados, eles começavam a correr e nós nem víamos a bola Ah! sim? podem correr à vontade desde que não tenham a bola” e nasceu aí o “futebol à portuguesa”, pertinho uns dos outros que os bifes em pequenos não abundavam. Os Ingleses deitavam fumo pelas orelhas. Se bem me lembro, ganhamos por um a zero. A bola deslizava de uns para os outros e os grandalhões nem a cheiravam.
Quem não percebe que Pedroto e Pinto da Costa estão na base do futebol que nos faz ser admirados no mundo, não percebe nada. É mais fácil chamar nomes aos árbitros. Pinto da Costa foi o primeiro a perceber que para os jogadores profissionais crescerem tinha que haver profissionais a dirigir. E ele entregou-se com “amor” à tarefa. Sim, com amor porque as paixões, fugazes, deixa-as para as namoradas.
É assim que se faz um grande clube, campeão europeu conhecido em todo o mundo, ganhador. Os novos jogadores que um após outro “pegam de estaca” é porquê? Porque tem uma rede de “olheiros profissionais” e tratados e dirigidos como profissionais! Os Benfiquistas e os Sportinguistas querem acreditar em “bruxas”? O Dragão agradece!

O Monopólio da recessão

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Esta é uma crise terrível, já o sabemos. Das piores dos últimos 100 anos. Há uns dias, Barry Eichengreen, especialista norte-americano, dizia que a recessão na produção, a derrocada financeira das bolsas e a contracção do comércio internacional “são mais profundas do que na Grande Depressão para o mesmo período de tempo já decorrido”.

Não tarda nada e todos os fantásticos organismos internacionais, que foram incapazes de perceber que isto ia acontecer, vão declarar que esta é oficialmente a maior crise económica e financeira desde que há registos. Nesse momento ficaremos todos descansados porque vamos concluir que a culpa não é nossa. A lei dos ciclos económicos existe, é real e, portanto, os problemas actuais eram inevitáveis, fizéssemos o que fizéssemos.

Como todas as crises, esta abre oportunidades. É nos momentos mais aflitivos que se estimula a imaginação, que ganhamos coragem para enfrentar os problemas de uma forma mais arrojada. Vamos, pois, arriscar. Junte os amigos, puxe do tabuleiro e ala que se faz tarde, vamos jogar o Monopólio da recessão.

O Glorioso


Na minha vida profissional visitei vários países e em todos eles a admiração pelo Benfica era total!
Um belo dia, fui apanhado na baixa de uma cidade alemã com um cachecol do Benfica, por um grupo ruidoso de holandeses. Ruidosos e bêbados, logo ali me levaram literalmente, ao colo, para a primeira cervejaria que encontraram. Ainda pensei que íria passar um mau bocado, mas não, a malta queria “estórias” do Glorioso! Lá estive um par de horas a falar-lhes do Águas, do Coluna,do Eusébio, jogadores que constituiam a equipa que melhor futebol tinham visto praticar. Pura admiração!
Saí orgulhoso e tenho contado inúmeras vezes este episódio. É a minha maneira de rejeitar gente que não merece um clube com o historial do Benfica! O Glorioso para sempre!

Vamos ser vegetarianos?

Roda dos alimentos

Eu acho que invariavelmente vamos inverter os nossos hábitos alimentares e tornar-nos vegetarianos. Ou vegans. Ou ovolactovegetarianos. Não interessa. Vamos comer pouca ou nenhuma carne e peixe. É inevitável. Basta comparar a Roda dos Alimentos original, desenvolvida por portugueses para a Campanha de Educação Alimentar “Saber Comer é Saber Viver” em 1977, com a de hoje em dia. (Ainda gostava de saber quem foi o responsável por esta ideia excelente) Em pouco mais 30 anos, a porção do peixe e da carne diminuiu para metade. Obviamente, isto não tem efeitos imediatos, e não é por haver indicações sobre alimentação numa roda que os hábitos alimentares vão mudar rapidamente. Basta acompanhar o fenómeno da obesidade para perceber que esta mudança pode demorar décadas. Mas vão mudar, nem que seja lentamente. Convém não descurar a evolução natural do conhecimento e poder do marketing científico.
Noutra perspectiva, começa a ser perceptível que não é possível andar sempre a comer grandes bifes do vazio. Por um lado, questões directas como o facto de ser óbvio que é necessário uma quantidade enorme de vegetais e água para produzir uma pequena quantidade de carne. Porque não saltar um elo na cadeia alimentar? Depois as questões de escassez de recursos naturais, alimentação dos animais, água e energia que se despendem, começam a pesar até economicamente e irão tornar a carne e o peixe (praticamente) inviáveis. A acrescentar ainda o factor-surpresa ultimamente muito mediático:  hormonas, doenças e pandemias. Por outro lado, questões laterais como a defesa dos direitos dos animais e a crescente consciência que os animais têm uma existência própria para além da nossa esfera de interesses. Ou os animais serão apenas “comida viva”?

Para mim existe ainda um dilema moral, quando penso nas condições industrializadas em que são “produzidos” animais nos dias de hoje. Na forma como são tratados. Na forma como são mortos. Se é assim uma coisa tão boa e necessária e sem aspectos grotescos e desagradáveis, porque não dar uma voltinha até ao matadouro mais próximo? E porque não levar os filhos?

Eu não sou vegetariano. Mas de alguma forma estranha, a minha consciência começa a pesar. Por isso como muito pouca carne. O peixe que já era pouco, mantém-se. Aumentei em muito os vegetais e fruta. Espero conseguir libertar-me em breve de anos de habituação. A total ruptura de hábitos alimentares é mais complexa e difícil do que eu poderia imaginar. Em termos de dificuldade, eu classificaria a mudança de regime alimentar ao nível da ruptura no consumo do tabaco.

Muitas questões éticas e morais se têm levantado em volta dos animais e eu considero que é um fenómeno (minoritário) em rápido crescendo e não vejo como esta tendência possa mudar. Mas nos dias que correm, também já acredito em tudo.