Freeport,quem mente?

E agora que o almocinho entre amigos tem testemunhas de conversas e telefonemas e foi convertido num processo disciplinar? Foi o senhor magistrado que se lembrou de ser mais papista que o Papa e como tinha os amigos ali à mão vai de pressionar? Será mesmo que o senhor se lembrou de dizer aos amigos que vinha do Ministro da Justiça e este do nosso Primeiro sendo mentira? E se não vinha do senhor ministro nem do nosso Primeiro quer dizer que vai levar com um processo por abuso de confiança ? Por utilização indevida do nome dos seus companheiros de partido?(esta dos magistrados poderem ser “aparelhistas”…)E, agora, temos um processo que envolve suspeitas de exercício de pressões do senhor Primeiro Ministro, do senhor Ministro da Justiça e do senhor Presidente do Eurojust ,sobre Magistrados titulares de um processo que investiga um caso de corrupção e “no pasa nada”? (já uso o Castelhano porque faltam as palavras…) Então, pessoal, estamos todos numa boa, está tudo condizente, tudo sobre rodas? E o PGR ainda está em funções? Ninguem se demite?Ninguem é demitido? Bem, a Justiça e a Política estão como nunca.Como Deus com os Anjos! Então usou o nome do senhor Ministro da Justiça e do senhor Primeiro Ministro,falsamente, depende da confiança de ambos na Eurojust e não é demitido? Compreendo…

Partidos, S.A.

Ou… Quero os meus 12 euros

Quando se trata de defender o umbigo próprio, os partidos políticos representados na Assembleia da República são céleres. Se for para clarificar leis feitas às três pancadas, como o Código do Trabalho que entrou em vigor sem as devidas disposições regulamentares, não há urgências e há necessidade de dar tempo ao tempo, sem pressas que é para tudo ficar bem feito. Agora, se há necessidade de “corrigir interpretações formais” da lei do financiamento dos partidos e das campanhas eleitorais, há que agir célere. Afinal, este é um ano de três actos eleitorais.

Não bastava o nobre e sério gesto de passar a aceitar dinheiro em notas com um limite quase irrelevante, 16 deputados da nação, de todos os grupos parlamentares, aprovaram por unanimidade uma nova regra. Clarificadora, dizem. Acho bem.

Tem a ver com o destino a dar a dinheiro que sobre das campanhas. Não sei se os senhores deputados se lembraram de perguntar a Isaltino Morais, que tem já larga experiência na matéria, mas lá resolveram a dificuldade.

A lei anterior não permitia excedentes. O que sobrava, em rigor nunca sobrava, seria deduzido na subvenção do Estado. Agora não. Já pode sobrar dinheiro. E como descalçaram a bota os parlamentares eleitos para defender o bem-comum? Se as candidaturas forem independentes ou pessoais, o lucro reverte a favor do Estado. É uma forma de evitar o enriquecimento de cidadãos ou movimentos às custas da democracia. Acho bem, não fossem uns marmelos independentes passarem a ganhar umas massas às custas do trabalho de quem os apoiou. E se o excedente se verificar nos partidos? Bom, nesse caso o dinheiro fica no cofre dos partidos, claro. Que mais haveria de se fazer? Fica para as campanhas seguintes, evidentemente. Podem, pois, ter lucros, para aplicar em investimentos futuros.

Continuar a deduzir à subvenção pública, proveniente dos impostos dos parvos dos cidadãos, é que nem pensar. Afinal a democracia tem custos e se queremos viver neste sistema é melhor aceitarmos. Deve ser melhor assim. Afinal, eles são os senhores deputados e devem saber o que é melhor para nós.

O DN fez as contas por mim e explica-me que cada partido vai receber 3,15 euros por cada voto individual nas eleições legislativas. E por cada ano da legislatura. O somatório da cruzinha que eu fizer no papel vale, pois, 12,60 euros. Como por tudo isto começo a pensar em não colocar lá os pés, quero já a minha parte, os meus 12,60 euros. De imediato, se faz favor, que preciso de comprar uns rebuçados para travar esta azia.

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Não vão em cantigas, rapazes e raparigas!

 
Não vão em cantigas, rapazes e raparigas! O da esquerda é o verdadeiro, o legítimo, o único Avô Cantigas! O único em que se pode confiar, da mesma forma que todos nós podemos confiar no nosso avôzinho. Afinal, é um avôzinho do distrito de Coimbra, meu Deus!
O da direita (que por acaso era da Esquerda mas agora está na Direita) é, para citar um outro blogue, o Psicolaranja, aldrabão, amnésico ou medroso.
Ontem, em Évora, disse que se demitiria se estivesse no lugar de Lopes da Mota. Hoje, em Coimbra, vem dizer, segndo o Público, esta frase espantosa: «Não disse tal coisa e não vou dizer o que disse ontem.»
Mas afinal, disse ou não disse? Realmente, de avôzinho, no sentido de confiável, verdadeiro e honesto, Vital Moreira não tem nada. Só talvez na memória. É esquecido como todos os avôzinhos. E José Sócrates não podia ter escolhido melhor!

O meu texto nem sequer é sobre homossexualidade

Coloquei um poste na sequência da discussão entre médicos sobre o tratamento da homossexualidade. Há médicos que afirmam que têm doentes homossexuais que frequentam a sua clínica no intuito de “reorientar” a sua sexualidade! Outros médicos há que dizem que não é possível “reorientar” a sexualidade.
Comecei por um título a perguntar se a homossexualidade se cura, um tanto perplexo. Mas do que eu não tenho dúvida nenhuma é que um homossexual “de mal” com a sua orientação sexual tem todo o direito de procurar ajuda. Se não é feliz na sua condição de homossexual deve pedir ajuda. Isto é completamente pacífico! É, antes de mais, um direito de uma pessoa.
Ninguém pode negar esse direito decretando do alto da sua felicidade que a única opção que tem é continuar a ser homossexual e infeliz! Ninguém tem esse direito, mesmo que tenha que engolir que há gente que não gosta de ser homossexual. Ninguém discutiu o cerne do texto que, obviamente, só colateralmente se pode considerar sobre homossexualidade… Desde homofóbico até à ameaça de que “vou namorar com o meu gajo e amanhã respondo”, como quem diz “vou discutir isto com os bardos da homossexualidade e amanhã arraso-te!”
Só que eu posso bem com a homossexualidade dos outros, é-me indiferente se uma pessoa é ou não homossexual, podem juntar-se, casarem-se (se, como diz a lei, for com uma pessoa do sexo oposto), adoptarem crianças (se, como se exige para os heteros, forem gente de bem), terem um equilibrado quadro jurídico que defenda “os casais de facto”.
Posso com tudo menos que, à conta da sua suposta vítimização social, tirem o direito às outras pessoas de não quererem ser homossexuais! E aos médicos, o dever de os tratar o melhor que saibam e possam!
As reacções, quase sem excepção, são do mais básico possível, tentando levar a discussão para o homofóbico, o intolerante, nós é que somos modernaços… enfim, preconceitos vindos de quem tanto se queixa deles!Mas, já agora, gostava de colocar uma provocaçãozinha.E se algumas destas pessoas conseguirem “reorientar” a sua sexualidade quantos lhe seguirão o exemplo?
Quanto ao Paulo Jorge Vieira, não sei se se sente mal ou não com a sua sexualidade. Mas por via das dúvidas, se calhar seria melhor consultar um médico.

Dedicado ao Isac


ele que se diverte tanto com os gatinhos da Anne Geddes

O que eu penso deste Governo: do primeiro-ministro, dos 15 ministros e do senhor que deambula pelo Ministério da Cultura (I)

in «O Jumento»
Como já terão percebido, não nutro grande simpatia por este Governo. Aliás, não nutro simpatia nenhuma. Considero-o mesmo muito fraco, tanto o primeiro-ministro como os restantes ministros.Neste «post», farei a análise individual de cada um dos seus membros. Uma análise que não se esforça por ser objectiva nem imparcial. Afinal, do que eu gosto mesmo é de malhar no Governo.
Primeiro-Ministro, José Sócrates – Vaidoso, cínico e arrogante. Defeitos de personalidade, que só aponto por se reflectirem na sua actuação política. Mostrou ao que vinha logo no dia da tomada de posse. Num momento solene da maior importância, veio dizer que os juizes tinham demasiadas férias e que era preciso reduzi-las. Como se esse fosse o problema central do país. Mas era necessário começar a pôr a sociedade portuguesa contra os funcionários públicos. Primeiro, foram os juizes, a seguir viriam os professores. Para justificar reformas, não apelou à bondade das mesmas. Preferiu desenvolver uma «campanha negra» contra todos aqueles que se lhe opunham. Achincalhando, maltratando, desprezando e atiçando a opinião pública contra as «corporações». Sempre em nome das reformas, porque todos têm de dar a sua contribuição para resolver a grave situação do país, não se esqueceu de dizer. Só se esqueceu de englobar nesta ajuda os Bancos, que continuam a pagar muito menos impostos do que a generalidade das empresas portuguesas. Ao invés, viria no final do seu mandato em socorro de Bancos minúsculos que se dedicam à gestão de fortunas.Toda a sua política é de Direita, mas uma Direita à direita do PSD. Exemplos? O encerramento de escolas que tinham acabado de receber obras e que tinham mais de 20 alunos, sem que as escolas de destino estivessem prontas; o fecho de Maternidades e Urgências; o desejado encerramento de Tribunais; o fim das isenções fiscais para os deficientes, mesmo os que recebem pensões medianas; o Código Laboral, muito mais agressivo para os trabalhadores do que o Código de Bagão Félix; o desejado aumento do período experimental para 180 dias; a facilitação dos desempregos; a legalização dos falsos recibos verdes; a recusa do casamento entre pessoas do mesmo sexo; a obsessão pelo défice; o aumento dos impostos; as mentiras, a propósito da avaliação dos professores ou do relatório da «OCDE»; ou os tiques autoritários, bem presentes nos telefonemas para os directores de jornais, nos processos a bloggers como o professor António Balbino Caldeira e na forma como premeia, com reconduções e promoções, os bufos do regime, como se viu bem no caso do professor Charrua.É uma personalidade vazia de conteúdo, de ideologia, de sentido do dever. As prestações na Assembleia da República mostram-no. Ri-se como um perdido quando lhe falam do desemprego, das dificuldades sociais, dos pobres, da fome. Ri-se sempre. Do seu passado, não param de sair esqueletos mal guardados e mal conservados. Fez uma licenciatura manhosa ao Domingo, por fax, com quatro das cinco cadeiras leccionadas pelo mesmo professor, o mesmo que está agora a ser julgado por corrupção na Cova da Beira (e no qual ele também já foi chamado a depor); assinou projectos que não eram da sua autoria só porque os verdadeiros autores não podiam legalmente assiná-los; foi sócio fundador de uma empresa, a Sovenco, da qual não se lembra, juntamente com Armando Vara (posteriormente demitido do Governo devido às falcatruas da Fundação para a Prevenção e Segurança) e Virgílio Ferreira (posteriormente condenado a prisão por corrupção no Centro de Exames de Tábua); alterou a Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo e legalizou o Freeport de Alcochete num prazo supersónico, a três dias das eleições legislativas, segundo confessou Charles Smith a um administrador da Freeport em troca de dinheiro; viu desaparecerem misteriosamente do Notário documentos da escritura da casa da sua mãe; ele próprio comprou uma luxuosa casa no Heron Castilho por metade do preço normal e denota evientes sinais exteriores de riqueza. Entretanto, depois de negar durante meses a fio a crise que se avizinhava, e depois de a aproveitar para se fazer de kalimero, deixou de governar e passou a fazer campanha eleitoral. Num aspecto, no entanto, temos de lhe dar mérito. Apesar dos problemas, não fugiu, ao contrário dos seus antecesores Guterres e Durão. Mas também, quem é que o queria?

Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado – Começou como Ministro da Defesa mas teve de substituir Freitas do Amaral nos Negócios Estrangeiros. Fala poucas vezes e quase sempre mal. Disse que se demitia se se viesse a comprovar a passagem de aviões pelo espaço aéreo português em direcção a Guantanamo, mas continua no seu posto. Continua, de braço estendido, à espera que o primeiro-ministro o cumprimente.

Ministro de Estado e das Finanças, Teixeira dos Santos – Substituiu Campos e Cunha e uma das suas primeiras medidas foi nomear Armando Vara, um simples caixa, para a Administração da Caixa Geral de Depósitos e, depois, conseguir pô-lo no BCP, não sem antes ser promovido de novo na Caixa. Durante três anos, teve no combate ao défice a sua maior obsessão. Hoje, o défice ultrapassa os 6%. Como prémio, foi eleito o pior Ministro das Finanças da Comunidade Europeia.
Quanto ao seu antecessor, foi afastado por ser contra as grandes obras públicas.

Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira – O homem de mão do primeiro-ministro, sempre fiel e obediente. É utilizado para dar a cara sempre que é preciso. Ficou conhecido, há uns meses, por se saber que telefona aos jornalistas antes das entrevistas para saber quais serão as perguntas. Foi Mário Crespo que o disse. Quanto ao resto, ainda não se percebeu muito bem qual é a sua utilidade na governação do país.

Ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira – Ocupou o cargo dque era de Luís Amado. Passagem discreta pelo Governo. Tão discreta que tive de ir ver, no «site» oficial do Governo, quem ocupava actualmente a pasta. Assistiu em silêncio a afirmações demolidoras de generais na reserva, do género «o moral das Forças Armadas está no limite do razoável» ou «o mal-estar generalizado no seio das Forças Armadas». À parte o plágio de um artigo do «Washington Post» num texto que «escreveu» no «Diário de Notícias» em 2005, não me lembro de mais nada de relevante que tenha feito.

Paulo Morais – Matosinhos Merece:

<img class="size-full wp-image-3748 aligncenter" src="http://aventar.eu/wp-content/uploads/2009/05/o_paulo_morais.jpg" alt="o_paulo_morais" width="150" height="235"
Eu gostava de ver Paulo Morais candidato a Matosinhos.
Numa disputa entre Narciso e Guilherme, Paulo Morais seria o candidato ideal para fazer a diferença. A estrutura local do PSD não quer. Alguns notáveis do partido não o desejam. Quase ninguém acredita que possa ser um candidato com hipóteses. É o tipo de desafio que vale a pena.
Ao contrário, eu acho que Paulo Morais pode ganhar. Por ser diferente numa luta entre iguais. Para ser consequente com o discurso político que, sobretudo depois de sair do Porto, passou a ter.
Será que o PSD o deixa ser? Será que apenas Marco António o deseja ver nesse papel? Aliás, permitam-me uma referência especial ao líder da distrital do Porto: que grande surpresa vê-lo como defensor da candidatura de Paulo Morais. Demonstra visão e vontade de marcar a diferença pela positiva.
Francamente, Matosinhos merece uma candidatura de alguém como Paulo Morais. Será que o aparelho deixa? Não me parece…

O que eu penso deste Governo: do primeiro-ministro, dos 15 ministros e ainda do senhor que deambula pelo Ministério da Cultura (II)

«Ministro» da Cultura, José António Pinto Ribeiro – Quem? Hesitei em colocar aqui este nome e em classificá-lo, segundo as leis da física, como vácuo, vazio ou nada. O vácuo é um espaço não preenchido por qualquer matéria, mas pode conter campos e energia, que pode dar origem a partículas. O vazio é um espaço em que não há matéria, campos ou radiação. Mas ainda assim, contém o espaço no qual se pode vir a criar algo. O nada nada contém. É um não-lugar, porque nem sequer contém um espaço vazio onde se possa criar algo. Nada é nada. E o «Ministro» da Cultura, que só foi nomeado porque o confundiram com António José Pinto Ribeiro, esse sim ligado às questões da cultura, é nada. A sua antecessora, ao menos, sempre se ia entretendo a fazer umas guerrinhas à cidade do Porto em vésperas de eleições autárquicas. José António Pinto Ribeiro não devia, pois, estar aqui a ocupar espaço, senão seria vácuo ou vazio. E ele vácuo ou vazio não é. É nada. Mas se até o Seinfeld fez um programa sobre nada, eu também posso escrever sobre nada.
E era só.

Oh! As telenovelas! As telenovelas!

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Começou outra telenovela na TVI. Como é possível? Outra? Mas estes gajos têm uma fábrica de telenovelas?
A felicidade é mesmo uma coisa idiota. Detesto mesmo – mas mesmo – pessoas felizes na TV.
Basta ver a carinha desta actriz aqui em cima. Existirá alguma coisa com ar mais idiota? Apetece mesmo dar-lhe uma lapada.
Peço desculpa pela sinceridade, mas não me consigo conter. É como ver fotos com gatinhos e bebés da Anne Guedes. Não consigo deixar de me rir. Agora a sério. A sociedade deveria fazer um boicote às televisões. Neste momento, a televisão é uma das raízes do mal deste mundo. A televisão como existe actualmente idiotiza a sociedade e, como alguém já disse, uma sociedade culta nunca será subjugada e oprimida por muito tempo. Vou deixar de ver televisão. Porque em verdade, tudo na televisão é falso. Toda a gente na televisão é simpática e feliz. Nos anúncios então é ainda muito mais grave. Não existe um único anúncio televisivo em que as pessoas não estejam felizes. Pessoas felizes invadem os ecrãs a todo o momento. Toda a gente ri e toda a gente é incrivelmente feliz. E para isso compram coisas.
– Pessoas felizes a comprarem medicamentos para a diarreia.
– Pessoas felizes a comprarem detergentes que são sempre melhores que os anteriores.
– Pessoas felizes a comprarem carros que são sempre mais seguros e ecológicos que os anteriores.
– Pessoas felizes a comprarem águas com sabores que emagrecem e fazem corpos esbeltos.
– Pessoas felizes a comprarem apartamentos cuja dívida só será saldada pelos seus filhos.
– Pessoas felizes a comprarem cremes para ficarem impossivelmente mais jovens.
– Pessoas felizes a comprarem shampôs para ficarem mais bonitas durante 6 semanas.
– Pessoas felizes a comprarem coisas de que não precisam, mas que têm mesmo que comprar.
– Pessoas felizes a comprarem televisões cada vez maiores.
Nos intervalos de um programa idiota qualquer, a lógica é esta: se é preciso mais tempo para estar com os filhos, compra-se uma máquina de lavar. Se é preciso dinheiro basta ligar para um número de telefone e tudo está resolvido e nem sequer é preciso pagar de volta. Se é preciso ter boa saúde basta beber um iogurte “activo”. Se é preciso qualidade de vida basta comprar um ambientador. Se é preciso melhorar os serviços de saúde basta ir a hipermercados que eles oferecem ambulâncias. Se é preciso apoiar crianças abandonadas e maltratadas compra-se um relógio. Se é preciso melhor ambiente e equilíbrio ecológico basta comprar um carro. Se é preciso elevar a auto-estima compra-se um cd. Se é preciso um amigo basta comprar um telemóvel. Olha que grande treta! Se calhar deveriam ser os donos das televisões a gerir o mundo, porque toda a felicidade deste mundo, afinal, está apenas à distância do telecomando. A felicidade total para esta sociedade encontra-se à venda nos anúncios de televisão e pode-se pagar em suaves prestações. Propositadamente, ou não, a televisão está a concorrer com a política numa falsa corrida a um futuro melhor que pura e simplesmente não é possível nem existe. O consumismo idiota de todas as coisas que não precisamos está a ser alimentado por uma televisão ainda mais idiota. É um beco sem saída. A sociedade está a ser lentamente idiotizada por uma televisão que não informa e apenas existe para vender e entreter. Tentar ver o mundo de um modo realista, ver as suas falhas e corrigi-las é a principal função do ser humano. Teoricamente, a televisão poderia ser um veículo para uma visão mais realista do mundo. Mas não é.
Se o mundo estiver para acabar com o impacto de um cometa gigante, as televisões vão fazer um directo repleto de comentadores e “paineleiros” que opinam sobre tudo, acompanhados de uma miúda giraça a pedir para contribuir num peditório por telefone para angariar fundos. É a mais pura idiotice.
Quanto às telenovelas… não tenho ainda uma opinião formada.

O CHOQUE TECNOFTALMOLÓGICO

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POBRE MAGALHÃES
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.Coitado do Magalhães, esse estandarte do choque tecnológico do governo vigente. Depois de uma série de peripécias, depois de ter servido para demonstrar à saciedade as mais valias de termos um óptimo vendedor a fazer a promoção do computador (muito embora ele não seja nosso nem fabricado por nós, mas isso nem sequer é importante), e não um vendedor qualquer, tão somente o nosso Primeiro, depois dos erros encontrados, depois da demora da sua entrega ao pequenotes nas escolas, eis que surge uma nova notícia desagradável. Até parece perseguição. Vêm agora dizer-nos que o computadorzinho faz mal aos olhinhos dos nossos filhos.
Parece impossível! Que vai agora o nosso Grande Chefe Irmão dizer disto? Claro que dirá que não pode ser verdade, mas será que pode?
Para além da miopia dos nossos governantes vamos ter uma população juvenil de míopes?
Será propositado? Poder-se-á pensar que interessa que a miopia da população sirva os interesses do governo? Se formos todos míopes talvez não cheguemos a ver as tontices que se vão fazendo por aí.
Os ecrãs pequeninos, as letrinhas pequeninas, o tudo pequenino do Magalhães, pequenino à imagem do nosso governo, fará mal por obrigar a um esforço maior dos olhos. Tanto mal como os nossos governantes me fazem a mim, que de tanto olhar, à procura de alguma coisita de jeito, já nem os vejo bem, carago!