BPN – os despojos cavaquistas

Esta ida de Oliveira e Costa à Assembleia da República é, a todos os títulos, um virar de paisagem, na sociedade portuguesa. Queremos saber como é que se monta um Grupo Económico de sucesso neste país avesso ao trabalho, ao rigor e ao mérito? Queremos perceber como é que ex-governantes se tornam multimilionários numa década?
Tudo começa no imenso poder que certas funções atribuiem quando se chega a um Estado que está em toda a parte. Directamente, indirectamente, com mais ou menos “goldenshares” o Estado controla a riqueza, os seus braços sem fim podem fazer ou desfazer negócios, atrofiar o que não lhe interessa com leis à medida, ou tudo facilitar com leis a pedido.
Descarregar sobre os negócios montes de dinheiro sem cuidar do seu “melhor regresso”. Entrar em bancos e “enfiar” milhões e milhões, investimentos de outros tantos milhões, tudo dirigido aos grupos de pressão que há muito controlam o Estado e a alta administração pública!
Tudo terá começado com a resolução de processos de dívidas fiscais de milhões em que eram devedores alguns dos futuros accionistas do banco.
Processos que prescrevem, leis aplicadas e criadas à justa, perdão de dívidas, facilidades de pagamento, tudo serviu para se criar a “massa crítica” que se converteu nas bases de um grupo que a ambição e a ganância sem freio, fez ruir com estrondo.
Do lado do Estado estavam ministros como Dias Loureiro e secretários de Estado como Oliveira e Costa ! Estes os mais visíveis.Outros haverá mais prudentes com menor participação.É caso para dizer que se tratam de “imparidades”!

Imigrantes : parte da solução

“Se o país não for capaz de manter e assimilar uma população de imigrantes da ordem dos cinco ou seis por cento da população total, no futuro haverá uma factura a pagar !” (Editorial Publico de Manuel Carvalho)
Portugal continua a necessitar de imigrantes para resolver o seu problema demográfico e para relançar o seu crescimento económico quando a crise
der sinais de treguas.É, claro, que com a imigração podem entrar pessoas menos recomendáveis, mas na sua maioria são pessoas fundamentais para o país.
Sem imigração, a prazo, seremos menos, mais velhos, mais pobres e continuaremos neste circulo infernal de falta de ambição. Uma classe de trabalhadores mais jovem e melhor preparada é que poderá assimilar as tecnologias e alternativas a novas organizações do trabalho.
Com a sua capacidade de sacríficio e de ambição, os imigrantes poderão ajudar a sair desta letargia a que parece estarmos condenados e jovens como são, a tornar-se num pilar fundamental do nosso esquema social de previdência.

O Boavista desceu. A Oliveirense não. Hermínio Loureiro é candidato à Câmara de Oliveira de Azeméis

O Boavista desceu de Divisão. A Oliveirense não. O Boavista foi vítima de uma arbitragem vergonhosa de Duarte Gomes. A Oliveirense não. Duarte Gomes vai terminar a época com uma excelente classificação. Hermínio Loureiro é candidato à Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.
O treinador da Oliveirense foi expulso no penúltimo jogo. O treinador da Oliveirense esteve no banco no último jogo. A Oliveirense tem de perder os 3 pontos. A Oliveirense tem de descer. Hermínio Loureiro é Presidente da Liga. Hermínio Loureiro é candidato à Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis.

O pântano do BPN ganhou mais habitantes

Dias Loureiro está encostado às cordas. Acusado de mentir no Parlamento por Oliveira e Costa, ex-líder do BPN e da Sociedade Lusa de Negócios, o conselheiro de Estado não tem muita margem de manobra. Indiciado como mentiroso, acusado de falta de carácter, manipulador e trapaceiro, o ex-ministro de Cavaco Silva só tem um de dois caminhos: ou desmente as acusações e apresenta dados convincentes em sua defesa, ou tem de pedir demissão do cargo que ocupa no Conselho de Estado.

Se isso não acontecer colocará o Presidente da República numa situação ainda mais complicada. Cavaco Silva já não convoca o Conselho de Estado há muito tempo, e havia razões para isso. Calculo que seja por causa de Dias Loureiro.

Oliveira e Costa está longe de ser um inocente em todo este pântano. Creio mesmo, pelo que se sabe, que será um dos principais responsáveis. Mas não é o único. Hoje, pouco acrescentou em termos de processo de investigação criminal. Esta quebra de silêncio serviu, acima de tudo, para conhecer um pouco mais da situação vergonhosa em que vivia o banco e a SLN, os negócios sujos que envolviam esta instituição. Entre os inocentes não estão, por certo, nem Dias Loureiro, nem o Banco de Portugal. Não é de acreditar que o cheiro putrefacto que saía do banco não tivesse chegado às narinas do regulador.

Cinco anos que serviram para muito ou pouco?

vote_watch

Em rigor, para que serve o Parlamento Europeu? Afinal, o que fazem os deputados europeus? E qual a actividade dos deputados europeus portugueses?

Estas são perguntas legitimas de todos nós, sejamos muito ou pouco atentos às matérias políticas e, em concreto, à intervenção na nossa vida dessa instituição que se reparte por Bruxelas e Estrasburgo.

Algumas respostas podem ser encontradas no Vote Watch.

Por lá fiquei a saber que os eurodeputados portugueses são os 9º mais assíduos às sessões de trabalho, com 87 por cento de presenças. Fiquei ainda a saber que em 67 por cento das vezes os eurodeputados portugueses votaram em conjunto para o mesmo lado.

Há estatísticas para todos os gostos, podemos verificar a actividade de cada parlamentar e de cada grupo políticos, enfim, um mundo de informação para quem quiser saber o que se passou nos últimos cinco anos.

Não pensemos em coisas tristes

Dentro de dez anos atingiremos a data na qual se desenrolavam os acontecimentos narrados no já lendário “Blade Runner”.

Parece muito longínqua ainda aquela Los Angeles futurista e ainda mais a possibilidade de criação de “replicantes”, tão próximos aos seres humanos que não só se confundem fisicamente com eles, como conseguiram desenvolver emoções como o amor, a raiva, a inveja, e tantas outras que definem o humano.

Para além da relação ambígua com o criador, o tema central para os replicantes era a mortalidade. Condenados a uma vida demasiado curta, impedidos de saber qual a sua data de fabrico e, consequentemente, a data em que se desactivariam sem que nada pudessem fazer para impedi-lo, os replicantes experimentavam a angústia da sua própria finitude, a frustração pela perda de tudo o que haviam conquistado, a consciência pungente de que nada deles sobraria, e que tudo o que haviam visto e que a sua memória preservava como um tesouro se apagaria sem vestígios.

Quem viu o filme recordará certamente o monólogo à chuva de Rutger Hauer e a bela metáfora da pomba que se desprende e se eleva. A voragem dos dias não convida à meditação sobre a mortalidade.

As semanas correm umas atrás das outras, os meses sucedem-se como naqueles filmes antigos em que se representava o passar do tempo com o desfolhar de um calendário que ia soltando as suas páginas, deixanda-os cair como folhas mortas. Afastamos o negrume com um encolher de ombros. “Não pensemos em coisas tristes”.

Sentada na sala de espera do hospital, à espera de notícias que não chegam, lembro-me estupidamente do Blade Runner. Nada há de mais humano do que esta rebeldia contra a morte.

Carlos Fonseca – PS – eleições europeias ou legislativas?

A cabeça de cartaz do PS às europeias andou ontem pelo distrito de Aveiro, terras que ele conhece bem e cujas gentes também o topam. A região de Aveiro, diga-se, nunca necessitou servir-se desse neologismo em voga, empreendorismo, para afirmar a determinação da sua gente, na pró-activa labuta para criar sustento e riqueza. E no passado, quando as coisas não saíam a contento cá dentro, zarpavam para o Brasil ou Venezuela.

Foi, pois, neste cenário que Vital Moreira (VM) fez a apologia do ‘investimento público’, como bandeira exclusiva do PS, rematando com os habituais acusações de “neoliberais” e “reaccionários” contra o PSD. O ‘investimento público’ é, com certeza, um tema muito sério, a merecer profundo debate; mas, a meu ver, no contexto das legislativas. Os partidos portugueses – não sei se também os dos outros países – trocam sempre as voltas aos eleitores, e portanto nas eleições europeias pouco falam da Europa. E os eleitores marimbam-se para as europeias.

O Parlamento Europeu (PE) tem  poderes legislativos mitigados, como o próprio reconhece, O poder legislativo. No caso da fiscalidade, política industrial, política agrícola… o PE usufrui apenas de poder consultivo. Porém, como isto não bastasse, os ‘slogans’ de VM ainda se tornam mais desajustados, pelo contraste com a posição do PS em apoiar a recondução de Durão Barroso, ou seja, justamente um neoliberal inflamado, cuja governação em Portugal deixou marcas indeléveis com a extinção do IPE, os hospitais SA e privatizações, pretendendo até privatizar a CGD. No último instante, valeu-nos o tio Aníbal, diga-se em abono da verdade.

A campanha do PS para as europeias continua, pois, a navegar num mundo de equívocos, em que de europeu há muito pouco. Todavia, creio não se tratar de ingenuidades.

Votar! Um direito com dentes de leite

O cabeça-de-lista às eleições europeias pelo BE veio hoje defender, numa acção de campanha, o voto a partir dos 16 anos. Numa escola profissional, em Salvaterra de Magos, a jogar em casa, Miguel Portas aproveitou a audiência que estava a jeito e apresentou a sua grande e mobilizadora proposta para os jovens.

Com demagogia em doses eleitoralistas, atirou ao alvo: “Se aos 16 anos um jovem já tem idade para trabalhar porque não há-de ter idade para votar?”. Se o grande argumento é este, parece-me pobre. Sempre se podia defender o voto aos seis ou sete anos. “Se aos seis ou sete ano já não tem dentes de leite, porque não há-de ter idade para votar?”. O meu exemplo é parvo? Reconheço que sim. Mas se me dão licença já lá vou.

Miguel Portas resolveu acrescentar mais um ponto às suas razões, desvalorizando o argumento do “é muito novo e pode não saber”. Depois veio o clímax: “E os adultos, sabem?”. Pois, não sei caro Miguel. Não sei se os adultos sabem ou não votar. E se eles, os adultos, colocarem uma cruzinha no partido da estrela vermelha? Será que eles sabem votar?

P.S. Miguel Portas poderia ter feito bem em abrir este debate, usou foi um atalho pouco sensato. Já agora, porque não esperar para ver quantos eleitores até aos, vá lá, 30 anos irão às urnas nestas eleições.

PMEs – Prazos de Pagamento

O Governo anunciou que passaria a pagar os seus compromissos com os seus fornecedores num prazo máximo de 60 dias.Como vimos com o exemplo da Platex, esse compromisso está longe de ser cumprido.
Depois as grandes empresas ligadas às grandes obras públicas afinam pelo mesmo diapasão.Não cumprem nem respeitam prazos de pagamento às pequenas e médias empresas que subcontratam com margem já esmagadas.Estes dois factores levam rapidamente para a falência milhares de unidades como estas, sobretudo num quadro de crise!
Ora, parece imcompreensível, que o mesmo governo que se disponiliza para salvar bancos envolvidos em fraudes e que correram riscos à sua conta, nem sequer cumpra os seus compromissos, para já não falar das ajudas que activamente deveria promover junto das PMEs.
Milhares de unidades desta natureza veriam a sua vida financeira muito facilitada se o governo tivesse, a tempo, levantado o pé na cobrança de impostos.Veja-se o caso do IVA que as empresas têm que entregar ao Estado muitas das vezes sem ainda terem recebido as facturas correspondentes.
Uma das hipótese que se aventa é a existência de uma conta corrente entre o Estado e o fornecedor por forma a que o saldo em dívida ou a receber seja menor e sem as consequências nefastas actuais.
Todos os dias vemos PMEs a fechar e a lançar para o desemprego milhares de trabalhadores.Esta sangria vai acentuar-se nos próximos meses, enquanto o governo se entretem com bancos que sugam tudo o que lá entra.

8h – 10h30

De luto e em luta, porque a nossa razão é a nossa FORÇA!

Professores em Greve

O Leão em eleições

Em Portugal não temos o prazer democrático de discutir opiniões, apresentar argumentos, reconhecer o que é melhor para o bem comum.Se fosse preciso, os últimos dias da campanha de Alvalade, eram exemplo esclarecedor. Tudo se faz para que não hajam eleições.
Trata-se de nomear alguem que já venceu antes da ida às urnas.Os candidatos assomam e logo se retiram ao primeiro aceno de acordo.Arranja-se um lugar na lista, negoceia-se isto e mais aquilo e o candidato desaparece.
Devagar, o “escolhido”, com a ajuda de tudo o que pode formatar a opinião pública, é apresentado aos sócios como o “salvador”. Tem programa? É a continuação de quem lá esteve e nada ganhou? Ou ser segundo e ganhar umas taças, já passou a ser o objectivo do Sporting? Nem sequer aparece um verdadeiro Leão a dizer que quer uma equipa vencedora! É assunto vedado por quem? Pelos credores, pelos bancos?
A equipa arrasta-se num futebol paupérrimo, com um treinador competente mas incapaz de ganhar.Não corre os riscos necessários e suficientes para ganhar campeonatos.É preciso dar espaço a Moutinho, dar liberdade a Vuk, saber o que se quer de Roka e manter o “tandem atómico” Liedson/Derley ! E já agora dois laterais de bom nível!
Mas para isso é preciso pôr os bancos no seu lugar! Isto é, “no banco”!