Médicos em passeio pago

Depois o povo é que é mauzinho e pensa mal desta gente muito qualificada! Umas centenas de médicos foram a um congresso médico e a seguir tiveram direito a um cruzeiro a uma parasídiaca ilha Indonésia. Tudo pago por uma farmacêutica.
Claro que é importante os médicos actualizarem-se conhecendo as novas propostas terapêuticas. É bom para os doentes que passam a ser tratados com medicamentos mais recentes, mais eficazes e com menos efeitos secundários. O problema é quando não é assim e os médicos, por terem viajado gratuitamente, se sentem na obrigação de prescrever o medicamento ou medicamentos daquela farmacêutica. Muitas vezes são medicamentos que não acrescentam nada ao arsenal farmacológico já à sua disposição. E, por serem novos, são mais caros e não são mais eficazes que os já existentes.
Todos sabemos que não há almoços gratuitos e isto volta a colocar em cima da mesa a questão dos medicamentos genéricos, mais baratos e tão eficazes como os de marca! Mas com uma percentagem muito pequenina de mercado quando em países mais ricos e com maior capacidade de negociação a percentagem é bem maior.
Que fazer? As medidas administrativas de controle podem ser um peso insuportável no sistema. As instituições de certificação nacionais e internacionais já filtram com eficácia e no mínimo não deixam vender gato por lebre. Mas se calhar é o preço que temos de pagar por uma contradição insanável.
Não é verdade que alguem tem que estar doente e infeliz para outros poderem ter lucros?

Dados

wolframÉ um maluquinho dos dados? Óptimo, eu também! Para todos os viciados em notícias, matemática, estatística e dados em geral, o Wolfram|Alpha promete fazer maravilhas. Dizem os criadores do motor de pesquisa, que se pode cruzar informação de todas as maneiras e feitios. Vale a pena dar uma vista de olhos. Para ver uma apresentação interessante carregar aqui. Pode ser um boa ferramenta de pesquisa.

Declaração de interesses: O meu blogue colectivo ideal

O Paulo Jorge, no «5 Dias», armou-se em Seleccionador Nacional da Blogosfera e tratou de escolher aqueles que, na sua opinião, fariam o blogue colectivo ideal. Naquela cabeça confusa, o Paulo Jorge junta malta do «5 Dias» com malta do «Jugular» com malta do Arrastão com outra malta que não conheço e até com com malta do Aventar (sim, sim, eu próprio).
Ora bem. A menos que o Paulo Jorge queira ver porrada da velha na blogosfera e tudo à batatada, só se percebe esta selecção com aquilo que ele diz no final do «post»: Utopia. Pois é, só mesmo em sonhos, puto.
Mas já que o Paulo Jorge desafia-nos a fazermos o nosso blogue colectivo ideal, deixo aqui a minha utopia, aquele que na minha opinião seria o blogue colectivo ideal. Seria composto pelo Adalberto Mar, pelo Antero, pela Carla Romualdo, pelo Carlos Fonseca, pelo Fernando Moreira de Sá, por uma Glória Colaço Martins que escrevesse, pelo Isac Caetano, pelo João Paulo, pelo José Freitas, pelo José Magalhães, pelo Luis Moreira, pelo Miguel Dias, pelo Ricardo Almeida e pelo Vítor Silva.
Seria uma equipa de sonho, seria a minha equipa ideal. Os meus meninos, mesmo aqueles meninos com idade para serem meus avôs (sem ofensa, Luís).
Mas como melhor é sempre possível, iria ainda ao mercado e contrataria, no «5 Dias», o Paulo Jorge e o Tiago Mota Saraiva; à «Educação do Meu Umbigo», ia buscar o Paulo Guinote; ao «Do Portugal Profundo», ia buscar o prof. António Balbino Caldeira; e ao Aventar, ia buscar o Pedro Namora. 🙂
Para comentadores, concordo com o Paulo Jorge: a presença do pândego Rogério da Costa Pereira seria fundamental, mas acrescentaria ainda o brincalhão Paulo Pinto (correndo o risco, claro, de ele, quando saísse, querer levar os comentários com ele) e, como não podia deixar de ser, os inefáveis Chico da Tasca e Gilson e ainda o João Pedro Henriques.
Só ficava a faltar a mulher da limpeza (sem machismos, claro, apenas porque a expressão dá jeito). Ah, já sei onde ia buscá-la. Mas não posso dizer, senão ainda me mandam jugular.

O FIM DE UM PEQUENO TABU

Num país de tabus, acabou mais um. Desta vez foi o deputado poeta que acabou com o seu (dele) tabu. Continua no PS e não vai ser candidato a deputado nas próximas eleições.
Quem mais ganha com tudo isto é o nosso Primeiro.
Vendo sair um dos mais antigos deputados da nosso Assembleia, depois de eventualmente não ter chegado a acordo com ele para os lugares que o deputado queria dar aos seus apoiantes, pode renovar quadros e fazer propaganda (o homem é bom nesssas coisas de publicidade) nesse sentido. Para além disso, sai da bancada do PS um elemento incomodativo, o que é sempre agradável.
Sendo Alegre um putativo candidato à Presidência da República, poderá vir a apoiá-lo, e assim haja ou não bloco central, não terá de apoiar Cavaco Silva.
Continuando Alegre no PS, vai por certo aproveitá-lo para a campanha eleitoral que se avizinha, de molde a captar votos à esquerda.
Tudo a ganhar nesta batalha que travou com o poeta.
Estava escrito e só assim todos os intervenientes neste caso saem a ganhar. Uns muito, sr Pinto de Sousa, outros menos, Manuel Alegre.

Alegre consequente

Afinal, ao contrário de algumas opiniões (como a do nosso r), Manuel Alegre decidiu ser consequente e partir. Não partir do PS, coisa que já tinha afirmado há mais de uma semana que não faria, mas deixar de ser candidato pelo partido nas eleições legislativas.

É o que dizem os jornalistas que se encontram a acompanhar a reunião de Alegre com os elementos que fazem parte do núcleo duro do seu movimento. Ansiosos, os jornalistas contam-nos tudo ao minuto, como uma grande família desbocada à espera do momento do nascimento do rebento.

Não percebi esta ansiedade, admito. Mas percebo Alegre. Um percurso político como o dele merecia esta resposta. O seu afastamento do PS de Sócrates tinha criado um fosso de tal dimensão que seria ridículo aceitar participar de novo nas listas para as legislativas debaixo de um projecto político que não era o seu.

A Economia não mente. O Governo, sim!

Agora a última, face aos novos números aterradores para a economia, é que nós não descemos tanto com os outros países! Pois não!É como aquele barco que já está no fundo do mar, ou perto disso, cada vez desce mais devegar. Os que estão à tona de àgua têm todo aquele espaço para descer, fazem-no a velocidade maior.
Mas quem é que quer estar a bater no fundo? Não conseguem falar sem mentir ou pelo menos nunca dizem a verdade toda! Não querem apresentar o Orçamento Rectificativo porque estão a esconder as contas que estão bem piores do que nos dizem. O déficit vai pular para perto dos 7% e o desemprego vai chegar aos 10%.
Mas para o governo, a notícia a passar é que descemos menos que os outros. Pudera, quem bateu no fundo não desce mais!

Manuel Alegre

É hoje o dia.
Manuel Alegre vai anunciar se fica. Ou se sai. E se sair, se é para fora do Parlamento. Ou se é para outro Partido. Ou se é para criar outro Partido.
Dizia o grande João Pinto que prognósticos só no fim do jogo. Ainda assim, vou atrever-me: vai ficar.
E nós vamos poder dizer: é igual aos outros. Tanta coisa para isto?

Apetece-me mandar alguém à m&$d@*!

cutileiroProcurava eu alguns recortes antigos de jornal quando tropeço num anúncio do BPP anterior à crise. Ainda não percebi porque não mantêm a publicidade. Aliás, como diz João Rendeiro, o senhor BPP, no seu livro “Testemunho de um Banqueiro – A história de quem venceu nos mercados”: “É nos períodos difíceis que devemos reagir e avançar ainda mais”. Desconfio que o livro não deva estar a vender muito bem…

Mas desviando um pouco a questão, apetecia-me, tal como o sr. João Cutileiro, o Escultor, mandar alguém à m&$d@! Mas obviamente, eu não posso! E não posso, obviamente, por vários motivos. Primeiro, porque não sou o “rosto da irreverência” como o Pedro Mourinho da SIC Notícias. Segundo, porque não sou uma personalidade influente na sociedade como aqui o sr. Cutileiro (sinal positivo para as suas esculturas [e as fotos também!]), o João “Cuecas” Jardim, o Herman “sem piada” José, ou as “personalidades famosas”. Em terceiro, porque não tenho aquela forma inteligente do Miguel Esteves Cardoso (K ainda actual!) de mandar alguém à m&$d@ e ainda arrancar três dúzias de aplausos. Em quarto, porque não me pagam (muito bem) para isso. Como exemplo, o BES pagar ao Cristiano Ronaldo, oh… perdão, ao “nosso” Cristiano Ronaldo para mandar à merda os seus clientes. Podia haver quem não gostasse da ideia, mas os verdadeiros fãs – aqueles que coleccionam pequenas gotas de suor apanhadas nos treinos ou cuspo seco do relvado – de certeza que ficariam entusiasmados com tamanha irreverência publicitária. Por último, porque sou um “teso” e ninguém convida um “teso” para fazer publicidade. Melhor dizendo, sou um daqueles que nunca viram um cheque com 4 dígitos, e sim, sou um daqueles estranhos seres que (sobre)vive a recibos verdes (FERVE!, estou convosco! Mas a vossa/minha luta é uma luta perdida, mas podemos continuar a fazer barulho!). Como parece que “a culpa é nossa”, devemos estar quietinhos e caladinhos. E sem hipótese de fazer publicidade…
Aqui em Portugal, só há duas opções para enriquecer: estar ligado à “Administração” ou ser premiado com o Euromilhões. Eu estar ligado à “Administração” é impossível, porque ainda tenho um pingo de vergonha e moralidade que me impedem de subir os actuais degraus enlameados rumo ao topo. Resta-me o Euromilhões, como o resto dos portugueses.
Mas aproveitando a oportunidade da blogosfera e de (ainda) poder dizer o que me vai na alma, perante o panorama social, económico e humano deste país, digo-o aqui, que se eu tivesse a sorte de acertar nos números e estrelinhas premiadas e ganhasse essas enormidades de dinheiro que para aí se falam, gastava montes de dinheiro em indeminizações a processos de injúrias, para, juntando todos os gestores de empresas idiotas, banqueiros idiotas, políticos idiotas, escritores idiotas, actores idiotas, directores de programas de tv idiotas, encenadores idiotas, pintores idiotas, jogadores de futebol idiotas e qualquer outro idiota que me chateasse, os mandar TODOS à grandessíssima merda!
…mas não posso!
Vou ter de continuar a tentar a minha sorte com os números e as estrelinhas…

* (é engraçado que para algumas pessoas, até a merda passa a ser “um local nauseabundo para onde se manda aqueles que nos incomodam”)

[retirado do anúncio BPP: «Mais longe do Everest, mais perto das nossas Penhas Douradas, há uns poucos de anos, num restaurante, em alta voz, de outra mesa para a minha, um Presidente de Câmara perguntou-me: “Oh Cutileiro, mas para que é que você quer tanto dinheiro? – Simples: para poder mandar à M*(7) os Presidentes de Câmara, que me chateiem(8)”»
(7): local nauseabundo para onde se manda aqueles que nos incomodam
(8): E outros Senhores que também me chateiem.

Lopes da Mota de patins

Este caso das pressões é intolerável! Em democracia um magistrado, que já esteve envolvido em coisas pouco claras no caso “Fatinha de Felgueiras” e, que agora tenta pressionar colegas, só tem um caminho. A demissão!
Este governo e o PS querem fazer-nos crer que tudo isto não tem uma leitura política, que é meramente administrativa, junta-se a todos os outros e vai para o saco do lixo e do esquecimento. Mas este homem foi nomeado por um governo socialista para um lugar internacional, como aparente paga do que fez no caso de Felgueiras, foi secretário de Estado num governo socialista e é membro do Partido Socialista.
O lugar que ocupa está no centro da ligação entre polícias o que o coloca no centro do caso Freeport. Por estes dias vai ter que dar andamento a nova carta rogatória da polícia. Que garantias dá este homem de isenção?
E insisto. Ele utilizou o nome do Primeiro Ministro e do Ministro da Justiça nas conversas que teve com os colegas que estão à frente do caso Freeport. Há testemunhas. Uma das testemunhas é um dos juízes mais reputados do país! E, das duas uma! Ou usou o nome dos governantes sem seu conhecimento e isso é um abuso de confiança punível criminalmente, ou os governantes tinham conhecimento.
Num caso ou noutro só há um caminho. A porta de saída! Não podemos calar que homens a quem entregamos funções tão importantes se comportem como pessoas que não são dignas! É a Democracia que se descredibiliza é o Estado de Direito que se desmorona! Demitam-se!

Votar em Branco

Votar em Branco

Votar em Branco

Uma pergunta para ocupar o fim-de-semana:
Será que é desta que a ideia de Saramago faz sentido?
E se uma boa parte da população Lusa votasse em Branco?
E se esse voto for maioritário?

Arrepiante !

Diz o nosso Primeiro Ministro que há “estórias” arrepiantes nos bancos! Os tais bancos que salvou com o nosso dinheiro.
Mas pelos vistos foi tudo arquitectado e executado por um só homem, o único que está na cadeia. Todos os outros andam a escrever livros,dar conferências de imprensa, jogar golfe e gastar os milhões de indemnizações a que tiveram direito.
Ninguém sabe nada do que se passa nos bancos espoliados e em análise. Não temos direito a ser informados, tudo se passa no aconchego dos gabinetes, mas o dinheiro que lá se afunda é nosso!Isto é que é arrepiante, ter um Primeiro Ministro que acha que não deve explicações ao país depois de optar por uma política que não dá frutos.
Agora, se fosse preciso melhor exemplo, vai comprar a Cosec. O que é e o que faz? É uma companhia de Seguros que nasceu para dar cobertura aos riscos de facturação na exportação e que,sem explicações, foi parar às mãos de privados!
Como a saída da crise passa pelo aumento das exportações e estas passam pelas PMEs que não tiveram nenhuma ajuda, nem conseguem créditos dos bancos que receberam o nosso dinheiro, e como as exportações estão a cair de uma maneira dramática, Sócrates vai agora a correr a ver se vai a tempo.
Não quis ouvir ninguém!
Hoje apareceu uma luzinha, muito pequenina, a informação que há índices avançados da economia que dão sinais de recuperação, nos US e na Alemanha. Aí está a razão para ir comprar a Cosec, ajudar os seguros nas exportações! Tudo previsto à distância, nada a reboque dos acontecimentos!
É arrepiante,é!

Procuro lema para a MANIF do dia 30- querem sugerir?

Car@s Professor@s,
car@s leitor@s não professor@s,

como sindicalista de serviço ao Aventar vinha convidar tod@s e cada um de vós a dizer qualquer coisa sobre o assunto:
digam lá – o que deve dizer o pano que vamos levar no dia 30?
‘bora lá a puxar pela cabeça!

JP

Deixem-nos ser Professores

Deixem-nos ser Professores

Memórias do Cerco do Porto

Os professores Sérgio Peixoto e Manuel Pires Ribeiro, ambos já aposentados, lançaram um livro sobre a escola secundária do Cerco do Porto, situada na zona oriental da cidade e nas imediações de um bairro social, e na qual leccionaram durante décadas. “Escola Secundária do Cerco – 1980-2007 – História e Contextualização no Sistema Educativo” é o título da obra.

Quanto aos autores… bem, podia começar por contar-vos um episódio que se passou há muito tempo, teria eu 15 ou 16 anos e naquele dia não me apetecia saber mais nada sobre absolutistas e liberais. Havia um café novo onde toda a gente parava, podíamos ir, a Cláudia tem o disco novo dos U2, pode ser que esteja lá aquele rapaz que vimos da outra vez, vá lá, toda a gente vai… No dia seguinte, entrei discretamente na aula de História, e enquanto tirava o livro da mochila vi, para meu horror, que o professor Ribeiro se aproximava.

Inventei uma história patética sobre uma indisposição no dia anterior, e ele, com a sua voz pausada, sempre tranquila, fez-me uma síntese, e só para mim, do que tinha sido visto na aula anterior. Tomei notas a toda a velocidade, sem me atrever a levantar os olhos para ele, e fiquei o resto da aula a sentir-me culpada e agradecida. Claro que nunca mais faltei à aula de História.

O professor Peixoto gostava de ler e, sobretudo, de nos ouvir ler. Acredito que ele estava convencido de que se nos deixasse ler páginas e páginas dos Maias, como fazíamos, haveríamos de ser tomados pela mesma paixão, haveríamos de sucumbir ao mesmo feitiço. Recordo-me daquelas aulas de duas horas em que eu lia em voz alta durante muito, muito tempo, ao ponto de pensar que o professor talvez tivesse adormecido. Mas quando o olhava de soslaio ele estava bem acordado, à escuta, e às vezes era como se ouvisse pela primeira vez aquilo que ensinava há décadas.

Recordo-me das suas gargalhadas naquela passagem delirante em que o Carlos Eduardo apanha o Eusebiozinho vestido de anjinho para entrar na procissão e esfrangalha o enfezadito. Ou da fúria do João da Ega quando regressa do baile em casa dos Cohen, ainda vestido de Mefistófeles, humilhado pelo marido da sua amante…. Ainda hoje é-me impossível ler essas passagens sem recordar o professor Peixoto.

Também o recordo a separar uma rixa muito feia, a meter o corpo no meio de dois adolescentes enfurecidos, e de pensar que a sua atitude, firme mas não autoritária, tinha acalmado os ânimos de imediato e era muito diferente daquilo que estávamos habituados a ver.

As minhas memórias da escola secundária não são particularmente luminosas, mas recordo estes dois homens com afecto e gratidão. Alegro-me por saber que escreveram este livro a quatro mãos e que continuam, mesmo após a aposentação, a ser pedagogos. A resgatar o mais positivo na nossa memória comum e a celebrar cada um dos miúdos que passaram por aquela escola.