O prestígio dos eleitos

"Se não tivermos órgãos de representação prestigiados, será difícil aumentar a participação dos eleitores", disse hoje Cavaco Silva, no discurso oficial do Dia de Portugal, o “dia da raça” do deslize do ano passado. O Presidente da República tem toda a razão. É difícil os portugueses sentirem-se motivados a deslocaram-se às urnas para votarem em pessoas que, na realidade, pouco ou nada lhes dizem.

Acontece que somos todos bons a gritar que os “políticos não prestam”, mas somos muitos fraquinhos a dar o passo em frente. Quantos de nós estarão verdadeiramente interessados em sair de casa para lutar em prol do famoso bem comum? Se houver umas massas a ganhar e não for necessário transpirar, por certo a fila será extensa. Se a coisa for graciosa e ainda por cima implicar esforço e trabalho, essa palavra horrenda, então o cenário muda.

É verdade que esses pilares da democracia, os partidos, nada facilitam no acesso ao povo independente aos órgãos de gestão política. Não estão dispostos a ceder um milímetro. Quando alguns atrevidos têm um qualquer assomo de vontade e se apresentam a votos nas autarquias, não tardam nada a serem “atraídos” para os partidos. Muitos, aliás, decidiram passar a independentes porque os partidos optaram por outras pessoas para protagonizar as cobiçadas candidaturas. Não formaram movimentos independentes por determinação de ajudar os vizinhos mas sim por despeito e ambição. Esta última nada tem de mal. Já a anterior, é perigosa.

Já ouviram “Movimento Perpétuo Associativo”, de Deolinda? Não? Então ouçam, que está lá tudo.

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