Adeus, meninos. A gente vê-se por aí!

Chega, como sempre em Junho, o fim do ano lectivo. E aqueles que foram os amores de um ano vão-se embora. Para sempre. Fazem-se rapazes e raparigas e lá vão eles.
Falo dos meus alunos.
A verdade é que eu é que vou. Eles ficam. A Ministra bem prometeu, em 2006, que ia ser por três anos e eu, feito burro, acreditei. Deixara de ser contratado nesse ano e pensei que ia finalmente estabilizar. Que ia poder acompanhar os meus meninos durante três anos. Vê-los crescer. «Ei, estás tão grande, puto. Há 3 anos eras tão pequenino», poderia dizer-lhes no final de um ciclo.
Pois bem, mesmo com os tais concursos de três anos, e mesmo como QZP, foram quatro escolas desde 2006. E no final, sempre a mesma angústia de me despedir sem tê-los conhecido a sério.
Nada de novo, pois, neste final de ano lectivo. Só que, como sempre, a gente afeiçoa-se mais a umas turmas do que a outras. Quem é professor sabe disso e compreende.
Com esta turma, a relação foi-se desenvolvendo ao longo do ano, dentro da sala de aula e através do blogue que criei para eles e onde partilhámos interesses, momentos e solidões. E na última aula do ano, após o sumário do costume («Auto-avaliação. Despedidas») e a sua concretização, deu-se algo de muito especial. Disse-lhes adeus, desejei-lhes boa sorte para a vida e deixei-os sair mais cedo. Acto contínuo, de forma completamente espontânea, TODOS os alunos, em vez de irem embora, vieram ter comigo. Cumprimentaram-me, abraçaram-me, beijaram-me. E agradeceram-me. Não sei o quê, mas agradeceram-me.
Foi um momento único, mesmo que se vá repetindo ano após ano. É sempre um momento único. E esse ninguém mo tira. Foi apenas um minuto, mas parece que, naquele bocadinho, foram apagados quatro anos de humilhações, insultos e tentativas de esmagamento de uma classe. Por parte de uma Ministra e de dois Secretários de Estado que, depois de terem destruído a Escola Pública, sairão como entraram. Sem saberem o que são momentos como o que eu descrevi. Sem saberem o que é o amor de uma turma. Sem saberem o que pode ser a relação entre um professor e um aluno – algo que nunca nenhuma avaliação poderá aferir.

Comments

  1. maria monteiro says:

    Ricardo, ser professor é conseguir essa relação com os alunos… deixar saudades e ficar com saudades. Infelizmente não é só o ministério que não entende, também há muita falta de colaboração de pais e de alunos.

  2. carlos fonseca says:

    Ricardo, ainda esta noite o PM apresentou o vínculo dos professores à escola como uma bandeira do seu governo. Estamos, pois, conversados sobre a seriedade do ME, e principalmente do Chefe de Governo.

  3. dalby says:

    A hiena continua a atacar, é um HIENA PERIGOSA, FALA COM FALAS MANSAS, E A TIPA DA SIC NOTÍCIAS FALA-LHE BAIXINHO..TUDO COMBINADO….ELA BRILHA SE O DEIXAR BRILHAR..NUNCA VI NENHUM CANAL MAIS GRAXISTA DO QUE A SIC NOTÍCIAS..ESTÃO LÁ TODOS….UM APÊNDICE DO GOVERNO..O PS NÃO VAI LARGAR O PODER TÃO FACILMENTE COMO VOCÊS PENSAM..AS HIENAS SÃO MUITAS, AS MANDÍBULAS DURAS…Ricardo, tens muita sorte..a realidade não tem mais dessses «romances abstractos» . A tua zona de ensino é fora da acção dos grandes centros..you’re just a lucky guy that’s all…a maior parte das pessoas , acredito querem é vê-los pela sombra….infelizmente a coisa está mais por vê-los o mais ra+ido ao longe..aos pais, ao governo, à escola, aos alunos. TRUST ME!

  4. RicardoF says:

    Espero que pelo menos continues a aventar por aqui. Isto não tem QZP, não tem avaliação e apenas tem um ministério, O ministério do DOLCE FAR NIENTE.

  5. Ricardo Santos Pinto says:

    Dolce far Niente só se for para ti, ó Ricardo, que só tens de fazer uns comentários e pronto.Olha que isto dá muito trabalho!

  6. RicardoF says:

    O que eu quis dizer, é que este blogue faz distrair-nos da vida nuns intantes da leitura.O bom é fazer as coisas sem esforço e sem reparar que trabalhamos para tal… Um exemplo é convidar amigos para jantar que dá imenso trabalho, mas que é um prazer.Ao ler os seus posts depreendi que lhe desse prazer escrever aqui, da mesma maneira que me dá vontade ler…

  7. Ricardo Santos Pinto says:

    Tens toda a razão, Ricardo. Dá-me prazer. Quando deixar de dar prazer, saio, como fiz quando saí do 5 Dias.

  8. dalby says:

    oR RICARDO f EU PENSEI QUE ERAS DE DUSSELDORF AI QUE CONFUSAO


  9. […] que mantive com os meus alunos. Descrevo-o da forma que o descrevi num blogue do qual sou autor: «ADEUS MENINOS, A GENTE VÊ-SE POR AÍ Chega, como sempre em Junho, o fim do ano lectivo. E aqueles… Em relação à relação que mantive com os alunos do 10.º ano de escolaridade, volto a remeter […]