O concurso da golpada falhada

Ao concurso para a Autoestrada do Centro (a tal que não terá carros), apresentaram-se quatro consórcios com as maiores empresas de construção civil do país, coligadas com empresas estrangeiras. Até aqui tudo bem.
Na primeira fase, três dos concorrentes apresentam preços da ordem dos 1.500 milhões de euros e o consórcio chefiado pela Mota-Engil apresentou 553 milhões de euros. No meu tempo, para obstar a estas jogadas eram eliminados os concorrentes que apresentassem um valor inferior à média dos preços dos outros concorrentes.
Este governo, na senda do “facilitismo” – quero, posso e mando – pelos vistos já retirou essa condição, pelo que a Mota-Engil passou à segunda fase, que terminou com o preço a crescer três vezes, tendo saltado para 1.500 milhões.
Quer dizer, primeiro apresenta um preço impossível para a seguir, em conversações, chegar aos preços dos outros.
É evidente que o pretendido é chegar a uma fase “não cega” onde as pressões e os nomes pesem.
Mas, felizmente, ainda há gente séria e a Comissão de Avaliação chumbou a proposta, enviando todo o processo para o Ministro Lino.
Estas jogadas são o “pão nosso de cada dia” com este governo. Nunca, depois de Salazar e do “PREC”, tivemos um governo tão interventivo na economia, nos processos de selecção e escolha, nas adjudicações por “ajuste directo”!
Não temos um governo. Temos os donos do país!
E reparem que quem faz isto é a Mota-Engil do Jorge Coelho!
Os outros não sabem fazer ou têm consciência de que não têm argumentos na fase de “negociação”?

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