Onde Escreves os Teus Posts?

escritório

Procurei resistir por achar a coisa um pouco estranha. Entre o piroso e o voyeurismo em voga. Depois achei que estava a ser parvo. A ideia até é gira. Ao ler a posta do Luís senti-me inibido. Depois de uma descrição daquelas (detesto escrever “duma”) um tipo fica desarmado.

Eu escrevo quase sempre aqui, no exacto local onde estou a escrever isto. Uma mesa de escritório que era do meu pai e que ele, mais o seu eterno sentido de poupança, nunca ou quase nunca utilizou. Talvez para me vingar uso-a todos os dias, risco-a, gasto-a. Não será vingança, será apenas uma quase-homenagem. Imaginem uma mesa de escritório comprada com o saldo de anos de poupanças e cuidada com esmero, no seu significado de não-uso, durante anos a fio e agora conspurcado com um computador, um cinzeiro fedorento, uma impressora hp caprichosa, um par de colunas, uma pilha de jornais religiosamente guardados como filhos, alguns livros que me esqueci de colocar no lugar (coisas de homens) e CDs espalhados. Só falta um pormenor. As minhas mulheres, cada uma com o seu motivo, fizeram o favor de colocar um mapa-mundo por baixo do teclado. A minha mãe em memória do cuidado a ter com a mesa, a minha mulher para melhor limpar e a minha filha por achar piada. Um mapa que me tira do sério por incluir Timor como parte integrante da Indonésia. Por cima da dita tenho três quadros do Porto (Ponte das Barcas, Ponte da Arrábida e Ponte Pênsil). Depois existe algures uma vela ranhosa de cheiro anti-tabaco, coisas do mulherio da casa. Parece que não me conseguem ver nem respirar ao entrar. Nunca dei por nada, mas enfim.

Claro que a Carla, vê-se logo que é mulher, tirou uma foto com tudo escrupulosamente arrumado. Eu, para ser diferente, permiti uma liberalidade ao meu gato. Desta vez não o obriguei a desimpedir a loja. O meu gato…Já agora, para compor o ramalhete, além da mulher, da filha, da mãe e de três cadelas junta-se um gato…que foi capado pelo mulherio. Ou seja, vivo rodeado de espécimes do sexo feminino ou aparentado. Aliás, só não me capam a mim por ainda me restar um mínimo de autoridade. Mínimo. Até quando? Não sei mas se a Ana Anes começar a escrever no Aventar, a faca começará a ser afiada com denodo…

Wimbledon – A Final


Quatro horas de ténis de grande nível. Viu-se de tudo, “amorties”, “passing shots”, “serviços acima de 200 Kms /hora…
Eu a partir de certa altura não conseguia deixar de pensar que aquilo era, muito mais, uma final de “pressão psicológica” do que de ténis. Já não basta ganhar ,os chamados “winners points”, é preciso não tremer para não cometer erros.
Nem sequer é um jogo bonito de se ver. Tudo o que o rodeia, sim, é bonito. O glamour das mulheres bonitas, os locais verdes de relva e árvores, a multidão que se mostra numa montra de muitas vaidades.
Desde os calções às camisolas tudo é publicidade, tudo é negócio, tudo é dinheiro. Quatro horas a mostrar ao mundo que com aquelas camisolas podemos jogar àquele nível, quiçá chegar a jogar em Wimbledon…
O segredo é transformar uma qualquer actividade num negócio, numa conta de exploração positiva. É por isso que aqui não entram considerações de ordem moral ou éticas.
Qualquer um daqueles jovens ganha num torneio destes o que a maioria não ganha em toda a vida.
Mas quem paga somos nós, os milhões de anónimos que estão dispostos a pagar para ter aquelas camisolas e aqueles calções.

Falando de Democracia: Lixo e televisão

Woody Allen, disse algures que, na Califórnia, não se deve deitar fora o lixo – «Eles reciclam-no sob a forma de programas de televisão». O problema é que este conselho passou a ser válido fora da Califórnia, mesmo na Europa, particularmente em Portugal. Dissemos num texto anterior que as palavras cultura e televisão estavam a deixar de fazer sentido quando aparecem em conjunto; a palavra lixo, porém, coaduna-se perfeitamente com a televisão que se faz dos nossos dias. E tanto assim é que Gustavo Bueno, o pensador espanhol, criador do conceito de Materialismo Filosófico, publicou em 2002 um livro a que chamou «Telebasura y democracia», ou seja «Telelixo e Democracia». O subtítulo da obra é elucidativo – «cada povo tem a televisão que merece». Afirmação que tem graça, mas que não pode corresponder à verdade. Quando um povo é muito inculto tem tendência a preferir programas fúteis, idiotas mesmo. Isso não significa que «mereça» que lhe sirvam o lixo que ele prefere.

É uma interpretação muito redutora do princípio democrático que obriga a respeitar a vontade das maiorias, esquecendo que é função das instituições democráticas do Estado proporcionar meios para as pessoas elevarem o seu nível cultural e educacional. Mas, aparte este slogan que não sei se é da autoria de Bueno ou de algum «génio» do marketing, o livro é muito interessante. Não conheço tradução em língua portuguesa, mas tudo o que ali se diz sobre a qualidade da televisão espanhola é aplicável, por maioria de razão, à televisão portuguesa que, pelo que tenho visto, consegue ser pior do que a do estado vizinho, embora isso pareça difícil. Para além do lixo servido como entretenimento e que cria dependência nos telespectadores, há a vertente política de um meio que Karl Popper, como já vimos noutro texto anterior, não hesitou em classificar como «um perigo para a democracia»-

O eixo temático do livro de Gustavo Bueno é a observação sistemática que o reputado filósofo fez sobre o Big Brother (Gran Hermano, na versão espanhola), programa visto diariamente por onze milhões de telespectadores. Os índices de abjecção e de indigência mental alcançados em Espanha, parecem não terem ficado nada a dever aos que em Portugal se atingiram. Lembremo-nos de que em França o programa não foi autorizado devido à sua falta de qualidade. Isto demonstra que, mesmo em democracia (eu diria, principalmente em democracia) pode e deve haver mecanismos que impeçam certas «liberdades», das tais que são inimigas da Liberdade. Para quem vê os canais franceses torna-se evidente que, com uma ou outra concessão às tais «liberdades», o nível médio é bastante superior ao dos canais peninsulares. Na televisão espanhola, tal como na nossa, a programação procura corresponder ao gosto da audiência e se ela quer lixo, é lixo que recebe: «A audiência na sociedade democrática é que manda e a televisão-lixo tem que obedecer a esta procura», diz Bueno. Como dizíamos numa crónica anterior dedicada a este tema, a televisão vai progressivamente baixando o seu nível e com a sua impressividade e imensa capacidade formativa, gera um estirpe de telespectadores cada vez mais dependentes do lixo – telenovelas, talk shows, reality shows, concursos, e o próprio lixo vai diminuindo a sua qualidade para poder corresponder à procura. É a tal espiral descendente de que falávamos e que poderá conduzir, segundo a profecia de Marlon Brando, ao extremo de pôr pessoas a satisfazer necessidades fisiológicas em frente das câmaras.

Como referi na tal crónica anterior sobre a televisão, quando o actor disse isto, há mais de quinze anos, parecia um exagero, mas cada vez vai parecendo mais verosímil. Porque, como afirma Gustavo Bueno, os índices de audiência na sociedade democrática é que orientam a produção de novos programas. E Bueno remata o raciocino dizendo que não será por razões éticas ou morais, «mas sim por razões de simples sobrevivência democrática». E cita Lope de Veja, grande dramaturgo espanhol dos séculos XVI e XVII: «homem de teatro que conhecia as leis do mercado séculos antes da televisão: “Se o vulgo é néscio, é justo falar-lhe néscio para lhe dar prazer.”» Será verdade que o néscio e o inculto, por uma questão de preguiça intelectual, têm prazer em que lhes falem na linguagem e segundo os conceitos que melhor dominam, sem terem que fazer esforço mental.

Mas, seguindo este critério, o néscio nunca deixará de o ser.

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC ( 2ª PARTE) – VI

Qualquer leitor com um mínimo de curiosidade gostaria de saber o que pensam os organismos responsáveis sobre esta matéria, nomeadamente o IPTM, a APL ou, melhor ainda, o MOPTC que os tutela; vejamos.

Em Dezembro de 2006 o MOPTC publicou um Documento-síntese com as orientações estratégicas para o sector marítimo-portuário; dele respigamos:

Em relação ao porto de Lisboa, após as generalidades de circunstância aceca da sua vocação como porto multifuncional e o desejado aumento da sua actual capacidade, indica-se:

  • O reforço da sua capacidade logística através da ligação à plataforma portuária polinucleada de Castanheira do Ribatejo / Bobadela, potenciada, nomeadamente, pela utilização da via fluvial e, futuramente, à plataforma urbana nacional do Poceirão;
  • Potenciar a sua actual situação de primeiro porto de cruzeiros do continente, tornando-o uma referência nas rotas turísticas internacionais;
  • Melhorar a integração na ara urbana envolvente, em conciliação com os instrumentos de gestão territorial dos municípios da área de jurisdição.

Rubrica Investimentos – Grandes rubricas para 2010. Valores em Euros x 1.000

Modernização/recuperação. 37.000,dos quais 23.000 para terminal passag. (cruzeiros)

Acessibilidades ……………….    4.600, Nó de Alcântara, total 10.000 (REFER / CML / APL)

Logística ………………………….     ?     Investimento privado logística

Desenvolvimento tecnológico   35.500, dos quais 30.000 da Agência Europ.Segur.Marítima

Continuando a leitura, transcrevo: “Em  2010 face à procura estimada pelos portos para os vários segmentos de carga, com os melhoramentos já em curso ou que agora estão programados a curto / médio prazo, o país disporá ainda de uma reserva de capacidade  tanto no conjunto dos portos como em quase todos eles de per si, que urge rentabilizar “.

“De facto, nesse ano, apenas na carga geral fraccionada para Lisboa e Setúbal… os valores atingidos aproxima os respectivos terminais da saturação”.

“Para 2015, o porto de Setúbal é aquele que, globalmente, apresenta maior taxa de utilização (84%), seguindo-se Aveiro (77%), Lisboa (70%) … . Apresentam-se próximos da saturação, na carga geral fraccionada, Lisboa e Setúbal…”.

Prosseguindo, deparamos com um Quadro de Acções e Investimentos APL e respectivo horizonte temporal. Destaco neste Relatório, relativamente recente, como se verifica:

ACÇÔES

  • Equacionar a integração nos serviços de Auto-Estradas do Mar. 2007
  • Colaborar e apoiar o IPTM na elaboração do Plano Nacional Marítimo-Portuário. 2007
  • Elaborar o Plano Estratégico e Exploração do porto. 2008

INVESTIMENTOS

  • Estudo de viabilidade da ligação fluvial de ariculação com os polos logísticos da Bobadela e de Castanheira do Ribatejo, da Plataforma Multimodal do Porto de Lisboa. 2007
  • Intervenção para o estabelecimento do canal de Xabregas. 2008
  • Intervenção de reabilitação e reforço do cais entre Stª Apolónia e o J.Tabaco, no terminal de cruzeiros. 2009

No que se refere ao IPTM, impota pôr em destaque as suas funções regulatórias e de planeamento estratégico. E, deste modo, no seu quadro de acções com um determinado horizonte temporal, salienta-se:

  • Elaborar com a colaboração e apoio das AP’s o Plano Marítimo-Portuário.
  • Identificar e padronizar com o apoio e colaboração das AP’s os instrumentos de acompanhamento e reporte anual de informação sobre as concessões. 2007

Suponho que todos estarão de acordo em que a integração de Portugal nas A-E marítimas europeias constitui uma acção estratégica da maior importância para a economia nacional e, a propósito, lembro que estamos a desenvolver o projecto PORTMOS, o que permitirá contribuir substâncialmente para o alinhamento entre os portos nacionais e os europeus.

O IPTM deverá, pois, ter um papel fulcral na política de expansão e desenvolvimento dos portos nacionais e, mais particularmente, no porto de Lisboa; motivo pelo qual deverá informar devidamente a Tutela acerca da nova concessão que se pretende conceder à Liscont.

Após a leitura deste Documento-Síntese relativo às orientações estratégicas para o Sector, fácil è de compreender que a assinatura do Memorando de Entendimento a que fizemos referência tenha sido uma surpresa para a maioria dos Serviços salvo, evidentemente, os previlegiados; com efeito, a nova orientação não caíu do céu e, certamente, teve de ser elaborada com a colaboração desses eleitos.

Ou com recurso ao “outsourcing” ou, … uma coisa é certa: mais uma vez prevaleceu a politica de posso, quero e mando, ao sabor dos responsáveis do MOPTC e Directores por si nomeados, mais ou menos submissos ou coniventes.

Na jovem democracia portuguesa pouco conta a “meritocracia” (em que a escolha dos cargos recai sobre os mais aptos) e, na maioria das vezes, reina a “partidocracia”, com essas escolhas ditadas pelo aparente fervor partidário.

Mas, atenção: a política de favores pode degenerar, facilmente, na corrupção e, até, na “cleptocracia” como resultado da impunidade sistemática dos prevaricadores. Há que estar atento.

Memórias do Pintarroxo (II)


(continuação daqui)

«Devido ao mau tempo, só foi realizado este domingo o leilão das prendas oferecidas pela zona central, oferecendo um panorama lindíssimo o cortejo até à Igreja Paroquial, organizado pelos seus beneméritos. Em frente vinha a guarda avançada a cavalo em jericos e trajes carnavalescos. A afinação era boa, porque o maestro impunha respeito com a sua batuta de troço de couve!
As minhas notas mal alinhavadas representam a expressão da verdade, nem de outra maneira sei pensar ou escrever, visto continuar a ser um acérrimo defensor da Pátria e da Denmocracia, que é também da colectividade.
Continuam os leilões de prendas, e quando pertencer às nossas briosas raparigas, cá estou eu, apesar de velhote, para as levar ao mais alto preço… conforme o seu valor, é claro!
E o meu coração sente-se alegre, pugnando por esta Cruzada do Bem, e com benefício para mim próprio, porque vendo muito mais vinho e iscas de bacalhau.
No domingo, até as espinhas do dito foram, e por bom preço, graças a Deus! Oxalá que isto continue por muito tempo, a ver se posso equilibrar o orçamento!…
Miséria – O que se passa por esse mundo fora é digno de compaixão! Neste dia de Entrudo, quantas famílias sem pão, sem lar e sem um bocadinho de carne para mitigar a fome! Como há-de ser desesperado este viver! Eu, graças a Deus, sou remediado, com orgulho o digo… matei um cevado há um mês juntamente com os meus garotitos, comemos o resto ao domingo gordo! Como vêem, foi poupar muito, porque ele era grande!»

Pintarroxo, in «O Progresso de Paredes», 5/3/1935

U2 360º Tour 2009

Os U2 são a minha banda de adolescência que se prolongou pela idade adulta. O novo trabalho é mediano mas os concertos são sempre “de estalo”. O palco desta nova tournée é um espanto. Aqui ficam dois vídeos de amostra:

Zoo da Maia

Quando o Zoo da Maia foi criado existia uma filosofia para este tipo de espaços. Felizmente, os tempos e as mentalidades foram evoluindo e essa filosofia foi-se alterando. As actuais condições do espaço não são as melhores mas vão melhorar imenso a partir de hoje e porquê?
Porque foi hoje assinado entre a Câmara Municipal da Maia e a Junta de Freguesia da Maia o acordo de cedência de terreno para o alargamento do Zoo da Maia.
O Zoo da Maia recebe cerca de meio milhão de visitantes por ano e é uma referência para o turismo da Maia, da GAMP e do Norte de Portugal. Com este acordo está salvo o Zoo e criadas as condições ideais para os animais que vivem neste espaço.
Deixo aqui a reportagem da LUSA onde se pode compreender melhor a intervenção em causa.

http://rd3.videos.sapo.pt/play?file=http://rd3.videos.sapo.pt/56VMQpl5s2QZwd0GudQs/mov/1

Carlos Medina Ribeiro – Pilaretes no reino do absurdo

(publicado originalmente aqui)

O QUE TORNA profundamente caricatos os pilaretes que se vêem nas fotos é o facto de, pela posição em que foram colocados, servirem para muito pouco. Ao menos, no local onde não há nenhum… sempre os veículos ficam arrumadinhos em cima do passeio – mesmo que seja numa paragem de autocarros!

NOTA: do outro lado da rua, junto ao Chimarrão, os pilaretes já foram colocados como deve ser – o mais próximo possível da faixa de rodagem.
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Obs.: o lixo que se vê na foto do meio NÃO foi deixado pela camioneta que se vê em cima.

Miragaia, a Escola, o Agrupamento, a Gestão e os poderes*

Nos últimos dias e, agora por todos os lados, aparecem artigos sobre Miragaia, sempre denegrindo a sua imagem. Até no Aventar.
É demais! Tanto veneno! Há duas sensações que me provoca este veneno:

1º A da ignorância… às vezes parecem relatos como há muitos séculos se fazia quando uns navegadores portugueses,corajosos, chegavam a terras de “índios”… todos uns selvagens! E toca a formatar!

2º A da oportunidade: será que tem que ver a PCE destes últimos 3 anos e que agora perdeu as eleições para Directora? Eu sei que tem grande currículo, melhor currículo, melhor relatório da comissão de análise das candidaturas tudo isto divulgado pela própria… aliás não tivesse sido, esta ex-PCE, assessora, com Margarida Moreira (a actual Directora Regional do Norte) do melhor que todos, Ministro Augusto Santos Silva. Não há quem tenha mais e melhor mérito. Deve ser mesmo a única, como provam os Louvores em Diário da República do referido Ministro, também no seu currículo.

Há quem não saiba mesmo perder uma eleição e invente de tudo para alterar os resultados! Nem o Socrates é capaz de dizer que perdeu as eleições europeias porque o povo é estúpido!

Vá lá! Vamos falar de coisas sérias. Colaboremos com a nova Directora para todos, em solidariedade, democracia, partilha de ideias e de ciência, ÉTICA e PROFISSIONALISMO, conseguirmos melhorar a qualidade do ensino em Miragaia.

E agora quero afirmar aminha “declaração de interesse”:

Sou docente há mais de 30 anos. Sou cidadã de Miragaia! Voto em Miragaia.Conheço bem esta comunidade. Vivo e dou aulas há vários anos em Miragaia. Nunca fui maltratada pela comunidade.Tenho pela comunidade em geral e pelos pais e encarregados de educação, em particular, o maior dos apreços, que procuro mobilizar como profissional, para um ensino de qualidade. Com esta comunidade tenho aprendido a ser melhor professora, pelos desafios profissionais que me coloca, bem como uma cidadã mais consequente!

*Florinda Albergaria, professora do 1º Ciclo do Agrupamento de Escolas de Miragaia

Onde escreves os teus "posts"?

O Ricardo, digo “r”, deu o mote, o Luís escreveu um dos seus melhores textos, a Maria, a nossa mais dedicada leitora, mostrou-nos, com a habitual abertura de espírito, como é o outro lado, e eu fiquei com sentimento de culpa, porque tinha dito que achava a ideia muito boa, mas não escrevi nada, embora tivesse uma boa desculpa.
Pois bem, não escrevo sempre no mesmo local, mas este é o local mais constante.

Um pequeno escritório, do qual a imagem mostra a parede que se parece com um escritório, porque tudo o resto é uma confusão de livros, fotografias, caixas com revistas do Noddy, carrinhos sem rodas, um pato só com uma pata, metade de um poster do Ruca, desenhos e desenhos e desenhos, e outros tesouros que o meu filho deixa espalhados pela casa e eu que vou recolhendo e trazendo para aqui, na tentativa de documentar uma infância que, segundo me afiançam, passa demasiado depressa.
A secretária é nova cá em casa e veio de um negócio de família que faliu, o que espero que não seja mau augúrio, e a verdade é que ainda não me habituei a ela porque tem um tampo de vidro e eu prefiro a madeira.
O texto poderá tomar corpo aqui, mas a sua centelha inicial vem de outros espaços. Uma conversa, algo que se vislumbra pela primeira vez, ainda que tenha estado sempre ali, e a maioria dos textos tem, aliás, um cenário mental, que é uma certa casa de uma certa rua, ou uma varanda, ou uma esquina, ou alguém a quem vi num certo local. Desde criança que tenho localizadas muitas das minhas memórias pela rua da cidade em que ocorreram, e movo-me nesse mapa interno, com as coordenadas do tempo e do espaço por vezes baralhadas, e é nele que me redescubro.
E por isso, o verdadeiro local onde escrevo sem nunca o ter feito aí, e um dos meus favoritos da casa, é este.

A vista que tenho da varanda vale o terceiro andar sem elevador e com uma escadaria de degraus enormes (quando estava grávida deixava um banquinho no segundo andar para me sentar a descansar a meio da subida), a ausência de estacionamento, as contas astronómicas de electricidade porque não há aquecimento central… Da minha varanda, no centro da cidade, vejo a Torre dos Clérigos, vejo a câmara municipal, vejo o mar quando o céu está limpo, vejo céu e espaço a perder de vista.
E quando regresso à secretária perco-me novamente no emaranhado das minhas ruas.

O concurso da golpada falhada

Ao concurso para a Autoestrada do Centro (a tal que não terá carros), apresentaram-se quatro consórcios com as maiores empresas de construção civil do país, coligadas com empresas estrangeiras. Até aqui tudo bem.
Na primeira fase, três dos concorrentes apresentam preços da ordem dos 1.500 milhões de euros e o consórcio chefiado pela Mota-Engil apresentou 553 milhões de euros. No meu tempo, para obstar a estas jogadas eram eliminados os concorrentes que apresentassem um valor inferior à média dos preços dos outros concorrentes.
Este governo, na senda do “facilitismo” – quero, posso e mando – pelos vistos já retirou essa condição, pelo que a Mota-Engil passou à segunda fase, que terminou com o preço a crescer três vezes, tendo saltado para 1.500 milhões.
Quer dizer, primeiro apresenta um preço impossível para a seguir, em conversações, chegar aos preços dos outros.
É evidente que o pretendido é chegar a uma fase “não cega” onde as pressões e os nomes pesem.
Mas, felizmente, ainda há gente séria e a Comissão de Avaliação chumbou a proposta, enviando todo o processo para o Ministro Lino.
Estas jogadas são o “pão nosso de cada dia” com este governo. Nunca, depois de Salazar e do “PREC”, tivemos um governo tão interventivo na economia, nos processos de selecção e escolha, nas adjudicações por “ajuste directo”!
Não temos um governo. Temos os donos do país!
E reparem que quem faz isto é a Mota-Engil do Jorge Coelho!
Os outros não sabem fazer ou têm consciência de que não têm argumentos na fase de “negociação”?

Procura de emprego

dedos

Senhor Berardo, não me arranja também um lugarzinho de administrador?

As diferenças entre os automóveis eléctricos e a gasolina

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Para ajudar ao debate sobre os automóveis eléctricos e automóveis movidos a combustíveis fósseis. A diferença de preços é abismal. Para ajudar às contas, uma milha equivale a cerca de 1,6 quilómetros.

Na América, promíscuo é uma espécie de cogumelo…

Estava eu trabalhar e a ouvir a minha playlist aleatória de mp3 e cai-me no ouvido Amérika dos Rammstein… logo de seguida, This is not America de David Bowie. De tarde tinha lido que os “chapéus do filme de Johnny Depp são feitos de feltro português” e que continuam a acontecer coisas perto do Michael Jackson… e agora não-sei-quem, demitiu-se de governadora do Alaska! E então apercebo-me. É verdade! Vivemos todos na América! América, esse país em que os habitantes pensam que promíscuo é uma espécie de cogumelo e ondem nascem todas as teorias da conspiração. Não compreendo muito bem um país como a América. Alguns americanos também não. Eu até gosto dos filmes e das músicas deles, mas quando ficam todos contentes e felizes por entrarem em guerra com outro país não é normal. Levam a guerra tão a sério que até têm taxas de produtividade e de desemprego para as forças armadas. Levam isto tão a sério que neste momento ocupam dois países e guerreiam forças militares inimigas que eles próprios financiaram e que agora não conseguem identificar. Já têm muitos anos de prática neste tipo de conflitos. Mas eu vejo isso como uma forma estranha de promover o conhecimento e fomentar o turismo em países que nunca ninguém ouviu falar. Segundo um estudo realizado pela cadeia de televisão americana THNN (Texas Herald News Network ), o país que 62% dos americanos desejam invadir a seguir é o Djibuti. No entanto, 19% preferiam Palau, porque estão fartos de aventuras no deserto e preferem uma guerra perto do mar para dar alguma visibilidade aos Navy Seals. Não são normais. Nem nas coisas mais normais do mundo, estes americanos são normais. Sempre que ganham um prémio nos reality-shows desatam aos berros “oh my god!!!, oh my god!!!, oh my goood!!!”. E choram, choram e ainda choram mais um bocado e depois gritam outra vez. As “Miss USA” têm sempre um parafuso a menos, ficam felizes quando perdem e são burras como portas antigas. Quando têm uma figura nacional que adoram, mais cedo ou mais tarde acabam por assassiná-la. Quando uma dessas figuras morre, ninguém acredita! Os americanos são incompreensíveis. Eles, os banjos e música country. Que raio é um banjo? E que música é aquela? De certeza que já fizeram uma série sobre assassinos com banjos ou três dúzias de filmes e respectivas sequelas sobre adolescentes que são mortos no Mississipi por um louco com um banjo. O Banjo Diabólico III. Orgulham-se de ser o país n.º1 do mundo, com o maior número de raptos, avistamentos e contactos com ETs. Mesmo noutros países, quem filma OVNIS são americanos de férias. Inacreditável. E depois ainda é mais estranho. Abrem uma empresa, e no ano seguinte, já andam a perguntar quem é o dono e quanto custa a União Europeia. Gastronomia não têm. Só comem hamburgueres, cachorros quentes e nachos com molhos. Ou feijões e puré com ervilhas. Nunca os vi a comerem outras coisas. E só bebem Coca-Cola, Budweiser e Jack Daniels. (apesar de concordar plenamente com a inclusão do Jack Daniels na roda dos alimentos). Ainda há pouco tempo andavam disfarçados de fantasmas a chutar “neegros” para fora dos autocarros e agora chutam outro como “Salvador” para a presidência, mas acham que existe uma conspiração por trás disso e que de facto ele não é negro, mas sim islâmico! Isto é que é rapidez de processos sociais! 4,1 segundos dos 0 aos 100! Em evolução e desenvolvimento, tenho que admitir, são rápidos e bons. Mas preocupa-me um bocado, que este pessoal algo transviado da mente, profundamente paranóico, incoerente e confuso que nasce com o dedo no gatilho e quer “viver” na televisão, tenha acesso a armamentos nucleares. Acho que não deviam estar perto nem de pedras afiadas! Não deviam estar perto de um botão vermelho para destruir o Mundo, nem, aliás, de nada que seja vermelho. Claro que também têm coisas boas. Nesse aspecto, os americanos são espectaculares, porque me “permitem” que eu possa ter as minhas opiniões e a minha liberdade de expressão. Eu e qualquer outra pessoa no mundo. E, segundo o soldado Ryan, porque nos livraram do III Reich. E também nos livraram dos terrorristas todos. E dos Talibans, apesar de ainda não terem conseguido encontrar Bin Laden, o Chefe das Forças Armadas Talibanesas. Ah! E do Fidel Castro. E já agora, porque não?, livram-nos também de filmes europeus que acabam quando ao fim de quatro horas se começa a entender o que se passa e finalmente um actor fala!. E… é só isso. Infelizmente, o que é mau, é mesmo muito mau. E isso é que é pena. Até têm uma bandeira muita catita. Não compreendo. É pena. Encarece-nos o Jack Daniels e obriga-nos a ver telediscos com legendas.

Como os outros países veêm a América e os Americanos:

Como a América se vê a si própria:

Fartei-me de ouvir falar do 4 de Julho, da América, do Alaska, do Joe Berardo a oferecer um emprego e das 29 vezes sobre o Michael Jackson! Já não aguentava mais. Eu sei que são 2 da manhã, mas tinha mesmo de desafabar…