Falando de democracia: Do sonho à realidade – Comentário do autor

São 21.30 e vejo com surpresa que já algumas dezenas de pessoas se deram ao trabalho de ler o meu texto «Do Sonho à Realidade». Resolvi que essas pessoas mereciam uma explicação mais clara e pedi ajuda ao José Mário Branco. Aqui está ela:

Vamos correr Fernando Ruas à pedrada?

Claro que esta minha pergunta é puramente metafórica e ao nível da linguagem refinada das Beiras. A ideia, portanto, é arranjar uns tipos e corre-lo à pedrada. Mas mataforicamente. Atenção que estou a medir isto muito bem. (foram 222 caracteres)

FALANDO SOBRE TRANSPORTES. AS FALÁCIAS DO MOPTC (3ª PARTE) – I

A renovação de um contrato baseada num projecto virtual

Tencionava concluir com este texto os outros dois publicados anteriormente. Contudo, ao receber um semanário de leitura habitual, constatei entre as suas folhas a existência de um impresso – aliás com uma boa apresentação gráfica, colorida – onde se falava do projecto da Nova Alcântara a que já tive ocasião de me referir em 9 de Outubro p.pº.

No editorial assinado pelo Presidente do Concelho de Administração da APL, o seu autor procurava justificar este “projecto inadiável” o qual, segundo ele, iria fomentar uma forte aposta na utilização do transporte ferroviário e fluvial e desenvolver as ligações do Porto de Lisboa com as novas plataformas logísticas que irão ser instaladas na região (Bobadela, Castanheira do Ribatejo e Poceirão).

Confesso a minha perplexidade, dado que era do meu conhecimento a existência de um documento do MOPTC, datado de Dezembro de 2006, contendo as “Orientações Estratégicas Para o Sector Marítimo Portuário”, nele constando – o que me parecia mais importante, urgente e indispensável – a elaboração do “Plano de Estratégia e Exploração do porto”, com o horizonte temporal de 2008; suponho eu, na sequência do Plano Nacional Marítimo Portuário, previsto nesse mesmo documento para 2007.

Pelos vistos, o MOPTC resolveu subverter a sua própria estratégia e presentear a APL e os cidadãos de Lisboa com o Projecto (?) virtual, cinematográfico e espampanante do Novo Nó de Lisboa, totalmente omisso nessas “Orientações Estratégicas”.

E a APL, para mostrar o seu acordo e total dependência da Tutela, esclareceu que “… estando, agora, fixados os objectivos e metas claras … importa definir metas temporais para a sua revisão e adaptação”.

Projecto este, repito, que não passa de umas miragem, cheio de dúvidas e problemas esboçados – mas não resolvidos – unicamente para permitir renovar por mais umas três dezenas de anos o contrato de concessão à Liscont (leia-se Mota Engil) a pretexto de uma urgência não devidamente fundamentada (leia-se o meu texto anterior) e com a contrapartida (em que percentagem ?) da comparticipação dessa empresa nas obras a efectuar. E são muitas, caras e não totalmente estimadas.

Posso afirmar, sem qualquer hesitação, que a APL não analisou todas as soluções alternativas possíveis nem, tão pouco, seria possível concluir “com o auxílio de estudos económico-financeiros e jurídicos” a validade da solução que foi ”oferecida” à Mota-Engil.

Até porque ainda não há projecto, ante-projecto ou mesmo estudo que permita elaborar uma estimativa  – já não digo orçamento – dos trabalhos a efectuar. Em minha opinião e com algum conhecimento de causa, de tal modo difíceis e complexos que tenho fortes dúvidas quanto à sua exequibilidade, por um preço razoável.

Por isso mesmo darei a conhecer uma solução que julgo digna de estudo, aliás, a juntar a muitas outras sugestões que apresentei na 2ª Parte deste trabalho.

CUIDADO COM OS REMÉDIOS

CUIDADO COM OS REMEDIOS (1)

O consumo de medicamentos é hoje um problema, não só nacional como internacional. Interesses industriais e comerciais convenceram as pessoas de que a saúde se encontra metida em caixinhas e frasquinhos, originando uma autêntica obsessão pelos remédios, não só por parte dos doentes mas também dos médicos. Várias vezes tenho lembrado que há medicamentos úteis, muito úteis e indispensáveis, alguns deles quase “milagrosos”. Outros há que são inúteis, sem qualquer eficácia, por vezes prejudiciais, potencialmente perigosos, cujo lugar deveria ser o lixo. Mas, potencialmente mais perigosos que estes remédios inúteis são os bons remédios, os remédios eficazes, quando prescritos por rotina, sem precisão diagnóstica ou terapêutica, com desconhecimento dos efeitos adversos, das contra-indicações e interacções medicamentosas. A minha experiência tem-me demonstrado que estas receitas “à balda”, sem critério nem critérios, feitas de forma inconsciente, são responsáveis por inúmeras e temíveis consequências, constituindo actos que deveriam pertencer à esfera do crime.
As doenças produzidas pelos remédios e por outros processos de tratamento, criadas pelos médicos e inventadas pelos meios de diagnóstico, são mais do que muitas. São as chamadas doenças iatrogénicas, e constituem um grande capítulo da medicina. Provavelmente dos menos divulgados e investigados, já que colide com poderosos interesses. Daí, a minha convicção, já antiga, de que a saúde não é, muitas vezes, um fim mas um pretexto para atingir outros fins.

    (adao cruz)

(adao cruz)

Mais uma pérola ministerial

Segundo o Jornal Digital:

Os resultados da prova nacional do 9.º ano do ensino básico, divulgados esta manhã, mostram que houve uma melhoria à disciplina de Matemática e uma descida na Língua Portuguesa. Na opinião de Maria de Lurdes Rodrigues «Isso deve-nos encher de orgulho. É muito positivo e muito bom para o país».

A dúvida agora reside em saber se o “muito positivo e muito bom para o país” é a melhoria, a descida, ou ambas as coisas. Vindo da engenharia social nunca se sabe.

Já uma associação de professores de português se queixa da “quase duplicação das negativas face ao ano passado”. Vê-se mesmo que não sabem o que é muito bom e muito positivo para o país. Ou se calhar vivem noutro. Ou talvez vivamos todos. Nunca se sabe.

Adenda: acabo de descobrir que alguém ouviu a mesma senhora, na Antena 1, dizer mesmo mais:

“”O resultado foi muito positivamente bom.”

Assim fica tudo esclarecido. A descida das notas a Língua Portuguesa foi sem dúvida muito positivamente boa nivelando o país, por baixo, mas o que importa é o princípio da igualdade.

Força pessoal que agora teve negativa: quando forem grandes ainda chegam a ministros.

TSF

NÃO PODERIA DEIXAR DE PUBLICAR ESTE TEXTO DE JOAQUIM JORGE

JM

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A TSF muda editores e estuda nova programação.Todavia substituíram Teresa Dias Mendes , uma voz inconfundível que entrava pelas nossas casas e automóveis nos seus excelentes noticiários durante o dia. Ela foi protagonista de um episódio durante a campanha para as eleições europeias – o conteúdo de uma peça jornalista foi questionado por José Sócrates que não gostou. Essa peça referia-se a questões entre o Primeiro-Ministro e o dirigente da Fenprof , Mário Nogueira . Era aludido que Mário Nogueira estava a ser manipulado ! José Sócrates e Teresa Dias Mendes chegaram a trocar palavras directamente num jantar de campanha depois da pressão feita pelo gabinete de José Sócrates.
A sua substituição não foi imediata , pois dava muito nas vistas. Não convém ter jornalistas que façam oposição e questionem José Sócrates , mais ainda que a TSF tem muita audiência e é uma referência .Quem é afinal fascista ? O Salazar à beira destes senhores é um aprendiz…Maneira encapuçada de fazer pressão e arrumar com alguém que não faz , não diz o que eles querem e questiona o que se passou. Caça às bruxas de uma forma subtil e souplesse . Na altura não se faz nada e na primeira ocasião contorna-se o problema e faz-se um upgrade , assim foi tentado na TVI , mas José Eduardo Moniz é o director da estação , não é um editor . Democratas sim , enquanto ninguém disser mal de nós , de outra forma trata-se de os anular.

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Joaquim Jorge (www.clubedospensadores.blogspot.com)

Adie-se o ‘fracturante’ testamento vital para não incomodar

Mesmo sem o admitir, o PS decidiu seguir as instruções do Presidente da República e adiar, para depois das eleições, um dos tais projectos fracturantes, a lei do “testamento vital”. Assim, a lei que garantia os direitos dos doentes à informação e ao consentimento informado fica adiada para a próxima legislatura.

Simpática como sempre, Maria de Belém Roseira diz que o adiamento não se deve a qualquer medo de um veto presidência mas ao facto de faltarem pareceres. O argumento é bom. De facto, faltam pareceres. Mas devem chegar muito em breve. Logo, o projecto poderia, dentro de dias seguir o seu curso. Na melhor das hipóteses avança depois de Outubro, após a tomada de posse da nova Assembleia da República.

A cerca de três meses das eleições, Cavaco Silva resolveu limitar os poderes do Governo e da Assembleia da República. O árbitro decidiu que o apito era coisa pouca e começou a tentar acertar na bola, primeiro, e a ditar as tácticas, depois. O presidente não quis ser incomodado até às legislativas com projectos e propostas de lei que pudessem maçar uma certa tranquilidade estival. O PS resolveu entrar no jogo. Para evitar chatices.

Depois queixam-se que Portugal é um país de pouca produtividade.

25 segundos de publicidade


a uma ideia fabulosa. Também recomendável a quem tenha telhados de vidro.

link para o vídeo original, encontrado no  9-9

Por terras de Sua Majestade

Apanhei a maior molha da minha vida ontem a noite em Londres no meio de milhares de gajos e gajas jovens, cheios de cerveja e com chapéus de chuva na mão e fechados.
Perdido, andei duas horas as voltas até encontrar o hotel que ninguém conhecia.
Hoje já estou em York depois de passar por Oxford e Straford upon Avon, onde visitei a casa do William.
As miúdas, loiras, são lindíssimas e mais uma vez aconselho todo o pessoal jovem a não se casar sem antes vir ver as loiras cá do norte.
York é uma pequena cidade com alguns belos monumentos e um rio que a atravessa que se chama Ouse. Tem bons restaurantes, incluindo italianos!
Amanhã arranco para Edimburgo e vou dando notícias.
O A 310 portou-se muito bem!
Abraços.

Falando de democracia: Do sonho à realidade

Falemos do sonho e da necessidade do sonho. O poeta António Gedeão garantiu que «o sonho comanda a vida». Por seu turno, Lenine disse no seu «Que Fazer?»: «Se o homem estivesse completamente privado de sonhar, se não pudesse, de vez em quando, adiantar-se e contemplar com a sua imaginação o quadro inteiramente acabado da obra que se esboça entre as suas mãos, não se me afigura que motivos o obrigariam a compreender e levar a cabo vastas e penosas empresas no terreno das artes, da ciência e da vida prática» […] «O desacordo entre os sonhos e a realidade não produz qualquer dano, desde que a pessoa que sonha creia seriamente no seu sonho, se fixe atentamente na vida, compare as suas observações com os seus castelos no ar e, em geral, trabalhe escrupulosamente na concretização das suas fantasias. Quando existe algum contacto entre os sonhos e a vida, tudo vai bem» No mesmo texto dizia ainda: «Ai desses homens mesquinhos que não sabem sonhar!». Durante a ditadura, sonhávamos com a democracia – alguns limitavam-se a sonhar, outros sonhavam e agiam no sentido de tornar o seu sonho realidade, estabelecendo a tal relação entre a utopia e o mundo real de que fala Lenine. Subitamente, em Abril…
Foi numa tarde do Verão Quente de 1975. A uma janela de uma avenida de Lisboa, via passar uma manifestação onde se gritavam palavras de ordem. Ao meu lado estava um democrata que estivera preso e fora perseguido pela polícia política. Antifascista, ex-membro do Partido Comunista, naquela altura mais ligado ao Partido Socialista, mas homem, por aqueles anos setenta, com grande fortuna pessoal e com uma posição importante. Abanou a cabeça e comentou: «- Não foi para isto que se fez o 25 de Abril! Não foi por isto que eu lutei e fui perseguido». «Isto», eram os gritos de «abaixo a exploração capitalista», e os graffiti que os manifestantes iam deixando pelas paredes da avenida, como um rasto ou como um eco da sua ruidosa passagem – e também as greves, os saneamentos, o Copcon… Não respondi, pois não havia resposta possível, tanto mais que eu, que também tive os meus dissabores durante a ditadura, sempre pensei que um dia as pessoas se poderiam manifestar livremente. Tinha sido mesmo por «aquilo» que eu tinha lutado. Por aqui se vê, como o termo antifascista é vago, impreciso e ilusório. Mas cada um podia, e pode, sonhar o que lhe aprouver.
Luigi Pirandello, o dramaturgo italiano escreveu uma peça a que deu o título Para Cada Um Sua Verdade. De facto, quando antes da Revolução, falávamos da «unidade dos antifascistas», verbalizávamos uma utopia dando corpo a uma ideia que só podia ter viabilidade no curto-prazo – a unidade de que se falava era a da acção contra a ditadura. Mal a ditadura caiu, a ilusão da unidade caiu com ela – os interesses individuais, de classe, as opções políticas, fizeram ruir essa ficção. Para cada um havia uma verdade. A sua verdade.
Aquela explosão popular que encheu as ruas e que significou o fim da guerra colonial, a concessão da independência às colónias, a criação de dezenas de novos partidos, o nascimento de assembleias populares nas empresas, nos bairros, nas escolas, apanhou todos de surpresa. Aquela onda de paixão democrática que, como um tsunami varreu o País de Norte a Sul, surpreendeu todos, apanhando desprevenidos, não só os patrões, como também os democratas e antifascistas que tinham conspirado e lutado contra o regime ditatorial (o sujeito que ao meu lado abanava a cabeça em tom de censura, era um deles); surpreendeu até mesmo os partidos e movimentos que, criados na clandestinidade, tinham como razão da sua existência a crença na força dos trabalhadores e a esperança no advento da democracia. A ilusão da democracia, ganhando as ruas e os corações, excedeu o que a nossa capacidade de sonhar, pudera imaginar. Pensávamos que nada seria como até então. Que tudo ia mudar. Porém, lá veio o 25 de Novembro «repor a normalidade» e, como diz o José Mário Branco em «Eu vim de longe», – Foi um sonho lindo que acabou, houve aqui alguém que se enganou…
Passados estes anos, estas décadas, não se imagina sequer o que eram aquelas manifestações espontâneas. O desfile mumificado que comemora o feriado de 25 de Abril, nada tem a ver com as «manifes» de 74 e 75. As «jornadas de luta» organizadas pelas centrais sindicais, obedecendo a interesses corporativos (respeitáveis, em todo o caso) não dão sequer uma pálida ideia do que aconteceu naqueles 21 meses de brasa. As pessoas já não vêm para a rua gritar a sua revolta, a sua esperança e o seu amor à Liberdade. Estão nas suas casas, em frente da televisão e ver telenovelas, concursos tontos, jogos de futebol, ou a assistir ao degradante espectáculo da «democracia real» – políticos fingindo odiar-se, denunciando-se mutuamente de felonias, corrupções… (e com razão na maior parte das vezes) A democracia com que, seguindo o conselho de Lenine, alguns de nós sonhavam, a da solidariedade, a da fraternidade, não tem a mais vaga semelhança com esta «democracia real».
O meu companheiro da varanda no Verão quente já morreu, mas ainda viveu o suficiente para ver cumprido o seu sonho – os administradores a administrar, os corruptos a enriquecer, os trabalhadores a trabalhar, os marginais a aterrorizar, os políticos a politicar… tudo arrumadinho, tal como ele sonhara. Mas agora sou eu quem diz: – e então o meu sonho? – Não foi para isto que se fez a Revolução, não foi por isto que lutei.
Vivemos na ilusão da democracia. A verdadeira (voltemos ao Zé Mário) é um sonho lindo para viver, quando toda a gente assim quiser.
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"Cum Catano"…

Será verdade tudo ISTO???

(lido numa das caixas de comentários do blasfémias)